segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Zootropo na TV Cronópios

 
ESPECIAL 50 ANOS DE ZÉ DO CAIXÃO
 
O programa Zootropo comemora os 60 anos de carreira de José Mojica Marins e os 50 anos do personagem Zé do Caixão. Rafael Spaca recebe no Reserva Cultural o popular criador do cinema de terror brasileiro. José Mojica Marins tem uma trajetória toda especial no cinema nacional. Massacrado pela crítica profissional, era elogiado por diretores como Glauber Rocha, Rogério Sganzerla e Carlos Reichenbach. O personagem Zé do Caixão apavorava salas lotadas de cinema, na época em que os cinemas tinham mais de mil lugares. E todas as cidades, mesmo as pequenas, tinham um ou mais cinemas. 
 
Quando José Mojica e Zé do Caixão pareciam esquecido em nosso país, eis que reencarnam internacionalmente com a saga de Coffin Joe. José Mojica e Coffin Joe são idolatrados fora do Brasil. Após a gravação do programa Zootropo, José Mojica Marins voou para o Texas. 
 
Comemore conosco assistindo agora a entrevista com esta lenda do cinema brasileiro.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Carlos de Niggro

Ator. Atuou nos filmes ‘2 Coelhos’ (Afonso Poyart); ‘Andaluz’ (Guilherme Motta) e ‘Papo de Boteco’ (Diomédio Piskator).
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu gosto de me identificar com a história que vai ser contada no curta-metragem, gosto de me sentir integrado, confortável. O ator tem que estar sempre em exercício, praticando, aprendendo novas linguagens, novas direções. Muitas vezes os roteiros de curtas-metragens propõem boas histórias, personagens interessantes, desafiadores e isso é um bom combustível para o nosso trabalho criador.
 
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já passei por equipes bem organizadas e outras nem tanto, e isso não está relacionado somente à falta de estrutura. Tem equipe que tem toda a ideia na cabeça, mas, só enxerga o produto pronto, se esquece do processo. Isso reflete no nosso trabalho, pois muitos não sabem lidar com o ator, não sabem nos dirigir, não tem essa sensibilidade específica, entende? Eles falam dos takes, dos enquadramentos, do som, da luz, mas não colocam o ator nesse centro, não criam juntos, isso é uma pena. Quando você é dirigido por uma pessoa que já fez teatro ou algo do tipo, a coisa muda de figura, o cara te entende, o processo caminha melhor. Muitas vezes os valores dos caches são simbólicos, você faz pela arte, pelo trabalho, pelo amigo.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
O nosso país está caminhando a passos lentos quando o assunto é cultura, no geral; o teatro está aí sobrevivendo porque tem um povo guerreiro, lutador, cheio de amor, sonhos e ideais, e é assim com a música, a dança, etc., etc. Nosso cinema só consegue um espaço de destaque quando está bem patrocinado, e/ou teve uma ótima aceitação fora do país. Quantos filmes maravilhosos ficaram apenas duas semanas em cartaz. No caso dos curtas não é diferente, ainda não existe uma tradição no nosso país a respeito desse segmento. Quem aprecia esse trabalho, na maior parte das vezes são pessoas ligadas à cultura. O povo em geral, não conhece. A ideia curta metragem ficou muito atrelado à trabalho escolar; alunos de cinema que precisam finalizar um curso convidam alguns atores oferecendo alimentação e ajuda de custo e pronto. Essa mentalidade tem que mudar. Temos que pensar no profissional, fazer gerar renda, é uma da formas que imagino para que possamos difundir mais essa ideia.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Temos que começar na base, nas escolas. Desenvolver um trabalho de maior inserção cultural, apresentar a esses meninos e meninas essa arte, aguçar o senso critico. Exibir diversos trabalhos na rede pública, municipal e privada de ensino. Tem um festival escolar na região do Alto Tietê chamado Cine&Arte que já está fazendo isso, nele os alunos do ensino médio e fundamental criam seus curtas, videoclipes. Adolescentes que já irão para o mundo com uma visão diferenciada sobre os curtas metragens, talvez eles é quem vão espalhar essa ideia para as novas gerações, talvez essas novas gerações vão consumir mais esse segmento artístico, talvez.
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Não há dúvidas! Porém, acredito que precisamos criar e difundir ainda mais os festivais. Seguir o exemplo dos organizadores do Festival Art Déco de Cinema entre outros que fazem premiações, valorizam os trabalhos da equipe, atores, enfim... Essas iniciativas ajudam a desvincular a imagem escolar desse segmento artístico, e podem contribuir para chamar a atenção do publico, e claro dos patrocinadores. 
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Depende. Se a produção criadora desse curta alçar voos maiores e lembrar do ator e de sua equipe no futuro é possível. Mas, como não acredito em Papai Noel, prefiro dizer que na maioria das vezes, os mesmos atores que fizeram o curta por ajuda de custo ou alimentação, serão os primeiros a serem substituídos quando a equipe conseguir patrocinadores para um projeto dessa grandeza. Infelizmente é assim que acontece. E quero deixar claro que não estou generalizando, mas os números a favor de uma situação como essa são altos.
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Será que existe receita? Creio que é trabalho, trabalho e mais trabalho. A gente precisa arranjar uma forma de ser sustentável, tentar não depender somente do governo, gerar nossa renda, nossos projetos, criar nossas histórias. Como disse acima, precisamos melhorar o entendimento cultural do nosso povo em todos os setores. Se o povo tiver mais acesso à Cultura será bom pra todo mundo, é ele quem vai definir o nosso sucesso.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Tenho um texto que está sendo roteirizado, e espero filmá-lo em breve. Será uma experiência marcante com certeza, já temos a produtora que irá contribuir com a parte técnica, os amigos da Produtora Replik.  Quem sabe não a gente não fala sobre isso numa próxima entrevista!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Álamo Facó

