domingo, 19 de maio de 2013

Gorete Milagres

É conhecida pela personagem dos programas humorísticos de televisão, a Filomena, aquela do bordão Ó, coitada! Atuou no filme ‘Tapete Vermelho’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Nunca participei de curtas.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Obrigatório antes de uma sessão de longas- metragens em todos os cinemas do país.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem?
Sim e por que não?
 
Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Concordo e isto pode ser bom .o diretor de ‘Bruna Surfistinha’, depois de curtas e clipes fez seu primeiro longa de grande bilheteria.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não acredito nisto. Todos já passaram por esta fase.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
No momento prefiro atuar, mas no meu TCC da Universidade Anhembi tinha que escrever um curta e acabei escrevendo um longa e foi bem recebido pela banca. Quem sabe um dia? Acho que escrever um curta pra mim, é mais complicado, porque gosto de estórias longa, mas amo assisti-los. E espero também ser convidada para atuar em algum que tenha um bom roteiro e personagem. Fazer ponta em longa já fiz e faço, agora ponta em curta não dá. Rsrs

sexta-feira, 17 de maio de 2013

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica


HOLLYWOOD PERDEU O GLAMOUR
Rubens Francisco Lucchetti

Para mim, o Cinema termina quando entra a tecnologia em demasia. Então, a criatividade deixa de existir; e ficam apenas cenas vazias, cheias de efeitos especiais criados por máquinas. Na época em que não havia toda a tecnologia de que dispõe atualmente, Hollywood era a “usina de sonhos” que encantava o mundo. Com o aperfeiçoamento da tecnologia, essa “usina de sonhos” deixou de existir. Em suma: a tecnologia tirou a alma do Cinema. Para comprovarmos isso, basta que rememoremos os filmes produzidos nos Estados Unidos nos últimos dez anos, será que vamos encontrar dez que mereçam ser vistos uma segunda vez? Duvido.

Na atualidade, os filmes norte-americanos são um desfile de correrias, cenas de luta, perseguições, explosões, sangue em excesso... E, acima de tudo, um cortejo de péssimos intérpretes. Na verdade, os bons atores praticamente desapareceram; e as atrizes, em sua maioria, não têm talento algum.

Para ser sincero, as atrizes de hoje, com raras exceções, não são nem exemplos de beleza. Falta-lhes algo fundamental: glamour. É como disse Rubens Ewald Filho, numa crônica (*) que li há alguns anos: “Faz tempo que perdi a ilusão de que ainda existe glamour em Hollywood.”

Não há termos de comparação entre as atrizes do passado e as do presente. Alguma atriz atual tem a ambigüidade de uma Lauren Bacall ou de uma Veronica Lake? A classe de uma Joan Fontaine ou de uma Olivia de Havilland? A espontaneidade de uma Doris Day? A expressão de uma Ingrid Bergman ou de uma Vivien Leigh? A exuberância de uma Jane Russell? A graciosidade de uma Audrey Hepburn ou de uma Priscilla Lane? A impetuosidade de Maureen O’Hara? A ingenuidade de uma Coleen Gray ou de uma Debbie Reynolds? A sensualidade de uma Kim Novak ou de uma Marilyn Monroe? A serenidade de uma Gail Russell ou de uma Merle Oberon? A vivacidade de uma Lana Turner? A voluptuosidade de uma Marlene Dietrich ou de uma Rhonda Fleming? O charme de uma Rita Hayworth? O encanto de uma Deborah Kerr? O impacto de uma Paulette Goddard? O porte de uma Grace Kelly? O romantismo de uma Donna Reed ou de uma Linda Darnell? Atualmente, que atriz tem o magnetismo de Louise Brooks, a célebre Lulu de A Caixa de Pandora?

