quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Emílio Orciollo Netto


Emilio construiu sua carreira na televisão e no teatro. Seu trabalho no cinema ainda é tímido.

Qual é o grande barato de um curta-metragem?
Eu acho que o curta-metragem é primeiro passo para um longa, para um filme maior, eu acho que é sempre bom poder estar experimentando novas linguagens, novas alternativas de cinema, e o curta-metragem é uma grande possibilidade, porque se gasta menos, se tem uma porção menor, uma equipe menor, então facilita a viabilização do projeto. Você vê hoje em dia, curtas-metragens com cara de longa, que são absolutamente bem cuidados, bem-feitos, e engraçado que hoje você acaba vendo longas com cara de curtas de quinta, que deveriam ser bem cuidados e não são. Mas eu acho que um curta-metragem é sempre um grande primeiro-passo para um longa.

E para um ator, o que leva um ator a fazer um curta-metragem? É uma maneira de experimentar, tem mais liberdade para atuar, sai um pouco da TV e do cinemão.
Eu como ator não tenho nenhum preconceito com linguagens, eu trabalho muito bem no teatro, no cinema e na televisão. Transito numa boa nesses três veículos, e sem preconceito nenhum, acho que quem tem preconceito, é quem cospe para cima e cai na testa, é gente que se acha “pseudointelectualóide”. Cada linguagem tem a sua diferença, seus prós e seus contras, agora o cinema é sempre bom você estar fazendo. A gente diz que para o ator é sempre um luxo poder fazer cinema, porque a câmera te eterniza, você passa ali e fica para sempre , o negativo te prende aquele instante. A televisão não, tem o vídeotape, tem o digital, o teatro te possibilita a relação com o público mais intensa, na hora, então você tem que estar ali, guardado na alma, então são três linguagens que eu acho que para um ator é necessário experimentar fazer, sem nenhum tipo preconceito.

Mas eu tinha perguntado de atuar, a linguagem que dá mais liberdade...
Não, eu acho que um ator quando ele vai fazer um trabalho, ele não está pensando em, pelo menos eu vejo assim, ele está ou apaixonado com o texto que ele vai fazer, ou apaixonado pela possibilidade de trabalhar com o diretor X ou com a diretora X, que vai me acrescentar possibilidades dentro de um trabalho. Então o curta-metragem, assim como o longa, assim como um teatro de rua, ou assim como a novela da Globo, ou a novela da Record, ou a novela do SBT ou seja lá o que for, tudo depende do trabalho que você vai fazer, do que você quer fazer. Qual o recado que você quer passar no determinado momento X da sua vida. Então essa é a escolha na vida de um ator, e acho que na vida de todos numa maneira geral, é feita de escolhas, o curta-metragem é um recurso maravilhoso, que se tem uma possibilidade maravilhosa melhor dizendo, de se trabalhar.

De curtas que você já assistiu, qual que te chamou atenção, qual que fez a sua cabeça quando você saiu da sessão?
Olha , eu vi o curta que o Selton Mello fez, agora ele acabou de rodar um longa, o “Feliz Natal”. Eu esqueci qual é o nome do curta, mas é um curta que quem participou foi o Zé Bonitinho, não foi um documentário, foi um curta, uma ficção mesmo, muito legal, mas eu não vou lembrar o nome agora, mas era o Zé Bonitinho e o Álvaro Diniz, muito lindo o curta-metragem.

Cada vez mais é freqüente ver ator indo para trás das câmeras e produzindo filmes, curtas e tudo mais. Você pensa, tem idéias de pôr em prática um curta para rodar?
Rapaz, eu tenho muitas idéias na cabeça, nem sempre elas são viáveis, nem sempre se é possível se realizar, mas eu tenho muitas coisas escritas ai, há um desejo, há um tesão de fazer cinema, sempre. De fazer um curta de fazer um longa, não sei se dirigir, mas quem sabe produzir e estar de alguma forma por trás e pela frente das câmeras.

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