quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Carla Candiotto

Carla, ao lado de Alexandra Golik, fundou a cia. Le Plat du Jour em Paris, em 1992. De volta ao Brasil, fez história com montagens autorais e divertidas de histórias clássicas --inspiradas em autores como os irmãos Grimm, Federico Garcia Lorca, James Barrie, Lewis Carroll, Victor Hugo e William Shakespeare. Desenvolve um belo trabalho direcionado ao público infantil.


O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
O que me faz aceitar seria uma boa idéia, uma boa história, um diretor instigante e pessoas legais.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que tudo vem do fato de ser difícil sair de casa somente para assistir um curta metragem, isso o torna pouco comercial. Se não existe alternativas de inserção no circuito de exibição ele não tem espaço. Quando o curta era exibido antes dos bons longas sempre chamava a atenção dos críticos, isso era bom.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Na forma de festivais de curtas, antes de longa metragem em DVD ou cinema, exibir em outros espaços, como bares, ônibus, metro, internet, exposições de arte, lugares não convencionais onde a atenção das pessoas seja possível...

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Quem escreve um artigo gostaria de escrever um livro? Quem faz teatro infantil gostaria de fazer teatro adulto?

Eu acho que o artista é um ser curioso. E normalmente quem é curioso quer ampliar seus horizontes, quer testar novas linguagens. É muito difícil você encontrar artistas que se interessam por pouca coisa; eles necessitam de referencias para criar. E que quem começa fazendo curtas já é por definição uma pessoa que quer experimentar suas próprias idéias e vê-las realizadas.

A partir do momento que você começa a testar suas idéias, seja num curta, numa peça, num texto e vê que dá certo, é muito freqüente que ele queira levar as idéias adiante e, para o diretor de curtas, o próximo passo natural é o longa. Acho que quem faz curta, naturalmente tem vontade de fazer outras coisas, como um longa, assim como quem faz teatro tem vontade de fazer cinema ou teatro de rua, ou novela e acaba fazendo essas outras coisas por conseqüência. Tem muita gente que faz de tudo; por exemplo, nas minhas peças eu produzo, faço a concepção, penso no cenário, escrevo, enfim, o que eu quero dizer que curta ou longa são somente caminhos de expressão que você faz porque quase não consegue explicar o motivo. E, quando tem pouco dinheiro, faz o que pode fazer. O problema é que fazer cinema é muito caro!

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não acho. Acho que os cineastas é quem mais valorizam ou deveriam mais valorizar um curta.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Amaria mesmo.

Qual é o seu próximo projeto?
Mais teatro e quem sabe ser convidada para fazer parte de um curta!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

EU CURTO

“Quando você crescer, as penas de suas asas vão cair, até que você perca pra sempre a capacidade que tem de voar.”

O que eu ando ensinando pro meu filho… eu o incentivo o suficiente? Será que já falei pra ele o quanto ele é um cara especial tantas vezes quanto ele merece ouvir? Será que eu falei pra ele hoje que sem ele não seria possível ou não teria a menor graça a ponto de não ser nem necessária a existência? Falei que por ele eu sou com certeza absoluta uma pessoa melhor a cada dia ou que eu faço meu melhor e por isso já vale a pena? Será que eu percebo todos os potenciais dele?

Que será que eu ensinei hoje… ou desensinei… deseduquei… desestruturei… nele ou em mim?
Tantas teorias e opiniões, tantos caminhos e escolhas.

Será mesmo que a gente tira pena por pena a cada dia que passa de uma criança? Talvez…
O tempo todo a gente tem que se adequar, alinhar, entrar nos eixos da sociedade que nos impõe obediência total ou a exclusão social, você pode escolher!

Ser alguém em quem não se pode confiar simplesmente por não saber quem se é ou o que se quer de verdade. Porque a falta de escolha gera frustração e disso tenho vergonha, tenho medo da frustração, não a quero dentro da minha casa.

Então vou ensinar pro meu filho a não se envergonhar de si próprio em prol de um sistema que nunca está do lado dele, porque eu como mãe e desobediente social ensino pro meu filho que a gente deve ser aquilo que se quer, porque independente disso as sociedades vão continuar se digladiando, as pessoas vão continuar se denegrindo e se menosprezando como se isso os fizesse mais poderosos ou melhores, eu ensino pra ele que não precisa ser o melhor, ensino que ele tem que se sentir pleno independente do que o mundo quer pra ele, porque existem dois mundos: o interior racional e o exterior e abstrato, aquele lunático que nos tira da realidade que deveria ser absoluta, impenetrável mas sempre mutável.

