sábado, 5 de maio de 2012

Waleska Praxedes

Waleska é atriz, produtora, roteirista e diretora. Atua em todas as frentes do cinema nacional, com foco no curta-metragem. Seu trabalho merece um olhar atento do público.


O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
A oportunidade de desenvolver um trabalho autoral, que tenha a ver comigo.  

Você sente alguma diferença de satisfação profissional entre fazer cinema, teatro e TV?
Trabalhei no cinema como atriz, produtora de casting, hoje escrevo roteiros e faço direção dos meus curtas. Várias frentes, não?  Teatro: estudei bastante teatro e atuei também. TV: fiz muita publicidade, seriado, novela. Diferença? Acho que tem sim, quando você "muda de lado", sabe? Quando você começa a produzir, escrever, pensar em personagens. Virar a Dona da História, ter controle de tudo, é absolutamente sedutor.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Talvez por que seja considerado por muitos como apenas um exercício; um primeiro passo para algo maior, um longa por exemplo. São produzidos muito mais curtas do que longas no Brasil, por exemplo. Lógico, por causa da limitação financeira.  A criatividade, o roteiro do curta metragem brasileiro é muito superior se comparado ao longa metragem nacional. Pessoal arrisca, mesmo, sem medo!  Dá para divulgar esses trabalhos em festivais, internet, Canal Brasil, TVE, TV Brasil... Bom, já o jornal, a revista... dá uma ou outra notinha no caderno de cultura... Se ganhar um prêmio aparece um pouco mais. Eu usava curtas metragens para ilustrar as aulas de sociologia, quando eu lecionava. Tinha aulas de cinema onde assistia "zilhões" de curtas e analisava um por um. Acho que as pessoas devem se familiarizar mais com esse meio. Tudo pode começar na escola, na faculdade, na associação de bairro. A divulgação começa por ai. O curta é um incentivo para pegar uma câmera e sair filmando a tua história, a história do teu bairro, da sua cidade... Ele transforma quem faz e transforma o contexto no qual foi produzido: as pessoas gostam de se ver e passam a enxergar melhor, através da imagem, um determinado lugar. O curta promove mudanças.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
No intervalo comercial da novela das 21hs. Eba!!!!

Considera o curta-metragem um trampolim para fazer um longa? 
Pode ser. O curta é democrático pra caramba!  Muita gente nem sabe, mas faz coisas lindas e expõe em telões de casamento, festas de aniversário de 15 anos. Pra maioria das pessoas o curta é pura catarse, coisa de um momento e pronto... Sem essa de trampolim para algo maior. Ele simplesmente acontece.

Dá para o cinema nacional sobreviver sem subsídios?
Não. Tem que pedir dinheiro para alguém, nem que seja para o seu Joaquim, o dono da padoca... Depois coloca nos letreiros o agradecimento. 

O que é necessário para vencer no cinema?
Força de vontade e direcionar a raiva para o trabalho. Transformá-la em garra e em roteiros incríveis.

Qual é o seu próximo projeto?
Adaptar um conto que eu escrevi sobre a atração de uma garota por seu amigo homossexual. 

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