quarta-feira, 18 de março de 2009

Julio Villani

Julio Villani é artista plástico e usa recursos de vídeo para as suas instalações.

Você é um artista plástico, que gosta de trabalhar com vídeo. Conta um pouco dessa sua relação com o vídeo.
Olha, minha relação com o vídeo começa no ano 2000, mais ou menos, quando eu ganhei uma câmera Mini-DV, e eu começo na verdade a ter uma necessidade, que é uma necessidade que existe já algum tempo, de tentar registrar, ou fotograficamente, ou através de vídeo, algumas cenas que aconteciam no meu cotidiano de pintura e escultura no A.T.D., então a minha relação com o vídeo começa basicamente dessa forma.

E qual é a sua relação com o curta-metragem, já produziu algum ou assiste?
Não, eu não produzi nenhum, eu gosto muito de ver o programa que só apresenta curtas-metragens, mas eu não acho que os meus filmes são curtas-metragens, porque não tem história, tem só uma idéia que eu exploro essa idéia, nunca mais de 5 minutos ou 10 minutos. Então não dá pra chamar isso de curta-metragem, essa é minha relação, mas eu gosto muito de ver e vou freqüentemente ver curta-metragem. Mas como eu não me lembro nomes, eu teria dificuldade para falar nomes.

O artista plástico tem que ter um grande poder de síntese, porque ele tem que fazer uma obra que é pequena ou grande, mas que está ali, e ela não é muito extensa. E o curta-metragem tem um grande poder de síntese, o que você acha dessa analogia, você acha que poderia, com essa sua categoria em fazer trabalhos de arte enveredar para área de cinema?
Olha, eu não sei o que vai dar essa minha história com o vídeo, eu concordo com você que o artista plástico sobre tudo, e um poeta ele tem mais capacidade de síntese, porque finalmente é com a síntese que a gente trabalha a pintura e a poesia, agora o vídeo por enquanto ele me satisfaz bastante nesse sentido, a mim por enquanto essa síntese das idéia, não me interessa narrar, me interessa só explorar uma idéia e mostrar essa exploração, essa reflexão, ponto. Fazer curta, fazer filmes, já entra nesse processo de narrativa, eu não sei se cabe a mim fazer, mas como a gente nunca pode dizer nunca, quem sabe.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Simone Spoladore


A atriz foi indicada três vezes ao Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, na categoria melhor atriz por ‘Desmundo’ (2002), papel o qual ganhou um APCA, e na categoria melhor atriz coadjuvante por ‘Lavoura Arcaica’ (2001) e por ‘O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias’ (2006).

Simone, fale um pouco da sua experiência com o curta.
Eu acho o curta muito interessante porque em pouco tempo você tem que comunicar muita coisa. A pessoa que cria e vai escrever o roteiro, tem que ser muito preciso no que ele quer, no que ele tá querendo com aquele curta, e os atores também, porque a gente tem pouco tempo em cena e a experiência acaba sendo muito intensa, muito presente, temos mesmo que aproveitar os instantes e descobrindo, acho que eu tenho algumas experiências bem diferentes com curtas, uma experiência que me marcou bastante foi o ‘Dramática’ da Ava Rocha porque a gente construiu o curta muito juntas e isso foi muito legal. Eu recebi o roteiro em casa, ela não me conhecia e me convidou para fazer, e aí a gente começou a se encontrar, e a gente ficou um ano nesse processo de encontros para fazer o curta, era para ser parte da filmagem a primeira vez que a gente participa do carnaval do Rio, a gente fez um improviso lá, mas aí a gente demorou um ano para retornar ao carnaval, então aquelas imagens ficaram como se fossem parte da pesquisa, e a gente refez tudo no carnaval de novo.

