quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mário Bortolotto


Mário Bortolotto é um escritor e dramaturgo à margem do que se convencionou chamar “produto cultural”. Desde que fundou seu grupo de teatro Cemitério de Automóveis, no final dos anos setenta em Londrina, ele monta e dirige seus textos de maneira independente. Adepto do bom e velho “faça você mesmo” já escreveu mais de sessenta peças, algumas delas publicadas em livro.

Qual é a contribuição que o teatro pode dar ao cinema, especificamente para o curta-metragem? Porque o teatro não tem o poder de síntese tão grande quanto requer um curta-metragem...
Eu acho que hoje os redatores estão começando a escrever com esse poder de síntese maior. Antigamente os textos de teatro eram meio prolixos, mas hoje em dia não cara, hoje em dia se escreve um texto para 50, 60 minutos no máximo. Os dramaturgos estão escrevendo textos curtos, eu mesmo gosto de escrever muitas cenas curtas, tem várias cenas minhas que vários diretores já me procuraram pra transformar em curta-metragem. Eu não acho que é tão complicado, acho que é uma contribuição boa que o teatro pode dar.

Fala um pouco mais da sua experiência com os curtas, o cinema mais especificamente.
Assim, eu fiz cinema como ator, eu fiz curtas (Balaio, Enjaulados e Cauda de Dinossauro) como ator, ai eu dirigi um longa-metragem agora, não foi nem um curta, um longa-metragem digital! Quero dirigir um curta esse ano, estou afinzão, já tem o roteiro pronto mandei por edital, se for aprovado a gente deve fazer.

Qual você acha que é o grande barato de um curta metragem?
Esse barato de você poder dizer muito em pouco tempo, eu acho que contar uma história curta que não enche o saco de ninguém, pode ser legal. Eu gosto pra caramba de curta-metragem, acho uma pena que os cinemas não exibam curta-metragem antes dos longas, aquele monte de propagandas chatas... podiam estar exibindo um curta-metragem pelo menos, se possível, podia vaiar no final, tudo bem.

Qual você acha que seria a solução para poder propagar o curta metragem? Porque o que mexe com o barato de um ator é ele ser aplaudido por um monte de gente, ser criticado, e o curta-metragem é muito restrito.
Acho que Canal Brasil hoje em dia está legal para caramba, estão passando curta-metragem para caramba, tem as reportagens de curtas na internet, lá tem o Porta Curtas, uma porrada de sites de curta-metragem, eu acho legal. Acho que tinha que ter esses negócios, meio igual o Unibanco faz, a Petrobrás que passa uma sessão de curtas, acho que tinha que ter esse negócio de passar curtas antes dos filmes, pelo menos nos filmes nacionais.

Um curta que não tem nada a ver com o filme que vai ser exibido fica chato. Você vai ver um filme urbano etc. e tem que agüentar um curta sobre um cara na zona rural. Ai é falta de sacação do programador, tinha que começar a tentar achar quais são a similaridades do longa com o curta e você fazer um programa para quem for assistir aquele longa ter um curta na mesma sintonia.

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