sexta-feira, 13 de abril de 2012

Emilio de Mello

Emilio é ator formado pela Escola de Arte Dramática de São Paulo Em 2005 ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante pela atuação no filme ‘Cazuza - O Tempo Não Para’, no Prêmio Adoro Cinema Brasileiro.



Você já atuou em curtas como ‘Nos Tempos do Cinematógrafo’ e ‘Fora da Estrada’, entre outros. O que te faz aceitar participar de trabalhos em curta-metragem?
Convites para cinema são sempre atraentes para mim. Aceito os trabalhos pela qualidade do projeto e pela minha identificação com eles, não me importo se são curtas, médias ou longas.

Sua preparação, como ator, para atuar em curtas difere de outras preparações tais como teatro, TV, etc.?

Minha preparação para qualquer trabalho é me disponibilizar para o lúdico. Brincar, jogar e se divertir é fundamental.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

Hoje o espaço na mídia é algo bastante difícil para todos que fazem arte.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?

Aquela fórmula antiga de um curta antes dos longas nos cinemas me parece bacana. Internet também pode ser um bom caminho.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...

Claro que é, tudo é possível, depende da vontade, empenho e disponibilidade do artista.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?

Não sinto isso.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não penso nisso, mas não dispensaria esse projeto.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Danilo Gullane

Danilo é roteirista, produtor cultural e curador. No curta ‘Perdemos de 1 a 1’, de Patrícia Moran, foi o diretor de produção. É irmão de Caio e Fabiano Gullane, da ‘Gullane Filmes’, uma das maiores produtoras de cinema do país.


Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Há quem diga que o curta-metragem é um exercício para cineastas em início de carreira preparando-se para fazer um longa-metragem. Acho que o curta-metragem, antes de ser considerado como um "exercício" é um formato cinematográfico onde se desenvolve narrativas breves. E isso me interessa muito. Assim como o romance está para o longa-metragem, o conto está para o curta-metragem. Em todo caso, a realização de curtas-metragens no Brasil, em sua maioria financiado por editais públicos, é responsável pela formação de muitos cineastas. A primeira vez que pisei num set de filmagem foi fazendo parte da equipe de produção do primeiro curta da cineasta Laís Bodanzky, "Cartão Vermelho". Como os recursos para a realização de um filme de curta-metragem são geralmente escassos e raramente se tem produtores experientes para dar suporte ao projeto, o desafio de filmar se torna ainda maior, o que faz com que os diretores e equipe técnica planejem tudo minuciosamente tentando evitar o "erro". Assim, acho que o curta tem um papel fundamental para formar bons cineastas.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

Muito pelo fato do curta ainda não ser encarado como um "produto" audiovisual, algo sem valor comercial. Muitas vezes o curta é visto como uma experiência cinematográfica menor, algo que beira o amadorismo, feito por jovens cineastas idealistas que tem uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. O único espaço para esse tipo de realização são os festivais, que são frequentados por pequenos grupos formados por pessoas que estão envolvidas de alguma forma com a atividade cinematográfica, e não pelo grande público que consome cinema e alimenta o mercado de alguma forma (se é que isso de fato existe no Brasil).

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?

Não sei. Uma possibilidade seria exibi-los antes dos longas nos cinemas. Mas aí já temos 15 minutos de comerciais e traillers, depois mais ou menos 100 minutos de filme, será que caberia mais 15 minutos de um curta? Provavelmente a sessão ficaria muito longa e cansativa para o expectador. Também não sei se as pessoas pagariam para ir ao cinema assistir um curta. Provavelmente não. Por isso, uma forma de aumentar o público de curtas seria aumentar o número de festivais e mostras pelo pais destinadas a divulgação deste formato. Ou então levá-los para a TV. Realmente não sei!

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É possível desde que você não espere pagar as suas contas com isso. Curta não tem nenhum tipo de retorno financeiro, raramente recebe investimentos privados. É um mercado pobre.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que não. Todo mundo que faz cinema já participou de um curta. É a porta de entrada, geralmente onde as pessoas tomam gosto pela coisa e descobrem com é duro fazer cinema num pais como o Brasil.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso sim. Tenho um projeto muito legal. A adaptação de um conto fantástico de um escritor uruguaio chamado Horácio Quiroga.

