sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ligia Yamaguti


Atriz. Atuou no curta-metragem “Fragrância” e na série “O Negócio”, exibido na HBO.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Na verdade, o que me faz aceitar um trabalho é ter algo me instigue. Alguma provação, algum desafio, seja ele, o roteiro, as pessoas.  

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem. 
Não trabalhei  em tantos curtas, mas já trabalhei em diversos tipos de produção de curtas. Com e sem verba e é sempre muito importante o profissionalismo, o combinado, que as coisas sejam claras e ditas. O respeito com os profissionais envolvidos, isso pra mim, isso é fundamental. 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Eu não sei. Acho que uma coisa leva a outra, como os curtas ficam muito restritos a uma carreira de festivais e acaba não atingindo um grande público, isso acaba não chamando a atenção da mídia em geral.  

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
O curta poderia ter mais espaço na televisão, são poucos canais que passam sessão de curtas-metragens. No cinema, antes dos longas, a gente poderia assistir alguns curtas. Ah! Tem a internet também, ótimo veículo para atingir mais gente. 

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
De certo modo, sim.  O bom do curta é que ele tem muitas facetas, ele pode servir pra muitas coisas. Ele pode ser uma obra acabada, mas também pode ser um experimento. Justamente por seu formato. É um curta. Ele pode ser mais simples que um longa, menos pessoas, responsabilidades e tempo envolvidos. O curta, muitas vezes,  é um cinema de guerrilha, a gente está lá pela vontade de fazer, tem a paixão que muitas vezes se perde em algo maior e com certas exigências a seguir. Ele não tem a obrigação de agradar ninguém. É uma coisa quase ingênua falar assim, mas é verdade.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Eu não sei se é um curta é um trampolim para um longa, mas geralmente quem quer fazer um longa, começa pelos curtas. Principalmente para os diretores, para os atores, acho que não necessariamente.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Difícil essa. Eu também queria saber... (risos).

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Acho a direção fascinante, futuramente, acho que sim. Mas, agora, vamos atuar! 

