sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Guta Ruiz

Atriz. Formou-se em artes cênicas na Faculdade de Artes do Paraná. Na televisão, participou da série ‘Alice’, na HBO, e da série ‘9MM’, da Fox.  No cinema, atuou nos filmes ‘Fim da Linha’, ‘Encarnação do Demônio’, ‘Nossa Vida Não Cabe Num Opala’, ‘Augustas’ e ‘Bruna Surfistinha’. Atualmente está no “ar” na telenovela ‘Joia Rara’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem.
Quando tem um bom personagem, um bom roteiro e uma equipe técnica com referências artísticas que eu me identifique.
 
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Comecei em Curitiba, na época que estudava artes cênicas. Fiz alguns curtas com um pessoal que estudava comunicação na PUC. Foi meu primeiro contato com audiovisual, depois que mudei pra São Paulo, fiz mais uns curtas com um pessoal da FAAP e depois outros, também no mercado profissional. Adorei e continuo gostando de fazer.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Na minha opinião, por causa da falta de exibição. Não tendo lugar e estratégias para exibição, não há público nem mídia. Muito menos crítica, sobre algo que não consegue ser visto.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antes de cada longa-metragem nos cinemas, nas programações dos canais de televisão, determinando horários pra isso. Só em mostras e festivais, o curta fica reduzido a um público restrito e específico. Para popularizar, deve-se inserir em meios mais massificados. Na internet e agora nessas smart tvs, vejo um grande potencial também.
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Certamente que sim.
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Creio que sim, mas acho relativo. A experiência, o crédito adquirido, acredito, é muito benéfico pra fazer um longa no quesito segurança, em estar mais apropriado da linguagem do audiovisual, do processo de fazer um filme, de compreender a dinâmica de um set,  e tal. Mas o curta, por si só, já tem sua significância, não precisa crescer e virar um longa. Ele já é um adulto autônomo. Rs.. Mas voltando a resposta mesmo. Rs.. Pode ser um trampolim, mas muitos cineastas partiram direto para o longa e outros gostam mesmo de fazer curtas.
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se eu soubesse já teria 50 filmes no currículo...
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Pretendo muito. Preciso vencer alguns obstáculos pessoais e aprender a fórmula dos vencedores.. Rs.. Mas logo logo eu chego lá!

Zootropo na TV Cronópios

 
MEL LISBOA NO PROGRAMA ZOOTROPO
 
A história do cinema brasileiro contada por seus protagonistas no programa Zootropo continua. Rafael Spaca agora entrevista a atriz Mel Lisboa, que um dia já quis ser diplomata. Mel Lisboa apareceu como um meteoro fazendo o papel principal da minissérie `Presença de Anita` da Rede Globo de televisão. Personagem forte... e difícil para uma atriz que praticamente estava estreado muito jovem. A minissérie foi um grande sucesso, muito por conta da surpreendente e atrevida atuação de Mel Lisboa. Vendo cenas da minissérie no Youtube, até hoje causa espanto o magnetismo e o poder de manipulação da personagem Anita sobre todos os outros personagens e, incrível, também sobre o próprio telespectador. Experimente ver no Youtube. Um trabalho espetacular de Mel Lisboa, com apenas 20 anos de idade.
 
Mel Lisboa fala de sua carreira na televisão, no cinema e a sua paixão atual pelo teatro. Preste atenção no relato sobre o Kikito, estatueta símbolo e prêmio do Festival de Gramado, que ela que recebeu por sua atuação no filme `Sonhos e Desejos`, de Marcelo Santiago, no 34º Festival de Gramado. Imperdível, assista agora!
 
O Zootropo traz um enfoque bem particular do cinema nacional, graças a Rafael Spaca e seu olhar agudo sobre temas pouco explorados pela crítica cinematográfica. Rafael é mantenedor do já famoso blog Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com.br/) e recentemente lançou pela editora Verve o livro “Curta metragem, compilação de ideias e entrevistas do blog Os Curtos Filmes”. Foi dele a ideia desse novo projeto do Portal Cronópios. O Zootropo tem a parceria do Reserva Cultural de cinema e arte, onde gravaremos todos os episódios. Assista agora essa nova e original produção da TV Cronópios.
 
Agradecimentos especiais:
Mel Lisboa
Laure Bacqué
Miguel de Almeida
Cleo Araujo
Roberto Bicelli
 
Apresentação:
Rafael Spaca
 
Produção:
Rafael Spaca
Paulo Ortiz
Jorge Miyashiro
Pipol
 
Direção:
Pipol
 
Apoios: Reserva Cultural de Cinema e Editora Verve.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica


CÂNTICO ÀS TRÊS VAMPIRAS
Rubens Francisco Lucchetti

Da poeira que se elevava
e flutuava à luz do luar,
à hora mais fria, fantasmal,
“da meia-noite que apavora”,
elas, as três, entrelaçadas
num abraço, tomaram forma.

Certamente damas eram,
por suas posturas e atavios.

Olhos pálidos de safira
nas fisionomias marmorizadas,
e sorrisos tentadores
nos lábios de rubi.

No velado amarelo do luar,
as três damas a olhar.
E ouvi-as cantar,
decerto a evocar
doce melodia de um passado secular.

Eu, junto a um dos cantos,
suas belezas a contemplar.

Meu pensamento estava longe,
certamente a sonhar
com as lindas damas a me embalar.

E o inquietante desejo
de que todas elas
– as três damas de cabelos negros –
me beijassem,
a um só tempo.