Ator.
 
Qual é a sua formação como ator?
Comecei a fazer teatro na escola, muito novo. Minha mãe e minha avó faziam meu figurino em peças da aula de História, no colégio Stella Maris. Aos onze anos eu entrei para o Tablado, onde mantenho amigos até hoje. Aos dezessete, morei por um ano no interior da Inglaterra, onde estudei teatro numa High School. De volta ao Rio, estudei Interpretação na UNE RIO e Cinema na Estácio de Sá. Porém não me formei em nenhuma das duas faculdades pois meu trabalho de ator já tomava a frente, exigindo ser prioridade nas minhas escolhas.
 
Quais as referências que possui?
Minha grande paixão na adolescência foi o cinema, de todos os gêneros. Via todos os filmes em cartaz, sem preconceito. Assinava a revista Set e saía de um filme querendo ser elegante como o Daniel Day-Lewis. Mas no dia seguinte ia ver um filme com a Woopy Goldberg e queria ser espalhafatoso como ela. No teatro e nos grupos que participei na adolescência, fui apurando esse olhar. Minhas referencias são muitas vezes ideias de ícones que eu nem conheço tanto. Por isso, eles me inspiram com uma certa dosagem de imaginação. O Kasuo Ono é um exemplo disso. Nunca vi uma peça dele mas penso nele quase todos os dias. Seu jeitinho sagrado, sentado na cadeira, meio lânguido. Com o Rubens Corrêa também é assim.
 
Em 1998 você atuou no elenco principal da série de TV ‘A Turma do Pererê’, de Ziraldo, a série foi exibida entre 1999 e 2001 na TVE Brasil, sendo ainda é exibido na TVE Brasil, na TV Cultura e em outras TVs públicas. Como foi a experiência?
Foi muito importante, foi a primeira vez que experimentei ficar um mês fora de casa, filmando por esse Brasil enorme! Mantenho amigos até hoje deste projeto!
 
Aos 17 anos você foi para a Inglaterra, onde estudou Interpretação, Dança e Literatura Inglesa na Hanley Castle School. Comente sobre essa passagem por lá? Quais as motivações te levaram a ir para lá?
Fui fugido de casa, fugindo da relação familiar, porque eu era filho rebelde e meus irmãos eram mais rebeldes do que eu. E fui buscando novas experiências. Acreditei no enriquecimento cultural e ideológico de uma experiência deste tamanho. Eu tinha dezessete anos e nunca tinha saído do Brasil. Saí pela primeira vez para morar um ano no interior da Inglaterra. Me transformou muito. Fui pra longe pra ver de perto.
 
Você também cursou Cinema na Universidade Estácio de Sá, especializando-se em roteiro e interpretação na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Acredita que não basta ter vocação, é preciso buscar a técnica para se formar um grande profissional no nosso audiovisual?
É muito importante não parar de estudar nunca pois os obstáculos vão sempre surgir e nessa profissão, saber nunca é demais. Senão viramos mero instrumento do acaso e ficamos muito limitados. A técnica merecia outro nome pois ela é o caminho pra muitas liberdades.
 