Uma das poucas atrizes norte-americanas que tem o glamour das estrelas do passado é Sharon Stone. E cheguei a essa conclusão após ouvir a professora universitária e ensaísta Camille Paglia afirmar, durante uma entrevista num programa de televisão, que “Sharon Stone restituiu o brilho da antiga Hollywood”. A partir desse dia, comecei a reparar em sua interpretação nos mais diversos filmes (As Minas do Rei Salomão, Enigma do Passado, Instinto Selvagem, Invasão de Privacidade, Diabolique e, entre outros, Glória). A tela ilumina-se sempre que ela entra em cena. Talvez seja uma das únicas atrizes da atualidade que pode ser comparada, por exemplo, a Ava Gardner (no começo dos anos 1990, chegaram a afirmar que Sherilyn Fenn, revelada por David Lynch no seriado Twin Peaks, seria a nova Ava Gardner; porém, a atriz não teve fôlego e hoje está praticamente esquecida), Barbara Stanwyck, Elizabeth Taylor, Hedy Lamarr, Jennifer Jones, Lee Remick e Lizabeth Scott.

Bem, neste instante, alguém pode estar perguntando: “E Julia Roberts? E Michelle Pfeiffer? Não têm glamour? Não são tão talentosas quanto Sharon Stone?”

Eu até diria que são mais talentosas que Sharon Stone (basta ver Julia Roberts em Uma Linda Mulher, Dormindo com o Inimigo, O Segredo de Mary Reilly e Closer – Perto Demais; e Michelle Pfeiffer em Um Romance Muito Perigoso, Ladyhawke – O Feitiço de Áquila, De Caso com a Máfia, Lobo e Revelação) e têm uma carreira mais consistente. No entanto, não possuem o mesmo glamour de Sharon Stone.

Há ainda em Hollywood algumas atrizes bastante talentosas: Andie MacDowell, Demi Moore, Geena Davis, Jessica Lange, Jodie Foster, Meryl Streep, Nicole Kidman... Mas, em minha opinião, são destituídas de glamour.

Há também duas atrizes que “incendiaram” as telas cinematográficas na década de 1980: Kathleen Turner e Kim Basinger, que estrelaram, respectivamente, Corpos Ardentes e 9 ½ Semanas de Amor. Entretanto, não são tão glamourosas quanto Sharon Stone; e faz tempo que suas “chamas” se extinguiram.

Por outro lado, existem também algumas atrizes – não são muitas – que, apesar de serem talentosas e terem glamour, não são bem aproveitadas pelos diretores e produtores.

Uma delas é Theresa Russell, que, em 34 anos de carreira (ela estreou no Cinema em 1976, na fita O Último Magnata, dirigida por Elia Kazan), pôde realmente mostrar sua beleza, sua sensualidade, seu charme e seu talento para interpretar em pouquíssimos filmes (O Mistério da Viúva Negra e Tentação Perigosa são dois deles). Portanto, Theresa Russell é a prova de que, para vencer no mundo cinematográfico, não basta a atriz ter beleza, talento, glamour... é preciso que ela tenha também (e principalmente) sorte.

NOTA:
(*) Essa crônica foi publicada em novembro de 2000, no número 11 da revista Sci-Fi News Cinema.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Rafael Primot