Qual é o seu próximo projeto?
Tenho feito muitos trabalhos para a TV. O artigo terceiro tem nos proporcionado isso.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O SER Ator - Maísa Magalhães

Pensando numa pergunta que uma jornalista me fez esses dias, sobre qual seria a função do ator na sociedade,comecei uma reflexão e mais uma vez refleti sobre um pensamento de Stanislavsky ,que diz que “para ser um grande ator, antes é preciso ser um grande ser humano”. E esse grande ser humano é o ser ator nessa sociedade. O ator tem que ser admirado e realmente fazer diferença com seu trabalho ou presença.

E começando pelo trabalho. Como ser capaz de mudar rumos com sua arte, de ter um personagem lembrado pra sempre por uma pessoa qualquer, de ser capaz de tocar no mais duro e frio coração e o amolecer, de provocar uma reflexão alheia sobre o que foi mostrado numa peça ou filme? Sim, é esse o maior desafio e a maior conquista de um ator.Ser capaz de SER-humano dentro de um personagem,”brincar de ser Deus” e criar essa vida interior de um espírito humano e assim passar a verdade na ação. Atuação é o momento de entregar-se, e não de jogar um texto decorado ou apresentar clichês.

Na vida em sociedade, o ator tem o papel de conhecer a alma humana, se despir de qualquer preconceito, ver a beleza em todos e trabalhar a empatia. Se não convive e divide seu espaço social com pessoas de diferentes crenças, gostos, hábitos, então como poderá interpretar um personagem ou assimilar um texto que envolve culturas e personalidades diferentes da que esse ator vive? Não saberá viver um personagem completamente. A base da atuação é sim o auto-aprimoramento como indivíduo. É se expandir, é amar o ser humano,é não julgar.E ser ator é ser generoso,porque sozinho o seu trabalho é nulo.O ator precisa do diretor,do roteirista,de toda equipe e também de outros atores. É ilusão querer ser individualista nessa profissão. A Arte deve envolver.
Você provavelmente já saiu de um filme ou peça pensando “nossa, eu me vi naquele personagem” ou “esse filme mudou minha vida”.

E o poder de um filme ou peça de provocar quem assiste não pára aí. Muda também quem o faz, que é o ator. Sinto que cada personagem que faço ,me muda como pessoa desde o momento que começo as pesquisas pra conhece-lo.Me faz compreender melhor as diferentes personalidades,a aceitar melhor os defeitos e limitações de cada um e ver beleza onde antes passava despercebido.

Sendo atriz, conheço as mais diferentes vidas: do pobre ao milionário, da executiva à prostituta, da mimada à mal tratada. Sem preconceitos. Acho importante e gratificante ter amizades com pessoas completamente diferentes de mim, em todos os sentidos. E somente entendendo o outro, consigo passar a verdade e chegar ao que vejo como função do ator na sociedade: envolver as pessoas não só com sua arte, com sua presença.

Maísa Magalhães é atriz e colunista do blog do Os Curtos Filmes.
Informações sobre a artista em:
www.maisamagalhaes.com.br

domingo, 8 de abril de 2012

Matheus Nachtergaele

Matheus é um dos nomes mais conhecidos do cinema nacional. Participou de inúmeras produções, entre elas estão: ‘Cidade de Deus’, ‘Amarelo Manga’, ‘Narradores de Javé’, ‘Nina’, ‘Tapete Vermelho’, entre outros. Como diretor, fez ‘A Festa da Menina Morta’.



O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Como em qualquer outra mídia, costumo me atrair por projetos com vocação artística real, por artistas que me interessam e por projetos inovadores. Tanto no teatro, quanto na tv ou cinema, é isso que me impulsiona para o trabalho: a vocação do projeto e dos envolvidos. Nesse sentido, um filme ser um curta ou um longa têm a mesma importância.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito, efetivamente que isso está mudando para melhor. Vejo muitos festivais voltados para o curta-metragem surgindo pelo Brasil afora, e isso vai formando não apenas o público, mas os próprios cineastas...

