Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Clarisse Abujamra

Entrevista realizada, pessoalmente, no dia 29 de abril de 2007.

O primeiro contato de Clarisse com câmera de cinema foi em 1968 no filme ‘As Amorosas’, de Walter Hugo Khouri. Em 79, participou de ‘Gaijin’, de Tizuca Yamasaki. Mas, o seu mais importante trabalho foi no filme ‘Anjos do Arrabalde’, de Carlos Reichenback, que lhe rendeu o Prêmio Governador do Estado como a melhor atriz do ano de 1987.

Clarisse, o curta para uma atriz que está em televisão e está em teatro ele é pouco visto, pela pouca divulgação que tem na própria mídia e também nos cinemas e tudo mais, isso de certa forma chateia, porque para uma atriz ela quer ser vista por milhões de pessoas, ela quer ver seu trabalho amplificado, isso de certa forma te chateia para aceitar um convite, e o que te faz aceitar um convite para um curta?
Não me chateia em absoluto, me chateia usando essa palavra que você usou, num quadro geral da falta de divulgação que um artista não estou falando só de teatro, o interprete, todos ocupam um espaço mínimo dentro da mídia, isso é uma grande lástima, nesse sentido sim, quanto a atriz fazer, acho que todo o ator ou interprete, ele não perde a chance, nunca, de um personagem, é sempre o prazer, eu fiz só dois curtas para o pessoal de faculdade, etc, mas foi um prazer enorme porque é um exercício, cada veículo requer um tipo de preocupação, então você está sempre se exercitando, eu nunca penso nesse setor, talvez eu esteja até errada, mas quando me convidam para fazer se isso pintar na minha cabeça vai ser uma coisa bem depois, mas nunca é uma premissa, nunca é uma questão para dizer não, se vai ter divulgação ou não, porque eu estou nessa vida a muito tempo e eu sei como é.

O curta, algumas pessoas dizem que ele é o grande movimento do cinema, devido a muitos cineasta ou não cineastas fazerem curtas porque tem muita facilidade com a mídia tanto com celular, câmeras digitais e tudo mais e tem uma vazão para experimentação. Você acha que isso é o que instiga a um trabalho de curta? Porque a TV já tem um formato padrão, ao autor, a interprete e tudo mais.
Eu acho que sim, porque ele por si só, já abre uma certa facilidade e depois eu tenho uma fé muito grande nessa garotada que faz curtas ou não, que você vê que com certeza amanhã vai querer fazer um longa, por mais que ele se especialize, que seja só paixão o curta, fatalmente é um laboratório para ele encarar um longa metragem, ou mesmo se aperfeiçoar naquilo e conseguir uma síntese maravilhosa, eu acho o curta uma coisa super interessante e fértil, e agora com essa facilidade que está tendo agora de fazer, não estranho que ele ganhe um terreno maior.

Sobre o poder de síntese do curta, você acha que dá para contar uma história em tão pouco tempo de metragem?
Eu acabei de ler um conto e uma autora francesa, o livro é assim pequenininho, o texto é uma página, e ela cona tudo,daí cabe o saber fazer.

No seu trabalho, você que teve dois curtas , o modo de preparação para atuar em um curta é diferente de um filme, de uma novela ou de uma peça?
Não, obviamente a diferença é do modo interpretar, eu não vou interpretar no cinema da maneira que eu interpreto no palco, como nesse teatro que onde nós estamos agora aqui, esse palco tem 150 lugares eu não vou soltar a voz tanto quanto eu tivesse em um teatro com 700 lugares, então só nesse sentido que muda, e as vezes o curta tem uma certa liberdade para o interprete de voar um pouquinho mais, de prosperar mais com o diretor, as vezes é até mais fértil.

Você acha que o curta é um gênero menor dentro do cinema?
Não em absoluto, você pode ter um longa-metragem, eu sou fascinada pela competência, então se o cara é competente ele vai ser absolutamente maravilhoso, se ele for incompetente ele vai ser em um longa, em um curta, e no que ele quiser, e eu acho que ele é belíssimo.

Qual é o grande barato de curta-metragem, tanto o que te leva a assistir um curta, e qual que você acha que é o grande barato de um curta?
O que me excita num curta é que você vê a coisa da síntese do pensamento, o cara tem que ir na mosca, porque se ele não for ele está ferrado, esse talento de conseguir no curta-metragem uma idéia, isso me fascina.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Férias!!!

Olá!

Entro em férias hoje e retorno no dia 15 de julho, quando voltarei a postar mais entrevistas sobre curtas.

Acabo de publicar um texto raro do Lucchetti.

Aproveitem.

Um abraço e até mais,
Rafael.

Criadores Cinematográficos

1) O Cenarista

Rubens F. Lucchetti

O cenarista é quem compõe argumentos para o filme. Ora, a composição pode realizar-se das mais diversas maneiras. Através da criação direta, em que se imaginam várias cenas harmoniosamente desenvolvidas, segundo os requisitos e necessidades próprias do cinema e, antão, se escreve um argumento puramente cinematográfico, isto é, para uso exclusivo do cinema, ou se realiza uma composição de elementos retirados de qualquer gênero literário já existente, o teatro o romance ou o conto.

