terça-feira, 28 de agosto de 2012

Monica Palazzo

Graduada em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos e Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo. É Sócia-fundadora da Filmes de Abril, atua como Designer de Produção e Diretora de Criação.
 
O que te faz aceitar participar de trabalhos em curta-metragem?
Tudo depende da história a ser contada, do universo abordado. Direção de arte, para mim, é a construção de uma realidade imaginada, se os personagens me instigam, seja pelo desafio do projeto, pelo contraste do mundo a ser criado, ou que me toca em função da identificação. Claro que também depende das agendas, nem sempre elas são compatíveis...
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que isso tem mudado, haja vista a quantidade de blogs que fazem uma divulgação alternativa. Muitos festivais têm surgido, e os mais antigos têm se tornado cada vez maiores e com mais repercussão. Além disso, alguns canais de TV têm em sua programação espaço para o formato. 
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Essa profusão de sites como o youtube, vimeo (isso pra citar os mais conhecidos) e portais de divulgação fez com que o acesso mudasse bastante de alguns anos para cá. Além da exibição que exige a presença física do espectador, a internet trouxe o acesso a qualquer hora, de qualquer lugar.  Para citar um exemplo muito próximo, meu primeiro curta como diretora, o "Páginas de Menina", de 2008, chegou a ficar em cartaz no programa "Curta Petrobrás as 6", fazendo circuito de cinemas em algumas capitais, e durante um tempo em comum, fez festivais, fez TV e internet. Isso é um privilégio, e naturalmente tem como consequência, público. Atualmente ele faz parte da grade do Canal Brasil, e está disponível no site www.logoonline.com, além de ter sido colocado no youtube por algum fã, rs.
 
A questão também é saber como as pessoas que "não são do meio cinematográfico" encaram o curta. E isso eu sempre coloco em pauta com os conhecidos que trabalham com outras áreas. O que percebo é que as pessoas que se conectam com as artes, colocam o curta como uma delas. E mesmo não tendo tempo de ir a festivais, consomem o formato na TV e na internet.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Tudo é possível, depende de como cada profissional desenha sua carreira. O que acontece muitas vezes é que nem todas as histórias "cabem" em 18min. Eu mesma senti isso com o meu primeiro curta, e algumas pessoas vinham me dizer que sentiam falta de saber mais sobre tudo aquilo que eu estava falando.. Muitos diretores fazem seus curtas para experimentar mesmo, afinal, você não sai da faculdade um diretor. Tem que ralar, tem que se dedicar, estudar, pesquisar e filmar! Acho difícil uma pessoa começar direto com um longa, nem acho isso saudável, do mesmo jeito, tem histórias que não cabem num curta, eu mesma tenho uma esboçada que não pode ser contada em poucos minutos. Depende muito do que você quer falar.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Nossa, eu não sinto isso, pelo menos não senti até hoje. 
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Dirigi um curta, o "Páginas de Menina", lançado em 2008, e que teve uma boa repercussão. Ele fez mais de 50 festivais, está disponível na internet, na íntegra, em um site que comprou os direitos de exibição por 2 anos. O curta também faz parte da programação do Canal Brasil, além de ter ficado em cartaz 1 ano e meio pelo "Curta as 6" da Petrobrás. Atualmente fizemos uma nova tiragem para distribuição em DVD. Em 2009 dirigi uma trilogia, junto com a Joana Galvão, parte da coleção "Fucking Different São Paulo", organizada e produzida pelo cineasta alemão Kristian Petersen. O filme e composto por 12 curtas, e foi exibido em alguns festivais mundo afora, incluindo o Festival de Cinema de Berlin do ano passado. Essa é uma visibilidade muito bacana pro trabalho.
 
Estou envolvida em um curta, uma comédia romântica, que entre outras coisas, fala sobre acessibilidade do cinema para cegos e surdos. E como já comentei anteriormente, tem essa história em mente que não caberá em um curta... o formato tem que ser consequência do que você quer falar, e hoje vejo que, cada vez mais, temos espaço para muitas obras diferentes.
 
O link direto para o curta "Páginas de Menina" é http://www.logotv.com/video/misc/377618/pages-of-a-girl.jhtml?id=1611222

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