Como ator, você atua nos espetáculos "Capitães da Areia", "Lição de Anatomia", "Desesperados", "Entre Quatro Paredes", "O Lobo da Estepe", e "Jornada de um Poema", entre outros espetáculos. O que é o teatro para você?
Amigos da tevê, dizem que não fazem teatro pois, mesmo admirando, não conseguem repetir a mesma história toda noite e dizer o mesmo texto durante meses. Bem, o teatro vem passando por enormes transformações! Acho revolucionário falar um texto diferente nos estúdios, sou apaixonado por esse ofício, mas me sinto muito revolucionário também quando faço a peça "Talvez” em Portugal, por exemplo. Uma peça solo, onde escrevi o texto e dou meu depoimento pessoal pro Mundo e mexo no texto de acordo com os acontecimentos atuais à apresentação. É um risco muito grande. Busco um teatro mais ligado ao acontecimento que à repetição.
 
Como foi trabalhar com um dos seus ídolos, Marco Nanini, em ‘Pterodátilos’?
Foi muito importante em muitos aspectos. Meu personagem nessa peça era muito difícil. Enquanto os outros personagens tinham uma energia trabalhada pra fora, o meu construía por dentro, o que dava bastante trabalho! Foi uma época de muita aprendizagem e tenho muito orgulho dessa peça.
 
Você é um dos atores mais acionados para trabalhar em cinema, fez "Tropa de Elite", de José Padilha, "O Maior Amor do Mundo", de Cacá Diegues, "Apenas o Fim", "Mateus o Balconista", "Não se Pode Viver sem Amor", de Jorge Duran, e "Carioca", de Júlio Sechin, “O Palhaço”, de Selton Mello, “Qualquer Gato Viralata Tem uma Vida Sexual Mais Saudável que a Nossa”, de Tomás Portella, entre outras. A que se deve isso?
Não sou tão acionado assim! Mas isso se deve à minha paixão por filmes, desde criança. Meu avô era um cinéfilo incansável. Tinha uma câmera super 8 e projetava seus filmes caseiros no muro da vila onde morava, no Meyer. Revelava seus filmes no quarto de empregada, que estava sempre com a luz vermelha acesa e me causava grande curiosidade na infância.
 
Muitos atores da sua geração estão seguindo o caminho da direção, no cinema. Você já dirige no teatro. Pensa em fazer o mesmo no cinema?
Dirigi o primeiro curta em 35mm da Estácio de Sá da Barra da Tijuca, quando tinha dezenove anos. Depois dirigi o curta " Imagem", com Mateus Solano, produzido pela Cavideo. Esses filmes estão no YouTube. Penso em me expressar de maneiras diferentes, mas não defino se virarei isso ou aquilo no próximo ano, não tenho essa clareza de ideia. Atuar é meu desafio secreto, ainda quero fuçar mais a ciência do ator, os outros veículos são canais para diferentes formas de expressão.
 
A crítica te considera um verdadeiro operário das artes. O que significa isso e o que acha disso?
Quem disse isso foi uma repórter que foi me entrevistar num teatro do Rio, onde eu estava fazendo o solo Talvez, em Botafogo. Umas hora antes da peça ela me viu lá sozinho, arrumando cenário, lavando uns copos e escreveu isso.
 
Você trabalhou em ‘O Palhaço’, dirigido e estrelado por Selton Mello, e como o divertido Wilson, confidente e melhor amigo do Pedrão, também vivido por Selton, na série A Mulher Invisível, da TV Globo. O que tem a falar de Selton, ele é uma referência para você?
Ele também é minha referencia! E um grande talento! Ele passeia bem pelo popular e o erudito e isso é raro no Brasil. O filme O Palhaço foi bem recebido por todas as classes sociais. Grande ator e grande artista.
 
‘Talvez’, o monólogo escrito e estrelado por você está nos seus planos para ir ao cinema. Sua intenção é justamente formar uma nova parceria com o Selton Mello e lavar o texto para o cinema?
Como ainda estou escrevendo o roteiro, fica difícil saber quem serão os parceiros. mas posso dizer que. Selton é uma cara que eu vou querer trabalhar pra sempre!
 
Apesar da assiduidade na tela grande, é no teatro que você se sente em casa?
Não tenho isso não. A ciência do ator e a aventura humana me interessam. Talvez no teatro eu tenha atingido lugares mais secretos da alma e isso leva a pequenos êxtases. Mas acho possível essa opinião mudar de acordo com as experiências.
 
