sexta-feira, 8 de abril de 2011

Karen Akerman



Karen é diretora, produtora, montadora e atriz. Entre os curtas que dirigiu está o filme ‘Acossada’.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Os curtas - historicamente, mas não generalizadamente - são o lugar dos primeiros filmes, da ingenuidade, do desenvolvimento e maturação da linguagem autoral. Entretanto, não consigo fazer a distinção curta X longa, a não ser pelo primeiro ser de duração menor. Não sei ver o curta-metragem como partido ou rótulo, muito menos como entidade.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Este espaço está suficiente. Muito se menciona sobre curtas nos cadernos de cultura dos jornais (em matérias sobre festivais de cinema, programações de mostras ou lugares da noite), alem dos programas televisivos que abordam o gênero. O problema está é no conteúdo que a mídia produz, na maioria das vezes dedicando a sua atenção a banalidades em vez de investigar a única questão pertinente, e a única que me interessa, o cinema. Felizmente existem publicações alternativas focadas em pensar o cinema, propondo uma visão crítica e marcando um ponto de vista: as revistas virtuais, como a Cinética e a Contracampo.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
O curta metragem que se quer cinema na raiz (puro, sem desvios) não se preocupa em atingir a quantidade, mas antes a apreensão. O autor deve entender por onde o seu filme ganhará caminho. Não vale a pena enfiar o seu curta em qualquer espaço, como hoje se vê com a exibição de filmes em bares e discotecas. Do jeito que está, mantendo o discernimento, pode-se distribuir bem um curta-metragem. A única lacuna é não entrar em circuito, antes dos longas ou em sessões de curtas (como existe o Petrobrás as 6).

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Quem pensa e cria cinema, escreve filma e monta para o tempo que dura a obra. Quem irá designar se a idéia cabe em 15, 40 ou 120 minutos é a própria idéia. Eu diria: é possível ser um cineasta?

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Primeiro precisaria de saber quem são os cineastas. Depois que curtas são. E o problema maior que é tantos filmes nulos com tanto sucesso e tantas obras primas negligenciadas.

Você já montou vários curtas. Como é o seu processo de trabalho neste formato? Difere muito quando trabalha com longas?
O que difere são as imagens, as intenções, os diretores, os produtores, o local de trabalho, o momento em que estou na vida, o desejo. O que posso dizer ao certo é que dura menos tempo montar um curta.

Pensa em dirigir um curta futuramente? Qual é o seu próximo projeto?
Tenho alguns projetos para realizar no cinema: dirigir um curta, quem sabe um longa, montar um filme do Godard, criar um fundo para produzir os projetos que eu me identificar, exibir mostras integrais dos autores que eu mais admiro, e etcétera. Entretanto, no momento, o meu maior projeto é cuidar do meu filho que acabou de nascer.

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