domingo, 7 de novembro de 2010

Thalita Ateyeh



Thalita Ateyeh é curadora e integrante da Associação Cultural Kinoforum.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Como o formato é relativamente barato, mesmo nas grandes crises a produção de curtas é expressiva. O que é muito bom, porque eu não consigo imaginar um país democrático sem garantir a sua produção cultural. Fora que o curta, por todas as suas características, permite uma liberdade criativa impensável para o longa. É só lembrar que o cinema nasceu curto, o vídeo chegou primeiro no curta, foi o formato que melhor se adaptou a internet, pesquisa de linguagem, exercício estético e tudo o mais que você imaginar, passou primeiro pelo curta.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Eu acho que o curta garante o seu espaço, o que eu percebo é uma mudança nos canais de comunicação. Caminhamos para a comunicação horizontal, ninguém mais detém a “informação” ela vem dos mais variados espaços e as pessoas selecionam e propagam o que querem. O seu blog é um bom exemplo disto.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Não é só o curta, o cinema precisa de mais espaço. Se não me engano, não há salas de cinema em 80% do território nacional. Isto é sério, enquanto não houver investimento publico sério e responsável as coisas não mudarão.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não necessariamente, há diversos realizadores bem sucedidos que continuam produzindo curtas sem traumas ou frustrações. Parodiando Cortázar, o longa vence por pontos e o curta por nocaute.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que não. Eu pelo menos nunca vi nada que justificasse esta afirmação. Há pessoas que gostam e outras que não gostam.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já fiz alguns exercícios, mas sem muita pretensão. Eu gosto de produzir e isto já ocupa bastante do meu tempo.

Qual é o seu próximo projeto?
Acho que terminar todos os meus projetos é um bom projeto. Produzi dois curtas que estão em fase de circular pelos festivais (“Tauri” e “Até o fim do dia”), em finalização de um outro curta que será lançado ano que vem (esperando Tim Maia), também assumi a tesouraria da ABD-SP (associação brasileira de documentaristas e curtametragistas de São Paulo) e tenho que me preparar para o próximo mês, o kinolounge voltou ao Museu da Imagem e do Som em edições mensais.

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