terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Antônio Petrin


Petrin atuou em 35 produções entre telenovelas e especiais para a televisão e em 12 filmes nacionais. Foi indicado para os mais importantes prêmios como melhor ator.

Qual que é a sua opinião sobre o curta-metragem? Você acha que ele é marginalizado pelo próprio meio cinematográfico: atores, diretores, produtores?
Olha, eu acho que a palavra marginalizado é um pouco forte, porque na verdade todo cineasta no seu início passa por esse processo, ele começa seu treinamento no curta-metragem. Porque como o cinema é uma indústria cara, precisa investir muito dinheiro. O futuro cineasta não pode expor de arriscar dinheiro sem antes ter um processo preparatório quando estudante, na faculdade de cinema, é tudo muito teórico, para colocar as coisas na prática é muito complicado, porque dinheiro, você tem que comprar o filme virgem, você tem que ter uma câmera, você tem que ter uma pequena iluminação, você tem que ter um custo, por mais simples que seja esse aprendizado vai custar. Então fica tudo na teoria, no final do curso coroa-se esse tempo fazendo um experimento que é o famoso curta-metragem. Daí o que costuma-se desenvolver um roteiro que ele aprendeu a técnica do roteiro durante toda a aprendizagem, ele vai aprender iluminar, enfim, colocar numa câmera, o tempo. E tem daquilo um resultado, em todos esses sentidos, do roteiro, da história que ele está montando, da maneira como ele cria essa imagem. Enfim, sem esse aprendizado não tem nenhuma possibilidade futura. A não ser que seja um pequeno gênio que de repente que nunca precisou da escola, como tem muitos diretores que nunca precisaram da escola, mas devido à aprendizagem diária, assistindo outros diretores foram aprendendo.

O processo mais fácil é o curta-metragem, é claro que o curta geralmente sempre é feito por estudantes, em finais de cursos na faculdade e por conseqüência não tem uma qualidade que se espera, porque não tem esse estudo. Agora tem outros diretores que já tentam a experimentação do longa-metragem, ele já se arrisca a fazer uma pequena história que chama-se curta-metragem, mas com uma qualidade excelente. Então eu não vejo como marginal. E tem outro aspecto também que o elenco que é escolhido para esses curtas, a principio partes da colaboração desses atores, que sabem que é um estudante e que vai fazer um filme de experimentação, que não vai ser vinculado comercialmente, então todos, de uma certa forma, facilitam a execução desse curta-metragem e a gente vai percebendo se a pessoa tem um grande talento. Você já começa a perceber no curta-metragem qual vai ser o caminho dele. É por aí.

O ator quer que seu trabalho seja visto pelo público, pela crítica. O curta tem pouco espaço no cinema e a na mídia, não sai uma crítica, não sai uma matéria, dificilmente sai. O que leva um ator a fazer um curta-metragem, a embarcar nessa aventura?
Porque o ator precisa estar sempre treinando a sua profissão e precisa estar sempre representando. Então quando surge uma pequena oportunidade, e principalmente, no quesito cinema. Sempre o ator não tem um agendamento muito grande para cinema e o ator tem uma curiosidade no poder exercitar nessa expressão e ver como é que é. Porque o ator se prepara para o teatro, ninguém faz um curso de ator para o cinema, onde ele vai aprender todas as expressões para o teatro. Então o cinema começa como uma curiosidade, como eu quase não vou ter oportunidade, então eu quero fazer uma experimentação aqui. Então ele vai ter esse material, porque quem faz o filme dá a ele uma fita, e você guarda e isso serve para você mostrar no seu currículo para alguém e oura muito interessante é que você está apostando naquela pessoa. Quem sabe se o cara que está filmando naquele curta-metragem daqui a cinco anos ele não será um grande cineasta consagrado, e você colaborou para a formação desse grande diretor. Então não entra nessa questão a minha preocupação, ou de qualquer outro ator, se eu vou ter divulgação, se eu vou ganhar dinheiro ou se eu não vou ganhar dinheiro, essa questão é colocada de lado. O primeiro interesse é você colaborar, e você também tirar proveito próprio dessa situação e fazer um exercício próprio de frente para a câmera.

Conta um pouco da sua relação com o curta-metragem.
Eu vou dizer uma coisa, eu tenho colaborado com muitas histórias, eu acabei de fazer um com uma menina que se formou na FAAP, eu tenho já programado para o início do ano que vem um outro curta-metragem, e sempre quando eu sou solicitado eu nunca me nego, a não ser quando eu não tenho tempo, que eu estou em outro projeto que não dá, aí não tem como. Mas sempre eu faço, eu já tenho no meu currículo eu tenho com certeza uns 10 a 12 curtas-metragens, alguns deles muito bons. O que é interessante é que alguns diretores, esses meninos que começam a fazer curta-metragem, às vezes você vai encontrá-lo futuramente não sendo diretor de um filme, mas trabalhando em outro setor do filme. No caso um dos que eu fiz há muito tempo, hoje ele é um grande diretor de áudio, então ele se especializou em áudio, então hoje filmes que tenham o nome dele no áudio, já é uma grande referência para a qualidade do filme. Então você veja, esse menino queria ser diretor de cinema, e ele acabou dentro do cinema, sendo diretor de áudio. E assim você vai encontrar pessoas dedicadas à cenografia, dedicadas a escrever roteiro, nesse ultimo filme que eu fiz, uma menina escreveu o roteiro, e o colega dela é que dirigiu. Mas por que você não dirigiu? Não porque o meu interesse é roteiro. Então tem essa questão, o cinema proporciona uma infinidade de possibilidades para o profissional. È só perceber aonde é que eu vou estar colocado, a arte tem esse leque de possibilidades de cada um poder exercer de um lado ou de outro e ser feliz no seu futuro profissionalismo. E o cinema é uma arte de uso, de tecnologia muito refinada, o teatro já é uma atividade mais artesanal, o cinema já não, o cinema você precisa conhecer foco, câmera. Agora eu estou fazendo um filme com a HBO, que é uma série de 13 capítulos, eu vejo a complicação de você estar em um espaço e você precisa acertar o foco a cada passo. Você tem que se adaptar a isso, é claro que às vezes, volta e meia eu estou fazendo uma cena, em que nós estamos em quatro, e o diretor falou assim, agora eu to muito próximo, então você faça pouco movimento, então você sente restritivo no seu movimento, quanto ao palco, você tem uma linguagem corporal muito mais ampla. No cinema às vezes o diretor fala, agora segura, sem muito movimento porque não pode, e outro dado interessante é que eu noto que o pessoal que está saindo das escolas, hoje o sexo feminino é o que está predominando, você vê a equipe inteira composta de 90% de mulheres e 10% de homens. Isso é um dado que deve ser levado em considerações em um estudo como você está fazendo. Nesse outro curta-metragem que eu fiz a equipe era inteiramente de mulher, inteiramente.

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