quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Marcelo Lyra



Jornalista, escreve sobre cinema e colabora para diversos jornais e sites.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Antes dos anos 60 o curta não era muito significativo. A partir dos 60 começa a se tornar a 'escola' para muitos cineastas. "O Pátio", por exemplo foi uma escola para o Gláuber Rocha. Como linguagem é até mais ousado que o primeiro longa dele, "Barravento". "O Pátio" dá mostra do Glauber ousado de Terra em Transe e mesmo o curta "Di". Nos anos 60 o curta é mais forte como documentário, os principais diretores de ficção fizeram documentários curtos, como Arnaldo Jabor, com "Opinião Pública", Geraldo Sarno com "Viramundo" e outros.Nos anos 70 começa a surgir com força o formato curta-ficção, onde o candidato a cineasta tenta mostrar que sabe dirigir ficção. Fazem uma espécie de "longuinha". É um pouco consequência da chegada dos "cineastas universitários", a turma que vem de cursos de cinema como o da ECA-USP. Esse estilo ganha força nos anos 80 e é quase predominante na chamada Retomada. De fato é a escola ou porta de entrada para muitos cineastas.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque é um formato pequeno, difícil de achar janela de exibição e quase ninguém se interessa. Uma coisa gera a outra. Como quase ninguém vai ver, os jornais não dão espaço. Como os jornais não dão espaço, quase ninguém vai ver. Mas é fato que os curta-metragistas nem tem verba de exibição.Mas um curta muito bom ganha espaço, como "Ilha das Flores", do Furtado, ou "Uma História de Futebol", indicado ao Oscar.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É possível. O José Roberto Torero ficou mais famoso com os curtas do que com o longa "Como Fazer Um Filme de Amor", que, embora engraçado, não tinha a mesma pegada do curta. Mas acredito que nenhum curtametragista queira ficar só no curta. Todos querem ir para o longa.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
De jeito nenhum. Todos respeitam o formato que lhes garantiu a entrada no mercado. Não é raro que ajudem iniciantes, quando solicitados, a fazerem seus curtas.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, já escrevi dois roteiros de curtas. Um deles, "O Homem Mais feio", ficou entre os 15 melhores do prêmio estímulo de 2005, mas não entrou entre os dez premiados. E em 2004 ficou entre os 70 pré-classificados (de mais de 800 inscritos), mas não entrou entre os 40 premiados. Meu roteiro do documentário longa "Sonho sobre Rodas" ficou em quinto lugar num concurso do MinC de 2004 (0u 2005) de um total de mais de 300 inscritos. Mas só havia 4 vagas. Fiquei na frente de feras como Eduardo Coutinho e Sílvio Tendler. Sou o rei da bola na trave. Tenho um documentário curto, "Dia de Feira", em fase de montagem.

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