Acredito que isso de se ser exatamente o que se quer e sente, evitaria esse progresso desmedido que cresce em disparada, porque se busca fora o que se deve ser preenchido de dentro pra fora.
Não vou fazê-lo cometer a barbárie de se auto regulamentar pra se enquadrar.

Existe! Tem que existir uma facção de pessoas disposta a ganhar força sustentável, pra amadurecer sustentavelmente sem canibalismo e autofagia. Deve existir gente que não precisa controlar o próximo, como se viver a própria vida não fosse suficiente pra suprir as próprias necessidades, como se tivessem o direito de manter o próximo em estado cerebral vegetativo e controlado, obediente.

Cansei de tantas mentiras, cansei de ver tanta gente fingida, eu olho pra algumas pessoas não sei dizer muito bem o que sinto, se tristeza ou raiva, tanta prepotência… eu posso abrir uma janela onde eu bem entender e não vou me importar com a segurança de ninguém porque a minha vida, o meu dinheiro e a minha ganância são muito mais importantes do que a minha ou a sua própria vida.

Se pensar diferente disso é ser fraco, eu prefiro morrer assim, com a certeza de que sou plena, justa (dentro do meu parâmetro marginal de justiça), e verdadeira comigo e com as pessoas que me cercam.

Enfim… não sei se certo ou errado, mas quero que meu filho aprenda a ser fiel com ele mesmo, pra nunca, jamais sentir vontade de controlar quem quer que seja, vou ensinar o amor livre, aquele incondicional onde a gente acolhe e não julga, porque viver assim é bem mais gostoso!
Gostei muito de assistir “Raízes e asas” do Renato Cabral e Luis Felipe Pimenta, que me fez sentir a sensação de liberdade que tanto amo com imagens lindas, me fez lembrar que eu amo o fato de não ter matado a minha criança interior, aquela que me deixa suportar o peso das pequenas coisas e que me faz enxergar a beleza da vida! Quero meu filho assim, feliz sempre, pra conhecer pessoas encantadoras e se encantar o tempo todo. Obrigada a equipe desse filme por me fazer sentir tudo isso!

http://www.youtube.com/watch?v=P-nqKOMzUHg

Kassandra Speltri é atriz, dramaturga, diretora, artista plástica e colunista do blog ‘Os Curtos Filmes’.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cininha de Paula

Cininha é atriz e diretora. Dirigiu as novelas ‘Aquele Beijo’, ‘Cobras e Lagartos’ e ‘Salsa e Merengue’. Dirigiu também diversas séries na TV Globo, como ‘Toma Lá, Dá Cá’, ‘Sítio do Picapau Amarelo’, entre outros.


O que te faz (ou faria) aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Aceitaria participar pela experiência, o exercício da profissão é muito importante, estar on training nos torna nos artistas cada vez melhores, é claro que o roteiro do filme é muito importante nesta decisão.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não sei esta seria uma pergunta pra mídia, talvez eles achem uma arte menor pois computam não a criatividade, nem a dificuldade de contar uma historia interessante em pouco tempo, mas sim somente o tempo.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Talvez, seria necessária uma exibição na TV aberta, para que estimulasse os patrocinadores, e desse visibilidade para os realizadores(produtores, roteiristas, diretores e elenco), não só ficarem confinados aos festivais de cinema ou então antes dos trailers no cinema, realmente não sei.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não pois acho que o desejo dos curtametragistas será sempre ser o filme maker de um longa.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não penso assim, pois os curtas são vistos com muito carinho sempre.

Você dirige e produz séries para a televisão. Como é trabalhar com a síntese?
Trabalhar com síntese é muito difícil, acho as vezes quando tenho que cortar um produto que esta fora do tempo muito complicado.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sem duvida farei isto em janeiro, para logo em seguida fazer meu longa.