Formado em cinema pela FAAP, o ator, diretor e roteirista Rafael Primot possui uma carreira sólida nos palcos onde atuou em trabalhos assinados por diretores como Antunes Filho (Prêt-à-porter, Fragmentos Troianos), Zé Celso Martinez Correa (Os Sertões - parte 1) e Jô Soares (Às Favas Com os Escrúpulos) e integrou o Grupo Tapa (O Tambor e o Anjo). E também nas telas, tendo participado de pelo menos três longas (As Alegres Comadres, Casseta e Planeta e L`Expression) e mais de onze curtas, entre eles Manual para atropelar Cachorro (filme mais premiado de 2006/2007), Quintal dos Guerrilheiros (com Caio Blat ), Artifícios (com Paulo Autran), do premiado Depois das Nove, de Allan Ribeiro, e Doce Amargo com Débora Falabella.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Em geral um bom personagem me fazer parar tudo para querer entrar em seu universo, mas fazer ou não fazer um filme depende de tanta coisa, do roteiro, do diretor, da equipe, mas sempre, todo convite para fazer cinema (e curtas!) é recebido por mim com muita alegria, faço parte deste nicho, é minha turma, minha praia, o prazer é imenso.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não faço ideia. Em todas as entrevistas e o pouco espaço que tenho na mídia tento aproveitar para divulgar o curta metragem e seu realizador. O trabalho, o empenho, a dedicação do curta metragista deveria ser notada com mais festa pela imprensa e pelos meios de comunicação.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Em TV aberta, numa grande emissora. É claro que temos alguns filmes que não são para o grande público, tem que existir uma seleção bacana, equilibrada, pensada para que você forme um novo público aproveitando um espaço deste e não espante quem nunca viu filmes curtos. Não se pode subestimar o espectador, mas primeiro temos de prepará-lo para o formato.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Sim, é claro que é possível. Ele muito provavelmente passará sua carreira sendo desvalorizado e marginalizado por todos os motivos que já comentamos anteriormente, mas não há como negar que fazer curta é fazer cinema e que é necessária uma boa dose de amor, criatividade para superar os desafios estéticos, do formato e de verba. Dizer que um curta metragista não é cineasta é como dizer que um escritor de contos não é escritor.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que não.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Se você der um google na minha vida profissional poderá perceber que o curta sempre fez parte de mim e continuará fazendo. Já dirigi alguns (vários) curtas e recebi prêmios em festivais no Brasil e fora dele com estes filmes. O curta está intrinsicamente ligado ao meu sangue, à minha maneira de contar histórias e ver a vida. Pretendo dirigir curtas no futuro? Pretendo contar histórias, longas, curtas, médias, no papel, no celulóide, no digital, no palco, onde houver um meio e alguém para me ver, ouvir, se emocionar, vaiar, ali estarei eu.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Toniko Melo

Diretor formado em RTVC pela FAAP em 1982. Começou a carreira na produtora Olhar Eletrônico, onde atuou como diretor, câmera e montador de programas para a televisão, documentários e videoclipes de artistas como Legião Urbana, Blitz e Caetano Veloso. Em 2010 lançou seu primeiro longa-metragem 'VIPs', vencedor de quatro troféus no Festival do Rio de 2010, entre ele o de melhor filme do festival.
 
Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Tenho dificuldade de responder essa questão, pois nunca fiz um curta. Mas imagino que o curta metragem tenha colaborado no desenvolvimento da linguagem cinematográfica por ser um trabalho mais experimental.
 
Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho porque os veículos, em geral, querem tratar de temas que o grande público se interessa mais. 
 
Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Acho a internet um veiculo que pode ser uma ótima saída para o curta (como já é).
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acho difícil, mas poderia ser uma nova área.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Nunca senti o curta metragem ser "marginalizado" pelos cineastas,  mas sim receber críticas como qualquer outro filme.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não, apesar que fazer filmes publicitários ou clipes seja um exercício parecido.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Karina Barum

Você nasceu em Brasília, e passou sua infância e adolescência em Porto Alegre, mas decidiu vir a São Paulo para cursar na Escola de Teatro Célia Helena. Em Brasília e Porto Alegre você não teria condições de se tornar uma atriz?
Sim sempre vi a gauchada pegando avião e pousando em novas terras, e também minha área sempre exigiu um mercado bem amplo, por isso fui embora. Mas hoje volto meus olhos para Porto Alegre (que apesar de cidade grande, é pequena comparando à São Paulo), ou mesmo cidades menores, onde sem problema algum posso realizar minha arte e ter o que gosto mais, uma vida mais simples. Isso tudo vejo que é mais fácil porque a área onde mais atuo é cinema e posso viajar de qualquer lugar para um set de filmagem, certo?
 
