quinta-feira, 1 de outubro de 2015

R.F.Lucchetti


Após 15 anos de espera, finalmente chega "O Escorpião Escarlate - O Roteiro Original". O livro será lançado em novembro pela Editora Laços. 

Tenho a honra de coordenar o lançamento desta publicação. Viva R.F.Lucchetti!!!

Augusto Madeira


Ator. Atuou nos longas-metragens “Nise da Silveira - Senhora das Imagens”; “VIPs”;  “Conceição - Autor Bom É Autor Morto”; “Tropa de Elite”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu tenho muito respeito pelo formato. Comecei a fazer cinema em 89 e a Embrafilme acabou em 90. A única possibilidade de se fazer cinema no início dos 90 era fazer curta-metragem. De lá pra cá já foram 35 curtas e 7 prêmios de melhor ator na categoria. Muitos desses filmes rodaram o mundo em Festivais. Me enchem de orgulho. Mas para além de tudo isso, um curta é basicamente uma boa ideia. Isso me atraí em um projeto. Uma boa ideia, um bom papel.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Tenho histórias de parceria ao longo de minha carreira, cheguei a estar em toda cinematografia de alguns diretores como Eduardo Goldenstein, Rodrigo Gueron, Angelo Defanti, mas continuo ávido por novas parcerias, gente nova que chega, isso fez que eu fizesse já filmes para alunos da Estácio, da PUC, da Darcy Ribeiro e da Fundição Progresso por exemplo. Sem falar em bons amigos que estão há anos no mercado e que nunca deixaram de sonhar em fazer o seu próprio curta e que de uma forma ou de outra acabam chegando a mim.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
O formato ainda é encarado como menor pela grande mídia. Tem pouca visibilidade. Mas eu vejo na internet uma redenção para o formato. Antes estávamos confinados aos Festivais, ou em programas dedicados ao curta-metragem em canais periféricos de TV. A internet disponibilizou praticamente toda a produção em tempo real. E o próprio tamanho dos filmes é favorável a essa nova plataforma. Vide os sites como o Portacurtas e o seu blog, o Os Curtos Filmes.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Fazer valer a lei do Curta-metragem, que prevê que para cada filme estrangeiro em cartaz um curta nacional seja exibido antes. A lei caiu em desuso pela falta de critério na seleção dos mesmos, o que implicou numa certa ojeriza pelo curta-metragem nacional. Fazer valer essa lei para que o curta voltasse a seu destino primeiro, o cinema. Conquistar um lugar de destaque na TV aberta também seria um golaço, na aproximação com o grande público. Mas essa possibilidade eu já não encaro com muita esperança. Há também projetos como o “Curta na Praça” da Juliana Teixeira, que leva programas de curtas para lugares onde não existem salas de cinemas. Tive oportunidade de acompanhar esse projeto em algumas pequenas cidades do interior e é emocionante a recepção popular aos filmes. Esse tipo de projeto deveria ser continuado e ampliado.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. O descomprometimento que o curta tem com o mercado, livrando-o de amarras comerciais, de exigências dos distribuidores e patrocinadores, faz dele um campo de experimentação incrível. Com soluções criativas de narrativa, e renovação do pensar-cinema. É um espaço muito arejado de novas ideias. Muitas vezes essa mesma criatividade é oriunda da falta de recursos. Mas isso de forma nenhuma tira o seu valor.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Todo cineasta de longa passou pelo curta. Nem todo curta-metragista sonha ser cineasta. Eu como ator sempre fiz os dois simultaneamente. E chego a afirmar que tive muitos papéis em curtas mais densos e complexos do que personagens que fiz em longas. Não acredito no curta como trampolim. Talvez a publicidade. Se você dirige publicidade, a experiência que você adquiri num set de filmagem, com toda a sua complexidade, talvez te habilite mais para ser um diretor de longa, do que se você vier do circuito de curtas-metragens. Essa "quilometragem de set" faz a diferença durante a condução de um longa.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Acho que é a mesma receita para qualquer mercado de trabalho. Uma mescla de competência técnica, profissionalismo, simpatia e ousadia.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Já quase o fiz. Mas no momento estou maturando duas estórias reais, vividas por pessoas próximas, que dão bons curtas. Mas preciso passar para um roteiro para saber se de fato continuaram boas estórias. (risos).

