Rejane Arruda foi colunista de Os Curtos Filmes por dois anos e está lançando pela Editora Laços a compilação de seus textos publicados neste blog. O link da matéria falando deste lançamento está aqui: http://namesmavibe.com.br/artigo/bisturi-ator-e-cinema
terça-feira, 13 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Aysha Nascimento
Atriz.
Formada pela ELT - Escola Livre de Teatro de Santo
André. Membro fundadora da Cia. dos Inventivos e do Coletivo
Negro.
O que te
faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Gosto da experiência de curta, pois traz um caráter
experimental, e tem a pesquisa e o lugar que todo ator gosta que é a
experiência do cinema, que é bem diferente que a do teatro e a da TV.
Conte
sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Foi ótima, e infelizmente só fiz um curta-metragem,
o “Ciranda”. com direção do Kauê Palazzolli, pela ELCV - Escola Livre de Cinema
e Vídeo em Santo André.
Por que
os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito eu, porque tem caráter experimental e
muitos com baixo orçamento comparado aos longas, sem falar no preconceito que
cerca este gênero do cinema.
Na sua
opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Sei que existem alguns festivais de curtas, mas
eles em sua maioria são alternativos, e Cult, teria que ter uma divulgação e
atenção dentro do circuito de mídia rápida e popular, mas fico na dúvida se
eles não irão perder qualidade e etc... Tenho medo de tudo que é fácil e chega
rapidamente no olhar do grande público, tenho receio do tipo de abordagem.
O
curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção)
é o grande campo de liberdade para experimentação?
É isso que acredito. Por isso que gosto tanto
de curtas, por ser atriz, isso me seduz muito.
O
curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não sei. Mesmo, este mundo é um pouco distante pra
mim ainda, mas bem superficialmente falando acredito que sim.
Qual é a
receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Dinheiro? Patrocínio? Costas quentes? Indicação?
Talento? Realmente não sei. Não temos um grande incentivo público para esta
arte aqui neste país, aliás, pra nenhuma... O financiamento público é bem
escasso, despreparado e pouco pensado e discutido com os órgãos competentes.
Pensa em
dirigir um curta futuramente?
Não acredito que sim,
embora acredite que tudo pode acontecer, mas penso em fazer como atriz, muitos.
Lucio Dicetaro
Ator. Atuou nos espetáculos
teatrais “Eu te amo, meu Brasil”; “O Tesouro do Pirata Pão-Duro”; “Pigs – Os Três Porquinhos, Uai...”,
entre outros.
O que te
faz aceitar participar de produções em curta-metragem? Conte sobre a sua experiência em
trabalhar em produções em curta-metragem.
Na
verdade sou ator puramente para teatro. A linguagem do cinema me fascina e
estou tendo minha primeira experiência agora em grupo de cinema. Para falar a
verdade me sinto feliz porque tive a oportunidade de aprender não só à atuar
mas fazer muita coisa por detrás das câmeras.(produção, arte ou até segurar a
vara de som).Resumindo o conjunto me atrai.com isso acho que respondi duas de
suas perguntas, desde ao porque de aceitar e experiência.
Por que os curtas não têm espaço
em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Bem,
o curtas não tem espaço na mídia pelo mesmo motivo que poucos vão ao teatro. Não
é difundido e não faz parte da cultura geral do brasileiro. Ainda é apresentado
como cult e não popular.
Na sua opinião, como deveria ser
a exibição dos curtas para atingir mais público?
Os
curtas deveriam ser apresentados em salas de cinema antes do longa-metragem, com
certeza já uma grande maneira de difundir trabalhos, projetos e até um certo
gosto por curtas .
O curta-metragem para um
profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de
liberdade para experimentação?
Há
pessoas que os preferem pelo tempo e temáticas mais objetivas. O curta é
realmente um meio fantástico para liberar ideias, fantasias e tudo que estiver
ao alcance de uma mente que saiba como expor tudo com tato e habilidade.
O curta-metragem é um trampolim
para fazer um longa?
