terça-feira, 17 de maio de 2011

Marcos Bonisson



Marcos trabalha com fotografia, vídeo e super 8. Ministra cursos de Artes Visuais no Ateliê da Imagem no Rio de Janeiro desde 2001. Ganhou a Bolsa Rio Arte 2000 com o projeto em vídeo Héliophonia, que abordava o Quasi-Cinema do artista Hélio Oiticica. Participou da 27* Bienal Internacional de São Paulo em 2006.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Pode-se afirma que o cinema nasceu curta-metragem. De Edison aos irmãos Lumière, passando pelo genial George Méliès, os filmes pioneiros, ainda à época oitocentista eram quase exclusivamente de curta duração, mas pela limitação técnica, do que por uma opção estética dos seus realizadores. 'O Pátio', o primeiro filme de Glauber Rocha em 1959 era um curta-metragem. Acredito que por várias razões, o formato de curta-metragem tenha um caráter fundacional na história do cinema brasileiro e de seu desenvolvimento. O curta, dessa forma, permite uma maior liberdade de experimentação, e tem sido rito de iniciação de grandes diretores, tanto no gênero do documentário como no de ficção: Humberto Mauro, Lima Barreto, Rogério Sganzerla, Alberto Cavalcanti, Jorge Furtado, entre outros...

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Depende do filme... E também porque é ilusão, achar que haverá espaço para tudo em jornais. Penso que a internet é uma excelente ferramenta de pesquisa para quem se interessa pelo formato de curta-metragem, produzido no Brasil e no mundo. Raramente leio uma crítica séria em jornal. É importante não confundir análise critica de um filme e seus elementos constitutivos, com resenhas e entrevistas com diretores, que é o que você comumente encontra nos jornais e na mídia em geral.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Não há fórmulas, há filmes. Eu trabalho com vídeos e filmes Super 8. Sei o que é público, mas não sei o que é “mais público”. Isto é um assunto da esfera de política cultural ligada ao cinema.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Eu não vejo a dicotomia entre longa e curta-metragem. Interesso-me pela linguagem áudio-visual em si mesma, seja lá em qual for o formato que ela se manifeste.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Atualmente realizo três diferentes documentários em curtas-metragens sobre artistas plásticos. Os vídeos estão sendo produzidos em associação com a Galeria Artur Fidalgo no Rio de Janeiro e serão lançados no segundo semestre de 2010.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Como dizia meu amigo Rogério Sganzerla: “há cineastas e há cineastas”.

Nenhum comentário: