domingo, 22 de novembro de 2015

Gerson Almoster


Ator. Atuou nos espetáculos teatrais “Baixo Augusta”, “Retratos e Canções”, entre outros.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Não tenho muita experiência com curtas metragens. Só participei de duas produções até hoje. Por falta de oportunidade mesmo. Destas que participei, foi uma experiência bem interessante e enriquecedora.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não há incentivo para os curtas. As políticas culturais viabilizam produções com atores que tenham visibilidade na mídia. Não há incentivo para as produções independentes. Isso não é uma exclusividade do cinema ou dos curtas-metragens, pois verificamos essa mesma situação no teatro. Quando a produção conta com um ator/atriz mais conhecido, as portas para obtenção de patrocínio está garantido. As empresas querem ter suas marcas vinculadas a personalidades com viabilidade na mídia.  

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Os curtas deveriam ser veiculados na TV aberta, ente intervalos da programação normal. Outra possibilidade é incluir os curtas na programação dos cinemas, a exemplo do que o Unibanco fazia, no “Curta às Seis”, ou mesmo antes da exibição dos longas. Ao invés de bombardear o público com trailers de filmes, aproveitar esse momento para apresentar curtas.  

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim. Por ser um trabalho independente, o profissional tem mais liberdade para experimentações.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Creio que possa ser sim. Há muitos curta metragens de qualidade, dirigidos por profissionais talentosos e que foram até premiados. A partir daí, pode-se encontrar acesso para a realização de um longa.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Um bom roteiro e uma equipe talentosa e empenhada em realizar o trabalho.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Gostaria mais de trabalhar como ator em curtas. E adquirir mais experiência.

Rodrigo Arijon


Ator e cineasta. Atuou nos curtas-metragens "Às 7, às 3 e às 11", de Renato Chiappetta, "9:32 a.m", de Alex Miranda e "Fim", de Peppe Siffredi e Marcelo Mesquita.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem.
São diversos fatores, desde amizade e afinidade com os realizadores, enxergar a proposta como um desafio... mas acima de tudo tem que ter uma boa ideia no roteiro. Algo diferente. Até porque eu acredito que o formato curta-metragem é incrivelmente mais difícil de se acertar do que um longa-metragem. Claro, o longa é muito mais complexo do ponto de vista logístico e financeiro, mas todo mundo (equipe e público) entendem o formato. Ou, pelo menos, sabem o que esperar dele.

No curta, é difícil acertar a mão. É um formato de "fácil" realização, mas enquanto estrutura narrativa é um tanto complexo. Pela curta duração, é difícil desenvolver com propriedade personagens ou histórias de forma satisfatória. É mais complicado de envolver o público, fisgá-lo. É mais fácil trabalhar com uma situação, um momento, ou até mesmo a estrutura de uma anedota, que talvez tenha uma grande surpresa ou punchline no final. Ou partir para algo mais experimental mesmo.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Trabalhei em alguns curtas, sejam de amigos, ou de diretores com quem havia trabalhado em outras produções. É sempre prazeroso participar de um curta, pois cinema é trabalho de equipe, colaborativo. Cada um é uma peça de uma grande engrenagem, num esforço colaborativo. Destaco "Às 7, às 3 e às 11", de Renato Chiappetta, "9:32 a.m", de Alex Miranda e "Fim", de Peppe Siffredi e Marcelo Mesquita. O tempo é sempre curto, as condições não costumam ser ideais, mas estamos sempre buscando a melhor forma de se fazer um bom trabalho, independente da situação. Aliás, o "fazer cinema" não costuma ter muito glamour não! Mas fazemos por paixão.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque é um formato comercialmente difícil. Afinal, como você vai vender um curta? E onde vai exibi-lo? Se isso não está muito bem resolvido, por que a mídia dará atenção a algo que não consegue encontrar o seu público?  Ao mesmo tempo, sem divulgação não se consegue exibição. É como a questão do ovo e da galinha. Salvo alguns raros programas de TV, não é muito fácil assistir um curta fora do circuito de festivais. Mas a internet, e principalmente plataformas de vídeo como YouTube e Vimeo, mudaram bastante esse cenário.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Como acabei de mencionar, a internet hoje em dia permite que um grande número de pessoas possa ter acesso a curtas-metragens. Isso era inviável tempos atrás. É fácil você esbarrar com algum curta desconhecido no YouTube e descobrir algo bastante interessante. Foi assim, por exemplo, que descobri pequenas jóias de um excelente produtora australiana, a Blue-Tongue Films (http://www.youtube.com/user/bluetonguefilms). Um conglomerado de cineastas inquietos, que realizam curtas inventivos e com bastante frescor narrativo. Adoro recomendar esse curtas, então vou tomar esse espaço para isso também:

- Spider, de Nash Edgerton:  http://www.youtube.com/watch?v=Jmbv8kevQ-E

- I Love Sarah Jane, de Spencer Susser:  http://www.youtube.com/watch?v=gYxs7Y7ulrM

- e Miracle Fish, de Luke Doolan (que foi indicado ao Oscar, inclusive): http://www.youtube.com/watch?v=9cpKY2XI1NY

A internet tem sido, cada vez mais, a melhor plataforma para divulgação de trabalhos mais autorais. É extremamente democrática.

Mas fico imaginando que, além disso, uma boa ideia seria atrelar a exibição de curtas antes dos longas-metragens. Como a Pixar faz com suas animações: sempre tem um curta antes do filme em si. Os estúdios e produtores poderiam pensar em associar curtas de forma temáticas aos longas-metragens. Pensando na forma mais simples: curtas de terror junto de longas de terror, e assim por diante. E nos lançamentos em DVD e Blu-Ray, o mesmo raciocínio.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim. É um dos principais espaços para isso. Não existe a cobrança de algum grande estúdio por trás, nem a obrigação de retorno financeiro durante sua trajetória comercial. Então, por que não se arriscar mais do que o normal? 

Me lembrei agora de uma esquete que praticamente virou um curta, tamanha a originalidade e a inventividade do resultado. Chama-se "Eu Já Sabia" (http://www.youtube.com/watch?v=t4bBih0w-ic), do grupo Olaria GB. O diretor dessa pérola, Daniel Nascimento, acertou na mosca. É um tanto experimental, e ao mesmo tempo busca um diálogo com o espectador. É um achado.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Seja para atores e diretores (assim como outras funções), é um excelente trampolim. É uma vitrine do seu trabalho. Do que você pode fazer, ainda mais com pouco tempo de filmagem e poucos recursos. Talvez seja o caminho mais natural a se percorrer: fazer alguns curtas, e depois ir para os longas.  Aliás, muitos curtas servem de base para se desenvolver longas com a mesma trama e mais profundidade. Filmes como “Boogie Nights”, “Jogos Mortais” e “Distrito 9” foram baseados em curtas dos mesmos diretores.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Entender o público e não subjugá-lo. Não é porque o brasileiro assiste Zorra Total que ele só pode apreciar um humor popularesco e sem qualidade, por exemplo. Inúmeras comédias, com qualidade artística sofrível, são despejadas nos cinemas ano a ano, sem dó.  Parece que só fazem filmes excessivamente comerciais, ou filmes intelectuais demais. Não existe filme médio no Brasil. E acredito que esse meio termo é que ajudaria a fomentar uma indústria cinematográfica mais forte. E sair da mesmice dos temas. Por exemplo, nunca deixarão de fazer filmes sobre a ditadura e seus efeitos, mas que busquem outros assuntos ou mesmo outras visões. Chega de olhar sempre para o passado, e no mesmo momento histórico. Que se investigue o cinema de gênero também. Para o cinema brasileiro andar com as próprias pernas, ele precisa saber se vender. E buscar esse diálogo com o público.

Talvez o melhor exemplo disso tudo seja “Cidade de Deus”, do Fernando Meirelles. Um assunto já batido (favela, tráfico, pobreza), mas feito com um olhar absolutamente inovador, tanto no roteiro como na direção e nos aspectos técnicos. Aliás, a qualidade técnica do filme é assustadora. Tanto é que foi indicado para diversos Oscars. E tudo isso sem um grande nome conhecido no elenco. E Meirelles também não era conhecido do grande público. Resultado: sucesso de bilheteria.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já dirigi dois curtas. Um deles, chamado "Pong Pong", inclusive serviu de inspiração para "Às 7, às 3 e às 11", que já mencionei. Mas já faz bastante tempo. Gostaria de dirigir mais algum, sim. Ideias na cabeça não faltam. Quem sabe logo mais? Ainda mais agora, que a internet permite todo esse alcance.