Mas foi muito legal esse tempo, outros curtas são feitos de uma maneira mais rápida, mas esse curta especialmente demorou um ano para fazer, ela demorou muito mais certamente, porque ela deveria estar com isso na cabeça há muito tempo, mas meu encontro com ela até o curta finalizado, pelo menos na parte de filmagem, demorou um ano e isso foi muito legal, porque a gente foi construindo juntos o personagem, e conversando, e como a gente teve que ficar improvisados no carnaval eu pode contribuir mesmo para a forma do personagem, e até para forma do curta, que eu, não somente eu, claro, eu, Cristiano e Rodolfo. E outra coisa, como nós ficamos íntimos da Ava, amigos assim, é claro que a gente vai para o set de uma outra maneira, que a gente pode correr mais riscos e ela estava mais atenta ao que agente estava fazendo e deixando a câmera aberta para a gente poder brincar e improvisar mesmo. Então essa foi minha experiência com a Ava.

Agora tem outras experiências, tem a Alice, por exemplo, o Rafael que foi assistir uma peça que eu fiz e escreveu o curta por causa da peça, e fui fazer lá FAAP e daí foi uma outra experiência que a gente não se encontrou, acabou não tendo ensaios né, tudo muito descoberto na hora mesmo, e a gente foi fazendo, mas eu acho que todas as experiências se complementam sabe, tem realmente trabalhos, eu falo de longas e curtas, que você precisa de uma preparação assim, mas tem outros trabalhos que quanto menos preparar, melhor! Trabalhos que não precisam preparar mesmo. Aí eu me lembro de uma coisa que a Juliane Moore até fala, ela diz que não estuda nada para os seus personagens, e que às vezes dá muito certo e que ela chega e descobre ali na hora, e tem vezes que ela não descobre o que era aquele personagem. Mas é claro que também trabalhar, estudar e pesquisar é parte do processo, cada filme tem seu processo próprio.

O curta tem o poder de síntese muito grande, e assim, tem pouco tempo para contar uma história. Para uma atriz, como é esse processo como você falou, tem gente que se prepara mais, tem gente que não se prepara, como é esse processo de construir um personagem para um curta-metragem, não tem muito tempo para preparar ele, no próprio enredo já tem que estar pronto?
Então, na verdade acho que não tem disso que tem gente que se prepara e gente que não, tem processos, eu às vezes me preparo, às vezes não, isso depende de como esse processo vai acontecendo, isso depende de tudo, do tempo que você tem, da relação que você tem com o diretor, é claro que de uma maneira ou de outra você está sempre se preparando, porque mesmo que você não ensaie, o filme fica agindo inconscientemente em você, isso é que eu percebo bastante, tenho percebido muito, você lê lá o roteiro e você nem está pensando, você nem está estudando o roteiro ou lendo uma coisa para complementar, você tá tomando um café assim, e vê a imagem do personagem ou vê uma pessoa que lembra seu personagem, uma situação que você lembra daquilo, você não está trabalhando, mas está trabalhando o tempo todo na verdade, principalmente porque agente trabalha mesmo com o que esta na vida, com o que é fantasia também, é claro, mas as coisas vão se complementando.

Então, eu na verdade ainda não sei, ainda não existe para mim uma técnica, um método de trabalho de falar, para o curta eu me preparo sempre, não sei, é um processo de descoberta cada vez, e tem muito dos encontros com as pessoas, isso que eu acho bem bonito assim, o próprio trabalho se revela no encontro que você teve com a pessoa, é a maneira que as pessoas vêm para falar com você para fazer o curta, é como elas se aproximam, o que ela diz, o que ela não diz, isso que vai invernando o próprio processo. Por exemplo, no ‘Dramática’ a gente teve um processo mais longo, então deu tempo, ela deu livros para ler, tinha complementado, víamos filmes juntas, ela me indicou vários filmes para eu ver, várias possibilidades de você se aproximar.

Você acha que da para contar uma história em tão pouco tempo de metragem?
Acho que é como um conto, até estava lendo Dalton Trevisan antes de assistir a peça agora do Felipe Hirsch que é maravilhosa, e ai ele diz, o Dalton diz, que uma vida inteira é pouco, acho que com o curta deve ser a mesma coisa. Uma vida inteira deve ser pouca para fazer um curta.