Você já fez uma série de trabalhos na televisão, mas disse que não tem o aparelho em casa. Qual é o motivo?
Agora tenho! Com o inicio da assiduidade de convites para atuar em tevê, fui imediatamente levado a uma curiosidade sobre como se atuava para novela, que é diferente do realismo e do naturalismo, tem sua especificidade. Tenho tevê há menos de um ano. Já chorei vendo fantástico e adoro o canal Brasil.
 
Sua carreira é bem equilibrada, você atuou no teatro, na televisão e no cinema (quase que de maneira igual, em quantidade). Isso é proposital para não ficar marcado por um gênero?
Não. Na internet aparecem as principais pecas. Se somarmos esse número às peças amadoras da minha juventude, veremos que foi no teatro onde eu mais estive.
 
Para finalizar, gostaria de saber o que faria recusar um trabalho.
Desinteresse pela aventura de estar nele.

Inez Viana

Atriz. Atuou no filme ‘Meu Passado me Condena: O Filme’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O que me faz aceitar participar de qualquer produção, seja ela longa ou curta, é, antes de tudo, a qualidade do texto.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não sei mesmo.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antigamente, o curta passava antes do longa. Acho que seria bacana se isso voltasse a ser assim. Já ajudava na divulgação.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem?
Sim.
 
Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Na maioria dos casos, mas se for a opção do diretor for essa, não vejo problema. 
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Será? Não sei nada a respeito disso...
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Dirigi em 2000 um documentário, 'Cavalgada à Pedra do Reino', baseado no Romance D'A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna e adorei! Repetira a experiência... Mas um curta, não sei... Talvez. 

domingo, 6 de outubro de 2013

Miriam Lins

Atriz e diretora. Estreou no cinema atuando ao lado de Raul Cortez, no filme ‘Pecado Sem Nome’. Atualmente atua na telenovela ‘Amor à Vida’, na TV Globo.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Sem dúvida um bom papel e/ou roteiro.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque arte em geral não é importante para a maioria, por falta de conhecimento. E o que interessa a mídia são pessoas e obras já "consagradas".
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antes do longa, nos cinemas e TVs.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
No futuro, creio sim.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
O preconceito existe em todas as área e temos q conviver com a "ditadura dos famosos" que elegem o que é in ou out.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, tenho uma  boa ideia na cabeça, só falta a câmera! hahahaha

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Zootropo na TV Cronópios

O segundo programa, com a cineasta Vera Egito está no ar. Assistam em: http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=5740

Allan Souza Lima

Ator, cineasta, produtor e roteirista. Allan é um expoente do audiovisual nacional.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Na verdade, desde 2011 já tinha ideia de rodar um longa metragem, mas para isso não poderia me arriscar tanto. Por isso resolvi colocar em prática minhas ideias e loucuras em histórias pequenas para entender um pouco desse universo, para ai sim me arriscar no longa que em breve saíra da gaveta. O meu curta ‘Ópio’ com Marcello Gonçalves, Lino Camilo, Day Porto e o Alexandre Contini, que assina o roteiro comigo, está rodando festivais e já ganhamos um prêmio no festival de São Simão.
 
