quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ivan Cardoso


Ivan Cardoso sempre foi um original, um inovador, um cineasta que desafia classificações sempre em busca de projetos inesperados.

Cardoso viria a conceber um cinema que, usando a máscara do chamado "terrir" e a estética udigrudi, afrontava diretamente a ditadura e seus desdobramentos. Mais importante que isso, sua estética não se esgota nessa tal afronta. Pode-se dizer que os filmes de Cardoso propõem uma espécie de carnavalização cinematográfica, uma vez que, contrários a qualquer espécie de ingenuidade, exibem um niilismo ideológico assombroso e, acima de tudo, divertido.

Tudo isso vocês poderão conferir nesta explosiva entrevista.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É praticamente impossível porque, infelizmente, os curta metragens brasileiros não tem a menor chance no nosso problemático mercado cinematográfico. Aliás, é quase impossível, em nosso país, um cineasta profissional que (não sendo "banqueiro", publicitário ou funcionário da rede Globo), consiga sobreviver dedicando-se, apenas, a produzir seus filmes, sejam eles curtas, longas ou média metragens... Por isso mesmo, a maioria dos nossos diretores (sejam eles, ainda "autores", comerciais, ou até, experimentais), só pensam, em produzir longa metragens...

Porque, nesta categoria, as verbas publicas e os prêmios dos concursos oficiais são mais atraentes, as leis de incentivo permitem captar mais recursos, a divulgação da sua obra & conseqüentemente, do seu nome é muito maior, e, ainda por cima, se tem alguma chance de ganhar alguma coisa com a exibição do seu produto, em qualquer mercado, ou, mídia.

Eu não vejo maiores problemas do curta metragem ter se transformado, no Brasil, em trampolim para fazer um longa... Inclusive, eu acho bacana, essa coisa do curta ser uma etapa transitória, uma etapa de transformação artística, que não seja uma coisa definitiva, cristalizada e necrozada de criatividade. Que ele seja apenas um veiculo para a aprendizagem e desenvolvimento da linguagem cinematográfica. O lado mais negativo do curta metragem - por esta categoria, no terceiro mundo, ser eternamente tutelada por velhos artistas frustrados esquerdofrenicos, geralmente, pessoas burras, mesquinhas, invejosas & totalmente, desprovidas de talento - é o aprendiz de cineasta, ao invés de se transformar num diretor de cinema, se transformar num produtor de verdadeiros colchões mentais (filmes que, adormecem os espectadores) , produzindo obras perdidas no tempo & no espaço, comprometidas com ideais políticos & estéticos anacrônicos que, ao invés de aproveitarem este formato para experimentarem novas formas de expressão artística, se transformam desde cedo, em artistas acadêmicos que, enxergam o cinema como forma de trazerem as telas um mundo, por assim dizer, de ilusões perdidas anti cinematográficas... Devido a sua total ignorância, eles, nem conseguem perceber que o uso que fazem da revolucionaria sétima arte é transformá-la, na realidade, numa forma de arte inferior que, serve apenas, para ser um veiculo fajuto de suas idéias falidas, de representações reacionárias da realidade, ou, que ainda lutam por subjugar o cinema ao teatro... Ou, o que é pior, ainda, ao invés de transformarem os aprendizes de cineastas, em diretores de cinema, se transformam em "documentaristas"..., uma categoria que, nem, na antiga União Soviética existia, mas que, aqui, faz muito sucesso! Haja visto o veterano stalinista católico Eduardo Coutinho ser considerado, até hoje, pela turma do "Piauí" o maior documentarista brasileiro... Quando, na realidade, nos primórdios do cinema novo, quando se fazia cinema com uma câmera na mão & uma idéia na cabeça..., só faziam "documentário" os cineastas que, não tinham o menor talento!

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Mesmo sem ser um pesquisador desta área, eu não tenho vergonha de dizer que, eu não conheço a fundo toda a historia do nosso cinema e sempre fiz questão de deixar claro que, não gosto deste conceito de "cinema brasileiro”.Até, mesmo porque os personagens de terror com os quais trabalho: múmias, vampiros, escorpiões & lobisomens, não são personagens brasileiros, são personagens universais, são ícones do cinema americano, com o qual, eu tenho muito mais ligações, influências, enfim, eu me interesso muito mais pelo cinema americano, do que, pelo nosso esquerdofrenico, literário & teatral cinema brasileiro... Ao contrario do Paulo Emilio, eu acho que o pior cineasta americano é muito melhor que, o melhor cineasta tupiniquim... Mesmo, antes da globalização, eu já era um artista global! E, sempre achei essa coisa nacionalista, essa busca de raízes, esse ufanismo que sempre existiu em nossa cultura, uma coisa meio fascista... Aliás, se vocês prestarem atenção, os militares, os padres, os comunistas, os petistas & os fascistas têem uma ideologia muito parecida, têem muita coisa em comum... Mas, acredito que a grande importância do curta metragem seja a possibilidade que ele oferece, por ter um custo muito menor que o de um longa metragem, dos jovens cineastas apreenderem, na pratica, a fazerem cinema!