O que te atrai, é a historia, é a maneira experimental, trabalhar com um jovem diretor, um roteiro, o que leva fazer um curta?
Acho que tem duas coisas importantes assim, o roteiro mesmo, aquilo que aquela personagem te manifesta naquele roteiro, às vezes até o seu momento assim, tem vontade de fazer um tipo de personagem, não um outro né, sei lá, e a maneira que a pessoa, como ela encontra, como eu te disse, e aí a outra questão que eu experimentei fazendo esses curtas de trabalhar com pessoas da minha geração, aprendendo juntos mesmo. Isso foi com o Eduardo, com o Rafael, com a Ava.

A Ava, o Eduardo e o Rafael são da minha idade praticamente, é maravilhoso porque a gente está construindo uma coisa juntos, então assim, eu estou aprendendo com eles, eles estão aprendendo comigo e eu acho que o trabalho sempre melhora assim quando o trabalho é de parceria, isso em todos, em longas em tudo.

A atriz, assim como o diretor, eles sempre querem ser vistos por várias pessoas, quer mostrar seu trabalho, e uma maior amplificação desse trabalho melhor, para dar visibilidade, porque ele quer levar para as pessoas, e o curta ele é restrito a poucos lugares que exibe e o publico é meio que seletivo. Isso de certa forma chateia, o que poderia ser feito?
Acho que dá pra fazer o que esta sendo feito de uma maneira, eu não saberia dizer outra coisa, mas eu acho que tem sites que estão exibindo muitos curtas, tem o Porta Curtas, quem está interessado, está vendo, e quem tem acesso, claro. Quem está interessado e tem acesso acaba vendo na internet, ou nos cinemas. Agora tem passado também, algumas sessões assim, acho que poderia ter mais sessões, sei lá, talvez instituir coisas como sempre passar um curta antes de um longa em todas a salas de cinema, criar um hábito das pessoas verem um curta. Tem programas de televisão que passa também, programa de curtas, canal pago ainda.

Acho que tem que ir abrindo, é uma iniciativa maravilhosa de ter um site falando sobre isso, que acho que já vai abrindo caminhos para as pessoas de se interessar e de ter informações sobre isso. Acho que a única maneira é essa, irem criando essas redes, e irem expandindo no mercado sem precisar ir por elas mesmas tomando iniciativa mesmo de expandir, tendo o site, abrindo salas de cinema quando podem, agora para chegar nas pessoas que não podem ter acesso a isso, ai eu já não sei, porque ela não podem nem ir ao cinema, nem para ver longa nem para ver nada, ainda tem que mudar tudo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Paulo Morelli

Paulo Morelli é roteirista, produtor e diretor de cinema. Junto com Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro, abriu a produtora O2 Filmes, hoje a maior produtora do Brasil. Depois de fazer comerciais e programas de TV, começou a fazer curtas e longas-metragens. Seu primeiro curta, "Lápide", ganhou o prêmio de melhor filme em quatro festivais, incluindo Havana, Los Angeles, Rio e São Paulo.

Você acha que o curta-metragem é um gênero menor para um cineasta, para um produtor?
Não, eu acho um gênero super importante, a gente inclusive começou fazendo curtas aqui na O2 Filmes, quando a gente veio da publicidade, a primeira experiência foi passar pelos curtas, acho que é um gênero vital, um gênero que te permite mais experimentação que o próprio longa-metragem.

O comercial pode-se considerar também um curta- metragem pelo poder de síntese que ele tem de passar uma mensagem, então você acha que não teve muita dificuldade de ir para um curta, que também é uma linguagem parecida com o comercial?
Eu não acho que são tão parecidos não, acho que eles parecem ter coisas em comum, e até tem, tudo bem, eles buscam a síntese, mas acho que eles tem diferenças fundamentais muito grandes, acho que o comercial tem objetivo muito claro de vender algum produto, essa é a mensagem que ele está passando, e apenas essa mensagem e ponto final. Quando você abre para uma produção de conteúdo, para uma coisa que caminha no sentido da arte você amplia muito o leque do que você esta dizendo, dos assuntos que você está tratando e tal, e é uma riqueza muito maior do curta-metragem para o comercial, o comercial é um instrumento de vendas, o curta-metragem pode virar uma obra de arte.