Pedro Paulo Fermer


Ator. Atuou no espetáculo teatral “Coriolano”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O fazer, o amor ao oficio. Geralmente sou convidado por amigos e por estudantes. Em geral são trabalhos de caráter conclusivo de cursos.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Minha experiência na área de curtas, se deu inicialmente na faculdade, onde fui convidado para participar de trabalhos de conclusões de cursos. Depois agi noutros fora do âmbito universitário, seja dirigindo, atuando ou até mesmo na produção.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Raramente existem ações do tipo para os curtas. A sociedade artística e os meios de comunicação estão voltados geralmente para longas importados, produções nacionais de destaque, etc. Não exploram os curtas, tampouco conferem a eles seus devidos valores, exceto em casos atípicos.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Precisa de mais espaço , promoção, incentivos, para levar ao publico os curtas. Seja nas escolas, universidades, centros de convivências e nos centros de convivências, TV aberta e a criação de mais festivais de curtas. O Brasil carece de mais politicas publicas e incentivos para a realização e viabilização dos curtas em todas as suas etapas

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Ele pode ser uma ferramenta de grande valia para o fazer artístico e sobretudo para explorar a liberdade do experimento. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Pode ser um degrau, um passo. 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Existem novos meios e possibilidades para o fazer. A receita, acredito eu, que ainda esta em fase de descoberta. É um desafio cada empreitada, uma vez que há uma desigual distribuição de verbas para o audiovisual. 

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso. Estou escrevendo um roteiro e planejado a realização do mesmo.

Eloisa Elena


Atriz e produtora. Em cinema fez os curtas “Todos os Dias São Iguais”, de Carlos Gradim, premiado no festival de Recife e Canal Bravo Brasil, e “A História Real”, de Andréia Pasquini, premiado no festival de Brasília.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem.
Depende da situação, mas antes de qualquer coisa é por fazer cinema! Adoro cinema, mas infelizmente faço muito pouco, então normalmente fico muito feliz quando tenho esta possibilidade. Outra coisa é poder estar em projetos que me interessam, poder dizer coisas que gostaria de dizer ou que tenham uma proposta de linguagem instigante. E em alguns casos poder estar e trabalhar com amigos, que é sempre muito bom!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Todos os trabalhos que fiz estavam diretamente relacionados a realização de projetos pessoais, um convite de um amigo, um projeto de formatura de um jovem cineasta. Então tinham aquela força de realização de desejos, de mobilização. Isto é muito bom. Coloca a todos numa condição de cúmplices, parceiros. E apesar da condição de produção mais simples, mais precária, o set tem um clima bom. O curta-metragem normalmente tem este ambiente, mas parecido com o teatro, de experimentação, de improviso. Eu adoro.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que é porque o espaço da mídia no Brasil é muito pequeno pra dar conta de tudo o que uma cidade culturalmente rica produz. Sempre que viajo pra outros lugares, me vejo fazendo esta comparação. Você pega um caderno de cultura de um grande jornal de outras cidades do mundo e vê um roteiro enorme, com tudo o que está acontecendo na cidade. De cinema, teatro, shows. Aqui a maioria dos roteiros fazem rodízio e o espaço pra crítica é muito pequeno. Então não tem espaço nem pro que é "comercial". E este é outro ponto, os curtas ainda são vistos como algo mais experimental. Falta a cultura de valorização, de produção e consumo de cultura. O acesso a tecnologia tem colaborado, porque hoje ficou muito mais fácil e barato produzir um curta, exibi-lo e divulgá-lo. Não estamos mais sujeitos a um único canal. Mas esta é uma mudança longa, que vai precisar de tempo pra ser efetiva.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Temos um problema de formação de público, independente de ser pro curta ou pro longa. Um longa menos comercial também sofrerá com a falta de espaço para exibição e de público. Dai o que penso é que é preciso um trabalho de formação, de base. Você vai em alguns bairros mais periféricos ou em pequenas cidades do interior e não tem 1 cinema, 1 sala de exibição, nada!  Era preciso que as TVs abertas veiculassem, as escolas promovessem estes espaços, os órgãos e agentes culturais.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Não posso generalizar, porque acredito que a liberdade está em quem faz e não no formato. Se você quiser fazer um curta "enquadrado" fará, assim como pode fazer um longa e experimentar. Mas, de certa forma, exatamente por estar menos cercado de condicionantes, patrocinador, grandes salas de exibição, metas de retorno, os curtas tem um espaço mais propício à experimentação.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não acredito em trampolins. Acredito em trabalho, em sorte, em talento, em investimento, em insistência, em quem indica... E também acho que existem pessoas que investem no curta como linguagem e não só porque não conseguiram fazer um longa-metragem, ainda.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se descobrir, vendo a receita e fico rica!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não! Não tenho o menor talento para isto. Não sei dirigir, sou apenas uma atriz e é disto que gosto.

