Entrevista realizada, pessoalmente, no dia 18 de abril de 2007.Paula é diretora do premiado curta ‘O Homem da Árvore’.
Bom, eu estudei cinema, fui estudar fora, em Barcelona. Estudei lá por 4 anos. Nesses 4 anos a gente fazia muito curta, na escola tinha aquela coisa de estudante de cinema que quer aprender fazendo, e ai você aprende a fazer cinema da maneira mais difícil. Depois quando você vai trabalhar no cinema de verdade, você percebe que tem coisas que são muito mais fáceis. Mas fazer curtas é um modo de poder explorar tudo, desde a linguagem até a produção. Conseguir coisas de graça, ficar horas trabalhando, porque nunca dá pra filmar tudo em quatro dias, bom enfim, e todo mundo aprendendo junto. Acho que o curta é uma grande aula coletiva de cinema.“O Homem da Árvore” foi o primeiro curta que dirigi. Eu escrevi o projeto e mandei para o edital do MINC, quando percebi que ia demorar pra sair a lista dos selecionados resolvi que tinha que filmar como fosse. A história do Mário, o homem da árvore, não dava pra ficar esperando, por que eu não sabia até quando ele poderia viver ali na árvore. E daí eu juntei uma grana, 2 mil reais e falei, eu vou. E fui para Brasília, conheci um pessoal de Brasília bem bacana que faz cinema, que faz curta, e também está começando, outros que nem estão começando, mas que também entraram de cabeça no projeto. E ai foi isso, fui com a cara e com a coragem.
Não, de jeito nenhum, é um outro gênero, assim como o média. O média é um formato mais difícil porque hoje em dia nos festivais, são poucos festivais que aceitam, ele não tem a agilidade, a rapidez que o curta tem, e ele não te dá o tempo para se envolver como no longa, então acho o média realmente um formato que saiu porque o mercado é restrito, mas o curta não, é um formato, é uma linguagem, é um conto, só que é leve, ali, tem começo, meio e fim, a se desenvolver rapidamente.
Se eu tenho? Tenho, acho que eu tenho muitas histórias para contar, porque é um desafio, você imaginar a história se desenvolve assim, assim e assim, e daí, como é que você conta? Existem mil maneiras de se contar isso, que podem durar um minuto, durar três ou que podem durar quinze minutos, e é um desafio desenvolver. Eu acho incrível. Acho até que quanto mais curto, melhor o curta.
Hoje em dia existem muitos meios para se fazer um filme. É difícil saber, com essa quantidade de curtas que estão sendo produzidos e com a quantidade de cineastas e videomakers que existem, todo mundo hoje em dia pode fazer um vídeo, e eu acho que isso é muito bom, no sentido de estar se explorando a forma, o formato do vídeo, que realmente é um formato que todo mundo pode ter acesso. Ao mesmo tempo se produz muita coisa ruim, mas acho que a longo prazo as pessoas que conseguirem se desenvolver bem, que forem boas e tiverem histórias legais para contar, sendo amadores ou não, elas vão se destacar por si só, e vão seguir a carreira ou não, mas eu acho que a obra fala por si só. E o que é ruim vai ser ruim, as pessoas vêem e não vão mais ver, e morre ali mesmo.



