terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tony Berchmans



Tony é autor do livro ‘A Música do Filme’ e foi o curador do 1º Encontro Internacional de Música de Cinema.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Na minha visão, o curta-metragem sempre foi um laboratório perfeito para experimentação da produção cinematográfica sem o compromisso do envolvimento em longos e caros projetos de produção de longas. Quase todos os diretores de longas passaram por experiências enriquecedoras com curtas independentemente de estilo, escola ou estágio tecnológico. Hoje acredito que além da experimentação, o curta é uma possibilidade e até um fim, já que estamos diante de um arsenal de novas ferramentas técnicas e midiáticas.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Nos últimos tempos, temos visto uma explosão no volume de produção audiovisual decorrente da revolução do acesso à tecnologia de produção. Este volume gigantesco de produção encontra um gargalo que é a crítica especializada e a mídia qualificada. Além disso, acho que a própria mídia está perdida neste momento de revolução da informação, e tem dificuldades de estabelecer critérios de seleção da informação. Assim, há muito espaço para formas menos expressivas de comunicação do que os curtas-metragens, como modismos de internet, matérias de auto-promoção dos veículos, etc.

Como deveria ser a divulgação dos curtas para atrair mais público?
Acredito que a velha idéia da exibição de curtas antes dos longas poderia ser retomada pelos exibidores, sem necessidade de uma legislação obrigatória. Estou certo de que a maior parte do público gostaria de ver um curta antes do filme "principal" desde que respeitados padrões de escolha condizentes. A internet tem sido uma forte ferramenta de divulgação. Vide inúmeros novos festivais que surgiram com muito sucesso popular: Festival do Minuto, Mix-Brasil, e tantos outros.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não tenho preconceito em relação a isso. Por exemplo: Muitos críticos parecem se divertir diminuindo cineastas que trabalham com cinema publicitário. Como se a publicidade fosse um passaporte negado para o cinema "de verdade". Acontece que a atividade do cinema publicitário também é um rico laboratório de criação e produção e freqüentemente muito exigente e rigoroso. E muitos cineastas são eternos publicitários. Isto é ser um cineasta só de curta-metragem sem ser um trampolim para outra atividade.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não acho que seja marginalizado por cineastas de bom senso. Certamente é uma forma menor, mas menor em termos de investimento, não em possibilidade artística. Vejo curta-metragistas com muito mais prestígio do que muitos diretores de longa. Obviamente fazer um longa é mais difícil em vários aspectos. Mas artisticamente pode-se criar obras primas de 30 segundos de duração.

Como avalia a música nos curtas?
Gostaria de ver muito mais curtas do que consigo na minha rotina diária. Ainda assim, tenho visto curtas com trilhas espetaculares. Do ponto de vista do músico compositor, é muito mais fácil manter o controle de suas pretensões artístico-criativas num curta do que num longa. O tamanho reduzido da produção facilita o foco das intenções musicais e viabiliza resultados positivos. O grande inimigo é a falta de recursos para investimento em músicos, horas de estúdio, recursos de gravação, mixagem, etc. E isto certamente limita muito o desenvolvimento do trabalho de criação e produção musical dos curtas.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, penso em realizar em breve o terceiro curta de uma trilogia sobre a música de cinema que estou fazendo.

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