Carlos de Niggro


Ator. Atuou em “2 Coelhos”, longa-metragem de Afonso Poyart. “República Dominicana”; “Vídeo para Camila” e “Nigéria fim da linha”, são curtas-metragens que constam em seu currículo. Atualmente está na telenovela “Cúmplices de um Resgate”, no SBT.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu gosto de me identificar com a história que vai ser contada no curta-metragem, gosto de me sentir integrado, confortável. O ator tem que estar sempre em exercício, praticando, apreendendo novas linguagens, novas direções. Muitas vezes os roteiros de curtas-metragens propõem boas histórias, personagens interessantes, desafiadores e isso é um bom combustível para o nosso trabalho criador.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já passei por equipes bem organizadas e outras nem tanto, e isso não está relacionado somente à falta de estrutura. Tem equipe que tem toda a ideia na cabeça, mas, só enxerga o produto pronto, se esquece do processo. Isso reflete no nosso trabalho, pois muitos não sabem lidar com o ator, não sabem nos dirigir, não tem essa sensibilidade específica, entende? Eles falam dos takes, dos enquadramentos, do som, da luz, mas não colocam o ator nesse centro, não criam juntos, isso é uma pena. Quando você é dirigido por uma pessoa que já fez teatro ou algo do tipo, a coisa muda de figura, o cara te entende, o processo caminha melhor. Muitas vezes os valores dos caches são simbólicos, você faz pela arte, pelo trabalho, pelo amigo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
O nosso país está caminhando a passos lentos quando o assunto é cultura, no geral; o teatro está aí sobrevivendo porque tem um povo guerreiro, lutador, cheio de amor, sonhos e ideais, e é assim com a música, a dança, etc., etc. Nosso cinema só consegue um espaço de destaque quando está bem patrocinado, e/ou teve uma ótima aceitação fora do país. Quantos filmes maravilhosos ficaram apenas duas semanas em cartaz. No caso dos curtas-metragens não é diferente, ainda não existe uma tradição no nosso país a respeito desse segmento. Quem aprecia esse trabalho, na maior parte das vezes são pessoas ligadas à cultura. O povo em geral, não conhece. A ideia curta metragem ficou muito atrelado à trabalho escolar; alunos de cinema que precisam finalizar um curso convidam alguns atores oferecendo alimentação e ajuda de custo e pronto. Essa mentalidade tem que mudar. Temos que pensar no profissional, fazer gerar renda, é uma das formas que imagino para que possamos difundir mais essa ideia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Temos que começar na base, nas escolas. Desenvolver um trabalho de maior inserção cultural, apresentar a esses meninos e meninas essa arte, aguçar o senso critico. Exibir diversos trabalhos na rede pública, municipal e privada de ensino. Tem um festival escolar na região do Alto Tietê (SP) chamado “Cine&Arte” que já está fazendo isso, nele os alunos do ensino médio e fundamental criam seus curtas, videoclipes. Adolescentes que já irão para o mundo com uma visão diferenciada sobre os curtas metragens, talvez eles é quem vão espalhar essa ideia para as novas gerações, talvez essas novas gerações vão consumir mais esse segmento artístico, talvez.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Não há dúvidas! Porém, acredito que precisamos criar e difundir ainda mais os festivais. Seguir o exemplo dos organizadores do Festival Art Déco de Cinema entre outros que fazem premiações, valorizam os trabalhos da equipe, atores, enfim... Essas iniciativas ajudam a desvincular a imagem escolar desse segmento artístico, e podem contribuir para chamar a atenção do público, e claro dos patrocinadores. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Depende. Se a produção criadora desse curta alçar voos maiores e lembrar do ator e de sua equipe no futuro é possível. Mas, como não acredito em Papai Noel, prefiro dizer que na maioria das vezes, os mesmos atores que fizeram o curta por ajuda de custo ou alimentação, serão os primeiros a serem substituídos quando a equipe conseguir patrocinadores para um projeto dessa grandeza. Infelizmente é assim que acontece. E quero deixar claro que não estou generalizando, mas os números a favor de uma situação como essa são altos.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Será que existe receita? Creio que é trabalho, trabalho e mais trabalho. A gente precisa arranjar uma forma de ser sustentável, tentar não depender somente do governo, gerar nossa renda, nossos projetos, criar nossas histórias. Como disse acima, precisamos melhorar o entendimento cultural do nosso povo em todos os setores. Se o povo tiver mais acesso à Cultura será bom pra todo mundo, é ele quem vai definir o nosso sucesso.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Tenho um texto que está sendo roteirizado, e espero filmá-lo em breve. Será uma experiência marcante com certeza, já temos a produtora que irá contribuir com a parte técnica, os amigos da Produtora Replik.  Quem sabe não a gente não fala sobre isso numa próxima entrevista!

Karina Zichelle


Atriz e professora de teatro. Atualmente, desenvolve projetos como contadora de histórias junto ao Grupo Rodar. É atriz do Grupo Oba! de Teatro e já participou de outras companhias, como a Cia. dos Bobos e a Cia. Malta Teatral Camaleão Boca de Dragão.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O projeto como um todo, a proposta de roteiro, direção, e a experiência em si, de poder trabalhar essa outra linguagem no trabalho de atriz.  

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Bom, ainda engatinho nesse mundo dos curtas-metragens. A experiência mais significativa foi a participação, como atriz, na gravação de um episódio piloto de um seriado independente, chamado Apartamento 116. Era um projeto novo, concebido por alunos recém formados do curso de Rádio e TV,  com a contribuição de alguns profissionais da área de longa data. A experiência foi ótima. Claro que gravar 10 horas seguidas, dentro de um apartamento, num dia muito frio, de minissaia (figurino da personagem), não ajudou muito. Contudo, o episódio nunca foi concluído. O projeto passou por uma repaginação, e foi reestruturado em mais capítulos. Recebi o convite para continuar no projeto, mas como estava sem agenda compatível na época, não pude continuar as gravações.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que as produções de curtas estejam conquistando cada vez mais o seu espaço fora das mídias alternativas. Leva tempo para cair no gosto do público em geral, mais acostumado com as grandes produções cinematográficas. Penso que com a formação de público mais frequente para esse tipo de linguagem, os investimentos na área aumentem. Conquistar e afirmar seu espaço na mídia é um exercício e um processo de resistência.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Penso ser importante abrir espaço dentro dos cinemas tradicionais, aliado a uma ação de formação de público. Promover mais festivais de exibição em espaços públicos também pode formar público.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Geralmente os curtas tem produções independentes, o que propicia um campo para experimentação, longe dos contratos burocráticos e amarras do “o que é mais rentável” Acho que o próprio formato do curta facilita as possibilidades de tentativa e erro.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Não acho que é uma relação de mão única. Mas penso que, de certa forma, os curtas podem abrir espaço para os profissionais envolvidos (direção, produção, atores, etc.). Contudo, acredito que existam artistas que prefiram investigar a linguagem dos curtas sem ter a pretensão de se usá-los como escada para os longas.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acho que tenha uma receita básica a ser seguida. Vontade e criatividade, primeiramente. Contatos, conhecer as pessoas certas na hora certa também ajudam. Uma pitada de sorte. Mas penso que o sucesso mesmo, vem com muito suor, trabalho e persistência. Amar a arte que faz e insistir nela.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Essa ideia já passou várias vezes pela minha cabeça. Mas para um futuro não tão breve. Penso em desenvolver mais a função de atriz nessa área para me apropriar da atmosfera da produção, por assim dizer. Quando sentir que a hora de dirigir chegou, assumirei o compromisso. Mas sem pressa.