Como a maioria dos nossos cineastas é autodidata, são artistas intuitivos que, nunca estudaram cinema - as faculdades de cinema são recentes em nosso país -, o curta metragem se tornou a grande escola do cinema brasileiro... Agora, tudo isso é muito problemático, porque sendo um pais muito pobre, as chances de você "queimar" negativo, de você experimentar, de você se exercitar são muito pequenas... E, não podendo errar, você também, não pode acertar!

O cinema brasileiro devido ao nosso subdesenvolvimento intelectual e artístico é super preconceituoso, não é só o curta metragem que sofre esse preconceito... No Brasil, como em todos os países atrasados as pessoas só querem filmar em 35mm e, com uma câmera 35mm, nem o Orson Welles, ou, o Hitchcock teriam apreendido a filmar... As câmeras 35mm são muito pesadas e muito profissionais para quem esta aprendendo, para quem esta começando. Eu posso falar isso de cadeira, porque apreendi a fazer cinema com uma câmera super 8 que, eu acredito que seja a melhor bitola para você começar filmar... Não só pelo baixo custo dos filmes super 8, como também por serem câmeras pequenas, super leves e tecnologicamente muito avançadas que, democratizaram a atividade cinematográfica no final dos anos 60. Na verdade o super 8 foi um pré vídeo, as câmeras super 8 anteciparam essa revolução que as câmeras de vídeo fizeram a partir dos anos 90.Qualquer dona de casa podia filmar as festinhas de aniversario dos seus filhos, batizados, casamentos, etc.

O super 8 é genial porque você tem a chance de apreender a fazer cinema sem mestre, você apreende, como diria o Mojica, "praticamente, na pratica"... Mas, aqui, as pessoas tinham preconceito, até, do 16mm...

Aliás, aqueles festivais de cinema amador, 16mm, patrocinados pelo Jornal do Brasil/Mesbla, foram super importantes para o cinema brasileiro porque, não só ajudaram a diminuir esse preconceito como também lançaram vários cineastas importantes, como o próprio Rogério Sganzerla, o Neville d'Almeida, o Sergio Santeiro, o Haroldo Marinho Barbosa, o Andrea Tonacci, o Bruno Barreto & muitos outros .

Agora, por outro lado como a maioria dos nossos curtas-metragens são documentários e até, os filmes de ficção com o passar dos anos também se transformam em documentários da época em que foram feitos, os curta metragens nacionais acabam se transformando num fabuloso banco de imagem preservando muitas vezes, a memória de grandes artistas que, infelizmente, neste país sem memória, não tiveram a sua incrível trajetória devidamente registrada em nossa desmemoriada, elitista, esquerdofrenica & preconceituosa cultura.

Como é trabalhar com a síntese no curta-metragem?
O curta metragem me fascina por vários motivos: primeiro, devido ao seu baixo custo. Talvez, por seu formato reduzido, o curta ainda seja um filme livre das leis de incentivo, ainda seja uma obra que possa ser produzida livremente pelo seu próprio autor... Dai, ele também ser um divisor de águas: somente, os verdadeiros artistas é que investem o seu próprio capital para realizarem os seus sonhos ! Por permitir que você produza um filme a fundo perdido, sem as terríveis conseqüências financeiras que, você sofrerá, caso o seu longa metragem seja um tremendo fracasso de bilheteria, acredito que os curta metragens sejam a categoria ideal para a produção de filmes de arte ou experimentais ! Até mesmo, porque eu acho um equivoco, quase ridículo você fazer um filme experimental com a mesma duração, bitola & características de um filme comercial... E, olha que muitas vezes os filmes experimentais ainda são maiores que, os comerciais! E, por isso mesmo, o grande público acaba tomando horror desses filmes que, sempre foram imprescindíveis para o desenvolvimento da linguagem cinematográfica.

