terça-feira, 13 de abril de 2010

J. Gaspar



José Gaspar, é um diretor brasileiro, conhecido por ter dirigido diversos filmes eróticos com figuras famosas da televisão como Leila Lopes, Rita Cadillac e Regininha Poltergeist.

Dirigiu vários curtas metragens, videoclipes independentes, documentários, comerciais e programas de televisão. Seu último curta, "A Lenda do Contador de Histórias", foi realizado com recursos captados pela Lei Rubem Braga e venceu em primeiro lugar pelo júri oficial no Festival Curta Barra 2005. Atualmente J. Gaspar prepara seu primeiro longa-metragem.

Antes de seguir carreira como diretor de cinema, o senhor cursou Física na USP e chegou a trabalhar no Laboratório de Inteligência Artificial da Escola Politécnica onde estudou Robótica e Redes Neurais. Essa sua história vai na esteira de outros grandes diretores de cinema, como o Fernando Meireles (para citar um caso no Brasil), que também não é formado em cinema. Qual é a importância na sua formação de físico para a sua carreira no cinema? Acha necessário o estudo em cinema para ser diretor?
Estudo sim, sem dúvida. Formação acadêmica, não. Acho que o cinema é uma área que requer muito da formação cultural do realizador. Então quanto mais conhecimento a pessoa tiver sobre qualquer assunto, mais isso vai ajudar em seu trabalho. Fazer um filme, qualquer que seja o filme, qualquer que seja o gênero, sempre será um trabalho multidisciplinar, que envolve todas as formas de arte e muitas formas de ciência.

É por isso que vemos tantos cineastas com formação em áreas tão diversas como arquitetura, psicologia, física, engenharia, etc.

Quanto à formação em cinema especificamente, não acho que seja necessária, mas pode ajudar a queimar etapas no que diz respeito a não ficar reinventando a roda nos primeiros filmes e cometendo erros primários, que poderiam ser sanados já no curso. Além de ser uma excelente forma de fazer networking no inicio da carreira. Mas mais que um curso, o importante é assistir a filmes e pensar sobre eles.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
A maior importância do curta metragem é a experimentação. A formação de diretores, atores e técnicos. Alem da formação que possibilita, é um formato ideal para se contar certas historias que ficariam muito esticadas num longa. Porem não é um formato comercial. Não conheço nenhum país onde o público tenha o hábito de assistir a curtas metragens. Então ele fica relegado a festivais e acaba sendo assistido principalmente por pessoas do meio cinematográfico. Acho que a internet poderia popularizar o formato.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Pela ausência quase total de público. Infelizmente é um formato, comercialmente tão ingrato quanto o conto na literatura. Não havendo público não haverá espaço na mídia e vice versa. A experiência cinematográfica envolve um ritual. Antes de assistir a um filme você consulta a programação, lê criticas e sinopses, sai de casa com uma expectativa em relação ao filme e dirige-se até o local da projeção. Muitas vezes você tem de ir de carro até o local, então você coloca seu carro num estacionamento, fica numa fila, compra a entrada, vai até a lojinha de guloseimas e por fim senta-se de frente para uma tela. Agora imagine que uma vez na sala de projeção, depois de todo esse ritual, você assista a um filme de 4 minutos e meio. Por mais interessante que o filme seja, com certeza você esperava um entretenimento um pouco mais longo que justificasse todo o seu envolvimento.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
De novo caímos na questão comercial. Curtas não são fáceis de comercializar e, portanto dificilmente um cineasta vai conseguir ganhar dinheiro com eles. Mesmo que eliminemos a questão financeira da arte, ainda assim, é mais interessante saber que o formato que você esta usando para fazer o seu filme tem um interesse maior de publico, o que vai fazer com o seu filme possa ser visto por mais pessoas. O longa acaba sendo a melhor opção para se contar histórias visualmente.

Conte como foi filmar "O Aviãozinho e a Flor", seu processo de criação, produção e direção.
Esse foi um curta infantil sobre um aviãozinho de brinquedo que faz uma aposta com outros brinquedos e objetos de uma casa. A idéia surgiu no momento em que olhei ao redor na minha própria casa e me perguntei que filme eu poderia fazer ali naquele exato momento.

Conte como foi filmar "O Duplo", seu processo de criação, produção e direção.
"O Duplo" é uma historia de terror psicológico sobre uma garota atormentada com viagens astrais. Foi um curta onde foi possível fazer muita experimentação com edição, já que o tempo não fluía de maneira linear.

Conte como foi filmar "Alucinação", seu processo de criação, produção e direção.
"Alucinação" foi o meu primeiro curta-metragem. Só tem um ator que era meu assistente também. Nós dois fizemos o curta em dois dias num galpão abandonado que chamávamos de “laboratório”.

Conte como foi filmar "Abstração - Ensaios de Luz", seu processo de criação, produção e direção.
Abstração não tem uma história, é uma sequência de cenas abstratas, quase como uma animação. Foi minha primeira experiência com uma câmera.