Você acha que dá para contar uma história em tão pouco tempo de rodagem?
Dá, eu acho que tem vários curtas que contam uma história, tem histórias longas e tem histórias curtas, acho que sim, com certeza, acho que aí vem também a síntese, esse trabalho de síntese que se procura no curta, ele é muito interessante, como desenvolvimento das ferramentas do diretor, agente tem que ser muito sintético quando está contando uma história para você focar no que você realmente quer dizer, e acho que o curta é um exercício para isso.

Fala um pouco sobre sua experiência com curta-metragem.
Olha, em cinema eu fiz um curta que chama ‘Lápide’, foi em 97 já era na O2 Filmes, e enfim, foi muito gratificante, foi uma maneira de filmar muito simples, foram alguns planos seqüência, mas não com o rigor de ser só plano seqüência, mas o espírito do curta era ser poucos planos para ser muito fácil filmar, era um filme de 17 minutos que eu fiz em duas viagens, e enfim, fiquei muito satisfeito, ele foi para vários festivais, ganhou alguns festivais legais e tal, mas antes disso eu fiz vários curtas em vídeo, na outra produtora que eu tive que chamava ‘Olhar Eletrônico’, antes da O2, eu tinha uma outra produtora com o Fernando também, a gente é sócio há muito tempo.

Qual é o grande barato do curta-metragem?
Para mim a melhor parte do curta-metragem foi apresentar o curta em festivais, é muito legal você ter um curta e começar a percorrer alguns festivais do mundo e do Brasil exibindo, e ver a reação do público. Para mim o grande prazer de fazer cinema é quando acontece essa ligação entre o que você fez durante tanto tempo e quando você apresenta isso para o publico, é muito prazeroso isso, e um curta-metragem possibilita isso de uma maneira muito legal porque os festivais são muito ativos, muito cheios de gente, as pessoas estão efervescendo, é muito prazeroso você apresentar um filme para uma grande audiência.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Laerte


Laerte é um é um dos principais quadrinistas do Brasil. Participou de diversas publicações como a Balão e O Pasquim. Também colaborou com as revistas Veja e Istoé e os jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. Criou diversos personagens, como os Piratas do Tietê.

Conte um pouco da sua experiência com vídeo?
Espera aí, define melhor vídeo, animação, porque não foi exatamente com o vídeo, animação foi feita num sistema tradicional de desenhos e usando flashes também, mas não é exatamente vídeo. E depois essa parte técnica tudo, não foi eu que fiz, eu me limitei ao roteiro e tudo, então essa minha experiência com vídeo é essa.

O que você acha o grande barato de um curta metragem? Você assiste bastante curta?
Olha, até que assisto bastante curtas eu dou umas passeadas no Youtube!, na TV, ou naqueles festivais de curtas assim, se bem que minha experiência na rede é meio recente, até bem pouco tempo, até semana passada eu não tinha banda larga então não entrava no Youtube!, mas minha experiência é bastante pequena, eu acho que é um público que está começando agora, a medida que essas possibilidades todas ficarem mais acessíveis eu acho que vai acontecer um grande boom assim, mas acho que ainda não aconteceu.

Um desenhista tem um grande poder de síntese, você tem que passar uma mensagem num quadrinho, numa charge, num cartoon, e o seu trabalho eu acho que dá pra encaixar...
Um só momento para eu completar o que estava falando antes. Eu acho que nada aconteceu em umas né?... Em relação a minha experiência aconteceu já, o número de artistas e desenhistas que estão hoje aí integrados e produzindo linguagens bastante novas assim, já é pra mim o boom, o que acho que ainda não aconteceu é em relação a potencialidade da coisa, o potencial do lance, existe a possibilidade de uma transformação bastante maior do que a que ta acontecendo e eu acho que vai rolar ainda mais para frente. Desculpa.

