quarta-feira, 4 de março de 2009

Paulo Morelli

Paulo Morelli é roteirista, produtor e diretor de cinema. Junto com Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro, abriu a produtora O2 Filmes, hoje a maior produtora do Brasil. Depois de fazer comerciais e programas de TV, começou a fazer curtas e longas-metragens. Seu primeiro curta, "Lápide", ganhou o prêmio de melhor filme em quatro festivais, incluindo Havana, Los Angeles, Rio e São Paulo.

Você acha que o curta-metragem é um gênero menor para um cineasta, para um produtor?
Não, eu acho um gênero super importante, a gente inclusive começou fazendo curtas aqui na O2 Filmes, quando a gente veio da publicidade, a primeira experiência foi passar pelos curtas, acho que é um gênero vital, um gênero que te permite mais experimentação que o próprio longa-metragem.

O comercial pode-se considerar também um curta- metragem pelo poder de síntese que ele tem de passar uma mensagem, então você acha que não teve muita dificuldade de ir para um curta, que também é uma linguagem parecida com o comercial?
Eu não acho que são tão parecidos não, acho que eles parecem ter coisas em comum, e até tem, tudo bem, eles buscam a síntese, mas acho que eles tem diferenças fundamentais muito grandes, acho que o comercial tem objetivo muito claro de vender algum produto, essa é a mensagem que ele está passando, e apenas essa mensagem e ponto final. Quando você abre para uma produção de conteúdo, para uma coisa que caminha no sentido da arte você amplia muito o leque do que você esta dizendo, dos assuntos que você está tratando e tal, e é uma riqueza muito maior do curta-metragem para o comercial, o comercial é um instrumento de vendas, o curta-metragem pode virar uma obra de arte.

Você acha que dá para contar uma história em tão pouco tempo de rodagem?
Dá, eu acho que tem vários curtas que contam uma história, tem histórias longas e tem histórias curtas, acho que sim, com certeza, acho que aí vem também a síntese, esse trabalho de síntese que se procura no curta, ele é muito interessante, como desenvolvimento das ferramentas do diretor, agente tem que ser muito sintético quando está contando uma história para você focar no que você realmente quer dizer, e acho que o curta é um exercício para isso.

Fala um pouco sobre sua experiência com curta-metragem.
Olha, em cinema eu fiz um curta que chama ‘Lápide’, foi em 97 já era na O2 Filmes, e enfim, foi muito gratificante, foi uma maneira de filmar muito simples, foram alguns planos seqüência, mas não com o rigor de ser só plano seqüência, mas o espírito do curta era ser poucos planos para ser muito fácil filmar, era um filme de 17 minutos que eu fiz em duas viagens, e enfim, fiquei muito satisfeito, ele foi para vários festivais, ganhou alguns festivais legais e tal, mas antes disso eu fiz vários curtas em vídeo, na outra produtora que eu tive que chamava ‘Olhar Eletrônico’, antes da O2, eu tinha uma outra produtora com o Fernando também, a gente é sócio há muito tempo.

Qual é o grande barato do curta-metragem?
Para mim a melhor parte do curta-metragem foi apresentar o curta em festivais, é muito legal você ter um curta e começar a percorrer alguns festivais do mundo e do Brasil exibindo, e ver a reação do público. Para mim o grande prazer de fazer cinema é quando acontece essa ligação entre o que você fez durante tanto tempo e quando você apresenta isso para o publico, é muito prazeroso isso, e um curta-metragem possibilita isso de uma maneira muito legal porque os festivais são muito ativos, muito cheios de gente, as pessoas estão efervescendo, é muito prazeroso você apresentar um filme para uma grande audiência.

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