Além disso, a entrada em cena dos vertiginosos videoclipes trouxeram as telas um tipo de linguagem fragmentada, com uma ritmo alucinante de cortes não lineares, que aboliu todas as regras einsteinianas de montagem, criando uma nova forma & formato compacto, com uma duração média de 3 minutos que, provocaram uma verdadeira revolução áudio visual, transformando os quilométricos longa metragens em obras jurássicas... O camarada, realmente, tem de ter alguma coisa diferente para mostrar para dizer para conseguir manter alguém sentado durante 90 minutos... Ou, então como dizia o saudoso poeta & critico José Lino Grunewald, um clássico é aquele filme tão bom que, você pode dormir tranquilamente durante 90/100 minutos, no escurinho do cinema!

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Em primeiro lugar, eu gostaria de deixar claro que, no Brasil, existem poucos, cineastas que, realmente são diretores de cinema... Aliás, depois da morte do Glauber, do Walter Hugo Khouri, do Carlos Hugo Christiesen, do Jean Garett, do Leon Hirzmann, do Carlos Imperial, do Jece Valadão, do Nilo Machado & do grande Rogerio Sganzerla, você terá de contar nos dedos quais são os verdadeiros cineastas que, ainda existem por aqui... O resto é uma manada de idiotas, de falsos artistas, de mulheres feias mal amadas, de comunistas aposentados, de publicitários de sucesso, de ambiciosos fotógrafos da "moda", de milionários culpados porque são ricos & de alpinistas sociais que, desconhecendo totalmente o seu oficio e conseqüentemente a tradição cinematográfica, só entendem o que, eles pensam ser o cinema como filmes de longa metragem... Então, eu acho que é super natural que, esses elementos que, não tem a menor intimidade com o que fazem, tenham preconceito contra o curta-metragem... Eles têm horror de tudo que é menor... Por ter uma duração menor que um longa metragem, eles se equivocam, pensando que um curta é tão pequeno quanto o seu talento, ou,o tamanho do seu pau... Na verdade, eles tem medo do curta-metragem por que nesta categoria minimalista, compacta, se constata imediatamente, em poucos minutos, a sua total falta de talento!

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A exibição de qualquer filme brasileiro é um verdadeiro cipoal de problemas, a dos curta metragens então, nem se fala. Nos anos 70, nos tivemos uma experiência inusitada com a inesquecível Lei de Obrigatoriedade de exibição de curta metragens nacionais, na frente dos filmes longa metragens estrangeiros... Uma Lei que, a principio parecia ser ótima e caso tivesse dado certo teria sem duvida nenhuma revolucionado e democratizado a nossa combalida industria cinematográfica. Por que, além de garantir a exibição dos nossos curtas em todos os cinemas do território brasileiro, tornou a sua produção extremamente lucrativa & industrial. Cada produtora tinha o direito de produzir cinco filmes por ano e só com a receita da bilheteria - se não me engano, nos tínhamos direito a 5% da bilheteria do longa metragem estrangeiro, até, atingir um determinado teto -, qualquer pequena produtora podia, em pouco tempo, caminhar com as suas próprias pernas, produzindo mais cinco curtas, no próximo ano, mais cinco, no outro, até transformar-se numa verdadeira produtora independente, capaz de num período de três, quatro anos, ter recursos próprios para vôos mais altos, produzindo seus primeiros longas, ou, aprimorando sua produção de curtas. Infelizmente, tanto as distribuidoras americanas, como os exibidores nacionais que, nunca esconderam seu descaso contra os nossos curtas e o seu ódio profundo contra mais esta Lei de Obrigatoriedade, que, na pratica, realmente diminuía uma pequena fração dos seus gigantescos lucros, logo encontram uma maneira eficaz de boicotar a Lei, exibindo somente um lixo produzidos por eles mesmo ou comprados de produtores inescrupulosos, que vendiam por qualquer preço as coisas mais horríveis que, já chegaram as nossas telas... Numa manobra suja, mas, de grande eficiência que, rapidamente, não só desmoralizou a Lei como jogou, mais uma vez, os próprios espectadores e a critica contra o cinema nacional: eles chegavam ao requinte de programar curtas pavorosos, totalmente inadequados aos longa metragens americanos que, o publico havia comprado ingressos para ver e quando, começava a projeção dos nossos malditos shorts era uma vai danada ! Entretanto, nos devemos ser pragmáticos, não se esquecendo que, mesmo durante a pavorosa ditadura militar, ninguém gostava de assistir um filme por causa de uma Lei de Obrigatoriedade..., que, assim como Ministério da Cultura foi inventada, nos anos 30, pelo carismático líder fascista Benito Mussolini ! - que, naquela época desfrutava de uma popularidade, entre os italianos, bem maior que a de Lula, nos tenebrosos dias de hoje...