É
como um poeta que faz 100 poesias e na ultima ele se descobre e aí ele não para
mais, todo dia é sempre uma poesia nova e assim pode se fazer um curta ou vídeo
novo. E
com isso penso que o curta pode ser um trampolim para um longa-metragem, é onde
o exemplo da poesia que dei vira agora um épico ,só que a criatividade tem que
estar a mil e a compreensão de como fazer um longa torna-se algo complexo que
vai desde a ideia, produção e etc.. .como um desafio.
Qual é a receita para vencer no
audiovisual brasileiro?
A
receita para vencer no audiovisual eu não sei e acho difícil responder à essa
pergunta porque no dia em for descoberto todos vão imitar.
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Eu penso em
dirigir futuramente um curta mas sem estrutura não dá para sair nem do campo
das ideias. Uma câmera e uma boa ideia já é um começo...o resto você corre
atrás.
Ana Levisky
Cineasta. Dirigiu o curta-metragem “Dreidel”.
Qual é a
importância histórica do curta-metragem na filmografia nacional?
Não tenho
tanta clareza da trajetória do curta-metragem brasileiro, mas a minha impressão
é de que hoje em dia a produção é enorme e bastante diversificada.
O que te
faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
N faculdade a gente só produz curtas-metragens. Então a
minha experiência no meio cinematográfico começou por aí.
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em
produções em curta-metragem.
Até agora só trabalhei em curtas da faculdade: alguns eu dirigi, outros foram
dirigidos por colegas, por veteranos... Ainda não tive a chance de fazer parte
da produção de um longa-metragem e, apesar de ter bastante vontade, acho o
curta-metragem um formato bem legal e pretendo continuar participando de
produções desse tipo de filme também.
Por que os curtas não têm espaço em críticas de
jornais e atenção da mídia em geral?
Os curtas
costumam ser difundidos em festivais. Não acontecem sessões de curtas
periodicamente no circuito das salas de cinema, pelo menos aqui em São Paulo.
Talvez por isso eles ganhem mais atenção em momentos de destaque na programação
dos cinemas.
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos
curtas para atingir mais público?
Se as
salas programassem com mais frequência exibições de sessões de curtas no meio
de tantos longas-metragens, as pessoas teriam mais oportunidade de adquirir o
hábito de assistir curtas.
O curta-metragem para um profissional (seja ele da
atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para
experimentação?
Um
diretor tem muito espaço para criar dentro do curta-metragem. Mas eu acho que a
liberdade que os atores e a produção têm nesse campo depende muito das escolhas
do diretor. É claro que todos contribuem com o seu trabalho, mas a concepção do
diretor determina muito do que vai ser necessário da parte dos outros
envolvidos.
O curta-metragem é um trampolim para fazer um
longa?
Todo
trabalho que você faz te dá alguma experiência e provavelmente significa que
você fez novos contatos com outras pessoas do meio. Então com certeza fazer um
curta te traz certo conhecimento que pode contribuir na hora de fazer um longa,
e também em uma produção você pode conhecer pessoas que te convidem para
participar da próxima.
Qual é a receita para vencer no audiovisual
brasileiro?
Tudo
depende do que a pessoa considera ser essa vitória. Se for fazer dinheiro, é um
caminho. A meu ver, vencer no audiovisual brasileiro seria conseguir produzir o
filme que você tem realmente vontade de realizar e fazer com que ele seja visto
e reconhecido, mesmo que seja para receber críticas mais duras. O importante é
que as pessoas tomem conhecimento do seu trabalho e te deem algum retorno pra
você poder refletir sobre sua própria visão.
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Espero um dia ter a chance de dirigir um longa-metragem, mas até lá preciso de
muita experiência. E como isso significa ter que trabalhar de alguma maneira em
várias produções, já me sinto animada em fazer parte desse meio.
Edson Oda
Cineasta.
Participou
de um concurso relacionado ao longa de Quentin Tarantino,
"Django Unchained", e produziu o curta "The writer", que
derrotou quase 200 concorrentes do mundo inteiro.. Como prêmio, Oda rumou para
Los Angeles para encontrar o diretor, assistir às primeiras cenas de sua
próxima empreitada durante a Comic-Com e visitar o set de filmagens.