Extraídos os elementos, o cenarista tem de recriá-los dando-lhes características diversas das que originalmente possui. Incumbe ao cenarista extrair do romance, da peça do teatro ou do conto, um argumento próprio à expressão cinematográfica. Trata-se, em última análise, de uma adaptação às realidades do cinema.

Como se vê, esse trabalho exige uma escamoteação. Sendo a transposição em termos cinematográficos de uma obra concebida em termos literários, naturalmente requer a profissão de cenarista conhecimentos naturais ou adquiridos de criação dramática ou romanesca, assim como a capacidade de tornar harmônicos com as exigências técnicas e artísticas do filme aqueles dons ou conhecimentos.

Do mesmo modo que não se aprende a escrever romances, contos ou peças teatrais, também não se aprende a criar cenários. O cenarista nasce com a vocação. Não obstante, urge deixar de lado os preconceitos e as idéias feitas e mostrar que o gênio não se alimenta de nada, antes exige para o seu total desenvolvimento condições de estudo e de experiência. Dos milhares e milhares de cenários que são cotidianamente enviados às casas de produção cinematográfica, isto é, a expressão visual.

Entretanto nunca se deve deixar sem exame esses cenários. Pois o mais banal pode conter uma cena, uma situação, talvez apenas um ângulo ou uma sugestão que incorporados a outros conduzem à realização mais auspiciosa. Compreenderam algumas empresas a necessidade desse constante exame e, para tal fim, criaram departamentos especializados, que recebem originais e os estudam cuidadosamente. Todos os livros que se lançam, todas as peças que se representam são logo examinadas sob o ponto de vista das possibilidades da sua transposição cinematográfica.

Empresas e jornais especializados organizam concursos de cenários: nestes se notam, geralmente, a abundancia de aspirantes a cenaristas e a sua ignorância técnica. A maioria dos originais apresentados acusam o desconhecimento completo das condições especificas da expressão visual. Um argumento cinematográfico é o que se chama sinopse, quer dizer, uma exposição da ação cujo desenvolvimento nunca excede a cinco ou dez páginas datilografadas. É essa quantidade suficiente para se verificar se há aí matéria cinematográfica. É o cenário mais especificamente, o desenvolvido deste argumento.

Para realizá-lo é mister transcrevê-lo numa continuidade dramática dividida em seqüências, estabelecendo-se depois o roteiro (ou découpage) para cada cena, com o seu diálogo próprio e finalmente o roteiro técnico, “prefiguração do que será depois de rodado e montado, o filme”.

É portanto, o cenarista, quem dá a idéia o seu desenvolvimento dramático, seja o argumento original ou uma obra literária já existente. Não se pode, porém, confundir o argumento de um filme com uma novela ou um conto ou uma peça teatral. Acontece isso freqüentemente porque não existe ainda uma educação orientada para a criação cinematográfica. A história, num cenário, importa pouco. Naturalmente, é mister procurar a que não seja muito banal, nem muito complexa. Pode considerar-se uma boa história aquela que reúne um mínimo de interesse. Deve ter sempre o cenarista o cuidado de conhecer a técnica do filme. Tomando consciência dela, naturalmente vai adquirindo um conjunto de conhecimentos e experiências nitidamente cinematográfico.

A realidade do cinema sendo diferente por expressão à da literatura ou à do teatro, deve-se pensar em imagens e não em símbolos. O cinema é, por excelência, o reino das imagens. O cenarista que não compreender essa exigência fundamental não poderá nunca criar ou adaptar um bom cenário. Poderá, quando muito, fazer teatro ou literatura, através do cinema. Evidentemente não se consegue essa possibilidade senão pelo estudo técnico do “métier”. Atualmente ainda se contam poucos cenaristas que não tenham formação nitidamente literária ou teatral. Amanhã, nenhum cenarista poderá prescindir do exercício estritamente cinematográfico. É essa uma conseqüência fatal do desenvolvimento da indústria e da arte do cinema.

A função do cenarista é, estritamente, a de fornecer ao diretor um elemento – a idéia –, como o dialoguista fornece o diálogo, o músico a música e o ator o seu jogo. Mais importante porém se tornará o papel do cenarista se ficar a seu cargo o desenvolvimento ou continuidade dramática do argumento. Quando se trata do filme, de qualidade raramente participa o diretor na adaptação do cenário. Entre o cenarista que dá argumento lhe assegura a execução, colocam-se vários intermediários cuja tarefa é projetar o filme sobre o papel, isto é, dar à idéia do cenarista o desenvolvimento necessário para que os técnicos lhe dêem realização. Este trabalho se intitula roteiro ou projeto a “découpage” do filme. Deve existir a mais estreita colaboração entre esses elementos a fim de assegurar-se a homogeneidade do filme. Este espírito de criação coletiva, este espírito de equipe que anima o filme, é, exatamente, a sua marca distinta.

Do mesmo modo que não se concebe um romance escrito a quatro ou cinco mãos, também não se admite um filme realizado por uma só pessoa.


Publicado pela Revista de Cultura Cinematográfica
Nº 36 – Setembro/Dezembro de 1963
Belo Horizonte - MG

Sábado, 13 de Junho de 2009

Sérgio Roveri


Entrevista realizada, pessoalmente, no dia 27 de abril de 2007.

