sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Os Trapalhões: Boni


“Em 1979, a Globo participou ativamente do Ano Internacional da Criança e, em 1980, o dr. Roberto Marinho recebeu o reconhecimento da Unicef por esse apoio. Em 1986, quando o Renato Aragão estava comemorando vinte anos da existência de Os Trapalhões, o João Carlos Magaldi teve a ideia de arrecadar dinheiro para investir em projetos sociais endereçados a crianças. Levamos o projeto ao dr. Roberto Marinho, que impôs uma condição: a TV Globo poderia realizar a promoção, mas não poderia receber  nem tocar em um só centavo. O Magaldi se reuniu com a Unicef e depois com as companhias telefônicas e bancos, dando vida ao Criança Esperança. Até 2008, a campanha já havia arrecadado 190 milhões de reais. Mais importante que o valor material foram as campanhas de esclarecimento e conscientização na Constituinte de 1988: o grupo Criança Esperança  colocou em pauta várias questões para serem votadas e conseguiu aprovar muitas propostas. O Projeto Criança Esperança, considerado modelo pela ONU, foi exportado para mais de cem países em todo o mundo e deu ao Renato Aragão o título de Embaixador Mundial da Unicef. O Renato Aragão estreou na Globo em 1977, com o seu programa Os Trapalhões. O programa exibia um humor muito abrangente, mas, aos poucos foi se concentrando nas crianças, coisa que o Renato já fazia em seus filmes de longa-metragem. O nosso entendimento foi muito rápido e depois de dois almoços, em um restaurante do Rio, ele estava contratado. O Sérgio Murad, mais conhecido como Beto Carrero, deu  um apoio muito grande para a consolidação de nossa amizade e para o crescimento do Renato e de seu programa dentro da Globo. O Renato é uma pessoa tranquila, bom caráter, cultiva a simplicidade e nasceu para fazer rir. De trapalhão ele não tem nada. Fundou sua empresa de cinema assim que chegou à Globo e, além de seu talento histriônico, é um empresário completo e bem-sucedido. Sem seu carisma, o Criança Esperança não ganharia a dimensão que tem hoje”. 

Extraído do livro ‘O Livro do Boni’.

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