O que te
faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A vontade
de contar histórias que tenham a ver com o que acredito, e a falta de dinheiro
para produzir um longa-metragem. (risos). Acho que o curta dá bastante espaço para experimentação também, acho que é um
ótimo meio de desenvolver a voz artística e técnica do Filmmaker.
Conte
sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Era
redator publicitário e sempre tive vontade de fazer algo mais autoral. Um dia
fui fazer um curso de Filmmaking em NY e descobri que o curta é uma das
melhores maneiras de se expressar através de uma arte Audiovisual. A partir
disso nunca parei de fazer curtas e Music Videos. Nunca deixei a falta de
dinheiro me impedir de continuar produzindo. Se não tinha dinheiro pra fazer
algo, pensava em alguma coisa mais simples que não comprometesse a ideia. Trabalhei
muito sozinho (com stop motions e coisas do tipo) Mas agora estou aprendendo a
ter mais gente no processo. Coisa indispensável pra produção ficar melhor.
Por que
os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Tem muitos motivos. Acho que dá pra falar de
culpados. Mas creio que essa impopularidade se deve bastante ao fato de não
termos um mercado pra curtas. Acho que isso se deve às duas partes: o público
não tem hábito de pagar pra ver uma sessão de curtas no cinema, e também os
distribuidores que não tem uma garantia de lucro ao apostar em curtas. Mas uma coisa posso dizer: acho que a internet
(Vimeo, Youtube, etc) criou um espaço fantástico pros curtas metragens. Eles
não estão nos holofotes das grandes mídias, mas estão sempre nos holofotes das
timelines, emails "FW" e blogs.
Na sua opinião,
como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público
Não seria uma má ideia algum estúdio, distribuidora,
escolher curtas fantásticos que estejam sendo criados atualmente e colocar em
sessões de grandes redes de cinema. Não precisa ser nada grandioso. Algo como uma sessão
de sexta feira com 8 curtas selecionados já seria muito legal. É legal pro
filmmaker e também pra plateia que se aproxima desse mundo. É legal pra essa
plateia saber que existem filmes mais simples (simples mas geniais) feitos por
gente como eles.
O famoso cinema pra todos, não?
O
curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção)
é o grande campo de liberdade para experimentação?
Completamente!
Um curta envolve menos dinheiro, riscos , chefes e pessoas do que um longa.
Portanto, mais liberdade.
O
curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Certamente. São milhares os exemplos de longas que
derivam de curtas. E diretores que se destacam por curtas e por conseguinte tem
a primeira chance de dirigir um longa. Eu por exemplo, acabei de escrever um longa-metragem inspirado no princípio do Malária motivado por pessoas/estúdios que gostaram do
curta.
Qual é a
receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se eu soubesse, eu já teria vencido. (risos). Não
faço ideia, mas estudar e trabalhar duro todo dia acho que ajuda.
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso, mas agora estou mais
focado em desenvolver um longa-metragem. Estou escrevendo e estudando
absurdamente agora, de domingo a domingo. Vamos ver no que isso tudo vai dar.
Rodrigo Zerbetto
Cineasta. De
2009 a 2012 integrou a equipe de produção do “Festival de Cinema de Santos” (Curta
Santos), acompanhando o que há de novo na produção
cinematográfica. Graduado em Cinema pela Universidade Anhembi Morumbi em
2013, aprimorou sua formação em direção cinematográfica, tendo como filme
estreante o curta-metragem “Nina”,
filme que, com a temática circense e a intersecção de linguagens, marca a
busca do diretor por exercer a poesia no cinema. Prêmio: Melhor
ficção do 5o Festival Internacional de Cinema Independente -
Kino-Olho - FIIK (Rio Claro, Brasil).
Qual
é a importância histórica do curta-metragem na filmografia nacional?