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Acho que iniciativas como as do Canal Brasil por exemplo, que tem faixas diárias dedicadas a curtas, são extremamente necessárias. Outros canais de tv têm feito o mesmo... A ideia de curtas serem exibidos antes de longas, como acontece no Festival do Rio também são bacanas.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É difícil fazer um curta, atingir em pouco tempo um conceito e envolver o espectador. O curta pode ser sim um grande treino artístico e técnico para um longa, mas não necessariamente. Admiro quem faz belos curtas.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não. Pelo menos nunca senti isso.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não, mas também não pensava em fazer 'A Festa da Menina Morta', e fiz! Rsrsrsrsrs! Tudo pode acontecer, se uma idéia forte como uma febre surgir em mim, e se isso dever ser contado num curta, então assim será.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Marco Wey


Marco é designer e cineasta. ‘Cet Été’ é um curta de três minutos onde o artista fez o roteiro, a animação, a produção, montagem e direção.



Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Acredito que o curta-metragem sempre foi uma saída para quem quer produzir porém não possuí muitos recursos, o que é o caso da maioria dos cineastas e videoartistas brasileiros. Essa escassez de recursos, na minha opinião, apesar de triste, pode se tornar interessante à medida em que força os realizadores a adaptarem sua linguagem, tentando conciliar os meios de produção à suas idéias e tornar isso o mais coerente e coeso possível. E é isso que por muitos anos foi a identidade do cinema nacional, o abandono de quaisquer técnicas complexas e caras de produção e a valorização do conteúdo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

Ter espaço para crítica em jornais e receber atenção da mídia em geral são duas coisas de certo modo diferentes. Muita arte que pode até ser considerada de vanguarda têm espaço para críticas em jornais; não acontece tanto quanto gostaríamos, na verdade, bem menos do que gostaríamos; e a vanguarda que consegue aparecer não é tão vanguardista também. Mas pela pretensão de alguns jornais em terem cadernos voltados para um público mais intelectual, acho que não seria difícil conseguir espaço para tal, também porque essa pretensão independe do gosto e das preferências do grande público.

Já receber atenção da mídia em um âmbito maior, que se dirija à um público não tão segmentado, é muito mais complicado, pois a princípio a maioria da audiência não tem interesse em curtas-metragens. Acredito que até gostariam se vissem algum depois da novela das oito, mas quem irá convencer uma pessoa arriscada a perder milhões de reais em publicidade? Atualmente o maior veículo é mesmo a internet, muito eficiente em veicular as produções para todos que se interessam por cinema, porém incapaz de alcançar pessoas fora desse público segmentado.

Um outro aspecto que também ainda não é muito visto no curta metragem é usá-lo como publicidade. Não estampando um logo no final, nem fazendo merchandising durante, mas apenas ligando a identidade de uma marca ao curta. Um bom exemplo é o ‘I'm Here’, do Spike Jonze, que foi bancado pela Absolut Vodka, e cujo enredo não tenta vender, nem lembra em nenhum momento a marca. Um dos grandes problemas de qualquer forma de arte no Brasil é a falta de interesse da iniciativa privada em patrocinar artistas, projetos e eventos. Depende-se muito de editais, que acabam por homogeneizar as obras devido ao processo de seleção aplicado ser sempre o mesmo. Adoro curtas-metragens, assisto muitos; mas sempre que aparece um logo de lei de incentivo nos créditos iniciais eu já sei que vai ser apenas mais um. Não vai haver nada de experimental nem inovador, muito menos alguma acidez crítica no conteúdo. Insistir em usar sempre a mesma linguagem, e um conteúdo que em 10 minutos não se diferencia dos restantes é o que causa a falta de empatia de muitas pessoas por curtas-metragens.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?

Na minha opinião o espaço mais viável seria nas salas de cinema. Não existe nenhuma empresa grande, como Kinoplex ou Cinemark que veicule curtas-metragens no começo das sessões. Seria um grande atrativo para o público e um espaço para se divulgar as produções.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...

Curtas-metragens são uma forma muito mais flexível, e aberta a mais experimentações do que o longa. E não acho que realizá-los seja tarefa apenas de cineastas, e diga-se de passagem os mais interessantes que eu já vi não eram feitos por cineastas. É uma forma de um indivíduo começar a se vender como diretor, mas também é uma forma de se fazer experimentações e de se produzir pelo simples prazer em se fazer isso. Alguns encaram como treino, ou um meio até atingir um estágio "maior". Acho que esse é um dos grandes fatores que os torna iguais. Pensar em um curta como um longa, porém de menor duração, é um erro. Isso impede o indivíduo de usar o formato da maneira mais experimental e diferente que ele consiga. O resultado final são trechos de um enredo que não se explica direito, não diz de onde veio nem pra onde vai.