Acho que, tanto para os longas como para os curta metragens nacionais, a única saída para a circulação e exibição dos nossos filmes é a televisão ! Sendo, um verdadeiro absurdo que, mesmo durante "o melhor governo (esquerdofrenico) que este país, já teve", a nossa televisão continue sendo a casa do cinema americano...

O curta-metragem é o grande movimento do cinema atual?
Não existe mais nenhum grande movimento no cinema atual, nem no curta, nem no longa, nem nas outras artes ! Assim como não existem mais grandes lideres, também não existem mais grandes artistas... A arte não é um continente isolado que, esta imune a realidade dos nossos dias... Chegamos ao século XXI sem que o bíblico apocalipse incendiasse o nosso decadente planeta, como muitos profetas anunciaram durante séculos... E, o que é pior e torna a nossa existência, ainda mais monótona: os misteriosos óvnis, os populares disco voadores desapareceram, até, da mídia: os sinistros marcianos não invadiram a Terra ! E, assim como tudo, o cinema também acabou... Não se faz mais filmes como antigamente. Não existem mais cinemas - os grandes templos cinematográficos foram transformados em templos evangélicos... - como antigamente. Tirando dois ou três dinossauros que ainda existem por aí, não existem mais grandes diretores como antigamente. Como não existem mais poetas, filósofos, cantores, músicos, escritores, mágicos, dançarinos, toureiros, assassinos, gângsteres, jogadores de futebol, pilotos, artistas plásticos, atores, fotógrafos, produtores, lutadores de box, inventores, cientistas malucos, aviadores & até, mesmo astronautas como antigamente. E, o que é pior não existem mais estrelas capazes de seduzirem multidões de espectadores para o escurinho do cinema!!!

Como nos ensina, o mega poeta Augusto de Campos, em seu visionário CD "Poesia é risco": "para que poetas, em tempo de pobreza...” Ou, no prefacio do seu indispensável livro invenção, "Verso, Reverso, Controverso": "a poesia é uma família de náufragos bracejando, no tempo e no espaço...”

Talvez, o iluminado Stockhausem estivesse certo e a queda das torres gêmeas, em Manhattan, tenha sido a nossa ultima grande obra de arte... Assunto proibido que, virou tabu, para que o grande publico não descubra que, os autores desta sinistra obra prima foram os irados agentes da CIA... A morte de Michelangelo Antonioni aumentou, ainda mais o nosso deserto de idéias, levando no seu vácuo, o velho Igmar Bermann que, há muitos anos vivia escondido em sua ilha.

Restando, agora, somente o subversivo demônio das onze horas Jean Luc Godard que, ao lado do incansável Bob Dylan, talvez sejam os dois maiores artistas contemporâneos, ainda vivos ! Não podendo nos esquecer de alguns outros pontos luminosos que, ainda brilham na escuridão das trevas, como o surpreendente Quentin Tarrantino, o mafioso Francis Ford Coppola, o demencial João Gilberto & o quase centenário Claude Levi Strauss!

Quais os melhores curtas que foram produzidos no Brasil?
Minha lista dos 10 melhores curtas made in brazil:

01 "O PATIO", de Glauber Rocha
02 "DI CAVALCANI", de Glauber Rocha
03 "DOCUMENTARIO", de Rogerio Sganzerla
04 "HQ", de Rogerio Sganzerla
05 "A PEDREIRA DE SÃO DIOGO", de Leon Hirzman
06 "BOM JESUS DA LAPA", de Eliseu Visconti
07 "AS IMAGENS DE LAMPIÃO", de Abraão Medina
08 "O UNIVERSO DE MOJICA MARINS", de Ivan Cardoso
09 "HO", de Ivan Cardoso
10 "UMA ESTRELA PARA IÔ IÔ", de Bruno Safadi

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Cada diretor, cada artista tem o seu processo de criação, de produção e, é essa individualidade, esse universo próprio, essa marca original que, o distingue da maioria dos artesões, dos artistas burocráticos, ou dos falsos artistas que, só sabem diluir o que os outros inventaram... Hoje, você fala em artista e as pessoas pensam, logo, que você esta falando dos atores da tv Globo..., embora existam alguns atores da Globo que, podem ser considerados grandes artistas ! Eu, de certa forma, me considero uma pessoa predestinada, porque tive o privilegio de, ainda muito jovem, com menos de 18, conhecer, conviver & me tornar parceiro dos nossos maiores artistas de vanguarda! Gente, como os irmãos Campos, Décio Pignatari, Helio Oiticica, Torquato Neto, Caetano Veloso, Rogerio Sganzerla, Julio Bressane, Tim Maia, Raul Seixas, Zé do Caixão & muitos outros.