Seu último curta, “A Lenda do Contador de Histórias”, venceu em primeiro lugar pelo júri oficial no Festival Curta Barra 2005. como foi filmá-lo?
"A Lenda" foi o curta mais bem acabado que fiz, tanto no que diz respeito à técnica quanto à arte. Tive muito trabalho com o roteiro que também não era linear. Estive o tempo todo no limiar entre fazer um filme que ninguém entenderia e ser didático demais no que eu queria dizer.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não acho que seja marginalizado. O fato é que a maioria dos cineastas preferia fazer longas.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, gostaria muito. Principalmente se eu quisesse fazer experiências de linguagem, o curta é ideal para isso.

No período da ‘Boca do Lixo’, muitos diretores filmavam pornochanchadas e filmes de sexo explícito com nomes fantasia pois temiam ficar marcados por esses filmes e não terem mais espaço para fazerem outros filmes de gêneros diferentes. O senhor assina seus filmes com o seu nome verdadeiro. Qual é a razão?
Dirigir um filme, qualquer que seja o gênero, é antes de tudo um ato de coragem. Como diretor você carregará o fardo do fracasso ou a gloria do sucesso do filme. O diretor dá “a cara à tapa” e tem que acreditar naquilo que está fazendo. Fazer um filme é ficar apaixonado pela idéia. Envolver-se com ela e dedicar-se a ela integralmente. Como eu poderia não assinar uma coisa assim?

Quais as suas influencias no cinema? A ‘Boca do Lixo’ seria uma delas?
Não. Minhas referências vem de diretores que gosto, não de escolas ou movimentos. Entre eles: Alfred Hitchcock, Charles Chaplin, Steven Spielberg, Ingmar Bergman, Roman Polansky, David Lynch, Paul Thomas Anderson, Lars Von Trier, Stanley Kubrick, etc.

Em 2003, um de seus filmes, “Gotic”, concorreu ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no AVN Awards, o Oscar pornô americano. Esse trabalho começou a elevar o seu nome como um dos grandes diretores de cinema pornô. Foi a partir daí que começou a guinada na produção nacional?
Não sei se pode-se falar numa guinada no pornô nacional. Existem estilos e abordagens. Engana-se quem pensa que não é possível fazer coisas de qualidade nesse gênero. Sempre encarei a produção de um filme pornô da mesma forma que encararia um curta, um longa ou um comercial. Com o mesmo profissionalismo e a mesma paixão pela idéia. Todos os filmes tem uma idéia, um conceito que os sustenta, independente do gênero. Se essa idéia for boa e se o diretor conseguir passá-la para a tela de uma forma interessante, então o gênero não importa e o filme será bom.

Todos os seus de títulos de longas-metragens, mantêm padrões técnicos de figurino, cenário, som e luz. Também são estrelados por rostos conhecidos da televisão. O senhor se considera o rei do pornô?
Absolutamente não. Sou um diretor.

Acredita que nomes como o seu, de Leila Lopes, entre outros, pode mudar a visão do cinema pornô no país? Quais as perspectivas para o futuro?
Houve uma fase de filmes com figuras famosas da televisão. Foi uma fase boa, principalmente pela mídia que isso rendeu aos filmes, o que fez, consequentemente, os filmes muito vistos, que por sua vez fez com que o orçamento desses filmes também fosse bem maior. Mas já havia filmes pornôs de alta qualidade antes dos famosos entrarem no gênero e vai continuar havendo depois que eles saírem.

Os famosos deram visibilidade ao gênero. Mas um gênero não se sustenta apenas com mídia. O pornô precisa se reinventar se quiser manter o público.

Qual é o seu próximo projeto?
Um longa, enfim.

2 comentários:

diego disse...

j.gaspar,eu sou um um principiante,nessa grande area dos curtas e até longa metragem,quero fazer um longa metragem que mostre o outro lado da cidade de são paulo.mais por Falta de condição,não tenho nenhum curso de diretor ou filmagem,quero seguir essa area,mas o meu financero não me ajuda.tenho boas ideias mais,não tenho ajuda de ninguem,estou querendo fazer um longa metragem casero,com alguns amigos meus e algumas cameras de video.sera que se eu divulgase os dvds e desse pra amigos divulgarem eu ficaria reconhecido,e outros me ajudariam a fazer um longa metragem digno.você não pode me dar alguns toques de como começar.ah! e um detalhe vai ser feito com pessoas contando uma historia de quatro "amigos"adeilton

Anônimo disse...

Esse negócio de querer entrar para o ramo do cinema não é tão simples assim. J. Gaspar está a frente de seu tempo em matéria de cinema porno ou não, o cara nasceu para aquilo. Agora o que não pode é virar o que a industria musical virou. É tanto lixo, tanta gente achando que pode ser cantor músico etc...