Atriz.
Atuou em “Meu Tio Matou um Cara”; “Os
3”; entre outros.
O que
te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Olha, o que me faz aceitar qualquer tipo de trabalho em geral é o que o
trabalho me propõe como experiência, artística ou pessoal, "o que eu vou
desenvolver com esse trabalho?", é uma pergunta que eu me faço, e quando
digo desenvolver não penso só em mim, porque acho que qualquer tipo de produção
é um trabalho em equipe, o que você traz e o que o outro traz para que juntos a
gente faça uma coisa legal. Acho que nunca tive uma estratégia de trabalho,
sempre pensei dessa maneira porque sou uma pessoa que se envolve muito com o
que faz, e se envolver com alguma coisa que você não acredita é muito
desgastante e não te leva a lugar nenhum. E às vezes pode ser só pela diversão
de filmar, porque existem poucas coisas nessa vida que eu amo tanto quanto o
set. (risos)
Conte sobre a sua
experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Não tive muitas experiências com curtas-metragens, é claro tenho alguns no
currículo mas longe de ser uma lista extensa. O curioso é que todos os
diretores que trabalharam comigo são pessoas que eu mantenho um vínculo
profissional e afetivo. O Vitor Leite que dirigiu o "Esse Momento" e
o "Vida e Morte de Sophie Alice" é um grande amigo e parceiro,
continuamos criando coisas juntos pois temos a mesma visão de cinema. O Charly Braun
também é um cara que sou amiga e acompanho sua carreira de perto, admiro muito
ele e fico ansiosa pra gente se encontrar de novo num filme. Mas eu acho que
tudo isso vem justamente da maneira que eu escolho os meus trabalhos, e não é
que aparecem filmes o tempo todo pra eu fazer, mas existe uma química que tem
que rolar com a pessoa que te chama pra fazer o teste ou ler o roteiro, e isso
é uma via de duas mãos.
Por que os curtas não
têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que agora com acessibilidade da internet ficou difícil você não ser visto,
considero todas essas esquetes de internet curta-metragem, por que não seriam?
Existe agora essa democratização da visualização. Antes o único lugar onde você
podia ver curtas era no cinema, e não existia esse espaço, agora você acha com
facilidade e agilidade essas produções pelo seu computador, o que eu acho
maravilhoso. Você corta os intermediários. Não precisa que ninguém acredite no
seu filme para que ele seja lançado. Talvez esse seja o segredo, cortar
intermediários faz com que você atinja um público mais amplo e que dependa
muito mais da identificação do público com a sua obra, do que de fato de um
investimento de gente "qualificada", por que cá entre nós esse
conceito de qualificação é meio subjetivo né?
Na sua opinião, como
deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que meio que respondi na resposta anterior. Não? (risos)
O curta-metragem para
um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de
liberdade para experimentação?
Pode ser que sim, mas talvez pelo fato de que exige menos investimento, e menos
tempo. Tempo de produção e de visualização. Você pode ver um curta-metragem
totalmente maluco de cinco minutos, mas não vai ficar duas horas vendo um filme
que não estabelece diálogo. Acho que o curta te dá a liberdade de experimentar
outros tipos de diálogo e comunicação com o espectador, enquanto o longa exige
uma linha de linguagem mais objetiva.
O curta-metragem é um
trampolim para fazer um longa?
Sem dúvida, como filmar um longa-metragem sem se estar familiarizado com a
linguagem prática, técnica e artística do cinema? É bom filmar. É uma delícia
filmar, e às vezes sinto que quanto mais filmar melhor. Acho que os curtas
deveriam ser um prazer em si. E às vezes fazer de uma cena do seu longa, um
curta-metragem ajuda você a enxergar coisas do seu futuro filme que são
difíceis de ver no papel. Tem coisas que no papel funcionam muito bem, mas
quando se filma já não é tão bom.
Qual é a receita para
vencer no audiovisual brasileiro?
Não acredito em receitas. Cada um tem que trilhar o seu próprio caminho. O que
significa vencer? Fazer sucesso? O que significa sucesso? Acho que todas essas
perguntas devem ser feitas a si próprio quando se pensa nisso.
Pensa em dirigir um
curta futuramente?
Já dirigi dois curtas-metragens quando fazia faculdade
de cinema, e amo os dois, um se chama "Sunset Bennedict" que é uma
comédia, sem fala, que eu roteirizei e dirigi, e o outro ainda não finalizado
chama "20 de junho" que eu só dirigi. As duas experiências foram
incríveis e eu agradeço imensamente a minha equipe. São meus amigos, colegas e
pessoas que eu admiro muito.