Sua estreia no teatro foi com o espetáculo “Os Menestréis”, de Oswaldo Montenegro. Como foi a experiência?
Eram muito cantores e bailarinos e todos os espetáculos exigiam super disciplina, lembro do Oswaldo, algumas vezes, dizendo, para alguém que chegava atrasado: 'Ei pegue suas coisa e dê meia volta, obrigada.'. Ao mesmo tempo ele era um doce de pessoa. Ali aprendi disciplina, e foi muito válido por que carreguei para todos os outros trabalhos, para mim é parte fundamental.
 
Na tevê, a atriz estreou em 1994, na novela “74,5, Uma Onda no Ar”, na extinta Manchete. Conte sobre a sua participação nessa produção.
Minha primeira novela. Mas parecia a décima rs.. um super envolvimento, com elenco e direção, além de ser filmada na praia e todos ficavam juntos no hotel, isso nos deu uma grande unidade. Lá conheci pessoas queridas que ficaram amigos queridos como Letícia Sabatella e Murilo Rosa, este foi com quem fiz o teste para entrar e lembro da gente ensaiando na minha casa e minha vó- no quarto ao lado- gritando: parem de brigar vocês dois!!! rs..
 
 
Depois passou por “Malhação”, considerada um laboratório. Como encarou esse desafio?
Rede Globo, era sonho, fui chamada para fazer o teste por que o Wolf Maia assistiu 'O Monge e a Filha do Carrasco' mas não pude ser dirigida por ele, o que me deixou triste, mas trabalhar em produção grande é maravilhoso, tudo funciona, tudo acontece. Minha personagem era, Débora, era uma garota sensível e patricinha ao mesmo tempo que se apaixonava por Dado. Participei de Malhação Férias e filmamos em três Rios, o que vibrávamos por que nossos personagens tinham que enfrentar esportes radicais. Bruno de Lucca era um pentelhinho ainda, André Marques já era um bom gourmet, Thiago Lacerda era um ex-nadador e gentil colega, isso tudo fica na nossa memória, pessoas tão legais e talentosas.
 
Seu maior sucesso foi em 1998, ao interpretar Shirley de “Torre de Babel”, na Globo?
Acredito que sim, Shirley, encantou pela sua pureza, e seu defeito na perna trazia uma fragilidade, mas quando você via Shirley ela não era tão frágil assim, mandava nos três tios, no pai e no avô! O mérito de Shirley credito ao nosso autor, mas para interpretá-la busquei muito em Ettore Scola, cineasta que amo e admiro.
 
Depois da novela “A Padroeira”, de 2001 você atuou em 2005 em “Esmeralda”, no SBT. Como foi a experiência de trabalho em outra emissora?
Já tinha tido esta experiência, mas o bom filho.. sempre a casa retorna . comecei na Globo, depois fiz a novela 'Louca Paixão' na Record, e Walter Avancini me chamou para fazer "A Padroeira" . Esta novela, me recordo com grande carinho, que quando cheguei na Globo para ter reunião com Avancini eu estava fazendo a personagem Bee-Bee, uma drogada que morria de overdose na peça 'Subúrbia', então cheguei à sala dele, muitos quilos mais magra, branca como um fantasma, com cabelos e sobrancelhas laranjas, bem eu estava bem estranha, mas ele virou para mim e disse naturalmente: "Você vai fazer Tuburcina, uma cabocla de 1600" Eu queria me ajoelhar aos seus pés e beijá-los.. mas me contive e disse apenas.. Pode deixar!
 
'Esmeralda' fiz meu ensaio para vilã, pois Graziela, não era uma vilã, mas era dominada pela mãe e muito influenciada, mas no final se arrepende de tudo e acaba morrendo de amor! Sempre torci que o SBT acreditasse em seus atores e técnicos, pois foi muito bonita esta novela e tivemos muitas críticas positivas deste trabalho também.
 
 
Você ficou quase sete anos sem atuar em novelas, quais foram as razões desse hiato?
Eu tinha sido convidada para fazer protagonista na Record 'Louca Paixão' e logo após esta novela casei e tive minha maior criação: Manuela.
 