Josué Torres


Ator e produtor. Em 2011, filmou "Pizzaria do Além", com Jorge Matsumi e Décio Pinto. 

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A produção de bons curtas-metragens no Brasil já é uma realidade. Seria chover no molhado falar dos festivais e circuitos já estabelecidos com seu público e sua crítica. Gostaria de falar mesmo da grande satisfação de poder participar de pequenas e médias produções. Nasci no interior de são Paulo e há dez anos me mudei para a capital onde desenvolvo minha carreira desde então. Faço teatro desde 93 e me lembro das dificuldades que enfrentávamos com a  produção cultural no interior. Naquela época  tentávamos fazer barulho com as nossas produções... o grupo  tinha seus integrantes fixos e um monte de gente que ia e vinha em cada nova montagem. Neste grupo fixo é o lugar onde nossas inquietações fruíam e sempre tínhamos atores recém-chegados para atuar em nosso grupo de vídeo (Proscenium Vídeo). O vídeo era um dos canais com o qual contávamos para a agitação do município. Fizemos algumas mostras e até dois festivais. Para se ter uma ideia, uma das mostras foi realizada em um dos clubes tradicionais da cidade, a custo zero.....  grande momento. Sobre a pergunta em questão .... bem.... sou ator de teatro e como tal acredito que o teatro deve ser artesanalmente produzido pelo artista... ou seja.. nos ensaios....com suas angústias e inquietações....assim como o vídeo, a pintura, a escultura etc...participar de uma boa proposta artística é que é o grande barato....morrer de inveja boa de não ter tido  aquela ideia....aquela proposta...  esse é o grande barato!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Quando me chamaram para tentar colaborar com este canal e falar sobre vídeo fiquei feliz de poder falar disso... afinal de contas  minha experiência com o vídeo se mistura com a minha careira...já adaptei obras, atuei em várias. Desde o começo foram cerca de vinte curtas e entre alguns deles coisas que tomaram vulto. Mas independentemente de sentido da obra o que me importa é o arcabouço cultural presente.... falo disso porque a cada nova produção que se assiste você fica em contato com um universo dos produtores daquele filme. Suas ideias, assim como o ambiente que frequentam, os figurinos (que na maioria das vezes) são as próprias roupas dos atores e tudo isso circunscreve um espaço no tempo. Esta sensação se tem quando se assiste documentários antigos e aí é que temos noção do valor cultural de um curta-metragem..

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Sinceramente acho que  já está claro que  os canais de um modo geral tem seu editorial... eles trabalham para alguém.... são empresas lucro imprescindíveis....se você está inquieto com o sistema e resolve dar asas a sua verve artística está claro que não vai em favor do sistema  e sim( de certa forma) contra... portanto... em ultima instancia são nossos concorrentes. Não digo aqui que sou contra os canais de TV assim como estão..... acho que poderiam ser mais interessantes.... mas é o sistema que está posto.... o artista está sempre na contramão. o pequeno produtor de vídeo a favor do sistema é chamado estagiário.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Na minha opinião as salas de cinema deveriam exibir curtas de até três minutos  entre os trailers de grandes produções....seriam facilmente digeridos e despertaria a tenção do grande público para o cinema nacional. 

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pode ser.... mas na minha opinião e experiência acredito que quando a produção começa envolver grandes proporções tem que ter excelência... não dá para fazer curta de boa qualidade com material ruim...atores ruins, péssima iluminação.....já fiz muito curta e realmente não acredito nisso!