Em relação a essa pergunta eu penso, tanto penso que tô fazendo isso dentro de uma certa medida é claro, porque no domínio técnico dessas coisas estou me introduzindo, na verdade eu sou o artesão do papel, eu faço histórias no papel século 20 ainda.Mas estou fazendo um longa-metragem com Otto Guerra o diretor do Woodstock e do filme do Adão e isso está rolando, já está em fase de roteiro, pode ser dito já está em fase de roteiro ou ainda está em fase de roteiro, dependendo do ponto que você olha, qual que está meio cheio e meio vazio. Mas está fazendo é um filme que vai sair.

E com curta não pensa em fazer alguma coisa?
Eu e o meu filho fizemos um curta, ele desenhou, dirigiu e tudo, baseado numa história minha. Eu ajudei um pouco no roteiro e o argumento é meu. Chama ‘Quimicara’, e não sei se já tá na rede, eu não sei direito o plano que ele tem. Ele e a produtora, que é a ‘Zói Filmes’, e foi ótimo foi muito bom, funcionou muito bem, e para mim foi revelador e bastante emocionante ver não só os desenhos criando,quer dizer, se movimentando no tempo, não só no espaço.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Phedra D. Córdoba

Phedra D. Córdoba atua no teatro paulistano. É um dos símbolos dos Satyros.

Conte um pouco da sua experiência com curta metragem
Eu já fiz documentários com Kiko Goifman que inclusive eu ia trazer o livro para demonstrar que eu não esperava que o Kiko fosse uma pessoa tão linda comigo, mas agora tem um outro curta que a Claudia, a esposa dele, vai fazer sobre a minha vida, e não sei o que eles vão abordar nesse curta, mas é um curta dramático, ele falou para mim.

Eu estou muito lisonjeada porque ultimamente minha carreira está indo de vento em polpa, sobretudo no cinema e os documentários curtos, eu acho que tenho 4, não posso te enumerar eles, já fiz tantos, que não sei qual. Tem um que veio aqui, pediu licença para o Rodolfo para assistir a peça, para eles gravarem a peça, na época a peça era “Transex”, então o que mais me marcou foi do Kiko, porque está muito bonito, o convite dele, o livro que ele fez, que se chama ‘Os artistas estrangeiros que triunfaram no Brasil’, são muitos artistas que não são brasileiros e que levantaram o teatro, o rádio e a televisão.

Qual é a sua opinião sobre o curta-metragem, é uma coisa que atrai você que é uma atriz mais de teatro, como é para você trabalhar com curta-metragem?
È uma experiência muito bonita, mas um pouco cansativa porque quase sempre os diretores estudaram cinema, estudaram direção de cinema, então quase todos me falam: isso aqui não é teatro é cinema, então as expressões nossas não podem ser tão radicais como no teatro, não podemos ter expressões para chegar para o público um pouco mais exagerado no cinema, então um gesto que você tiver nesses curtas, de exagerado fica cafona, então você tem que reprimir aquilo e ter uma dominância sobre você como profissional e sobre aquilo que o diretor está te mandando fazer, é muito cansativo, é lindo, mas é cansativo ouvir: não, não faça assim, não pode chorar assim porque isso é cinema, e você fica, olha posso me concentrar por favor, porque uma coisa é teatro e você esta falando que isso cinema, é diferente, então eu tenho que me concentrar e pensar no agora, câmera e fotografia, então ficar pensando, sempre peço licença, uma licencinha porque tenho que me concentrar pensar que não posso fazer um gesto dramático como no teatro.

