quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Paulo Fontenelle

Cineasta. ‘Evandro Teixeira - Instantâneos da Realidade; ‘Sobreviventes - Filhos da Guerra de Canudos’ e; ‘Se Puder... Dirija!’ são filmes que contam com a sua assinatura.
 
Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
É difícil pensar num cineasta brasileiro que não tenha iniciado sua carreira fazendo curta metragens. É um espaço aberto a experimentações e a liberdade onde o único compromisso é com as suas próprias convicções. Curtas como "Di Cavalcanti", "Ilha das Flores" e  "A Velha Fia"  são referencias obrigatórias para qualquer pessoa que queira se dedicar à arte o cinema.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu não vejo diferença entre realizar um curta metragem ou um longa. Para mim é a mesma coisa. O que muda é apenas o tamanho da historia que você tem para contar. Já vi filmes que tinham uma grande ideia por trás, mas que não se sustentava por mais de 20 minutos e acabou se transformando num longa ruim. Quando rodei o meu primeiro filme "Mauro Shampoo - Jogador Cabeleireiro e Homem", tínhamos captado mais de 40 horas de imagens que transformamos em 22 minutos. Muita gente dizia que dava pra esticar e fazer um longa. Sempre fui contra isso e acabou que o filme teve uma bela carreira nos festivais, e na internet. Portanto, quando eu tiver uma ideia que  se adapte ao formato, farei sem pestanejar.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Infelizmente os curtas não possuem espaço nos salas comerciais. Sendo assim, a exibição fica restrita as mostras e aos festivais, onde   o espaço na mídia acaba sendo ofuscado pelos Longas.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Hoje, quando entramos numa sessão de cinema, somos obrigados a assistir uma serie de intermináveis trailers e comerciais publicitários. Porque não dividir esse espaço com curtas metragens (que não ultrapassem dez minutos)? Existem também algumas iniciativas de formar sessões de cinema agrupando curtas, mas adoraria que o o formato extrapolasse as telas de cinema e fosse veiculado em outros espaços.  Hoje, a internet e alguns canais de TV, como o Canal Brasil, dedicam sua grade de programação para a exibição de curtas, mas ainda e muito pouco. Meu sonho e que os curtas um dia sejam exibidos em ônibus, viagens de aviões, aeroportos, filas de banco etc.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É possível, desde que você ame a sua profissão acima de tudo, e se sinta livre para experimentar e se expressar sem se importar com rótulos ou preconceitos. Cinema é arte, independente do gênero, formato ou duração.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
De certa forma sim. Apesar dele ser bastante apreciado nos festivais, ainda é visto por alguns colegas como uma obra de iniciante, e o seu realizador como uma promessa cujo valor artístico sé será medido a partir do seu primeiro longa. É como se um escritor de contos só fosse considerado escritor de verdade depois do primeiro romance. Acho isso uma grande bobagem.  
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Claro! Nesse momento estou preparando meu segundo longa metragem, mas tenho varias ideias que cabem dentro do formato. Logo que eu tiver um tempo livre, pretendo coloca-las em pratica.

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