terça-feira, 4 de maio de 2010

Jorge Roldan



Pesquisador; Professor de História do Cinema e Organizador de Mostras de Cinema.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
O curta-metragem é muito importante, não só para o cinema brasileiro como para as demais cinematografias. Por ser de custo mais baixo, o curta-metragem permite ao cineasta vôos experimentais na linguagem cinematográfica que dificilmente encontramos no longa-metragem.

Uma grande parte dos cineastas começou sua carreira no cinema por meio do curta-metragem.

Glauber Rocha, com "O Pátio" e "A Cruz na Praça"; Carlos Diegues, com "Escola de Samba Alegria de Viver"; Jorge Furtado, com "A Ilha das Flores", Luis Buñuel, com "Um Cão Andaluz", considerado o filme–manifesto do surrealismo; Alain Resnais dirigiu 24 filmes de curta-metragem e dois de média metragem, inclusive os memoráveis "Guernica", "Noite e Neblina" e "Toda a Memória do Mundo", antes de filmar "Hiroshima Meu Amor". Michelangelo Antonioni fez 14 filmes de curta-metragem antes de iniciar sua carreira no longa-metragem.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque é uma notícia que não vende. Como esses filmes não encontram lugar em salas comerciais, mesmo nas salas chamadas de arte, eles são esquecidos pela imprensa, inclusive pela imprensa especializada. E mesmo muitos filmes de longa-metragem não têm a divulgação devida, ou, às vezes, nenhuma divulgação. Assim como as salas de cinema, o espaço da mídia é ocupado pelos filmes que são distribuídos pelas empresas que dominam o mercado mundial.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Infelizmente sempre foi um trampolim. Por uma razão muito simples: todo cineasta, assim como todo artista, quer ter seu trabalho reconhecido pelo público. Como é sabido, o curta-metragem tem pouquíssima divulgação na imprensa e raramente tem acesso aos cinemas comerciais. Portanto, cabe ao cineasta o árduo caminho de realizar um longa-metragem, para ter o seu trabalho assistido por um público mais amplo. Claro que a realização de um longa-metragem não dá garantia de acesso às salas comerciais. Muitos filmes, em todos os lugares, ficam inéditos comercialmente, inclusive em seus próprios países. Creio que os cineastas encaram a realização de curtas como uma fase, um aprendizado necessário na difícil arte da realização cinematográfica. Melhor assim do que se aventurar na feitura de um longa-metragem, sem a menor experiência.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não creio que o curta-metragem seja marginalizado pelos cineastas. Como disse anteriormente, a maioria deles iniciou-se como cineasta através da realização de curtas. Seria, portanto, um contra-senso negar a importância do início de suas carreiras, por mais erros que, eventualmente, tenham cometido. Aprenderam e foram amadurecendo com os erros.

Pensa em dirigir um curta-metragem futuramente?
Não tenho intenção de tornar-me um realizador cinematográfico. Não me considero com o talento artístico suficiente para tal. Sinto-me mais à vontade na área de pesquisa e cursos sobre a história do cinema.

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