Sérgio Roveri é roteirista, dramaturgo e crítico de teatro.
Sérgio, tenho entrevistado algumas pessoas que escrevem textos, autores e tudo mais, e eles fazem uma comparação que o curta-metragem é um parente da crônica, ou a crônica é parente do curta, pelo poder de síntese que tem. Você acha que é por aí mesmo?
Eu acho que sim, foi engraçado você ter falado isso, porque eu nunca tinha feito essa associação, mas agora que você falou me parece bem lógica mesmo, pelo menos o que eu tenho acompanhado da produção de longas-metragens e o que eu tenho lido de crônicas, agora você vê que existe mesmo, acho que além da crônica se resolver num espaço pequeno, assim não é uma coisa que se estenda muito, e o curta-metragem também, eu acho que tem uma outra coisa em comum entre eles que é o olhar muito urbano sobre a vida, um olhar contemporâneo e eu acho que os cronistas que eu tenho lido, que escrevem pelo menos na imprensa diária estão se preocupando, não sei se é um fenômeno recente, mas que eu tenho sentido muito, que eles estão se preocupando em levantar fatos muito cotidianos, fatos quase banais e eu acho bacana esse olhar contemporâneo, esse olhar descompromissado com a cidade que eles estão levando para a imprensa , e que depois algumas delas acabam chegando aos livros também, então eu acho que há esses dois pontos em comum, que eu acho que é o fato de uma duração curta, de você ter pouco tempo para contar sua história no curta, e pouco espaço na imprensa para contar sua história na crônica, e esse olhar contemporâneo, eu acho que existe isso sim.

Você acha que dá para contar uma história em tão pouco tenho de linha ou de metragem?
Com certeza, eu acho que sim, porque eu escrevo para teatro, tenho escrito para teatro há algum tempo, mas a minha formação é o jornalismo, e eu venho do jornalismo impresso, trabalhei muitos anos no Estadão, e o jornalismo é esse exercício diário de você condensar, de você contar muita coisa em pouco espaço, e a cada vez o espaço tem diminuído, hoje eu não estou mais na imprensa diária como eu escrevo para revistas e para jornais, mas não com essa obrigatoriedade do dia, mas eu percebo que o espaço na imprensa escrita tem diminuído, então eu acho que esse exercício de você enxugar, de exercer um poder de síntese é uma coisa que rola todo dia, então eu acho que no fundo é prazeroso fazer isso, quando você percebe que conseguiu contar uma história em pouco tempo, que não precisou de mais, no primeiro momento você pode ficar um pouco contrariado, achar que precisa de mais coisas, mas quando você vê, nunca tive um curta metragem, não sei qual é a sensação de ter um curta pronto, mas eu já tive várias vezes na minha vida que enxugar uma história, você escreve e daí tem que transformar aquilo na metade, e quando você termina você fala, eu realmente não precisava de mais, foi possível e é melhor, eu acho que é mais direto assim, e tem uma coisa que se fala muito e que eu acho que não é folclore não, e que as pessoas tem realmente menos tempo, então elas têm menos tempo, e a atenção delas está sendo disputada diariamente por ‘N’ produtos, e o que eu estou falando é só como uma atividade cultural, não estou nem vendo o que ela tem que fazer para trabalhar e ganhar a vida mesmo, então se você puder ser breve na tua mensagem, eu acho que a chance de você atingir o público é bem maior.

Estive conversando com o Ivam Cabral e ele falou que também está migrando para o vídeo, e ele está insatisfeito com o que ele está vendo. Você pensa em migrar também para um curta, ou começar com um curta e depois fazer o roteiro de um longa? Temos vários exemplos de jornalistas e autores de teatro que escrevem também para cinema. E outra pergunta: Você está insatisfeito com o texto que tem por aí no cinema ou no curta-metragem?
Olha, é engraçado porque assim, quando eu decidi fazer alguma coisa fora do jornalismo, além do jornalismo, eu sempre tive uma paixão similar entre teatro e cinema, sempre gostei muito das duas atividades e na maioria das vezes eu procuro equilibrar, eu tento ver a mesma quantidade de cinema que eu vejo de teatro, óbvio que o teatro me chama muito mais pelo lado profissional, mas agora eu estou falando como público, então eu divido meu tempo livre entre teatro e cinema porque eu gosto das duas mídias, quando eu achei que devia fazer alguma coisa além do jornalismo, e eu quis estudar para isso para não me atirar logo de cara, fazendo alguma coisa sem nenhuma técnica, eu fui estudar primeiro roteiro, roteiro de cinema lá na ESPM e fiz cursos, fiz um roteiro pequeno e tal, mas na seqüência comecei a estudar teatro e vi que pelo menos no meu caso, produzir teatro foi mais fácil, eu me aproximei mais rapidamente, porque eu acho que tanto teatro quanto cinema são atividades que você não faz sozinho, é uma coisa completamente grupal, teatro talvez mais do que o curta ainda, e como eu me aproximei muito rapidamente de quem faz teatro e esse acabou sendo meu círculo de amigos eu tive mais facilidade de dar vazão para minha produção teatral, agora eu tenho vontade sim, nunca apareceu nenhum convite, normalmente quando eu vou pensar numa história minha cabeça já pensa teatro, ela já vem com o palco, já vem com o cenário do palco, já vem com muita palavra, eu não tenho essa cultura de imagem, tenho como público, mas eu acho que eu teria um pouco de dificuldade no começo de saber que no cinema vou precisar de bem menos palavra do que eu usaria no teatro, mas eu tenho vontade sim, eu acho que é um caminho legal, eu tenho vontade as vezes de transformar algumas coisas que eu tenho para o teatro em cinema, para ver como seria,a s vezes até como brincadeira. Agora, você me perguntou de textos, eu acho que é relativo, talvez seja até um pouco antiético falar isso, não sei, mas eu acho assim você tem 110 peças em cartaz no momento e não sei quantos filmes, é óbvio que você não tem 110 bons textos, tem muita coisa que está em cartaz que não foi feita em cima e um bom texto, às vezes vai para outro lado, às vezes vai por uma interpretação bacana, às vezes vai por uma inovação tecnológica, eu acho que nem todos esses espetáculos em cartaz o que sustenta eles é o texto, mas eu acho que agente tem bons textos sim, tem muita coisa na cidade que dá para você ir ver sendo levado em primeiro lugar pelo texto, principalmente nesse circuito aqui, que eu circulo um pouco na praça Roosevelt tem muita coisa legal de texto aqui nos Sátyros, nos Parlapatões, nos Sátyros 2, eu acho que tem uma, porque eu senti que a gente está vivendo uma década em que o texto está sendo muito valorizado no teatro e de alguma maneira no cinema nacional também.