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Tivemos boas experiências. Falo tivemos, pois tenho uma grande parceira nessa história, que é a minha sócia Fernanda Etzberger. Juntos abrimos a Ikebana Filmes e já produzimos dois curtas, o Ópio e estamos finalizando o 516 com a Gisele Fróes, Igor Cosso e Nivea Stelmann no elenco. Eu sinceramente, acho que não estaria indo para o meu terceiro projeto se não fosse ela. Nós temos uma parceria muito respeitosa, nos ouvimos bastante e isso já é muito importante para o trabalho acontecer. Outra coisa que ajudou muito é que somos bem comunicativos, então com esse jeito acredito que muitas pessoas acabaram nos ajudando muito para a realização desses projetos de baixo orçamento. Desde a nossa parceria atual que são o Estúdio Quanta, a Visom Digital e amigos de trabalho.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque os curtas não têm atenção devida no mercado, E o que sustenta esse mercado é a massa. A mídia em geral quer vender o que é vendável e curta não é! Ainda assim, essas pessoas que conhecem esse mercado tratam o curta metragem como filme experimental, ainda! Gostaria de mudar essa concepção. Se não existir nenhum tipo de incentivo para isso, ninguém vai saber. Conheço muitas pessoas fora do meio artístico que não sabem o que é um curta e nem para que serve! E, na verdade, nem têm obrigação de saber, pois não trabalham com isso. As vezes confundem curtas com documentários. Isso só é uma questão de incentivo.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Eu li uma matéria tempos atrás falando de como as salas de cinema ganham dinheiro. Eu achei um absurdo como as distribuidoras de filmes ganham dinheiro com isso. A distribuidora do filme chega a ganhar mais de 80% de bilheteria. E como as empresas de cinema ganham dinheiro? Com guloseimas. Por isso o preço da pipoca é tão cara. Eu faço essa analogia igual ao posto de gasolina. Onde os donos de postos ganham com isso? Nas lojas de conveniência, pois os impostos de gasolinas são caríssimos. Aonde quero chegar? Acho que deveria ter alguma forma de incentivo cultural para seleção de curtas antes da exibição de longas ou até mesmo reservar uma data de casa mês para apresentação desses filmes nas salas de cinema. Não existe a cota de filme nacional nas salas de cinema? E porque não poderia existir uma cota para curtas? Isso poderia partir até mesmo dos próprios cinemas para estimular público (massa) para conhecer esse mercado. Mas isso é uma questão de incentivo a longo prazo.
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim. No filme curto a primeira coisa a se fazer é contar uma boa história com um tema relevante e em poucos minutos e isso já é muito complicado. Depois disso, antes das filmagens, acho que entra o segundo desafio: o diretor desenvolver uma concepção, uma linguagem a seguir. É esse período que me agrada. Nele você pode transformar o seu filme no que você quiser. Logo após isso, vem o trabalho com os atores. Por eu ser ator também, gosto do processo de laboratório com eles, ou seja, sou um diretor-ator de processo e laboratório. Depois de tudo isso, no dia da filmagem, acredito que o diretor já fez grande parte do que tinha que fazer. Ele, naquele momento vai e brincar e viver, pela telinha, a atuação, o tempo de cena se é compatível ao que ele espera. No campo da área de produção a minha sócia, Fernanda Etzberger, é o meu lado racional do trabalho, Já passamos juntos quedas de locação um dia antes da filmagem, e tendo uma produtora de confiança ao seu lado, faz muita diferença.
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Sem sombra de dúvida. A melhor coisa a se fazer antes de um longa são os curtas. Falo isso por experiência própria. Nele o diretor pode arriscar mais o seu trabalho e experimentar, desenvolver sua linguagem, conhecer a equipe com quem pretende trabalhar nos futuros projetos, essas pessoas acabam virando uma família. Com minha experiência inicial nesses dois curtas, digo que consegui uma equipe para o meu próximo projeto. Eles são minha base, quem tem uma equipe tem tudo. E outra, conseguir guiar uma equipe no set de filmagem é complicado. Sempre estamos correndo o risco de algo grave acontecer, como extrapolar orçamento, cair locação, aparelhos que param de funcionar...Se em um curta é complicado, imagina em um longa. Acredito que tive muita sorte nesse ponto, consegui juntar uma família de profissionais que acreditam no meu trabalho e se dão muito bem uns com os outros.
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Receita ainda não sei, se souber me avisa (rsrs), mas o que venho pesquisando sobre o cinema brasileiro é que nesse ponto acho que faltam diretores com suas próprias assinaturas. Existem, mas são poucos como Claudio Assis que admiro seu trabalho. Gosto muito de Tarantino, Guy Ritchie, Kubrick, Bergman. Neles eu vejo, cada um na sua época, uma concepção visual. Quando você espera um novo filme do Tarantino que você imagina? É nisso que venho pensando bastante ultimamente.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Bom, eu já dirigi dois curtas. Tenho um novo projeto de curta na gaveta que penso em realizá-lo em breve que retrata o universo da eutanásia. Mas esse é um projeto bem delicado, dependo de algumas circunstâncias para produzi-lo. Um tema que me interesso bastante. Mas, na verdade, nesse momento estou escrevendo um roteiro para o meu primeiro longa metragem. Nesse projeto estarei como codiretor desenvolvendo a concepção com o diretor Cassiano Carneiro. Entrarei como ator junto com o André Gonçalves. Uma coisa que poderei dizer é que serão apenas somente dois personagens na história. Estou escrevendo o roteiro junto com o Gustavo Resende e Armênio dias Filho para o meu primeiro longa.