Vitor Meneghetti


Ator. Formado no GLOBE-SP - Centro de Formação do Ator.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiramente leio o roteiro, obviamente, antes de decidir embarcar junto no projeto. O interessante é que na maioria das vezes são ideias muito boas, realmente instigantes. Acho que essa é a principal causa, a ideia. Se acredito nela, mergulho de peito aberto, e tenho visto muita coisa boa acontecendo, filmes extremamente criativos e com orçamento quase zero. Acho que é isso, quando você não tem verba, a criatividade vai a mil, e é o que acontece muito nas produções de curtas, por isso me motivo a fazer.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Minha experiência não é tão vasta em curtas, mas todos os que participei, fiquei muito satisfeito com o resultado. Fossem eles de estudantes ou profissionais mesmo. Tem uma geração de novos cineastas vindo aí com tudo. Acredito muito nessa turma. Como já disse, são extremamente criativos, na maioria das vezes descontraídos e divertidos nos sets de filmagens, mas quando é hora de trabalhar, vão com as dez. Não teve nenhum trabalho no qual me diverti não só no momento do “ação” como também nos bastidores.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Infelizmente ainda estamos a mercê das distribuidoras, que dá pouca ou nenhuma atenção a pequenos projetos, mesmo sendo eles de muita qualidade. Ainda é a lei do mercado, se eles acham que vende, aceitam, se não... É um meio fechado e que está nas mãos de poucos. Além disso, a grande maioria do público que vai ao cinema não tem o hábito de ver curta-metragem, apenas longa. Talvez seja uma questão de “aprendizado” mesmo. Mas acredito que chegaremos lá, tem festivais muito bons, muita coisa boa acontecendo, não da pra ignorar.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que mostras e festivais dão uma boa visibilidade aos trabalhos, mas ainda é pouco. Deveriam haver salas nas grandes redes de cinema exclusivas para curtas-metragens. Acredito que aos poucos a coisa pegaria.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Como na maioria das vezes são projetos independentes, existe mesmo essa liberdade, essa ‘experimentação’, onde a criatividade rola solta. Mas não podemos deixar de dizer que até mesmo grandes diretores de Hollywood experimentaram, e até ousaram em longas-metragens. Claro que de uma forma mais contida talvez.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Nem sempre. Depende muito do que se quer levar para telas, da mensagem, da ideia que se tem. O curta-metragem com certeza dá uma chance muito maior para novos talentos aparecerem, do que tentar fazer um longa-metragem logo de cara.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Volto a repetir com toda convicção o que já disse em algumas perguntas acima: a criatividade. E modéstia à parte, o brasileiro esta mandando muito bem...

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca pensei em dirigir, mas obviamente jamais descartarei qualquer possibilidade. Amo isso, o cinema foi o mote pra que eu decidisse ser ator. Se um dia tiver oportunidade e vontade, por que não?