Qual você acha que é o grande barato do curta-metragem?
Bom, eu acho que atualmente os cineastas, espero que façam curta-metragem como René Guerra que é maravilhoso e escolheu um elenco muito bom e forte, que seja visto pelos cinemas do Brasil, não só os longas, mas os curtas dramáticos, que sejam vistos no cinema, não só em determinados lugares como Espaço Unibanco. Teria que ser decidido que os empresários de cinema e as próprias pessoas que cultuam o cinema tratem que estes curtas vão para o cinema, e que as pessoas vejam esses curtas porque são maravilhosos, nós assistimos agora um pequeno festival de curtas e que tinham coisas divinas que o Brasil tem e que não é propaganda, e ninguém sabe, a mídia não pega, é necessário isso, eu sempre protesto.

Os Satyros devem enveredar para o cinema e levar essa linguagem revolucionária que vocês fazem no teatro, jogar também para o cinema, por exemplo?
È a idéia de Rodolfo Garcia Vázquez, que é um grande diretor, eu gosto muito dele, agora recebemos um troféu em ‘Inocência’, como a melhor peça do ano, foi muito gratificante da parte dele, quando entregaram o troféu ele preferiu que eu falasse e agradecesse o troféu, foi muito lindo. Ele é maravilhoso como diretor, anteontem eu fiquei muito assombrada como ele, diretor de teatro, soube se encaixar em um teleteatro para televisão, ele está de parabéns, e espero que tenha a idéia futuramente de fazer um longa, Deus queira que ajude a todos nós. Você vê o que você acaba de falar para mim, teatro dentro do cinema, como eu já te disse, é diferente, não é a mesma coisa, não são as mesmas expressões e um pouquinho mais curtinho os textos, o texto às vezes, os diretores preferem que você faça expressão corporal e não voz, porque aqui é no rosto, nas mãos, no corpo todo, que dá o destaque do cinema, que eu dá uma imagem muito bonita e que eu estou aprendendo agora, mais que há anos atrás mas agora com esses cineastas brasileiros não é assim, agente aprende viu.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Juliana Galdino

Juliana Galdino foi uma das principais atrizes do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT) dirigido pelo renomado diretor Antunes Filho em São Paulo. Hoje é uma das grandes atrizes brasileiras.

Conte um pouco da sua experiência com os curtas.
Eu fiz um que se chama “Gasolina Comum” que eu não assisti, na verdade é que eu sei muito pouco, aliás, o que se trata é que foi meio um susto, um convite feito bem em cima da hora. E o outro chama “Maria Angélica”, do Cassiano Franz, que por eventualidade do destino acabou falecendo antes de concluir o próprio filme, que foi uma semana depois das filmagens, um cara de Londrina, que eu também não assisti. Então, essas foram as duas experiências que eu tive com curta na verdade.

Para você que é uma atriz mais de teatro, como foi trabalhar com essa linguagem do curta-metragem, processo de trabalho, de criação e tudo mais?
Achei fantástico, o cinema é incrível. O poder de síntese que um curta deve ter, que tem, eu acho impressionante, na verdade o apuro técnico, a qualidade, tanto do poder de síntese, quando dos elementos que são essenciais, quanto a elaboração de um roteiro, uma história para curta eu acho fascinante, eu sempre adorei as crônicas, os contos curtos, eu acho que eles não meio primos, irmãos, e são coisas que você tem meio uma célula de um todo e seu imaginário funciona fantasticamente dentro. Quando você tem só uma indicação do que a vida inteira de um universo muito mais elaborado que um filme inteiro, acho que o curta é possibilidade da gente viajar junto com o autor, com as idéias.

Qual é a analogia, se é que pode fazer alguma entre o teatro e o cinema, por exemplo?
Nenhuma eu acho, o teatro ele fica gravado na pupila, o cinema fica gravado numa fita, num DVD que você tem embaixo do seu aparelho de televisão, acho que a aceitação na hora, a atenção é sempre a mesma claro, mas o fato de você ter no cinema uma desordenação, de você não necessariamente filmar numa seqüência cronológica, numa seqüência dos fatos, eu acho que exige uma atenção maior, ou pelo menos uma preocupação de quem está fazendo pra criar uma lógica existente.