Você é um espectador de curtas? Qual é o grande barato de um curta-metragem?
Eu confesso que eu vejo curta quando existe algum... eu vejo curta menos do que eu deveria, porque eu acredito também que o mercado de curta também não está sendo tão bem explorado quando deveria, eu sei alguns amigos que eu tenho que fazem cinema eles reclamam muito da dificuldade distribuição para longa, eu acredito que para curta deva ser mais difícil ainda, então quando tem uma mostra ou quando tem algum festival, daí eu procuro ver, mas se eu disser que normalmente, que toda semana eu tenho acesso a curta, eu não tenho não, eu vou meio que na onda quando está rolando algum evento específico de curta, desses grandes eu digo. Eu sei que no CCBB está sempre rolando, mas eu acabo vendo menos do que deveria. Acho que o grande barato deles pelo que eu tenho percebido é um certo descompromisso com a linguagem formal, porque eu acho que no curta, eu acho que o autor do curta não está, não que ele não tenha o formalismo do cinema, não é isso, mas por ele estar na maioria das vezes lidando com uma produção que envolve menos recursos e que tem uma democratização da imagem da digitalização ficou mais fácil fazer um curta, então eu acho que esse compromisso formal caiu um pouco, então eu acho que o grande barato é essa democratização do formato.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Ivam Cabral

Entrevista realizada no dia 27 de abril de 2007

Ivam Cabral é mais underground que o diabo (parafraseando Zeca Baleiro).

Os Sátyros faz um trabalho muito importante com o teatro, está ensaiando para ir para a TV, tanto é que fez um episódio na TV Cultura (Direções), acha que é um caminho que vocês vão seguir?
Eu sempre pensei, aliás a gente do Sátyros sempre pensou, desde o início que o cinema era nossa salvação, porque o trabalho no teatro é muito solitário, muito artesanal, embora o cinema também seja artesanal, não é tão solitário quanto é o teatro, enquanto linguagem, enquanto “produto”, então agente tem se preparado para produzir cinema, a gente tem umas incursões, e algumas coisas com audiovisual que a gente vem fazendo ao longo desses anos... e eu imagino que o futuro é mesmo a gente se aventurar para o cinema. Esse trabalho na TV Cultura agora que a gente foi convidado, que é experimentações, que é quase um curta, e a gente quis explorar muito mais uma linguagem cinematográfica do que teatral, e a gente tinha essa opção, até o nome prévio do programa era Teleteatro, e no primeiro momento se pensava que a gente fosse fazer um texto dramático, uma peça de teatro filmada, e a gente optou por uma linguagem cinematográfica, claro, com todas as limitações de equipamento da TV, com todas as limitações que a gente tem de disponibilidade de material da própria TV Cultura, agente tinha um período X para usar as coisas, aliás, um período super pequeno, mas o nosso trajeto nesse projeto foi sempre pensando no cinema quanto linguagem.