Eliete Cigaarini


Atriz. Foi uma das fundadoras do Grupo de Teatro Boi Voador, nascido do CPT - Centro de Pesquisas Teatrais de Antunes Filho, em 1984. Ao longo dos anos, ministrou aulas em diversas instituições profissionalizantes para atores e atualmente é professora de interpretação na Escola de Atores Wolf Maya. No cinema atuou nos curta-metragens ‘Até a Eternidade’, direção de Luiz Vilaça, ‘Sangue, Melodia...’, roteiro e direção de Adilson Tokita, e ‘Feito para não Doer’, de Caetano Gajardo.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Cinema, para todo ator, é o sonho dourado. Não conheço um ator que não diga que prefira o cinema à todas as outras linguagens para exercer seu oficio de ator. Eu não sou diferente. O cinema possui uma magia, um requinte para a construção de um personagem, desde a cenografia e adereços que compõe o set de filmagem, figurinos, até o envolvimento da equipe durante às filmagens. A maioria dos atores vem do teatro. O cinema é uma obra aberta, assim como a dramaturgia teatral, que eterniza o trabalho ator.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
No início da minha carreira fiz inúmeros curtas-metragens produzidos pelos formandos de cinema da ECA - USP. Foram experiências incríveis. Aprendi sobremaneira como atriz, mas também sobre cinema tecnicamente falando. Nessa época a montagem era feita na moviola. Eu curtia participar das montagens pela curiosidade de como funciona esse quebra cabeças. No início dos anos 90, tive a oportunidade de protagonizar, junto com o ator Paulo Gorgulho, de um curta dirigido por Luiz Vilaça, o thriller "Até a Eternidade". Um casal apaixonado vai até as últimas consequências em suas fantasias revivendo antigos clássicos do cinema. Esse curta-metragem foi produzido com os requintes de um longa-metragem. Nesse trabalho pude reconhecer o curta-metragem como um gênero cinematográfico peculiar.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que o espaço para cultura em nosso País, de uma maneira generalizada, é inexistente. Há um verdadeiro descaso para a cultura como se precisássemos somente de pão, água e sangue.  O homem precisa do lúdico para não sucumbir à sua realidade.  Não duvido de que a imprensa encare os curtas-metragens como um subproduto do cinema e que não mereça espaço, já que precisa-se divulgar toda uma “bobajada” que venda jornal.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito que deveriam sancionar uma lei de exibição obrigatória de um curta nacional por sessão de cinema, em todas as salas de cinema do País. Vale a sugestão: instigar um de nossos representantes políticos a esta causa.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. Conheço muitos novos cineastas brasileiros que encontram no curta-metragem uma maneira de experimentar e aprender. Quanto à atuação eu sou exemplo disso. Porém, sabemos que em muitos países de primeiro mundo, curtas metragens são um gênero de manifestação artística de preferência de muitos diretores de cinema. Com esse gênero cinematográfico esses cineastas têm a oportunidade de sintetizar suas ideias, explorar tanto sua criatividade, como linguagens cinematográficas inusitadas. Para estes, produzir curtas-metragens torna-se uma escolha artística.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Pode ser um trampolim, mas como já disse, acredito que muitos o preferem esteticamente, com o objetivo de explorar linguagens cinematográficas. Outra questão bastante relevante para a escolha desse formato, reside nas diferenças disparatadas nos custos de produção e de distribuição entre um curta e um longa-metragem. Certamente isso influência na escolha do cineasta.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se alguém souber avise, por favor, para eu copiar a receita. Sensos de humor a parte, não sei mesmo. O que podemos apontar como quais seriam os ingredientes básicos necessários para se concorrer ao ranking dos melhores? Roteiro moderno, com temáticas instigantes; enquadramentos criativos (câmera na mão-travelling-steadycam)? No meu ponto de vista, todo artista precisa, fundamentalmente, saber qual é o seu objetivo, o porquê de fazer e quem quer mobilizar sensorialmente com o seu produto, seja ele qual for. Ele precisa ter uma boa história para contar.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, já pensei, inúmeras vezes.  Um dia conseguirei realizar esse sonho. Já esbocei alguns roteiros e estão engavetados. Temporariamente, assim espero. Amo o cinema e acredito que é a sétima arte mesmo.

