domingo, 17 de abril de 2011

Nando Olival



Profissional que transita da publicidade para o cinema. Graduado em cinema pela Faap, Mando Olival ingressou na publicidade no começo dos anos 90, onde acumula a direção de mais de 600 peças publicitárias, um sem-número de prêmios, Leões de Ouro em Cannes.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Acredito que é de extrema importância porque muitos cineastas deram seus primeiros passos fazendo curtas metragens. Mais do que isso o curta-metragem é um grande laboratório de experimentação. Você pode ousar mais, deixar a rédea mais solta, sabendo que o público que vai vê-lo está justamente esperando por isso. Transgressão na narrativa, ousadia nos temas.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Deve ser difícil para a mídia pautar suas matérias a respeito de algo que o público não tem acesso. Talvez se os canais de exibição fossem maiores aí sim o curta-metragem teria uma maior exposição na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Os curtas que passavam antes dos longas-metragens por vezes traziam gratas surpresas. Talvez esse seja um caminho a ser resgatado. Mas que sobretudo esse resgate parta de alguma associação entre os produtores do filme, a distribuidora e a sala exibidora. Que haja uma conexão entre o longa e o curta que o precede. Como se fossem parte de um mesmo pacote.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acredito que, assim como eu, muitos cineastas deram seus primeiros passos com curtas-metragens e ainda continuam flertando com essa metragem. O curta não é só uma porta de entrada para as narrativas mais longas como também um excelente exercício de síntese. De aprimoramento narrativo. De intimidade com a produção, filmagem, edição, finalização. É uma bela escola mais do que um trampolim. Adoraria poder fazer um ou dois curtas por ano, mas a realidade é que fazer um curta é um compromisso tão sério quanto realizar um longa. Exige tempo, dedicação, seriedade. E muitas vezes a briga para captar recursos é ainda mais difícil do que para realizar um longa.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não. Ou pelo menos acho que não. Pelo menos não por mim. Eu gosto de filmar. Seja o que for.

Pensa em dirigir um curta futuramente? Qual é o seu próximo projeto?
Não tenho pensado em roteiros para curta-metragens. Estou coma minha cabeça mais voltada para projetos de longa e televisão. Estou agora em processo de finalização de um longa chamado "Ela Ele Eu".

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