quarta-feira, 30 de maio de 2012

Eduardo Escorel

Cineasta e montador, começou a trabalhar no meio cinematográfico aos 20 anos, como assistente de direção de Joaquim Pedro de Andrade em ‘O padre e a moça’ (1965). No ano seguinte, dirigiu com Júlio Bressane o documentário ‘Bethânia bem de perto’. Nascido em São Paulo, em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 60, onde fez o curso de cinema promovido pela UNESCO e o Itamaraty e ministrado por Arne Sucksdorff em 1962, e graduou-se em ciências políticas e sociais na PUC. Como montador, atuou em diversos filmes de diferentes diretores e estilos, desde Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha e Leo Hirszman e Eduardo Coutinho e José Joffily. Em 1969, dirigiu o documentário de curta-metragem ‘Visão de Juazeiro’, e em 1976, fez seu primeiro longa, ‘Lição de amor’. Na década de 90, dedicou-se à realização de documentários, com destaque para os filmes de uma trilogia histórica: ‘1930 - Tempo de revolução’ (1990), ‘32 - A guerra civil’ (1993) e ‘35 - O assalto ao poder’ (2002).

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Para quem começa, o curta-metragem é o primeiro passo natural por razões óbvias, principalmente menor tempo de realização e custo. Nesse sentido,  fazer filme de duração curta pode ser pensado como uma forma de aprendizado.

A geração que renovou o cinema brasileiro, a partir do final da década de 1950, começou fazendo filmes de curta-metragem. Filmes como ARUANDA, ARRAIAL DO CABO e O POETA DO CASTELO, foram  a iniciação na carreira de Linduarte Noronha, Paulo Cezar Saraceni e Joaquim Pedro, por exemplo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Os jornais dão espaço para o que está ao alcance do leitor. Como o curta-metragem não é um produto de consumo, acaba sendo esquecido.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
As experiências de exibição compulsória do curta-metragem, incluído na programação do longa-metragem, não deram bom resultado, em parte por obrigarem o espectador a assistir um filme que não foi escolhido por ele. Sinceramente, não sei dizer qual seria, se é que há, uma solução que permita a existência de um circuito regular onde curtas-metragens sejam exibidos.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não creio que, de forma geral, faça sentido pensar em cineastas “só de curta-metragem”. Ressalvadas as exceções que podem haver, a duração do filme não é um fator preponderante do ponto de vista do realizador.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não creio que o curta-metragem seja marginalizado entre os próprios cineastas. Havendo meios de produção, acredito que todo cineasta tenha interesse e prazer em realizar um curta-metragem.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
O último documentário que realizei, feito por encomenda de uma ONG, é de curta-metragem. Chama-se “J.” e faz parte de um conjunto de filmes curtos sobre direitos humanos. Volto a dizer que a duração não me parece ser o fator determinante na decisão de fazer um filme.

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