No cinema, sua estreia é em 1996, atuando em "O Monge e a filha do Carrasco", de Walter Lima Jr. Como foi isso?
Este teste peguei em fila escaldante com sol de 40 graus, e valeu muito à pena. Puxa neste filme além de iniciar com Walter Lima Jr, que que foi referência para mim, um ser maravilhoso e um artista raro, eu estava diante de uma coprodução, o filme era todo falado em inglês, e com elenco maravilhoso com José Lewgoy, que tb é referência para qualquer ator.. Patrícia Pilar, Eduardo Conte, Rubens de Falco, Charles Paraventi e tantos outros.. achei que faria uma das bruxas por que era para isso que eu estava na fila, mas Walter trocou meu papel para a protagonista. A Benedicta era uma personagem complexa, ela era uma menina excluída pela sociedade , por ser filha do carrasco da cidade, e vê no Monge Ambrosious, interpretado por Murilo Benício, toda a bondade que nunca havia recebido.
 
Logo depois, você atuou em "Buena Sorte" (1997), de Tânia Lamarca, e "O Quinze", de Jurandir Oliveira. Como foi o seu método de preparação para esses papéis? O preparo é parecido quando se lança em novelas ou teatro?
Sim o processo para a busca do personagem é parecido, tanto para cinema, quanto tv e teatro, a forma de fazer é que muda. E muda também como achar este personagem, por que cada um demanda uma descoberta nova. Em Buena Sorte, precise fazer aulas de equitação e aprender a Apartar - modalidade com cavalo, onde o cavaleiro separa com seu cavalo todo o gado- que é um balé lindo. Minha personagem era campeã de Apartação, e só de estar na terra com os cavalos diariamente me ajudou a entrar no universo de Júlia. Mas as vezes apenas um acorde de violino pode nos ajudar rs.. sim é como uma salada de frutas, pois o ser humano é complexo.
 
 
Um dos seus últimos trabalhos no audiovisual foi "Corpos Alados", um curta-metragem dirigido por Paulo Furtado e Domingos Meira. O curta é o espaço que você se sente com mais liberdade para atuar?
O curta metragem é um espaço onde podemos também trabalhar, mas não significa, trabalhar mais, tudo vai depender da sua entrega e seriedade. Um curta é um espaço que geralmente, todos estão envolvidos, muitas produções independentes. Vou rodar um curta agora em dezembro que vou dirigir, ‘Parada Solicitada’, 30 atores e o que mais gosto é quando todos entram no processo, isto é, cada um dá o que pode para o projeto ir pra frente, é uma união equilibrada e sincera.
 
“Três Pedras” é um curta-metragem que você produziu, fale sobre ele.
"Corpos Alados" e "Três Pedras são o mesmo curta rs... é que mudou!
Foi fantástico, onde o 'processo' aconteceu! Foi feito também entre amigos e todos produziram, dirigiram e atuaram e tivemos o querido Ewerton de Castro no elenco.
 
A direção em cinema é um caminho natural para você?
Sonho com direção, amo direção de ator, e gosto muito de dar instrumentos para um ator conseguir desenvolver o seu máximo. São métodos e maneiras e claro uma boa escolha de elenco! Mas se é um caminho eu não desenho muito, apenas sigo em frente, trabalhando com amor, gosto de experimentar coisas novas, coisas também que alimentam meu próprio trabalho de atriz.
 
Há glamour na vida de uma atriz?
O mesmo Glamour que existe na vida de um chef de cozinha. Você já viu uma cozinha em trabalho, gente gritando, panelas fervendo, calor escaldante, tensão constante rs.. é mais ou menos isso, não pode ter glamour é um trabalho de peão.
 