Acredito
que a principal característica da realização de um curta-metragem e,
portanto, a mais importante, é estarmos em um terreno de experimentação. Uso
esta palavra pela ambiguidade. Fazer um curta-metragem é naturalmente uma
experimentação, pois, aquele que pretende trabalhar com cinema passará,
provavelmente, por projetos menores antes de embarcar em outras aventuras. Por
outro lado, os curtas são uma grande escola de experimentação de linguagem, de
criação e consequentemente, resistência à imposição de identidade única ou
regra para fazer cinema. Infelizmente em nosso contexto os curtas metragens são
vistos por muita pouca gente quando pensamos nos números de nossa população; os
curtas são vistos por aqueles que trabalham com cinema ou em áreas artísticas e
alguns "poucos" simpatizantes.
Com
isto, acredito que a importância do curta-metragem num país como o Brasil, que
almeja uma indústria tendo que concorrer com a invasão dos Estados Unidos e sua
Hollywood, está no registro da nossa diversificada e vasta cultura, nas
possibilidades ainda pequenas de estruturarmos uma indústria autossustentável
com aqueles que ultrapassam o universo dos curtas e vão fazer longas metragens,
e o tão importante ato de resistência que possibilita a produção de festivais
de curtas metragens, em pequenas ou grandes cidades, pelo simples motivo de que
as pessoas merecem ter acesso ao que está sendo produzido, ao que está sendo
criado.
O que te faz aceitar
participar de produções em curta-metragem? Conte
sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Na
verdade, até hoje, as participações que tive em curtas metragens foram projetos
que surgiram de ideias minhas e que eu dirigi, sendo o principal deles o curta
"Nina", que está atualmente no circuito de festivais. Paralelamente
eu trabalhei quatro anos na produção de um festival de cinema, o “Curta Santos”,
onde tive acesso a muitos filmes que estavam no circuito. Com isso, acredito
que meus ideais vão quase sempre coincidir com projetos que tenham mais
liberdade criativa, consciência da linguagem que estamos usando, e que as
decisões estejam fora de uma determinação comercial. Sabendo das dificuldades,
procuro dar andamentos aos projetos que tenho seja em cinema ou qualquer outra
área artística, enquanto isso vou me dividindo em outro emprego.
Por
que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em
geral?
Se
eles não têm espaço nem nos próprios cinemas, como teriam no jornal ou mídia?
Há quem nem saiba o que é um curta-metragem (e a culpa não é só deles!). No
fundo, esbarro na questão da educação; somos educados para produzir, não para
pensar, somos educados para ouvir muito e falar pouco; nas salas de cinema,
procuramos passar o tempo, e não viver o tempo, ou seja, há uma ideia massiva
de que os filmes são, exatamente "passatempos", sem dar espaço para
os outros tipos de filme. Os curtas tendem a ter uma visão mais artística,
política ou autoral, enquanto o "cinemão" tende a pregar ideais que
acabam abafando aqueles citados anteriormente. Assim vai ficando difícil curta-metragem
virar notícia.
Na
sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A
questão de atingir mais público é digna, claro, mas se não tomarmos cuidado,
podemos simplificá-la demais. Se a intenção for essa, incondicionalmente,
porque não fazemos televisão ou postamos os filmes na internet de uma vez? As
possibilidades de dar mais ibope são infinitamente maiores. Por um lado, há uma
corrida de encontrar seu espaço no mercado audiovisual, para sustentar-se,
obviamente, e também para alimentar uma possível indústria, que muitas vezes
faz este realizador cair na publicidade e outros trabalhos audiovisuais; há
também uma relação entre o realizador e o exibidor (festivais), que
alimenta a exclusão dos curtas-metragens, quando os regulamentos de alguns
festivais, por exemplo, pedem exclusividade de que o filme ainda não tenha sido
postado na internet ou exibido em televisão; por outro lado, porque o filme
merece ser visto em largas proporções: tela grande, som alto? Qual é a
consciência que o realizador tem disso? Passo por essas questões para
questionar: o que faria do curta-metragem uma atração? O que o difere da
televisão ou internet, por exemplo? E o que eu, quanto realizador, estou
fazendo em relação a isso? São questões básicas, mas que parecem não ser tão
discutidas. E eu só consigo pensar em atingir mais público a partir delas.