O curta-metragem precisa ser encarado como um formato consolidado, e não com pretensão de se tornar outro. A impressão que tenho é como se o diretor tivesse a vontade de fazer um longa, mas como não tem recursos faz um curta. Para esses, o curta metragem será apenas um treino, e não uma forma final de expressão. Não deveria ser encarado como um desafio de como se espremer um roteiro que deveria ter 90 minutos em 10.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?

Nunca ouvi nada do tipo. Pelo contrário, acho que todos dão valor. Todo cineasta que se preze já fez um curta!

Pensa em dirigir um curta futuramente?

Meus "curtas" tem um caráter mais experimental, envolvendo, design e computação gráfica. Um curta com um enredo comum, uma história linear... talvez.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

VAGA IDEIA

A novela no cinema da Globo Filmes


Ninguém pode negar a importância que a telenovela têm na nossa cultura. Responsável por lançar talentos, gerar empregos e dar a oportunidade para uma ampla plateia assistir nomes como Fernanda Montenegro, Walmor Chagas, Lima Duarte e Marilia Pera ,interpretando com refinamento, seus respectivos papéis na televisão. Sem dúvida, é o meio mais democrático de se deparar com atores de renome em ação.

O teatro e o cinema não estão em todos os lugares e o acesso a esses equipamentos não é tão fácil. Custa caro para a maioria da população.

Ao longo desta história vimos sopros de genialidade em novelas épicas como ‘Vale Tudo’; ‘O Bem Amado’, ‘Escrava Isaura’, ‘Tieta’, entre outras.

Cada mídia tem o seu formato e característica própria. A apropriação de elementos é válida, um pode se alimentar e abastecer do outro, mas a “espinha dorsal” precisa ser preservada.

O que a Globo Filmes têm feito no cinema brasileiro é de se lamentar. Não falo de transições de novelas de sucesso para o cinema, como ‘O Bem Amado’. Essa é uma outra história.

Falo de filmes que são lançados e vendidos como filmes, mas na verdade são novelas com noventa minutos de duração. ‘Se eu Fosse Você 1 e 2’, Qualquer Gato Vira-Lata tem uma Vida Sexual mais Sadia que a Nossa’ , ‘Casamento de Romeu & Julieta’, ‘Divã’, e por aí vai...

São filmes feitos por pessoas da televisão, das novelas (nada contra, mas levam seus “vícios” para a sétima arte). Os diretores, os atores, produtores, roteiristas, quase toda a equipe envolvida numa produção da Globo Filmes é oriunda da televisão. Até a curva dramática dos filmes é da telenovela. E por que isso? Porque o que eles querem é levar o público das novelas para o cinema.

A medida merece meio aplauso. Convencer a pessoa a sair de casa e assistir um filme no cinema é sensacional, mas ao chegar na sala de cinema o que essa pessoa vê não é cinema. Assim, você acaba não formando público para o cinema, forma-se público só para os (tele)filmes que eles produzem.

A maioria dos filmes que a Globo Filmes produz têm uma clara referência ao modelo água com açúcar americano. Grande parte desta produção é descartável, como as músicas da moda (funk, pagode, entre outras tralhas), que vem e vão sem deixar saudade. Vendem milhares de discos, mas não ficam na história.

Os filmes, não são todos, que a Globo Filmes produz vão para o mesmo caminho: a vala do esquecimento.

Rafael Spaca, radialista, autor do blog Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com/)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Marat Descartes

Destaque no Teatro, Marat, ultimamente, vem recebendo muitos convites para trabalhar no cinema. Trabalhou em ‘2 Coelhos’ e ‘Os Inquilinos — Os Incomodados que Se Mudem’, de Sergio Bianchi, será o seu primeiro protagonista no cinema.



O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Um bom roteiro, uma boa história... isso é o que sempre me seduz primeiro quando topo fazer um curta; e é claro, uma turma bacana, porque os curtas de que participei até hoje quase sempre foram experiências criativas de turmas - ou de faculdade, ou recém formadas -, onde a experiência do fazer coletivo que envolve o cinema é vivenciada em sua radicalidade, e surge com força o tal espírito do "cinema de guerrilha", aquela equipe cheia de vontade, cada um pronto pra assumir qualquer função, se preciso for... enfim... essa experiência de um coletivo completamente centrado na criação de uma cena, de uma imagem, é algo muito prazeroso vivenciar, e acho que quanto mais afinidade essa "turma" tiver, mais facilmente isso se vivencia.