Para que vocês tenham uma idéia do que estou falando, na maioria dos curta metragens que dirigi & produzi, eu procurei fazer um pequeno "paideuma" reunindo & homenageando alguns artistas inventores, cujo trabalho, em diferentes áreas, poderia ser classificado como "divisor de águas"!

Então, por exemplo, nos três filmes que fiz sobre o Hélio Oiticica "HO", em 1979, "A Meia Noite com Glauber", em 1997, um diálogo subversivo entre a "estética da fome X a estética da vontade de comer"... que, revelou & liberou um lado desconhecido & proibido da obra do inventor do cinema novo e "Heliorama", em 2004, todos estes curtas-metragens, além do depoimento do próprio Oiticica, contam com textos poéticos, ou cine roteiros - como ele próprio os classificou - do grande Haroldo de Campos ! Sendo que, no "HO", este texto original foi narrado pelo irado Décio Pignatari, com a sua inconfundível voz & imbatível dicção concreta... O Décio também foi o autor de um texto brilhante sobre o Zé do Caixão, comparando-o à um "Antonio Conselheiro de subúrbio que, fez de Canudos o seu cinema"..., escrito especialmente para "O Universo de Mojica Marins", em 1977, e além disso foi quem me levou para Porto Alegre, em 1978, onde documentamos com a sua interferência critica um dos mais brilhantes & desconhecidos escritores brasileiros, o ex deputado & psiquiatra gaúcho Dyonélio Machado, o velho"centauro dos pampas" ! E, no final dos anos 90, ao ouvir o CD "Poesia é Risco" de Augusto de Campos - cuja a foto da capa é de minha autoria -, percebi que, tinha em meus arquivos imagens suficientes para "clipar" os seus visionários "cinepoemaspopcretos"... E, resolvi fazer o instigante curta "HI FI”, homenageando o Augusto ! Ou seja, eu sou o único cineasta brasileiro que desenvolveu junto aos nossos mais brilhantes poetas contemporâneos, uma produção literária inédita, por que eles próprios nunca tinham escrito para cinema e que, ainda, não foi devidamente estudada, ou, classificada. A minha parceria com o Oiticica, também, foi inédita por que além dos filmes que fiz sobre a sua obra, ele também foi ator de "O Segredo da Múmia", fazendo o papel de um mercador egípcio, e de "Dr.Dyonélio", onde interpretou um senador romano!