Ah, e vale lembrar, estamos falando de um contexto
classe média, grandes cidades, etc., afinal, se levarmos em conta cidades
menores, que não possuem nem salas de cinema, os curtas fariam o maior sucesso!
O
curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou
produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Falei
disso na primeira questão; com certeza pode ser o grande campo da liberdade
para a experimentação, vai depender do "profissional" e do contexto
de realização do filme. Acrescentaria ainda que não devemos diferenciar as
ditas "artes visuais", a "vídeo arte", do cinema. Podemos
começar experimentando por aí, fundindo pensamentos destas áreas que, inexplicavelmente,
o cinema não dialoga tanto.
O
curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Novamente,
pode ser; é o caminho mais conhecido, mas nem todo curtametragista consegue ou
quer ser um diretor de longa. E aqueles que ousarem fazer um longa-metragem sem
ter feito um curta anteriormente serão condenados e terão seus filmes
"rebaixados" a outro nome que não "longa metragem" e
provavelmente colocarão "experimental" em algum lugar. (risos)
Qual
é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Me conta!!!
Pensa
em dirigir um curta futuramente?
Tenho
alguns projetos em processo de criação e também de pesquisa de viabilização.
Sylvia Prado
Atriz.
Atuou nos curtas-metragens “O Retrato de Deus Quando Jovem”; “Pobres
diabos no Paraíso”; “Trópico das Cabras”; "A Bordo"; entre outros.
O que te
faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O cinema
me interessa como arte, assim como o teatro me interessa, são linguagens que me
inspiram como artista. Pra mim não importa se é um curta, o um longa-metragem,
mergulho com a mesma intensidade. Antes de mais nada, o que me atrai, é o fato
de ser chamada, digo, que tenham pensado em mim para determinado papel. Depois
disso vem o papel em si, o roteiro, a ação, que acredito esteja ali, a espera
de uma intervenção humana. A soma de tudo, a química produzida pela equipe,
tudo isso me instiga, me interessa, e me faz aceitar um convite pra filmar
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em
produções em curta-metragem.
Fiz
meu primeiro curta assim que entrei na escola de teatro: “O Retrato de Deus
Quando Jovem”, o que pra mim foi uma surpresa, no dia do teste pra escola,
uma pessoa chegou até mim e disse: - quer fazer um filme...?! ACEITEI! Fui
dirigida por Fernando Coimbra, que hoje estreia seu primeiro longa: “O
Lobo Atrás da Porta”. Meu segundo curta também foi dirigido por ele, “Pobres
diabos no Paraíso”, e também o terceiro, “Trópico das Cabras”...
Essas parcerias acontecem muito no cinema, quando a ator vira quase um alter ego
do diretor. Ser dirigida pelo mesmo cineasta na sequência, tem um certo
conforto na linguagem... mas paradoxalmente, a atuação é sempre uma nova
descoberta, de personagem pra personagem, além disso, a língua cinema é
feita de frases entrecortadas, uma poesia concretista sem sequência
linear, o que para um ator de teatro é um desafio enorme. Fazer cinema, nunca é
confortável pra um ator que vem do teatro. Acho que o Curta, amplia ainda mais
essa sensação pelo curto tempo em que que é realizado. Depois desses curtas
vieram mais três, um que fui chamada pra ser secretária do Peréio, e que até
hoje não vi, “Pete Pode Tudo”, de Anahi Borges, e acabo de fazer “Walking
Bass”, de Caio Ferraz e Luis Romero. Enfim...minha vida nos curtas está só
começando...