Como é o seu método de preparação para atuar em curtas? Difere dos trabalhos que faz em teatro, seriados e longas?
Entre o curta e o longa, e até mesmo os seriados, não vejo muita diferença no que toca a preparação para a atuação. Mas entre eles e o teatro sim. No teatro existe uma convenção, uma espécie de acordo entre o palco e a platéia de que aquilo que ela está vendo é uma representação da realidade, feita ao vivo, em cima daquele espaço cênico, e se algum imprevisto acontecer, se um refletor cair, esse acordo garante que mesmo após essa intervenção da realidade, a platéia voltará a crer na representação. No cinema, ou seriados, por mais ousada ou convencional que seja a proposta, existe sempre a intenção de criar a ilusão de que aquilo que está sendo visto realmente é a realidade. Te mostrando detalhes, te fazendo ver por vários ângulos, enfim, conduzindo teu olhar, o cinema pretende te fazer esquecer completamente de que aquilo não é verdade, de que aquilo é uma criação artística. E me parece que é então que o ator tem que ser mais verdadeiro do que nunca, mais sem máscaras, limpo, simplesmente se colocando nas situações do roteiro, como se aquilo que acontece com a personagem, através dela realmente passasse a acontecer com você, no momento do "ação!". As equipes de figurino, de arte, de fotografia, o próprio roteiro, todos já criaram meticulosamente a ilusão de que aquela personagem, de que aquilo que está sendo visto é real, então me parece que se o ator simplesmente respirar tudo isso, se simplesmente fizer uma espécie de doação dos seus órgãos, nervos e pele, já estará de bom tamanho pra que a magia do cinema se estabeleça.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Boa pergunta. Acho que ela vai no mesmo lote de perguntas como: Porque um longa nacional geralmente não permanece mais do que um mês em cartaz?

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
E aí já respondendo a próxima pergunta, me parece evidente que é preciso haver alguma política pública no que se refere à exibição das produções nacionais, seja curta, ou longa, ou doc, pra que elas possam não ficar fadadas a serem vistas tão poucas vezes e por tão pouca gente no cinema, pra depois caírem em alguma prateleira escondida de uma vídeo locadora. Acho que como no teatro, um mês é um tempo mínimo pra que o "boca a boca" comece a funcionar, pra que as pessoas saibam por quem já assistiu, e comecem a ir assistir, e recomendar para os próximos. Portanto vai minha sugestão pra algum deputado ou vereador sem assunto pros próximos 4 anos: salas de projeção e/ou tendas de projeção em praças públicas, em que só sejam exibidas produções nacionais, nos mais diversos horários, a preços populares. Não adianta nada a política cultural fomentar a produção cinematográfica se não garantir que essa produção vai ser vista pela população. E é o que vem acontecendo: se o filme não enche as salas nas primeiras semanas, tchau, um abraço, e o cineasta já pode começar a correr atrás do próximo edital, pra o seu próximo filme, e uma cultura cinematográfica não se estabelece de fato no país, apenas se chega a um número respeitável de produções.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acho que é possível sim, mas acho que é inevitável a vontade de se fazer um longa, depois que se tem a experiência de um curta. Mas conheço diretores que adoram só fazer curtas, que fazem curtas entre um e outro projeto de longa, ou que depois do primeiro longa nunca mais voltam aos curtas. E nesse último caso, talvez exatamente porque os curtas tenham essa visibilidade ainda mais limitada que a dos longas, fadados a serem vistos - quando muito - nas poucas exibições de alguns festivais de curtas dentro e fora do país.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Então não sei se existe uma marginalização, mas talvez uma resignação, uma triste consciência de que um curta também pode dar sim muita satisfação artística, mas terá provavelmente uma carreira... curta.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
No momento não, mas já dirigi um curta e gostei muito da experiência. Chama-se "Uma Confusão Cotidiana", baseado numa crônica de Franz Kafka, e foi feito junto com a minha turma - de atores que se formaram juntos na EAD -, inaugurando um coletivo que chamamos de Fuleragem Filmes, que hoje já tem três outros curtas finalizados, mas que atualmente anda inclusive um pouco parado, exatamente porque todos esses atores estão atuando nas tantas produções de ultimamente. Mas tenho vontade sim de dirigir um curta novamente.