Ana Johann


Roteirista e cineasta. Ana Johann graduou-­‐se em jornalismo e fez especialização em Leiturade Múltiplas Linguagens pela PUC-­‐PR (2203) e especialização em documentário pela Universidade de Barcelona (2005). Atualmente é mestranda do curso Comunicação e Linguagem, com linha de pesquisa em audiovisual. Dirigiu e roteirizou o curta “De tempos em tempos” (2007) e o média-­metragem “Abaixo do Céu” (2010), ambos documentários. “Um Filme para Dirceu” é seu primeiro longa-­metragem onde ganhou um prêmio especial de júri no 45 Festival de Brasília de Cinema Brasileiro e tem passado por importantes Festivais no Brasil e exterior. Atualmente Ana ministra aulas de roteiro e documentário, faz seus próprios projetos e atua como freelance de roteiro.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu mesmo crio e produzo os meus filmes. Fiz dois curtas até hoje "De tempos em tempos" meu primeiro filme que passou por importantes festivais entre eles o "É tudo verdade" e agora "Notícias da Rainha", ambos documentários, mas este último dialoga com a ficção e o teatro.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Eu comecei com curta-metragem "De tempos em tempos" e até hoje só fiz um longa-metragem "Um filme para Dirceu". Foi com o curta-metragem que aprendi tudo o que sei sobre equipe, etapas e como conduzir um filme.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Curtas-metragens são filmes que estão concentrados em um tempo menor de exibição e isso faz com que não tenham espaço de venda em cinemas, porque ninguém quer sair de casa para assistir 20 minutos de filme e ainda mais agora com a quantidade de conteúdos difundidos pela TV e o espaço cinema em crise. Por isso os curtas encontram mais espaço nos Festivais de cinema, mostras e na TV. E quanto aos veículos de comunicação que por sua vez estão atrelados a informação, seguem a mesma regra, eles tem informar que determinado filme está em cartaz, por isso curtas ganham menos espaços, mas também podem ganhar ampla divulgação dependendo dos prêmios que conquiste em Festivais e seleções importantes.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Eu não sou expert em distribuição, então só posso falar como gostaria. Gostaria que pudéssemos agregar curtas e estes sim serem vendidos no Cinema ou que fossem exibidos antes dos longas. Poderia haver também projetos em escolas com exibição de curtas.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Por o curta-metragem não ter este viés comercial sim é mais fácil experimentar por que não depende do repertório do público.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que o curta-metragem é um importante campo de experimentação para o diretor e outros profissionais que envolvem um filme. Acredito que o planejamento de um filme seja de curta, media ou longa são semelhantes, uma vez que todos eles passam por etapas, como pré-produção, produção e pós-produção. Mas com certeza um longa-metragem exige mais locações, atores e toda a infra aumenta e depende de uma estratégia muito bem elaborada de divulgação e distribuição, sem contar que a verba tem que ser muito maior. Acredito que o curta seja sim um laboratório de experiência, seja estética ou profissional, mas não necessariamente.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Receita? Não acredito em receita, acredito em trabalho, dedicação e foco. Depende de cada autor, o que o autor busca? Se busca sucesso de público com certeza tem que ter em mente uma organicidade dramática muito bem elaborada, uma boa estória, com um grande orçamento de produção e principalmente de divulgação. é preciso desde o inicio pensar muito bem o que fazer.

Sergio Loroza


Ator e cantor. No cinema atuou em“Giovanni Improtta”; “Cilada.com”; “Xuxa em Sonho de Menina”; “Orfeu”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Na verdade, eu fiz pouquíssimos curtas-metragens. Ainda que a primeira vez num set de cinema tenha sido com um curta. O filme chamava "No tempo das uvas", é preciso ter boa vontade pra me achar no enquadramento... (risos). Respondendo a pergunta: Personagens interessantes e necessários na trama, podem ser motivos pro "sim".

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Acabei respondendo no item anterior... (risos).

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Já teve mais espaço. Antigamente era obrigatório por lei que passasse antes dos filmes gringos, algo produzido no Brasil... Era uma brecha pros curtas-metragens. O que há de bom nisso, é que, em alguns casos, os filmes brasileiros já estão disputando mercado com os blockbusters hollywoodianos.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Os festivais são sempre bem vindos, mas acredito que o foco pudesse ser mais voltado pro publico, ao invés da critica.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pode ser!!! Videoclipes, documentários e docudramas também tem revelado gente talentosa.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
A indústria do cinema, ou "cinemão", como as vezes é chamado, comporta muito pouca gente. Como tem tanto talento por ai a fora, a internet se coloca como a grande ferramenta pra se conseguir espaço. Como o ideal é comer pelas beiradas, os curtas podem servir pra acumular experiência pra um longa-metragem, que é, sem duvida, muito mais trabalhoso.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Perseverança. Espero que seja... Pra não estar perdendo tempo... (risos).