Sonho ou realidade?
perguntava-me,
na inquietude a contemplar
as três visões, que,
com seus cantares, me transportavam
ao paraíso que todos buscam
um dia encontrar.

As três damas do luar –
Palmira,
Raíssa e
Isolda –,
que vieram na Terra habitar.

Ah, como eram lindas e jovens!
Lembravam o mais puro lírio e
o mais saboroso morango
– de um canteiro ou pomar –,
cujo perfume e sumo
todos desejam um dia provar.

Sonho ou realidade?
Perguntava-me,
junto a um dos cantos,
na inquietude a contemplar
as três lindas damas a me embalar
com suas doces melodias de ninar.

O halo que as rodeava
tinha o esplendor da Lua.
Em suas vestes diáfanas,
estavam a flutuar
os raios do luar.

A terceira, Isolda
– a mais ansiosa –,
era de uma beleza rara...
como a mais rara beleza
que se possa encontrar.

Isolda...
Etérea, suave como o luar.
De dentes fulgurantes
como as pérolas.
De olhos grandes, penetrantes.
De hálito doce –
Uma doçura que recendia a mel – e cálido.

Sob a claridade do luar,
em êxtase
e numa ânsia mórbida, aniquilante,
fiquei a olhar
aquele ser da noite.
E pude contemplar sua boca escarlate
e o rubor de sua língua
a se desdobrar
sobre meus lábios.

Sob a luz do luar,
numa densa e deliciosa ansiedade,
permaneci a olhar
como se quisesse
dessa dama os segredos roubar.

E as outras duas,
com risadas argentinas,
a nos contemplar.

Sonho ou realidade?
Perguntava-me.
E, numa vibrante ansiedade,
com pálpebras cerradas,
fiquei a ouvir
suas risadas argentinas,
sem ousar as três damas
contemplar.

De repente, elas
– as três,
de formas oscilantes,
como um raio a flutuar –
desvaneceram-se
na esteira do luar.

Ah, como eram jovens e belas!
E triste é meu despertar.
Irão elas voltar?
Perguntava-me.
E, então, vi o Corvo entrar,
e sobre o busto de Pallas se sentar,
e falar como jamais falou:
“Nunca mais! Nunca mais!”

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Gabriella Drummond

Atriz. Atuou nos curtas: Foi Mal; Lágrimas do silencio; Dilema; Cem chibatadas em meu pensamento; Figura; Ilusionismo; Não diga adeus; 2 caminhos x 1 acaso; O Plano; Transe; Ganosen e; Mnimosyne. Recentemente se formou em cinema.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem.
Seja na função de atriz ou qualquer outra o que me faz aceitar é roteiro e claro a confiança na equipe. Normalmente o convite vem de profissionais que já trabalhei e sei da competência. 
 
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Comecei como atriz em curtas metragens, depois entrei para o curso de cinema e passei a trabalhar em outras funções também, sem deixar de lado a atuação. Nesse processo fiz cerca de uns 15 curtas e conheci profissionais incríveis que acabaram se tornando amigos e parceiros de outros trabalhos como por exemplo no caso do curta metragem "O Plano" do Ricardo Bueno e o Igor Porta, atuei nesse curta que eles dirigiram, depois disso nos juntamos com mais amigos e produzimos o "Super", que foi feito em Super 8, depois entramos na produção do "Oniro" do Ariel Quintela e Mateus Mattara. De alguma forma todos também estavam ajudando no "Árvore" que eu roteirizei e dirigi ao lado de Fabiana Conway e essa mesma equipe ainda se juntou para produzir "Maria" da Caroline Fernandes e Roberta Lapetina. Ganhamos prêmios por conta de algumas produções e nos unimos para produzir mais curtas, aí que esta a parte boa, são as parcerias que dão certo e nos fazem sempre estarmos em atividade.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Curta metragem ainda não é um formato de grande conhecimento embora existam diversos festivais e mostras de curtas metragens. Acredito que a falta de espaço é por não ser tão conhecido, muitos amigos meus passaram a entender o que é após verem meus filmes e sinceramente não sei se o público está disposto a ir no cinema ver pequenos filmes.  É questão de costume.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que a questão é como deveria ser a divulgação. A exibição do cinema talvez com uma sequência de filmes do mesmo gênero ou diretor poderia atrair o público.
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza. Gostamos de contar histórias, sejam elas expressões do que sentimos ou simplesmente algo que gostaríamos de assistir. Sou da opinião que a gente faz cinema para mostrar, mas antes fazemos cinema para nós mesmo. É a vontade de se expressar, contar uma ideia para alguém, experimentar algo novo. O curta metragem tem isso, esse tipo de recorte nos permite experimentar sem medo.
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Espero que sim rs. Acho que é o início, onde você mostra o seu trabalho. Você pode ter um portfólio incrível de curtas, mas você pode também optar por só fazer curtas ao invés de migrar para longas metragens.
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Gostar muito. Acho que é a receita de tudo na vida. Fazer com paixão, ser insistente, conhecer e mostrar seu trabalho sempre. De alguma forma, mostrando seu trabalho pras pessoas você já está vencendo no audiovisual, filmes são feitos para serem mostrados.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Recentemente dirigi e roteirizei o curta metragem Árvore ao lado da Fabiana Conway. Foi uma delícia faze-lo, pois foi uma junção de profissionais que eu confio, trabalhando juntos. Adorei poder ter Allan, Pietro, Daniel, Jairo, todos talentosíssimos integrando a equipe. Pretendo dirigir outros curtas inclusive estamos com um roteiro que antecede o Árvore e um que seria a sequencia dele, é uma trilogia com ordem diferente.