O teatro você ensaia muito antes, você sabe tudo que está acontecendo, eu acho que tudo tem a coisa do imprevisto, do imprevisível, mas o cinema ele, se existir, tem um editor que vai ajustar para você, o cinema você faz em equipe, o teatro você está sozinho, a verdade é essa, por mais que você tem alguém conversando com você, é ali na hora, ninguém vai entrar e consertar o que você está fazendo, tem a intenção.

Resumindo pra você: cinema tem edição e o teatro não tem.

Você acha que o teatro é muito mais interessante que o cinema?
Não que seja mais interessante, mas uma questão de gosto, tem gente que gosta de... sua pergunta é tendenciosa, não é questão de preferência é questão de tato mesmo, de saber lidar com o instrumento, quem não sabe fazer cinema acho que pena muito, ou tem muita vocação, se entrega muito na mão dos caras, olha sua pergunta é estranha, porque não é uma questão de interesse, para mim é porque eu gosto de teatro, mas eu adoro assistir cinema, acho que a questão de fazer um ou outro é que eu prefiro fazer teatro, e se tiver que assistir vou falar para você, as vezes prefiro assistir cinema, assim você pode sair da sala sem magoar ninguém.

O que te leva a ir assistir uma peça e te levaria a assistir por exemplo um curta, que é difícil até de ser encontrado?
Olha, são vários fatores, se você conhece a peça, você quer saber o que fizeram com ela, é como você ler um livro e conversasse sobre ele com alguém, como cada um aborda, o que cada um pensa sobre um tema, porque é como se você imaginasse eu correndo ali, antes de você ver a coisa se concretizar.

O cinema é a mesma coisa, se é um tema que te inspira, se já te sugere coisas, você quer ver como eles também trataram, agora você também vai pela atuação, pela direção, por um olho, alguém que você conhece, como foi o tratamento das pessoas, mas nesses, fundamentalmente, acho que outros transportes te colocam numa catapulta para outros lugares, tua percepção para outras coisas ou uma repetição da mesma coisa, e ai não me interessa muito não. Acho que toda arte visual, que o teatro também faz parte, porque a gente também está com o olho ali na pessoa, ou ele te impulsiona pra lugares que você ainda não conhece e hoje terá acesso, é uma espécie de chamado mesmo, ou te acrescenta ou vai estar ilustrando coisas, vai estar enfeitando uma realidade.

Eu acho que essa coisa de enfeitar mais do que aprofundar aquela temática teria mais a ver com uma moda, uma passarela, do que com o ser humano na transformação dele. Não me interessa muito nenhuma arte, nem cinema, teatro, nem literatura que fica só escrevendo em vez de dialogando com você, talhando a gente, tentando chegar em algum outro lugar a não ser previsível superficial, banal, não vejo por que fazer, acho que é perder tempo e dinheiro.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Nelson Sargento

Nelson Sargento foi tema de um curta-metragem que documenta parte da sua história.

Nelson, fala um pouco sobre o filme que fizeram em sua homenagem.
É um curta-metragem feito pelo Estevão Ciavatta, que é um pouco da minha vida nesse filme, e a vantagem é que foram feitos com cenários naturais, manteiga do morro mesmo, diversas cenas, esse era um documentário que realmente não tem cenário montado, cenário natural mesmo, cenário que eu vivi, cenário que eu desfrutei. E é tudo verdade o que está ali.

Gostou de ser retratado em filme, achou que foi uma bonita homenagem?
Claro, quem não gosta de ser homenageado, e outra coisa, o Estevão, vamos dizer assim, era um sargento. Você vai fazer um filme, mas não tem o roteiro, o que tinha de roteiro é que nós fomos fazendo na conta da filmagem.

Você gostou do resultado final?
O resultado final foi um prêmio pra mim, o filme foi condecorado. Ganhamos prêmio de diretor, prêmio de direção, prêmio de fotografia, prêmio de trilha sonora, eu me abdico por isso, então foi espetacular.

O Kikito está na estante?
O Kikito é o maior prêmio nacional, né? É o Oscar do Brasil.