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Eu vou começar dirigindo um videoclipe pra uma canção minha, do meu novo CD... O céu é o limite!!! 

Luciana Bollina


Atriz, bailarina e dramaturga. Atuou nos musicais “Hair”, direção de Charles Möeller e Claudio Botelho; “Tom e Vinícius, o Musical”, de Eucanaã Rodrigues e Daniela Pereira, direção de Daniel Herz; “Pernas Pro Ar”, direção de Cacá Carvalho; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O tema é a primeira coisa que vejo se me interessa dizer, se gosto da visão do diretor, as pessoas envolvidas também contam, se já trabalhei ou não, e nesse caso pesquiso sobre elas. O conceito e o cachê também são bem relevantes.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Olha, pra falar a verdade eu não trabalho muito em curtas. Já fiz um para um amigo que estava se formando e pilotos e séries para web.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque eu acho que o melhor espaço para curtas hoje em dia é mesmo a internet e pode se fazer bom uso disso. Mas ainda estamos patinando no caos da informação e um curta só terá esse espaço maior na mídia se envolver uma porção de interesses.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Eu acredito que devemos saber usar melhor a internet. Até consigo vislumbrar um portal de curtas bem interessante.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. Mas não acho que isso é exclusividade dos curtas. A experimentação é bem vinda também no teatro, na dança, na música.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não sei se consideraria um trampolim. Acho que sim, é parte do processo de se fazer audiovisual, mas fazer um curta-metragem não garante um longa, apenas garante uma experiência a mais. E uma experiência a mais é sempre importante. (risos).

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Olha, eu realmente discordo dessa palavra: vencer. Não acho que existe receita para o sucesso. Acredito que para se fazer audiovisual de qualidade, independente de quem vai ou não vai vencer, deve-se cultivar as boas parcerias, bons atores, ética e transparência no trabalho. Essa é pra mim a única receita para um trabalho que já é sucesso desde o início. O resto envolve o estudo e competência do diretor e envolvidos. Isso envolve talento, que no mundo da arte acaba sendo relativo.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, mas ainda não sei quando essa vontade vai realmente tomar conta de mim. Por enquanto não tenho urgência.

Rita Batata


Atriz. Atuou nos curtas-metragens “Vácuo”, de Jatir Eiró; “Quero Ser Jack White”, de Charly Braun; “Memórias Sentimentais de Um Editor de Passos”, de Daniel Turini; “O Que Sara Disse”, de Dadi Pacheco; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Curta-metragem é um formato que me interessa principalmente pela liberdade criativa. Por sua finalidade não comercial, já que seu mercado se restringe quase somente a festivais, me interessa a abordagem artística que ele propicia. O que me faz participar de um curta é a identificação com o projeto e com as pessoas envolvidas, e a possibilidade de experimentação artística.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Cada curta é uma experiência, portanto fica difícil falar assim tão amplamente... Em geral, filmei curtas de jovens diretores e roteiristas, longe de ser uma regra, mas praticamente um fato é que a grande produção de curtas-metragens vem de jovens cineastas que estão em busca do desenvolvimento de sua própria linguagem cinematográfica, por isso um momento extremamente precioso!

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Putz, a mídia em geral se interessa por produtos... e se mal temos lugar para os longas-metragens que fogem de uma abordagem comercial, o que se dirá de curtas? Curtas? Oi, o que é isso?

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que isso entra numa questão mais ampla, como é feita a distribuição de filmes nacionais? Sejam curtas ou longas o espaço é bem limitado e opressivo...

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Parece que sim, mas nem tudo que reluz é ouro... (risos).

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Trampolim? Sei lá, me parece mais uma escada, mas do tipo rolante... não é porque você fez um longa que não pode mais fazer um curta... cada linguagem se propõe a uma finalidade e o que importa é o que você tem a dizer, como artista, digo.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
(Risos)... se alguém descobrir conta aí! O audiovisual brasileiro é um personagem de Monstros S/A!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tantos curtas-metragens já passaram pela minha cabeça que uma hora um deles escapa e vira filme! Quem sabe...