Danilo Bethon


Ator. Atuou no espetáculo teatral “Cidadão de Papel”, escrita por Celso Cruz a partir do livro do jornalista Gilberto Dimenstein.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiramente vem a sedução pelo roteiro, acho que tem rolar uma paixão.  Se ver fazendo parte da obra é fundamental.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sou apaixonado por cinema, fiz alguns curtas e uma participação em um longa. Todos com dedicação a personagem e ao esclarecimento fiel da obra, principalmente por se tratar de uma historia curta, então a nossa vontade é que o recado seja dado, entendido e que mesmo com pouco tempo o publico consiga se identificar de alguma forma. E graças a Deus só trabalhei com pessoas incríveis que tinham as mesmas vontades que eu.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
É aquele negocio você tem dinheiro você tem atenção, mas onde e como podemos gerar dinheiro com curtas?  Se houvesse alguma maneira de se gerar dinheiro ai os holofotes da imprensa seriam virados para o mercado de curtas.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Primeiramente na televisão, acho que exibições em mais emissoras nas principalmente as grandes onde a população esta sempre ligada. 

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito eu que sim, como você já pega a obra fechada tem varias possibilidades de viajar no mundo da criação. Mas lógico não podemos esquecer que cada diretor é um diretor e em alguns casos você como ator acaba sendo limitado.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Muitas vezes você vê pessoas investindo e fazendo seus próprios curtas por uma realização para experimentarem caminha com suas próprias pernas porque sabemos que o retorno não é o merecido tanto da mídia como do consumidor de cinema. Então se mostrar com o seu melhor em alguns minutos pode sim ser um trampolim.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Que difícil responder essa, olha vou ser honesto não tenho uma resposta correta, mas pelo que tenho acompanhado as redes sociais estão ajudando muito a divulgar nossos trabalhos, mas ainda cai naquele negocio: somos vistos, mas quem paga por esse trabalho?

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Futuramente sim, por enquanto quero me dedicar a ser dirigido e colher tudo que puder de quem já está na estrada a mais tempo.