Qual é o seu próximo projeto?
Depende da área, no teatro um musical com quatro atrizes que fala da menopausa, no cinema um longa chamado ‘5 estrelas’ , na TV uma novela.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

YouTube anuncia competição de curtas

O site receberá, entre 3 de fevereiro e 31 de março, vídeos de até 15 minutos para a mostra “Your Film”. Dez finalistas, eleitos pelo público, irão ao Festival de Veneza, entre agosto e setembro. o vencedor ganhará U$$ 500 mil para trabalhar com a produtora dos irmãos Tony e Ridley Scott.

Cindy Mendes

Cindy Mendes: atriz, cantora e compositora. No cinema foi uma das quatro protagonistas do Filme “Antônia” da diretora Tata Amaral. Na televisão, novamente como uma das protagonistas, integrou a minissérie “Antônia” exibida pela Rede Globo.


O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Sou artista e meu proposito é fazer arte e vivenciá-la em todas as suas manifestações. Penso ser o curta metragem uma honesta e original manifestação artística. Honesta do ponto de vista em que, na maioria das vezes, o foco da produção de um curta está em fazer um bom trabalho, uma obra de arte. Não apenas pensando em bilheteria, nos mesmo atores famosos de sempre, num mesmo tema extremamente popular para atrair a atenção da mídia etc.

Você sente alguma diferença de satisfação profissional entre fazer cinema, teatro e TV?
Penso serem experiências diferentes e que todas têm muito a me oferecer no crescimento como atriz. Logo, me satisfaz atuar em todas as áreas das artes cênicas.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

São vários os motivos. Menciono primeiro o que disse anteriormente quanto ao fato de que o curta metragem, muitas vezes, tenha maior compromisso com a manifestação artística e a arte em si. Isso pode levar a um distanciamento de certos gostos mais pop, que corresponde a um setor imenso da população, chamado “minoria” sendo “maioria”. Faz tempo que a grande mídia tem se dedicado a essa “minoria” majoritária, se aproximando do que ela gosta e se distanciando do que lhe é estranho. Essa falta de divulgação determina a falta de conhecimento do próprio público potencial do curta metragem quanto à sua existência. Em síntese: sem demanda, não há mídia. Mas, também, o formato dos programas de televisão, que não prevê eventos de duração mínima quanto à do curta.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?

Para começar as mostras e festivais poderiam ter maior divulgação. Mas, não terão se não houver um motivo especial, novo. Sem ele a mídia continuará na manutenção da forma como se tem comportado e que já mencionei anteriormente. Um motivo novo seria o uso de Leis de Incentivo Fiscal para atrair grandes marcas patrocinadoras dos curta metragens. Assim, essas próprias marcas passariam a criar novos espaços de divulgação. Um bom exemplo, seria se conseguir um espaço especial na tv aberta.

Considera o curta-metragem um trampolim para fazer um longa?

Sim. Como também o longa pode ser um trampolim para se fazer um bom curta. Porém, fazer um bom curta metragem é, sem duvida, uma tarefa bastante difícil, já que a idéia é um “mini filme” com começo, meio e fim. É essencial ser sintético, sem perder nada. Penso que seja mais fácil partir de um curta para um longa do que de um longa para curta. É uma ótima experiência, tanto para diretores e equipe, quanto para atores.

Dá para o cinema nacional sobreviver sem subsídios?

Sim, falta informação. Já falei de Leis de Incentivo Cultural que permitem barganha de imposto devido com projetos culturais. O atual modelo do Capitalismo: o Neoliberal não prevê mais a participação ativa do Estado em setores que ele entende como da iniciativa privada. Assim, é utopia pensar em subsídio do Estado à arte em qualquer setor ou forma.

O que é necessário para vencer no cinema?

Informação, não ter medo de trabalhar duro, talento e amor pelo que se faz.

Pensa em dirigir um curta futuramente?

Não. No futuro, talvez. E, quando penso em dirigir, é porque estaria numa posição mais protegida do que na de atriz na qual me encontro. Aliás, o ator é a parte mais frágil nessa história. Se estuda, se investe e, invariavelmente, se está condicionado ao teste, ao arbítrio de terceiros. Todos os demais profissionais do cinema têm posições profissionais mais garantidas. Por exemplo: um bom câmera man é requisitado pelo fato de ser um bom câmera man. Dificilmente fica sem trabalho. O bom ator, por não ter participado da última novela, pode perder o trabalho para outro de desempenho inferior que nela estava.