A linguagem do teatro é diferente do cinema, especificamente para o curta, porque o teatro não tem o poder de síntese muito grande quanto o curta exige. Você acha que para fazer um curta, não sei se é o caso, se vocês estão pensando em curtas ou longas, mas o que vocês acham que precisam fazer para se adequar a essa linguagem? Eu li uma vez o Rodolfo falando que se o cinema ou a TV gostaria de enquadrar o trabalho de vocês, vocês estariam fora.
Eu acho que sim, a gente é maldito, é contestador no teatro e da linguagem que a gente se apropriou, a gente tem realizado alguns curtas na nossa história e curiosamente a gente nunca mostrou isso para ninguém, gravamos um longa também que não foi montado. No primeiro momento porque a gente ainda não tinha os instrumentos digitais que tem agora, essas coisas todas quando a gente fez esse filme, então ele ficou por editar, em algum momento a gente vai fazer isso, mas interessava para nós muito mais a experimentação, muito mais a experiência do que verdadeiramente o resultado. Então a gente passou ao longo desses anos, dos últimos 10 anos, fazendo muita coisa, produzimos uma série para a televisão em Curitiba, que era de entrevistas, a gente biografou o teatro paranaense, em séries de entrevistas, ag ente biografou a literatura no Paraná através de entrevistas, esses programas foram exibidos em televisões lá em Curitiba, a gente fez uma memória cultural de Curitiba num videodocumentário que também foi exibido pela televisão em Curitiba, TV Educativa, então enquanto a gente pôde experimentar a gente foi experimentando, mas o nosso grande objetivo mesmo é produzir obviamente um cinema alternativo, obviamente um cinema que a gente pudesse dominar ou então com produção muito barata, caseira que pudesse resolver entre nós, mas estamos de olho nos longas, com histórias mais complexas, com roteiros mais elaborados, teve essa tentativa que foi esse longa que a gente fez, que é o “Terceiro Sinal” o nome desse filme, e na Cultura agora, embora fosse engraçado, você foi o primeiro a falar em curta, em nenhum momento me passou pela cabeça que a gente estava fazendo um curta, passava pela cabeça que agente estava fazendo um filme, e um filme muito grande, um filme poderoso, pelo menos foi com essa dedicação, com esse estímulo que a gente foi fazendo, mas a gente quer chegar nos longas, e é um projeto para os próximos anos.

O cinema nacional, essa leva que está tendo a Retomada, ele tem um selo Made in Brazil, mas ele não tem muito a cara do Brasil, é uma coisa que segue até a estética americana de filmagem, e a idéia de fazer esses filmes, é meio que para contrapor esse cinema que está aí?
Eu acho que sim, a gente tem sentido uma necessidade de experimentar uma linguagem que é diferente e que a gente não domina, que a gente conhece pouco, não passa pela cabeça quebrar com a linguagem, ou no termo da pretensão de reinventar uma estética, putz, quiçá a gente consiga fazer tudo isso, mas a gente está insatisfeito com o que agente vê, eu acho que isso já é um bom sinal, porque nós artistas somos motivados por isso, pela insatisfação, acho que a insatisfação ela acaba determinando coisas muito bacanas, agente está insatisfeito e vai procurar uma linguagem que é nossa, que é da praça Roosevelt, que é dos travestis, que é das putas, que é do centro de São Paulo, que é do lugar que a gente conhece, obviamente que nada que a gente faria fugiria desse universo todo que a gente foi obrigado a pesquisar, agente foi obrigado a entender, porque quando a gente chegou aqui, a gente se quer imaginava que fosse encontrar o que encontramos, sempre queríamos vir para o centro de São Paulo porque a nossa linguagem é cosmopolita, somos urbanos, mas a gente foi trabalhar com o material que fomos encontrando, provavelmente isso vai refletir também nessa idéia de cinema, já refletiu nesse trabalho da cultura agora, a gente vai falar de travestis, a gente vai falar de coisas que agente conheceu aqui na praça, então motivado por isso, acho que deve surgir coisas, mas acho que a palavra legal não é nem, não temos a ambição de mudar nada, mas a gente está insatisfeito e a gente quer contar da nossa maneira.

Tem uma leva muito grande de curtas, principalmente no Youtube! prolifera o trabalho de muitas pessoas, e o curta, para o cineasta que está começando é uma maneira de experimentar, de fazer coisas diferentes, até pelo custo, não tem pressão do mercado, porque as vezes a pessoa com a própria câmera mesmo faz um curta. Então o que vocês tem que fazer para diferenciar o trabalho de vocês em relação ao curta, dessas levas de curta que tem por aí?
Eu acho que tem muita coisa ruim, mas tem muita coisa legal, até eu acho que os curtas que eu tenho visto ultimamente, eles tem muito mais a cara de um movimento, do que os longas, até mesmo isso que você falou, que a gente tem copiado uma estética, uma linguagem americana, ou iraniana, a gente vai sempre no oposto, ou vai para Hollywood as coisas, mas quando vai para o sertão, é aquela coisa do cinema iraniano, enfim, e os curtas, não, eu tenho visto muita coisa bacana produzida a partir da necessidade desse artista, coisas inteligentes, então viva ao Youtube! porque eu acho maravilhoso que exista um espaço onde a gente possa encontrar...

E o próprio teatro também se aproveita disso.
Com certeza, nós temos no Youtube! várias coisas e a tendência até a gente precisa colocar mais, porque é muito legal, é uma forma de divulgação imediata, você chega em lugares que você jamais sequer imaginou chegar, agora com relação a isso, eu não sei, talvez seja esse movimento que tem se criado através desses curtas que venham sendo produzidos ao longo desses anos. Talvez isso determine em um movimento muito bacana, porque eu acho também que a gente aqui no Brasil está concluindo, não chegou a conclusão de que é possível fazer. Porque até 10 anos você jamais poderia imaginar que, por exemplo, você ia produzir cinema, se você chegasse para alguém e falasse isso iam rir da tua cara, porque era um universo totalmente árido e sem perspectiva nenhuma.