Dizem que, a primeira impressão é a que fica... De forma que, tendo me infiltrado no cinema brasileiro através do demencial Rogerio Sganzerla, me acostumei, desde cedo, a fazer varias coisas ao mesmo tempo, a produzir vários filmes simultaneamente que, devido as suas características ou verba de produção, ficam prontos dentro de um prazo normal, ou, se tornam obras in progress que, as vezes acabam sendo finalizadas muitos anos depois do seu inicio... Eu chego, até, a dizer brincando que caso nunca mais consiga filmar, eu ainda teria filmes para montar, até, o final dos meus dias... O que, felizmente, não é verdade porque, no final do século passado eu comprei uma pequena câmera de vídeo high eight & descobri que ela era uma versão aperfeiçoada da minha velha câmera super 8... Então, as curvas do destino me levaram, novamente, ao inicio de tudo... E, o meu velho vício de registrar imagens, voltou com força total & já produzi mais de 50 filmecos experimentais em vídeo, ainda não finalizados ! Mas, voltando aos curtas, aos documentários filmados em película 16 mm que, até, já foram ampliados para 35 mm, mas, ainda não foram definitivamente montados, eu tenho uma jóia rara intitulada "A BRASA DO NORTE" , um cine clipe com o endiabrado Jackson do Pandeiro, filmado em 1977... Um "trailer" fake sobre o livro espetacular de Georges Battaile, "A HISTORIA DO OLHO", também de 77, estrelado pela apetitosa Claudia Ohana ! Neste mesmo ano, também rodei outro "trailer" pornô, em parceria com o meu amigo Eduardo Viveiros de Castro, intitulado "CURIOSIDADES DE VIDAS IRREGULARES...” Dei inicio ao longa udigrudi, "O LAGO MALDITO" que, foi o filme que deu origem ao "Segredo da Múmia" (1982) e recentemente, ao telefilme "O Sarcófago Macabro" (2006) e que, um dia, ainda, pretendo concluir seu projeto original... Também, neste período dei inicio a um dos projetos mais sensacionais da minha carreira e pelo qual tenho um grande carinho, chamado "A HISTORIA DE UM OLHO" que, iniciei em 1973, filmando as filmagens de "O Rei do Baralho", do Julio Bressane - nesta época, agente nem desconfiava o que era um making-off... Então, eu chamava estes documentários que, inicialmente, ainda foram rodados em super 8, de filmes de filmagens... -, que prosseguiram em 1975, com "O Monstro Caraiba" estrelado pelo saudoso Carlos Imperial, também do Julinho. Depois, continuei este projeto em 16 mm, documentando "A Agonia", 1977, & o antológico "Gigante da América", 1978, ambos de Bressane. Ainda, neste mesmo ano, eu rodei "O TERCEIRO OLHO", registrando as demenciais filmagens de "O Abismo" do Rogerio Sganzerla que, é um curta metragem que, ´também já foi ampliado para 35 mm & pretendo finalizar, no próximo ano. Estando em duvida de trocar seu titulo para "O MELHOR DE TODOS", num trocadilho com "A Mulher de Todos" & por acreditar mesmo que o Rogério foi o nosso maior cineasta ! Nesta linha de documentários - se é curta, media , longa, ou, telefilme, isso realmente não me importa - ainda, gostaria de acrescentar mais alguns projetos queridos: "O ABC DO AMOR", uma cinentrevistas com os jurrásicos TIM MAIA, NELSON GONÇALVES & BENE NUNES que, iniciei, em 1993; "AS MEMORIAS DE UM HOMBRE LOBO", outra cinentrevista que , realizei em 2005, durante as filmagens de "Um Lobiosomem na Amazônia" com o grande ícone do cinema de terror, o ator espanhol PAUL NASCHY ! Outro documentário que iniciei no festival de Turim de 2006, entrevistando o surpreendente diretor norte americano JOE SARNO... E, outro tesouro que o destino me reservou , por ser a ultima entrevista - & filmada em mini dv - do inesquecível mega poeta HAROLDO DE CAMPOS, realizada em 2004, quinze dias antes da sua morte, intitulado "AS CONFISSÕES DE UM POETA" !!!

Ou seja, eu não sou nenhum Raul Seixas, mas também tenho o meu "baú"...

Me arrependo amargamente, de não ter feito em parceria com o Eliseu Visconti, um documentário sobre o magistral LUPICINIO RODRIGUES que, é, até hoje, o meu compositor preferido... E, outros três curtas que, infelizmente, não tive recursos para realizar, documentando outros gigantescos ícones da nossa cultura: o polemico comentarista esportivo botafoguense João "sem medo" Saldanha; "DA-LHE RIGONI", focalizando o grande jóquei paranaense Luiz Rigoni & finalmente, outra corda do meu coração que era o fantástico campeão do circuito da Gávea, CHICO LANDI, o grande pioneiro do nosso automobilismo !

Atualmente, estou pensando em fazer um documentário sobre o incrível, fantástico & extraordinário desenhista de historias em quadrinhos, o lendário SHIMAMOTO e também, continuo desenvolvendo outro filme experimental, desenhado na própria película 35 mm, intitulado "O CREPUSCULO DO OLHAR" um esforçado exercício de "decomposição da imagem"... Que, na verdade, também, não deixa de ser um protesto - ao invés de manifestar verbalmente minhas criticas ao governo Lula, eu preferi riscar artisticamente pontas de negativo -contra a ultrapassada política áudio visual cubana orquestrada, muito mal interpretada & sucedida pelo sorumbático ex ministro Gilberto Gil... Eu conheci o GG, através do TorquatoNeto, na década de setenta, fiz a fotografia da capa do lp "umbandaum" e sempre fui seu fã... Há três anos atrás, quando nos encontramos durante o Festrio, contei-lhe sobre a "ultima entrevista" do Haroldo & manifestei o meu interesse de transformar este precioso material num filme... Vocês sabem o que o ministro me respondeu com o seu debochado sotaque baiano: "Apresente, o projeto" !