Eduardo Semerjian


Ator. No cinema, atuou em sete longas-metragens, entre os quais, "Ensaio Sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles, "O Céu de Suely", de Karim Ainouz, "Olga", de Jayme Monjardim, "Nina", de Heitor Dhalia e "Meu País", longa de André Ristum. Atuou também em mais de 40 curtas-metragens e foi professor de interpretação para cinema do Studio Fátima Toledo de 2003 a 2005.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiramente a falta de experiência em cinema. Fui levado a fazer curtas-metragens de alunos de faculdade, sugerido por amigos em comum, e então comecei uma trajetória muito legal em cinema, tanto em curtas, como em longas. Com o tempo, fazendo vários curtas-metragens, ganhei experiência junto com os jovens cineastas à época, pra desenvolver uma praxis que me facilitasse lidar com a interpretação pra cinema. Erramos e aprendemos juntos. E hoje agradeço a esse aprendizado.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Fiz vários curtas, tanto que não sei o número ao certo. Chuto que de 1999 (quando fiz meu primeiro) até hoje, fiz em torno de uns 40. Alguns nunca vi finalizados, nem sequer copiões. Mas vi a maior parte deles em festivais ou em vídeos, DVD's que os realizadores me forneciam. Alguns eram realmente bem ruinzinhos (parte da experiência com gente que está descobrindo como fazer), mas acho que desses alegados 40, uns 20 eram realmente legais. Criei algumas parcerias mais longas, como com os produtores da Massa Real, vindos do curso de Audiovisual da ECA. Com eles foram uns cinco ou seis curtas, mas já apresentei um programa produzido por eles dentro do programa Metrópolis na TV Cultura por dois anos (chamava-se Massaroca, e tem todos no YouTube). Também fiz alguns comerciais, locuções etc. Alguns desses curtas venceram festivais inclusive. Um deles, A Guerra de Arturo foi muito legal, pois participei ajudando no casting também. Outro ótimo curta que fiz foi um recente: "Rivellino", de Marcos Katudjian, que ganhou um Kikito em Gramado como melhor filme do júri. Teve outro curta chamado “Intervention”, feito pra internet, dirigido por Renata Sette. Nesse eu não pronunciava uma palavra, mas foi bem legal atuar por ter que me expressar sem palavras.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que há algumas razões, não somente uma. A primeira é a falta de hábito do público brasileiro de ver curtas. O que desemboca (ou é causa) da segunda razão que é o fato dos distribuidores não se interessarem por colocá-los nos cinemas. Com isso, a mídia também não se interessa em divulgá-los porque não há exibição comercial. A não ser quando acontece um Festival, e aí se vê alguma divulgação. Mesmo curtas com atores mais conhecidos não tem grande repercussão por conta de sua viabilidade comercial. Acho que na cabeça de muitos o curta-metragem é só uma experiência pra se chegar aos longas-metragens, o que acho uma grande bobagem.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Puxa vida! Boa pergunta! (risos)... penso um bocado pra te responder isso, porque é uma dificuldade mesmo quebrar com essa pecha de que curta pode ser viável comercialmente. Mas acho que só através da Lei isso poderia acontecer, em que duas ações poderiam ser pleiteadas no Congresso, e ambas em relação à distribuição: primeiro, a exigência de um horário fixo para exibição de curtas nos cinemas. Sessões, às 19 ou 20 horas, de 30 a 45 minutos que contivessem dois ou três curtas, a preços reduzidos. A segunda seria o que eu via muito há anos atrás e até acho mais viável, ou seja, um curta sempre antes de cada sessão de um longa-metragem, de forma que o público se acostumasse com os curtas. Temos muita qualidade em curtas no país e uma Lei assim, poderia finalmente despertar o gosto do brasileiro e desencadear uma naturalidade da distribuição comercial pra curtas. Mas hoje a realidade se distancia das ruas, das salas das ruas e salas de cinema e se aproxima da Internet, que é ótimo para o formato de filmes de menor duração.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pode ser, ou não. Depende muito de como o realizador, diretor e o produtor veem a possibilidade de experimentar. Uma coisa é certa: se experimentar demais, não entra em circuito, nem com a Lei que falei acima. Se experimentar de menos, ou fazer algo muito fácil, não haverá desenvolvimento da linguagem e também perde-se a razão de fazer um curta-metragem. Assim, acho que há campo pra todo tipo, mas é importante sabermos que experimentar significa, quase sempre, manter algo mais fechado. Fechado no sentido de que poucos irão ver, e a troca será talvez mais entre cineastas que a um público mais "civil". Um filme que pretende ambos exige uma flexibilidade maravilhosa do cineasta. Acho um grande desafio. E olha que experimentação é ruim comercialmente tanto pra curtas como longas. Nesse sentido não há diferenças.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Mais uma vez depende! Depende de cada cineasta, de cada ator que participa, de cada membro de um set, das suas aspirações. Eu posso falar de mim. Gosto de fazer cinema, e claro que almejo fazer longas de qualidade e que sejam um grande desafio de composição, me tragam dinheiro e reconhecimento. Isso é uma coisa. Mas adoro fazer curtas, e quando há um bom roteiro, gosto de fazê-lo independente de sua duração, desde que consiga adequar parte financeira, datas e pessoas que me interessem trabalhar junto. Acho que também pode ser um trampolim, no sentido de que comercialmente e em termos de imagem o longa é mais interessante. É possível alternar e fazer ambos.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não creio em receitas. E se eu soubesse, estaria fazendo um filme atrás do outro e ganhando dinheiro. Não é meu caso. Ganho sempre pouco fazendo cinema, mesmo longas, pois nunca sou chamado pra fazer protagonistas. Faço coadjuvantes com frequência. Ok, em curtas, sim, faço protagonistas, mas não ganho dinheiro. Recentemente fiz meu primeiro protagonista em um longa, mas a produção precisa captar de novo pra terminar a produção, as filmagens (só fizemos um terço do filme) e tudo que vem depois. Ou seja, é uma luta inglória. Mas é prazeroso fazer, então a gente encaixa e faz. Seja longa ou curta. Porém, tem mais um detalhe: "vencer" também depende do objetivo de cada um. Tem gente que não ganha dinheiro, não é conhecido, mas faz o que quer e faz bem. Este cara perdeu? Tem outros que fazem filmes chatos, comerciais, etc., e que se entopem de ganhar dinheiro. Esse cara venceu? Ficará a pergunta sempre.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Olha, se disser que já pensei em ser diretor de cinema estarei mentindo. Nunca pensei. E sinceramente não é um objetivo meu. Sou declaradamente um ator, não um diretor. Mas se um dia acontecer, (pois não descarto) talvez fosse mais adequado inclusive que eu dirigisse um curta e não um longa, pra fazer o que fiz como ator: ganhar experiência, pois a pressão em longas é muito maior, devido ao montante de dinheiro e expectativa envolvidos. Então, respondendo sua pergunta: não pensei, mas posso fazê-lo um dia.