Atualmente você já tem isso, é isso que você falou, tem uma câmera, tem uma idéia, bom voltou essa história, você tem uma câmera uma idéia na cabeça, talvez vai surgir alguma coisa, porque as câmeras hoje são baratas, você consegue ter um equipamento super bom, num preço que você poderia pagar, em algum momento. Eu vejo muito perspectiva, cara, os nossos novos artistas estão muito insatisfeitos, e eu acho que essa insatisfação faça com que alguma cosia aconteça, e a gente tem visto surgir aqui, a partir da praça, muitos experimentos, por exemplo Gero Camilo, que tem a produtora dele, que comprou uma câmera agora, uma câmera bacana que ele importou e tal, e essa câmera tem sido muito utilizada, porque quando ele não está filmando ele empresta para os amigos que vão fazer experiências, então direto a gente está vendo alguma coisa acontecer aqui no Sátyros, na rua, no meio do lixo, tem sempre alguém filmando alguma idéia. Eu acho isso muito, muito bacana.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Etty Fraser

Entrevista realizada, pessoalmente, no dia 27 de abril de 2007.

Etty Fraser é uma das atrizes mais carismáticas da dramaturgia brasileira.




Fale sobre o seu trabalho com curtas, você que fez um monte de curtas...
Pois é, depois que eu fiz o filme “Durval Discos” principalmente, ai começou a surgir muito convite, o pessoal pedindo para fazer curtas, pessoal de faculdade, de escolas e eu nunca soube dizer não, fiquei virgem até os 30 anos não sei como, porque nunca soube dizer não. Então dos vários que eu fiz eu achava muito gostoso o contato com os jovens ... fazendo com vontade, porque tudo que a gente faz na vida tem que ter vontade, porque de uma certa maneira eu estava ajudando esse pessoal jovem a fazer os curtas, eu achei muito gostoso, todos os que eu fiz eu achei muito gostoso de fazer, por que eu achei uma coisa muito proveitosa para mim também, não no ponto de vista financeiro, claro, vocês sabem. Mas do ponto de vista de prazer foi muito gostoso, muito prazeroso.

Você que trabalha com teatro, com TV, qual é o grande barato de fazer um curta, como é a sua preparação, o que te leva a fazer um curta?
Preparação... eu leio, claro, quando me mandam o curta, assim vejo se é uma coisa interessante, porque eu estou numa certa idade, faço 78 anos, faço agora, porque eu estou numa idade que eu não quero fazer coisas que me façam mal, compreende? A pouco tempo me ofereceram um curta que eu me neguei a fazer, porque era uma velha muito, que a que eu faço na peça, eu faço uma velhinha com Alzheimer, na última novela eu fazia uma velhinha esclerosada, por que nessa idade não dá mais para fazer a Julieta do Romeu, ou é esclerosada ou é com Alzheimer, mas essa aqui era uma velhinha que estava morrendo e por cima era com ela, e eu pedi muitas desculpas para pessoa que me convidou para fazer, mas eu falei “eu sinto muito”, e ele disse “não mas eu fiz pensando em você, se não fosse você não podia fazer”, mas eu falei “eu sinto muito” , mas não me dá prazer, tem que ser alguma coisa que me dê prazer e me dê uma satisfação de fazer o curta.

Para ter a satisfação de fazer um curta, a atriz tem também que ter a satisfação que o curta seja visto por bastante pessoas, e o curta é bem restrito, poucas pessoas tem acesso, as vezes até poucas pessoas sabem que você fez um curta, isso de certa forma não chateia na hora de aceitar um convite ou é mais pela experiência em trabalhar, fazer alguma coisa diferente?
Mais pela experiência em trabalhar e fazer alguma coisa diferente, porque nessa altura dos acontecimentos, em 48 anos de carreira você não está mais em apareceu, se não apareceu se deixou de aparecer, claro que é muito gostoso de saber que o negócio é um grande sucesso, mas é mais mesmo uma ajuda que eu estou fazendo eu acho, é alguma coisa que me dê prazer e ao mesmo tempo uma ajuda para pessoas que estão fazendo.

Os grandes cineastas começam com o curta, e acabam abandonando o curta quando tem um sucesso e as atrizes tem a grande chance de fazer alguma coisa diferente fora dos padrões de teatro e da televisão.
Eu vou dar um exemplo muito interessante: a mais ou menos uns sete, oito anos atrás a Muylaert me convidou para fazer Kiki em ‘Como nascem os Bebês’, como nascem os bebês de acordo com Kiki, era um curta que ela fez, muito engraçadinho, era uma menininha que vai explicar na sala de aula como nascem os bebês, então ela entendeu tudo errado, claro né, e eu fiz um papel de uma diretora de escola que dizia 3 frases, aí quando terminou o curta a Anna falou; “Ai você vai me desculpar que era tão curtinha, mas eu te prometo que o dia que eu tiver um filme grande você vai ter um papel ótimo”. E foi aí que eu fiz “Durval Discos”. Quer dizer, vai ganhando né. Então para mim “Durval Discos” foi um marco para mim, eu não fiz muita coisa em cinema, porque estamos mais aqui em São Paulo do que no Rio de Janeiro, e o cinema acontece mais no Rio de Janeiro, mas eu não fiz coisa muito boa de cinema, mas essa filme eu adorei fazer, e foi por causa de um curta que eu tinha feito.