Por que os curtas não têm espaço
em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não
sei dizer exatamente por que os curtas não tem espaço no jornal, acho que passa
pelo mesmo problema que os longas nacionais, que o teatro, que a cultura . A cultura
não tem espaço no jornal. Por exemplo, você estreia uma peça, fica horas
sentada conversando com a repórter, que está ali com aquela simpatia estampada,
aquele ar de interesse. Quando abre a página de Cultura do Jornal, o assunto é
o filme estrangeiro de não sei quem, ou pior, o anúncio colossal da marca X. A
matéria sobre a peça esta perdida, "espremidinha na pagininha tal",
sem nada do que foi dito, ou com tudo cortado, absolutamente sem sentido. O
jornal está cada vez mais patético na sua dicotomia mercado/veículo de formador
de opinião. A TV então... nem se fala, mil e um canais pra
"descerebração"! Infelizmente a moeda corrente é o lucro, a notícia é
notícia se gerar automaticamente mais mídia, mais Ibope, mais pontos de
audiência, ela não é um parâmetro pra informação, pra criação, ela é uma moeda.
Nesse sentido acho que as redes sociais, a tecnologia, a mídia ninja que cada
um pratica diariamente, todo esse movimento que surge com muita força vai desmonopolizar
isso.
Na sua opinião, como deveria ser
a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que
os curtas deveriam ser exibidos em todas as salas de cinema antes dos longas,
ao invés dos trailers. Infelizmente esse espaço já virou capital também, você
paga e anuncia qualquer coisa ali. Acho que os cineastas deviam associar seus
longas aos curtas-metragens que lhes interessam, acho que deveria haver uma
generosidade "Belair" entre os cineastas. Acho que
deveria haver um movimento nacional de soma das artes pra transformação da
Cultura, estamos muito isolados, cada um tentando garantir sua feira...
Ao mesmo tempo, está aí o
festival de curtas, as mostras nas cidades... mas se pensarmos no poder
coletivo disso... estamos marcando toca...
O curta-metragem para um
profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o
grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que
a arte precisa, cada vez mais se libertar dos parâmetros comerciais... e não
quero dizer com isso, não ganhar dinheiro, muito pelo contrário, quero dizer:
-Criar espaço pra valorização do que não está
catalogado, rotulado, aceito.
A cada
vez que alguém, diretor, ator, escritor, fotógrafo, tem a coragem de mergulhar
no seu espaço interno, na sua necessidade vital, que pra mim se traduz em
espaço pra experimentação, liberdade de criação, e traz isso pro mundo, ele
desamarra a máquina.
Não é uma
exclusividade do curta, do longa, isso são catálogos. É o papel do
artista, é a coragem do produtor. Senão
parece isso: - coisa de moleque, coisa de adulto. No pior
sentido, anarquia X caretice?!
Não!
O artista adulto tem que ser o
anarquista coroado, livre, pra fazer o que quiser.
O curta-metragem é um trampolim
para fazer um longa?
Nada é
trampolim pra nada. Só mesmo na piscina. E o mais interessante, se pensarmos na
metáfora da piscina, é lembrar que é um impulso que nos alavanca pro alto
pra voltarmos pra baixo, pro profundo... Acho esse termo
aliás - ridículo. Acho que se alguém está fazendo algo apenas como escada
pra chegar em algum lugar, cumprindo metas, está perdendo tempo precioso. Eu
não faço uma coisa pra chegar na outra, a não ser quando pego metrô, isso se
chama transporte, locomoção. Se você não fizer intensamente algo, não se
transformará, não vai sair do lugar. Se colocarmos a questão no campo da
experiência, talvez começar por uma estrutura menor, conduza com mais
propriedade pra uma escala maior...mas isso é muito pessoal.
Qual é a receita para vencer no
audiovisual brasileiro?
Não tenho
a menor ideia. Não acho que exista receita, inclusive esse termo
A-u-d-i-o-
v-i-s-u-a-l-b-r-a-s-i-l-e-i-r-o, já é pra mim uma abstração, o que é o
"audiovisualbrasileiro", se pensarmos Euclidianamente? Digo, se
voltarmos para as páginas de Os Sertões, de Euclides da Cunha? Se
pensarmos na impossibilidade de catalogar , de resumir "o
brasileiro", pela infinidade de equações que geram essa nacionalidade.
O que
é? Impossível...
Vou dizer
mais... nem mesmo recita de bolo, é garantia de resultado. Deixemos
de lado essas abstrações...
Eu deixo .
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Talvez...
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