quarta-feira, 20 de maio de 2009

André Ristum

André Ristum é diretor do premiado curta ‘Homem Voa?’

Fale do seu trabalho com o curta-metragem.
Faço curta desde 1997, meu primeiro curta foi ‘Pobres por um dia’, depois eu fiz em 2001 ‘Homem Voa?’, que foi feito com produção e patrocínio direto, eu fiz ‘De Glauber a Jirges’ em 2005 e agora em 2006 o ‘14 Bis’ esse é totalmente captação de Lei Rouanet esses curtas, na verdade, eles já são uma coleção bacana porque você tem um pouco de tudo, o primeiro curta é uma história tradicional, clássica, ficcional em termos de ser uma produção normal, e a forma inclusive de filmar e captação é tudo muito clássico também, muito movimento de câmera... é um orçamento razoável para a época, como eu falei, em 97, custou 80 mil reais, na época era 1 para 1, então, 80 mil dólares, então com um orçamento razoável, foram 10 dias de filmagem, tinha um elenco bacana e foi todo filmado em Ribeirão Preto. Então isso é uma produção média-grande para um curta e bem mais clássica.

‘Homem Voa?’ também estrutura clássica, é um docudrama, uma mistura documentário ficção, é super pequeno, produção, foram 2 dias de filmagem, custou 45 mil reais, também foi filmado em Ribeirão Preto, então enfim, o que muda do ‘Homem Voa?’ comparado com o ‘Pobres por um dia’ é o tamanho da produção, mas os dois foram rodados em 35mm, estou te dando um monte de informação, assim você aproveita como quiser. O terceiro curta já é uma linha totalmente experimental, é baseado nas cartas do Glauber, então é uma coisa assim nessa onda, as ‘Cartas’ é um texto bem poético, e o filme tenta ir nessa linha também, um experimental poético, de fazer uma viagem ai em cima das cartas, todo captado em super 16 e super 8, mistura também material de arquivo, super 8, e ai depois para 35, enfim, para poder circular, festival e tal, e o que é bacana é que você mistura todos os formatos ali e é totalmente outra linha, não tem nada a ver com ‘Pobres por um dia’ e ‘Homem Voa?’, e ai o ultimo, ‘14 bis’ também rodado em super 16, só que assim, a maior produção das 4, mais de 500 mil reais de orçamento em captação, elenco grande, que une esse estilo clássico de produção do ‘Pobres por um dia’ e do ‘Homem Voa?’, só que ele trás uma coisa bem mais ousada na câmera, câmera solta, câmera na mão. Esse é um apanhado geral sobre os 4.

Os cineastas, principalmente quem faz curtas, quando tem uma boa repercussão na mídia, acaba migrando para o longa. O curta acaba sendo um pouco marginalizado pelos próprios cineastas. A que você acha que deve isso?
Na verdade assim, não que eu enxergue o curta como um passo, uma etapa, mas é que o curta comercialmente não representa muita coisa comparado com o longa. Mas eu não acho que em todos os casos é assim, eu mesmo, meu terceiro documentário é um documentário de longa, não era um longa de ficção era um documentário longo que tem influência dos outros 3 curtas e meu próximo projeto é uma ficção e eu não descarto a possibilidade de fazer curta ainda, é que eu não tenho um grande curta agora. Normalmente o curta é ousado mesmo, é uma etapa da carreira e tal, mas não necessariamente isso acontece com todo mundo. Mas assim, para responder sua pergunta, por quê? Porque o curta é considerado uma etapa , mas eu olho para o curta e olho para o longa como um conto e um romance, o curta, você pode continuar fazendo o curta porque é um outro formato, outro tipo, você conta uma história breve, e até ontem eu estava falando disso com um amigo e o curta eu acredito que comercialmente agora ele vai ter um interesse maior por conta dessas mídias de celulares e essas coisas mais rápidas e portáteis porque daqui a pouco o pessoal vai poder baixar um curta no percurso do ônibus, no percurso do trem, no percurso do metro, vai assistir um curta , 20 minutos, 25 minutos, acabou o percurso acabou o filme está tudo certo, então é um formato que passa a ser interessante até para esse tipo de utilização.