Qual é o seu próximo projeto?

Em breve estarei em cartaz no Teatro Frei Caneca, com um show de homenagem a Ella Fitzgerald. Obviamente, estarei usando meus atributos e conhecimentos de cantora, para interpretar, junto a meu quarteto de músicos na formação de piano, baixo, bateria e guitarra, temas de jazz do repertório desta grande diva do jazz. A direção e produção é do diretor e ator Sebah Vieira.

Marcelo Vindicatto

Marcelo é roteirista e possui uma estreita parceria com Selton Mello. Trabalharam juntos no programa ‘Tarja Preta’ no Canal Brasil e escreveu o roteiro de seus dois longas, ‘Feliz Natal’ e ‘O Palahaço’.


O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Aceitar um trabalho, seja ele qual for, envolve muitas coisas. Gosto de trabalhar com pessoas inteligentes, que têm ideias claras e sabem viabilizar um projeto. Se houver, ainda, uma boa relação pessoal com os realizadores, a coisa flui.

Você sente alguma diferença de satisfação profissional entre fazer cinema, teatro e TV? A satisfação profissional está em fazer coisa BOA. O que é coisa boa? Algo que te faça acreditar, que dê um frio na barriga, te faça ser criança de novo. Eu AMO cinema, mas prefiro trabalhar com um bom produto na internet do que com um filme que eu não goste.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não sei, talvez seja o formato que não se encaixa nos padrões, não vende. Vivemos tempos feios, falsos conceitos são apregoados e atrapalham muito. Pelo menos é assim que eu vejo. Mas os realizadores de curta não devem desanimar. Se o seu projeto é bom, filme. Se o filme for bom ele será visto e valorizado, mesmo que no restrito circuito dos festivais.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Internet é básico. Também tinha que passar na televisão, temos canais da tevê paga onde veiculam programas que até DEUS duvida. O espaço está lá, mas os diretores de programação estão preocupados apenas em vender anúncios. Não é culpa deles, as exigências vêm de cima, e são sempre mais e mais voltadas para o mercado, quer dizer, dinheiro. No meu entender deveria haver uma mudança radical de conceito, de base. Pensemos.

Considera o curta-metragem um trampolim para fazer um longa?
Sim. No Brasil, e acho que no mundo inteiro, é o que se vê. Não que eu concorde, mas está estabelecido assim. Vamos concordar que realizar um longa não é para qualquer um.

Como analisa a produção de roteiros no cinema brasileiro?
Está melhorando.

Quais roteiristas do passado e do presente você destaca para acompanharmos seus respectivos trabalhos?
Robert Towne, Paddy Chaiefsky, Dalton Trumbo, Paul Schrader, Quentin Tarantino, Nora ephron, Aaron Sorkyn, Bráulio Mantovanni, Kaufman, tem um monte!

Dá para o cinema nacional sobreviver sem subsídios?
Por enquanto não, mas deve-se planejar para que seja possível no futuro.

O que é necessário para vencer no cinema?
Se alguém souber me diga, ainda procuro essa resposta. Na falta dela fico com o trabalho duro.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, mas um roteirista vive a sonhar, também gostaria de dirigir um longa, especiais de tevê, webséries, por enquanto sigo apenas escrevendo e tentando inspirar realizadores.

Qual é o seu próximo projeto?
O Andrucha Waddington está rodando agora ‘Os Penetras’, que deve ser lançado ainda em 2012. Tem um monte de coisa rolando, mas não posso dizer até que se concretizem.

Divulgação


O Filme será divido em 6 capítulos: a Dona Rosa Filmes produzirá o primeiro, e haverá, através do site do Canal Brasil, um concurso de curtas para a continuação da história.

Um júri formado por Lázaro Ramos, Carla Camurati, Paulo Tiefenthaler, André Miranda, Mariana Marinho e Marco Abujamra elegerá a melhor continuação.

Após a seleção do segundo capítulo, haverá um novo concurso para seleção do terceiro, e assim por diante. O último (sexto capítulo) será produzido pela Dona Rosa Filmes, encarregada da conclusão da história.

Acesse o Site:
http://canalbrasil.globo.com/programas/no-amor/index.html

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