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Curta metragem é curta metragem. Trampolim para fazer um longa é outra coisa.... aliás gostaria de propor um raciocínio..... só se contam estórias de sucesso.... de pessoas que deram certo...... seria mais proveitoso falarmos das coisas que não deram certo a fim de orientar melhor a produção dos curtas no Brasil.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Com a minha experiência posso dizer que  aprendi que uma coisa é o artista.... minhas inquietações..... outra coisa é o cara querer fazer um filme que tenha um mínimo de qualidade artística.... uma boa estória...uma boa proposta... e aí neste ponto é que a gente erra...achando que vai fazer tudo sozinho com a melhor qualidade possível....sejamos artistas, produtores, cenotécnicos, figurinistas  mas com a ajuda de várias pessoas dá para se concentrar mais em cada uma das importâncias  do filme....ainda que ele seja um curta. A minha maneira de enxergar  é dando conselhos..... ( se fossem bons seriam vendidos). Ser livre.... não ver muita televisão.... e pensar no público.... a humanidade esta cheia de boas estórias e sempre vai prestar atenção em uma boa. O público só que ser bem tratado e ouvir uma boa estória. Se é capaz de fazer isto....então está no caminho certo.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Claro!! Uma boa proposta... sempre!!!

domingo, 15 de novembro de 2015

R.F.Lucchetti


ESTÁ NO AR DROPS RICARDO QUARTIM 15 - COLEÇÃO R. F. LUCCHETTI (O MESTRE DO TERROR)
Ricardo Quartim esteve na impressionante biblioteca do mestre Lucchetti e mostra tudo para vocês!
No AMIGOS DO DROPS a dica de J. J. Marreiro. 
CLIQUE NO LINK A SEGUIR PARA ASSISTIR E COMPARTILHE!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Prazeres Barbosa


Atriz. Foi professora durante vinte anos. Mecenas de Artes Cênicas ladeada por Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto; uma das atrizes mais premiadas de Pernambuco. Prazeres tem uma estátua em sua homenagem em Caruaru.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Quando aceito realizar um trabalho como atriz, em cinema, não tenho a mínima preocupação se é curta ou longa. Acho que a proposta de realização é o que me encanta, pois nunca perco a chance de explorar o universo humano. Estou aberta a aprender, colaborar e me sentir inserida no sonho do outro, que também é sonhador!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem. Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Minha primeira experiência em cinema, curta, foi em 1995 em “América Au Poivre”, de Sergio Oliveira, que me rendeu o prêmio de Melhor Atriz no XIX Guarnicê de Cine e Vídeo. Daí em diante foi surgindo outros curtas-metragens e longas, perfazendo um total de vinte e um filmes. A questão da atenção da mídia deve-se a aceitação ou não do proposto. Não devemos dar espaço para que o outro fira nossa emoção; Ela é absolutamente nossa! O Festival Taquary está aí, mostrando que podemos voar alto. A mídia é quem anda atrás para divulgar!

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Sou daquelas que acredito na educação de base – família/escola. Público é e será sempre aquele que aprendeu a ir, ver, realizar, questionar, transgredir... E isto se aprende em casa e na escola. É lá que temos a possibilidade de formar público de bom gosto e critério. Precisa-se despertar o gosto pela arte, exibindo na própria escola, filmes interessantes e que tenham haver com o universo contemporâneo. Certamente, teremos frutos promissores! É daí que surgem os sonhadores, e só quem sonha realiza!

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Certamente! Ninguém chega a lugar algum sem o primeiro passo! Experimentar significa dar crédito. Daí em diante é soltar a imaginação e ampliar horizontes!

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Que as nossas realizações não sejam trampolim pra nada, além do prazer de realizar. Se depois de feito vier frutos, teremos a certeza de que valeu a pena! Não somos caranguejo e nem parente deles pra querer ande de ré, né mesmo? Além de termos sonhos, precisamos lutar para que se tornem “verdades”! Então, não há receita pra se vencer, há estrada pra se caminhar!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Gosto de atuar. Dirigir nunca foi meu forte, sinto-me incompetente. Gosto de dirigir ator, isto sim!  Sou essencialmente filha de teatro e aprendi degustar cada palavra, cada gesto, cada intensão.