Simone Iliescu


Atriz. É integrante do Círculo de Dramaturgia do CPT, professora de corpo e interpretação no curso de Introdução ao Método do Ator do CPT, e faz parte do elenco do "Prêt-à-Porter 9". No cinema atuou em “O Homem Mal Dorme Bem”, de Geraldo Moraes; “1,99 - Um Supermercado Que Vende Palavras”, de Marcelo Masagão; “Bruna Surfistinha”, de Marcos Baldini; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiramente o roteiro. Em seguida, o diretor. Se me identifico com os curtas que ele já tenha dirigido, se for o caso, e se conseguimos estabelecer uma boa troca de ideias. 

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
O primeiro curta que fiz foi aos quinze anos com direção de Aloysio Raulino. Foi minha primeira experiência no cinema, e tive o privilégio de trabalhar com ele. Depois disso nos encontramos mais duas vezes no set de filmagem nos longas “Corpo Presente” de Marcelo Toledo e Paolo Gregori e “Riocorrente” de Paulo Sacramento. Em ambos ele foi diretor de fotografia. Em 2000 atuei em “Chateaubriand – Cabeça de Paraíba” de Marcos Manhães Marins. Poucos anos depois produzi o curta “Manual para se defender de Alienígenas, Zumbis e Ninjas” de André Mores, onde também fiz uma participação como atriz. Foi uma aventura divertida, que fizemos sem dinheiro algum. Apenas com alguns apoios. E recentemente atuei em “Sagrado Coração” de Cauê Brandão, exibido ano passado no Festival de Brasília, e “Digo até Logo” de Giuliana Monteiro, em fase de finalização.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Creio que pelo fato de atingir um público menor por falta de espaço para exibição. Acabam se limitando unicamente ao circuito dos festivais. Poucos realmente conseguem fazer carreira em festivais, mas quando acontece, em contrapartida o saldo é bem positivo. 

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Seria ótimo se as pessoas criassem o hábito de assistir curtas.  Mas para isso precisaríamos de um incentivo através de mais mostras ou sessões especiais nas salas de cinema. Mesmo assim, já tive a oportunidade de ir uma vez a uma dessas sessões em São Paulo e a sala estava vazia. Os curtas acabam se limitando aos festivais de cinema. Mas fico muito feliz ao ver que recentemente tivemos uma leva de curta-metragistas que dirigiram seu primeiro longa, e que já havia uma expectativa grande em relação ao primeiro filme deles por conta do reconhecimento de seus curtas. Para citar alguns exemplos: Kleber Mendonça Filho, Juliana Rojas e Marco Dutra, Francisco Garcia, Esmir Filho...

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza! No curta-metragem não temos o compromisso com produtores, patrocinadores, distribuição e exibição. É o espaço para exercer toda a liberdade de criação, sem compromissos que devem ser cumpridos a não ser com o próprio filme que estamos fazendo. O difícil é conseguir manter a mesma conduta na hora de fazer um longa, quando acaba se tornando necessário abrir mão de algumas coisas para que o filme se torne mais “vendável”. É importante, apesar das dificuldades que existem para que se consiga realizar um longa, não desistir daquilo que acreditamos em essência, e que seja fundamental para a obra.. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Sim. Para todos. Em primeiro lugar, porque é essencial que todos tenham a oportunidade de praticar o máximo possível para maior domínio da linguagem. E o curta-metragem é o lugar certo para isso. Depois pela visibilidade, quando temos a chance de mostrar o filme em festivais, e pelas parcerias que surgem a partir desses experimentos, que posteriormente amadurecem na realização de outros trabalhos. 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não sei existe uma receita para isso. Mas acredito sempre no estudo e no trabalho. Claro que se tratando de cinema, você aprende fazendo, e a partir disso vem o aperfeiçoamento. Por isso a importância de se fazer curtas. É um excelente campo de experimentação. E acredito que o mais importante dentro de tudo isso é nunca perder a nossa essência e o porquê de estarmos fazendo cinema. O comprometimento com aquilo que estamos contando.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já cheguei a pensar sim, pois sinto o desejo não só de criar algo dentro da obra de alguém, mas de criar a própria obra. Mas ainda tenho que comer um pouco mais de feijão pra isso... (risos).