E agora com essas mídias que pode baixar e também gravar, está tendo uma avalanche de filmes, curtas e tudo mais, sem muita preocupação com a estética, com a linguagem, com o roteiro e tudo mais. O que você acha que, uma pessoa que quer fazer um curta ela precisa fazer um trabalho para destoar dessa avalanche de curtas e vídeos que tem por ai?
Então, na minha época, parece papo de velho, mas na minha época em que eu comecei a fazer curta era bem diferente de hoje, há 10 anos atrás você não tinha essa volume de produção gigantesco que nem hoje. A qualidade da captação digital e trânsito para e película e tal, ou não, realmente acaba trazendo uma avalanche de produtos e você vê que existe uma grande vontade de estar realizando, de estar fazendo, mas que muitas vezes falta um conteúdo aquilo que está sendo produzido e o que acontece é que nessa produção tão grande tem muitos curtas que são rodados e gasto dinheiro até do bolso das pessoas e acaba não sendo exibido em nenhum lugar, não entra em nenhum festival, porque tem uma concorrência muito grande, então eu acho que antes de realizar um curta, antes de realizar qualquer filme, o importante é focar no conteúdo, na idéia, aquilo que você está contando antes de qualquer coisa, antes de exercício de estilo, antes de qualquer coisa focar no conteúdo. Tem que ter uma boa história, coisa consistente, bacana, rica, acho que é a melhor maneira de se diferenciar.

O curta tem um poder de síntese muito grande, você acha que dá para contar uma história em tão pouco tempo de metragem?
Essa é a capacidade do curta, No outro dia estava falando com um cara que tem um site na internet e ele está montando esse site, é o Itarine que mora nos Estados Unidos, e ele está montando esse site e ele coloca tudo, curta, documentário, longa e etc. E ele estava falando do apreço que ele tem pelo curta, porque que ele gosta de curta, e ele não tem paciência para longa, não tem saco de estar 2 horas envolvido na história até acabar. Essa é a grande vantagem do curta, ele consegue te contar uma história em 15 minutos, eu acho que consegue, nem todo mundo consegue, as vezes você vê umas coisas confusas que a pessoa não conseguiu nem contar uma história ali, mas o curta é justamente isso, é a possibilidade de contar uma historia num breve espaço de tempo, você construiu um pequeno vácuo temporal e contar uma história, mas é um formato diferente, não é pegar o arco, narrativa do longa e reduzir ele, colocar na máquina de lavar roupa de secar e fazer ele encolher, é outro formato, outro estilo, outro tipo, outra coisa.

O curta tem, além de pouco espaço na mídia para divulgar o trabalho e tudo mais, ele é pouco assistido, só em festivais ou alguns canais fechados, a própria TV Cultura que tem um espaço para isso, e a pessoa que faz um trabalho quer que seja visto por um monte de gente, o trabalho seja divulgado. Esse você acha que é um grande empecilho para uma pessoa fazer um curta, para que a pessoa tenha vontade de fazer um curta?
Não sei se isso vai afetar a vontade, por que essa coisa da vontade a pessoa quer fazer de qualquer jeito, então faz, nem que seja para mostrar para os parentes só, acho que tem que fuçar, tem que ir atrás, tem que lutar. Imagina, o ‘Homem Voa?’ é um curta, foi exibido em televisão, foi exibido nos aviões da TAM teve em mais de 25 festivais no Brasil e no mundo, foi lançado, tinha lançamento com 10 cópias dele e seria exibido no Cinemark, foram 10 salas foi visto, com essas 10 cópias, foram 160 mil pessoas, para um curta. Então, assim não é formato aonde existe um circuito clássico, fácil para você entrar, não é. Agora tem que inventar moda, agente conseguiu isso com o ‘Homem Voa?’, e o ‘14 bis’ agora fizemos outro case de invenção, enfim, de sucesso, alem de ter exibido na televisão, além de festivais, alem de estar em cartaz na terceira semana no Cinemark, hoje no Cinemark Santa Cruz, uma cópia só, porque, enfim, questão de orçamento e não podia fazer mais que 1 cópia e foi lançado em DVD, e está em DVD, está sendo vendido em DVD em todo o Brasil mais de 3, 4 mil cópias de DVD vendidas, e como é que agente fez? A gente juntou botou 14 bis junto com ‘Homem Voa?’ Making-off de um e de outro enfim, fez um volume razoável para o DVD e uma distribuidora viu, assistiu, gostou e topou fazer, e está aí, distribuiu para o Brasil todo, e se a 10 anos atrás você me perguntasse você acha que você vai distribuir seus curtas em DVD pelo Brasil todo, via fazer lançamento, vai botar na salas? Eu ia falar imagina, você está louco, mas você fuça você consegue aos poucos encontrar os caminhos, eu acho que é isso que o cara que faz o curta tem que fazer, tem que fazer porque a vontade de fazer tal de mostrar o trabalho.

Um comentário:

Anônimo disse...

QUERIA FALAR COM O ANDRE??? ESTOU EM ROMA E SOU AMIGA DA MAE DELE!!! LAMPREIA.TERESA@GMAIL.COM