Você acha que dá para contar uma história em pouco tempo de metragem?
Dá, conforme a maneira em que ela é contada dá. Eu fiz um não sei se era a São Carlos ou da FAAP, era o “Apartamento 21”, eles vão ficar bravos comigo que eu não me lembro, mas era muito interessante eu achei, contava uma história rapidinha e bem contadinha, gostei muito desse curta que eu fiz. Eu acho que dá, se o curta é bem feito, eu gosto de assistir curta também, eu gosto, eu curto.

Quais os curtas que você fez e que gostou e quais não foram legais?
Eu gostei muito desse “Apartamento 21”, eu gostei muito desse outro, não teve nenhum que eu não achei legal, todos eu achei muito legal, o pessoal... não teve nenhum que eu tivesse... aliás se você me perguntar qual é o nome de uma peça de teatro que eu não tenha gostado de fazer eu não saberia te dizer. E a mesma coisa com novela, eu curti muito fazer peça, e o curta também, as coisas que eu fiz eu curto de fazer.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

André Ristum

Entrevista realizada, pessoalmente, no dia 25 de abril de 2007.

André Ristum é diretor do premiado curta ‘Homem Voa?’ e um dos mais talentosos cineastas da sua geração.

Fale do seu trabalho com o curta-metragem.
Faço curta desde 1997, meu primeiro curta foi ‘Pobres por um dia’, depois eu fiz em 2001 ‘Homem Voa?’, que foi feito com produção e patrocínio direto, eu fiz ‘De Glauber a Jirges’ em 2005 e agora em 2006 o ‘14 Bis’ esse é totalmente captação de Lei Rouanet esses curtas, na verdade, eles já são uma coleção bacana porque você tem um pouco de tudo, o primeiro curta é uma história tradicional, clássica, ficcional em termos de ser uma produção normal, e a forma inclusive de filmar e captação é tudo muito clássico também, muito movimento de câmera... é um orçamento razoável para a época, como eu falei, em 97, custou 80 mil reais, na época era 1 para 1, então, 80 mil dólares, então com um orçamento razoável, foram 10 dias de filmagem, tinha um elenco bacana e foi todo filmado em Ribeirão Preto. Então isso é uma produção média-grande para um curta e bem mais clássica.

‘Homem Voa?’ também estrutura clássica, é um docudrama, uma mistura documentário ficção, é super pequeno, produção, foram 2 dias de filmagem, custou 45 mil reais, também foi filmado em Ribeirão Preto, então enfim, o que muda do ‘Homem Voa?’ comparado com o ‘Pobres por um dia’ é o tamanho da produção, mas os dois foram rodados em 35mm, estou te dando um monte de informação, assim você aproveita como quiser. O terceiro curta já é uma linha totalmente experimental, é baseado nas cartas do Glauber, então é uma coisa assim nessa onda, as ‘Cartas’ é um texto bem poético, e o filme tenta ir nessa linha também, um experimental poético, de fazer uma viagem ai em cima das cartas, todo captado em super 16 e super 8, mistura também material de arquivo, super 8, e ai depois para 35, enfim, para poder circular, festival e tal, e o que é bacana é que você mistura todos os formatos ali e é totalmente outra linha, não tem nada a ver com ‘Pobres por um dia’ e ‘Homem Voa?’, e ai o ultimo, ‘14 bis’ também rodado em super 16, só que assim, a maior produção das 4, mais de 500 mil reais de orçamento em captação, elenco grande, que une esse estilo clássico de produção do ‘Pobres por um dia’ e do ‘Homem Voa?’, só que ele trás uma coisa bem mais ousada na câmera, câmera solta, câmera na mão. Esse é um apanhado geral sobre os 4.

Os cineastas, principalmente quem faz curtas, quando tem uma boa repercussão na mídia, acaba migrando para o longa. O curta acaba sendo um pouco marginalizado pelos próprios cineastas. A que você acha que deve isso?
Na verdade assim, não que eu enxergue o curta como um passo, uma etapa, mas é que o curta comercialmente não representa muita coisa comparado com o longa. Mas eu não acho que em todos os casos é assim, eu mesmo, meu terceiro documentário é um documentário de longa, não era um longa de ficção era um documentário longo que tem influência dos outros 3 curtas e meu próximo projeto é uma ficção e eu não descarto a possibilidade de fazer curta ainda, é que eu não tenho um grande curta agora. Normalmente o curta é ousado mesmo, é uma etapa da carreira e tal, mas não necessariamente isso acontece com todo mundo. Mas assim, para responder sua pergunta, por quê? Porque o curta é considerado uma etapa , mas eu olho para o curta e olho para o longa como um conto e um romance, o curta, você pode continuar fazendo o curta porque é um outro formato, outro tipo, você conta uma história breve, e até ontem eu estava falando disso com um amigo e o curta eu acredito que comercialmente agora ele vai ter um interesse maior por conta dessas mídias de celulares e essas coisas mais rápidas e portáteis porque daqui a pouco o pessoal vai poder baixar um curta no percurso do ônibus, no percurso do trem, no percurso do metro, vai assistir um curta , 20 minutos, 25 minutos, acabou o percurso acabou o filme está tudo certo, então é um formato que passa a ser interessante até para esse tipo de utilização.