É difícil se manter como atriz na televisão? Ou no cinema é mais complicado?
É difícil saber, sempre achei mais simples cinema, comecei no cinema. Mas a TV é algo sinistro, quantos atores se formam por ano? Quantos prédios temos de TV? Rede Globo e TV Record no Rio, SBT em São Paulo. Produções independentes e também canais fechados tem crescido bastante e isso é muito bom, por que vejo atores novatos sonhando com a Globo ou Record, isso é muito difícil, pelo número mesmo, a questão é matemática.
 
 
Você estreou como diretora da peça “Mulher Burra”, como é dirigir e lidar com atores?
Uma delícia,.. As meninas foram maravilhosas, entraram de cabeça, "Mulher Burra" é comédia do início ao fim mas com muita emoção verdadeira e para tanto é necessário despudoramento e entrega, Fernanda Hartmann logo será descoberta, faço votos por ser uma atriz de alma, de verdade, isso chama no cinema. Eu ensaiei esta peça em duas montagens a primeira tivemos tempo e foi completo, no segundo com novo elenco, tivemos pouco tempo, mas elas tinham muito espaço para a criação e sinto que um diretor precisa confiar também, para que o ator cresça.
 
Você ministra aulas de cinema e TV para crianças e adolescentes na capital paulista. Como é o seu trabalho?
Hoje ministro curso de Cinema avançado e intermediário para atores experientes ou não, o que importa é a verdade deles na frente das câmeras, minhas aulas são de direcionamento, não adianta enganar a lente de cinema pega tudo, não adianta se preparar para a cena, você já tem que estar nela. É muito bacana ver um crescimento rápido dos atores, ator tem ser inteligente e saber usar sua imaginação, que é sua maior arma.
 
Qual é o peso de ser protagonista de novela? Você viveu a presidiária Letícia (em “Louca Paixão”, da Record).
Fiz protagonistas em cinema, mas em novela, o que sinto é trabalho árduo o ano todo, 40 cenas para gravar por dia, isso é muito. O que é muito importante é alto astral e muito estudo. Mas em novelas tem a exposição maior, o contato direto, o dia a dia com o público, este eu acho um grande enfrentamento. Mas existe toda uma equipe para dar este suporte, um ator nunca esta sozinho.
 
Falta mais seriedade de determinadas pessoas para levar a carreira de atriz com mais profissionalismo?
Sempre vai existir espaço para profissionais competentes, mas confesso que hoje, parece que o que é ruim é melhor. Todos se rendem ao dinheiro fácil e imediato. Isso vem acontecendo ao teatro, peças de riso fácil atraem muito mais, pra que pensar, pra que sofrer? Sucessos sem conteúdo, sempre vai existir, mas sonho sempre com algo bem maior para o Brasil. Estes dias vi, uma praça em uma cidade qualquer da Europa, sendo agraciada com uma orquestra ao ar vivo, mas o que mais me chamou a atenção, eram os rostos de prazer de homens, mulheres e crianças, algumas brincando de reger. Nossas crianças mereciam isso também.
 
Por que tantas pessoas querem se tornar atriz hoje em dia?
Como garçom é a profissão que todos podem fazer, é só dar uma treinadinha, não é? Ambas são as profissões mais lotadas. O sonho que a mídia imprime é falso, o glamour, como você mesmo disse é falso, se a gente não tem boa noção sobre as coisas cai. O ator tem que estudar antes de tudo, mas o que todos estão fazendo é ir a academia! Mas será que estes estão errados? talvez não, a procura, infelizmente esta sendo esta: músculos e bundas.
 
Qual é a sua avaliação do seriado “Tribunal na TV”, da Band?
Quando eu fiz alguns atores me ligaram e disseram, como você fez é um produto sem qualidade. Não achei, gostei muito de fazer uma homossexual assassina, realmente um personagem único. Além de dar emprego para muitos atores paulista. Mas é preciso dizer que aquela linguagem era muito cafona rs..
 