Ora, meus amigos é por essas & outras que, seguidamente, eu penso em abandonar o cinema... Qualquer idiota desconhecido que, se aproximasse do pior ministro da cultura que, a França já teve & lhe revelasse que tinha eu seu poder a ultima entrevista do Jacques Derrida, do Foucault, ou, do Roland Barthes... No dia seguinte uns dez funcionários do ministério da cultura francês estariam atrás deste sujeito para cuidar & lapidar com todo carinho esta inusitada pedra preciosa!!!

E, o que me deixou, ainda, mais triste foi a frieza do Gilberto Gil que, além de dever muito intelectualmente falando ao Haroldo, seguramente, jamais teria sido ministro se o Augusto de Campos não tivesse tido a generosidade de escrever o "Balanço da Bossa" !

Mais, é isso aí pessoal, a vida como ela é..., é assim mesmo ! No Brasil, infelizmente, artista bom é o artista morto... Aquele abraço !!!

FILMOGRAFIA COMPLETA DE CURTAS-METRAGENS:

1973 — MOREIRA DA SILVA — Com: Kid Morengueira e Wilson Grey - Direção: Ivan Cardoso — Roteiro: Ivan Cardoso — Fotografia: Renato Laclete — Montagem: Amaury Alves — Som Direto: Júlio Romiti — Música: Antônio Moreira da Silva, Billy Blanco, Geraldo Pereira, Lupicínio Rodrigues e Wilson Batista — Still: Bina Fonyat — Letreiros: Amarilio Gastal — Produção: Ivan E. S. Cardoso e Carlos Cardoso — 35mm PB — Duração: 10'.
Documentário musical focalizando a figura ímpar do compositor e cantor ANTONIO MOREIRA DA SILVA, o popular KID MORANGUEIRA, o inventor do samba de breque, que aos 70 anos está em plena forma de terno de linho branco e chapéu panamá, interpretando seus antigos sucessos em locais-cenários freqüentados pela antiga malandragem como o Morro de São Carlos, o Hipódromo da Gávea, o Cinema íris, a gafieira Elite e outros que marcam a imagem do Rio de Janeiro como o Pão de Açúcar.

1974 — MUSEU GOELDI — Direção: Ivan Cardoso — Roteiro: Eduardo Vivei­ros — Fotografia: Renato Laclete — Montagem: Amaury Alves —Depoimento e narração: Eduardo Galvão — Letreiros: Carlos Pini — Still: Ivan Cardoso — Produção: DAC/MEC — 16mm Color — Duração: 10'.
Documentário focalizando o MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI dedicado desde a sua fundação ao estudo sistemático de uma área geográfico-cultural tão imensa quanto pouco conhe­cida, reunindo em seu acervo material etnográfico, antropoló­gico, geológico, zoológico e botânico originário de regiões tão distantes de Belém como as cabeceiras do Amazonas e o planalto central, mostrando a variedade do ambiente natural da Amazônia bem como a necessidade de sua preservação e estudo cien­tífico. Entrevista com o etnólogo Eduardo Galvão.

1974 — RUÍNAS DE MURUCUTU — Direção: Ivan Cardoso — Roteiro: Ivan Cardoso — Fotogra­fia: Renato Laclete — Montagem: Amaury Alves —Depoimento e narração: Eduardo Galvão — Letreiros: Carlos Pini — Still: Ivan Cardoso — Produção: Ivan E. S. Cardoso — 16mm Color — Duração: 9'.
Documentário etnográfico, de abordagem livre, focalizando fragmentos de um ideograma tropical: o caboclo urbano. Das Ruínas de Murucutu, a primeira missão jesuítica da Amazônia, às favelas da cidade de Belém do Pará. A vida do caboclo é comentada por referência as formas de moradia, a simbiose com o rio, o futebol na várzea e o ritmo do carimbo mostrando por trás da pobreza do caboclo, a sombra dourada do índio.

