quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Carol Fioratti


Formada em cinema pela FAAP, Caroline Fioratti trabalhou na Gullane Filmes como integrante do Núcleo de Dramaturgia da produtora. “Formigas”, seu curta-metragem de estreia, percorreu festivais nacionais e internacionais e recebeu diversos prêmios. “A Grande Viagem”, seu segundo curta-metragem, conta com o incentivo do Ministério da Cultura e teve sua estreia no Festival de Paulínia 2011. Recentemente, Caroline lançou uma websérie de humor chamada    Botolovers”, desenvolveu um roteiro de longa-metragem com o diretor Carlos Cortez, e escreveu “A Comédia Divina” com o diretor Toni Venturi. Atualmente, filma uma série infantil de ficção para a TV Cultura inspirada em seu curta A Grande Viagem.

Qual a importância histórica que o curta-metragem tem na filmografia brasileira?
O curta-metragem possibilita ao realizador um espaço de experimentação audiovisual e aprendizagem. Geralmente, é na realização de curtas que o cineasta vai explorando uma assinatura de linguagem, narrativa e temática. É nesse momento que surgem as questões: “O que falar?” e “Para que falar?”. O Brasil é um grande produtor de curtas-metragens com destaque em importantes festivais internacionais. A diversidade do Brasil está fortemente estampada nesses filmes curtos que possibilitam novos e diferentes olhares sobre a nossa realidade. 

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Como diretora, normalmente, os curtas que realizo surgem do meu próprio desejo de levar uma determinada história a tela. 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que porque eles não têm um espaço dentro do cinema comercial. Existem revistas eletrônicas mais especializadas que cobrem festivais de cinema e dão atenção para os curtas, mas ainda é um número pequeno. Quando – e se – o curta ganhar as salas comerciais, acredito que esse cenário poderá ser revertido. 

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que o curta deveria ter um espaço nas salas de cinema do circuito comercial, mas para isso é preciso estudar uma política de distribuição. Não basta obrigar o exibidor a colocar um curta na programação antes de cada longa, pois como vimos, isso não teve um resultado muito positivo, uma vez que os exibidores não estavam felizes com a obrigatoriedade. É preciso estudar acordos para que a política seja boa tanto para o realizador como para o exibidor.

Outro espaço bom para o curta, é a televisão. Alguns canais como a TV Cultura, TV Brasil, Canal Brasil, exibem curtas-metragens. Mas é preciso ampliar a janela de exibição para esse formato. Uma iniciativa que parece ter tido sucesso é a da RBS no Rio Grande do Sul (segundo depoimentos de amigos curtametragistas gaúchos). Por ser a Globo local, as pessoas tem o costume de assistir aos curtas que são produzidos na região e financiados pela própria emissora. Mais iniciativas como essa ajudariam a produção e distribuição desse formato. 

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
O grande problema de ser um cineasta no Brasil é sobreviver financeiramente só de cinema. Assim, viver financeiramente apenas da realização de curtas-metragens é impossível. Mas você pode ser, por exemplo, um diretor de publicidade e optar por realizar curtas-metragens ocasionalmente e não ter o desejo de fazer um longa-metragem. Entretanto, acredito que na maioria dos casos, há o desejo de realização de um longa-metragem, por ser um novo desafio para alguém que tem como profissão ser cineasta. 

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não. Os cineastas valorizam muito o curta-metragem pois sabem da importância dele na pesquisa de linguagem e narrativa. Mesmo os diretores de longa-metragem respeitam os curtametragistas, pois a maioria deles já teve o seu momento como realizador de curta.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já dirigi e lancei dois curtas (“Formigas” e a “Grande Viagem”), estou finalizando um terceiro e preparando um quarto. Adoro curtas e quero
continuar.

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