Para finalizar, o que projeta para a sua carreira a longo prazo?
Estar numa cabana na beira da praia, ensinando interpretação para filhos de pescadores.. por que não?

sábado, 4 de maio de 2013

Érico Brás

Ator. Intérprete de Jurandir, em ‘Tapas e Beijos’. A série é o segundo trabalho de Brás na televisão. Antes, ele participou de ‘Ó Pai Ó’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Curta metragem não deixa de ser um filme. Ele difere em algumas pequenas coisas, mas não deixa de ser um filme. É objetivo. Tem curtas muito bons que gostaria de ter feito. Eu participaria de um curta que tivesse um bom roteiro.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não sei dizer exatamente porque. Mas acredito que os longas tem um investimento maior e por isso tem uma divulgação,visibilidade que faz com que os críticos de cinema naturalmente os veja. Não dá pra comparar a divulgação de um filme como ‘Ó Pai Ó que teve uma produção que dispunha de divulgação, distribuição, etc. ... com um curta "X" que foi feito com o básico necessário,na cara e na coragem.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Existem diversos festivais de curtas pelo mundo. A gente deveria aprender a organizar da mesma forma que se dá essas exibições em outros países. Acredito que estamos bem, o nosso cinema vem mudando,avançando muito bem. Acho que a TV aberta podia inserir na sua programação. Exibir. A exemplo disso temos o Canal Brasil que tem na sua programação espaço para curtas.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Claro que sim. Mas cinema é vicioso. Quem faz um curta bom quer fazer um longa. De fato é um trampolim. Tem alguns curtas que já tem cara de longa....
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não acredito. Acredito na mudança de estágio, a pessoa já fez vários curtas e agora não quer mais. Claro que tem os egos, etc... mas não acho que um cara que já o fez em outrora tenha um desprezo por esse tipo mais compacto de filmagem.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim! Curtas,médios e longas. Sem dúvida. Mas é cedo ainda pra falar disso.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Jom Tob Azulay

Diplomata e cineasta, com atividades como produtor e diretor de curtas, longas, documentários e vídeos. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário musical ‘Os Doces Bárbaros ‘(1978).
 
Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Imensa. Foi a escola de muitos e ainda é. Esteticamente é o campo por excelência da experimentação de linguagem.
 
Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Na verdade, no meu modesto e como de todos nós parcial ponto de vista, acho que todas as perguntas e respostas sobre cinema passam pelo prisma do cinema digital que, em oposição ao cinema ótico, abre pela primeira vez na história os horizontes com que sonharam para o cinema seus pioneiros, nas primeiras décadas do século 20 e que, como sabemos, foram frustradas pela tendência histórica para a qual o cinema foi arrastado de tornar-se uma lucrativa indústria condicionada por uma tecnologia de alto custo que por sua vez condicionou um mercado de massa padronizado pelas exigências de rentabilidade desse mercado. A crítica e a mídia em geral, salvo manifestações episódicas aqui e ali, apenas adaptaram-se a essa tendência de valorização de um único produto, termo que esperemos, no futuro, venha a substituir-se por "obra". E então quem sabe talvez a verdadeira história do cinema possa começar a realizar-se no pleno exercício das potencialidades desse meio de comunicação de massa que veio para transformar o mundo.
 
Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Através de circuitos ou pelas programações especializadas em curtas-metragens, voltada para seu público específico, com crítica e divulgação especializadas.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Como não? Norman McLaren, um dos maiores nomes do cinema, realizou uma obra que no total não deve ultrapassar umas 6 horas.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acaba sendo, lamentavelmente. O curta-metragem poderia, numa comparação com a literatura, ocupar o espaço que o conto e a poesia ocupam na criação literária.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Estou sempre pensando. Tenho uns projetos prontos para isso.
 
Qual é o seu próximo projeto?
Uma coprodução com Portugal chamada ‘MÁTRIA’ que trata da formação da nacionalidade brasileira, se passa no século 19, no período da Independência. Curto demais trabalhar com a língua portuguesa com atores dos dois países. Mas claro como todo mundo, tenho outros  projetos de outros gêneros, inclusive minisséries para TV, ficção e documentário, que eventualmente podem antes vir a encontrar o caminho da realização.