E agora com essas mídias que pode baixar e também gravar, está tendo uma avalanche de filmes, curtas e tudo mais, sem muita preocupação com a estética, com a linguagem, com o roteiro e tudo mais. O que você acha que, uma pessoa que quer fazer um curta ela precisa fazer um trabalho para destoar dessa avalanche de curtas e vídeos que tem por ai?
Então, na minha época, parece papo de velho, mas na minha época em que eu comecei a fazer curta era bem diferente de hoje, há 10 anos atrás você não tinha essa volume de produção gigantesco que nem hoje. A qualidade da captação digital e trânsito para e película e tal, ou não, realmente acaba trazendo uma avalanche de produtos e você vê que existe uma grande vontade de estar realizando, de estar fazendo, mas que muitas vezes falta um conteúdo aquilo que está sendo produzido e o que acontece é que nessa produção tão grande tem muitos curtas que são rodados e gasto dinheiro até do bolso das pessoas e acaba não sendo exibido em nenhum lugar, não entra em nenhum festival, porque tem uma concorrência muito grande, então eu acho que antes de realizar um curta, antes de realizar qualquer filme, o importante é focar no conteúdo, na idéia, aquilo que você está contando antes de qualquer coisa, antes de exercício de estilo, antes de qualquer coisa focar no conteúdo. Tem que ter uma boa história, coisa consistente, bacana, rica, acho que é a melhor maneira de se diferenciar.
O curta tem um poder de síntese muito grande, você acha que dá para contar uma história em tão pouco tempo de metragem?
Essa é a capacidade do curta, No outro dia estava falando com um cara que tem um site na internet e ele está montando esse site, é o Itarine que mora nos Estados Unidos, e ele está montando esse site e ele coloca tudo, curta, documentário, longa e etc. E ele estava falando do apreço que ele tem pelo curta, porque que ele gosta de curta, e ele não tem paciência para longa, não tem saco de estar 2 horas envolvido na história até acabar. Essa é a grande vantagem do curta, ele consegue te contar uma história em 15 minutos, eu acho que consegue, nem todo mundo consegue, as vezes você vê umas coisas confusas que a pessoa não conseguiu nem contar uma história ali, mas o curta é justamente isso, é a possibilidade de contar uma historia num breve espaço de tempo, você construiu um pequeno vácuo temporal e contar uma história, mas é um formato diferente, não é pegar o arco, narrativa do longa e reduzir ele, colocar na máquina de lavar roupa de secar e fazer ele encolher, é outro formato, outro estilo, outro tipo, outra coisa.
O curta tem, além de pouco espaço na mídia para divulgar o trabalho e tudo mais, ele é pouco assistido, só em festivais ou alguns canais fechados, a própria TV Cultura que tem um espaço para isso, e a pessoa que faz um trabalho quer que seja visto por um monte de gente, o trabalho seja divulgado. Esse você acha que é um grande empecilho para uma pessoa fazer um curta, para que a pessoa tenha vontade de fazer um curta?
Não sei se isso vai afetar a vontade, por que essa coisa da vontade a pessoa quer fazer de qualquer jeito, então faz, nem que seja para mostrar para os parentes só, acho que tem que fuçar, tem que ir atrás, tem que lutar. Imagina, o ‘Homem Voa?’ é um curta, foi exibido em televisão, foi exibido nos aviões da TAM teve em mais de 25 festivais no Brasil e no mundo, foi lançado, tinha lançamento com 10 cópias dele e seria exibido no Cinemark, foram 10 salas foi visto, com essas 10 cópias, foram 160 mil pessoas, para um curta. Então, assim não é formato aonde existe um circuito clássico, fácil para você entrar, não é. Agora tem que inventar moda, agente conseguiu isso com o ‘Homem Voa?’, e o ‘14 bis’ agora fizemos outro case de invenção, enfim, de sucesso, alem de ter exibido na televisão, além de festivais, alem de estar em cartaz na terceira semana no Cinemark, hoje no Cinemark Santa Cruz, uma cópia só, porque, enfim, questão de orçamento e não podia fazer mais que 1 cópia e foi lançado em DVD, e está em DVD, está sendo vendido em DVD em todo o Brasil mais de 3, 4 mil cópias de DVD vendidas, e como é que agente fez? A gente juntou botou 14 bis junto com ‘Homem Voa?’ Making-off de um e de outro enfim, fez um volume razoável para o DVD e uma distribuidora viu, assistiu, gostou e topou fazer, e está aí, distribuiu para o Brasil todo, e se a 10 anos atrás você me perguntasse você acha que você vai distribuir seus curtas em DVD pelo Brasil todo, via fazer lançamento, vai botar na salas? Eu ia falar imagina, você está louco, mas você fuça você consegue aos poucos encontrar os caminhos, eu acho que é isso que o cara que faz o curta tem que fazer, tem que fazer porque a vontade de fazer tal de mostrar o trabalho.