1977 — O UNIVERSO DE MOJICA MARINS — Com: José Mojica Marins, Satã, Carmem Marins, Wilson Grey, Georges Michael e Rogério Sganzela — Direção: Ivan Cardoso — Assistente: Carmem Gomes — Roteiro: Ivan Cardoso — Fotografia: Aloísio Araújo e Renato Laclete — Montagem: Gilberto Santeiro — Trilha sonora: Julio Medaglia — Still: Ivan Cardoso — Depoimento: Décio Pignatari — Letreiros: Ruth Freiroff — Produção TV CULTURA e Ivan E. S. Cardoso — Produtores associados: Guti Carvalho e Sérgio Carvalho — 35mm Color e PB — Dura­cão: 26'.
Documentário sobre a vida e a obra do ator, diretor e produtor paulista JOSÉ MOJICA MARINS, penetrando em seu estúdio e mostrando o seu mundo: a origem de ZÉ DO CAIXÃO... O choque fascinante de um primitivo contra o cinema, em plena era de viagem à lua... A primeira religião cinematográfica: sua escola de arte dramática, especializada no sobrenatural. Confi­dências de um autor de terror sobre a sua luta (mais de qua­renta filmes realizados). Complementa o documentário trechos do filme O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO. Para ser exibido comercialmente como curta-metragem esse filme foi dividido em duas partes, ficando a segunda com o título de A RAZÃO DO SER.

1978 — DR. DYONÉLIO — Com: Dyonélio Machado, Wilson Grey, Helena Lustosa, Oscar Ramos, Márcia Pitanga, Ruban, Lurdes Salgado, Radar, Márcia Lomardo, Júlio Borges e Hélio Oiticica — Direção: Ivan Cardoso — Roteiro: Décio Pigna­tari — Fotografia: Antônio Penido — Montagem: Ricardo Miranda — Som Direto: Ivan Cardoso — Depoimento e narração: Décio Pignatari — Still: Eduardo Viveiros e Ivan Cardoso — Letreiros Óscar Ramos e Luciano Figueredo — Produção: Aloisio Leite, Ivan E. S. Cardoso e Cine­mateca do MAM — 35mm Color e PB — Duração: 13'.
Documentário ficção focalizando o consagrado escritor psiquia­tra, ex-deputado gaúcho DYONÉLIO MACHADO na época com 83 anos.
Os anos 30: inícios literários. A consciência política e social. 1935: OS RATOS — um dos grandes romances brasileiros. Sua Porto Alegre querida. O som que havia no ar. A fala gaúcha: o "tu". As figuras. Os locais. Dyonélio erudito. A longa pesquisa para os DEUSES ECONÔMICOS. O gosto pelos clássicos. A planta de Roma no século I: por onde caminham as persona­gens... O velho apartamento da Borges de Medeiros. A família. O patriarca. Adaptação livre de trechos de OS DEUSES ECONÔMICOS.


1979 — HO — Com: Hélio Oiticica, Lygia Clark, Waly Salomão, Caetano Veloso, Ferreira Gullar, Carlinhos do Pandeiro, Nininha, Nildo da Mangueira e Paulo Supli — Direção: Ivan Cardoso — Assistente: Carmem Gomes — Roteiro: Ivan Cardoso — Fotografia: Edson Santos — Montagem: Ricardo Miranda — Depoimento: Hélio Oiticica — Texto poético: Haroldo de Cam­pos — Narração: Décio Pignatari — Still: Eduardo Viveiros e Ivan Cardoso — Letreiros: Oscar Ramos e Luciano Figueiredo — Produção: Ivan E. S. Cardoso e Fernando Carvalho — 35mm Color e PB— Dura­cão: 13'.

CINE TEATRO NÔ focalizando a obra do artista plástico carioca HÉLIO OITICICA, com texto poético de HAROLDO DE CAM­POS: "onde se vê MONTE FUJI" —"veja-se o MORRO DA MANGUEIRA", habitat natural de suas obras, onde OITICICA, CARLINHOS DO PANDEIRO, NILDO & outros passistas exibem os legendários PARANGOLÉS em performances-épico-poético. Visita à casa do artista onde foram filmadas suas maquetes e outras obras feitas exclusivamente para o filme.
CINE JORNAL da estréia do penetrável 27 RIJANVIERA, com a participação especial de LYGIA CLARK.

1997 - À MEIA NOITE COM GLAUBER – Com: Glauber Rocha, Hélio Oiticica, José Mojica Marins, Helena Ignês, Sólon Barreto, Darlene Glória, Othon Bastos, Odete Lara, Maurício do Vale, Geraldo Del Rey, Ana Maria Magalhães, Tarcísio Meira, Jece Valadão, Hugo Carvana, Luiza Maranhão, Antônio Pitanga, Torquato Neto, Cristiny Nazareth, Zé Português, Paulo Gracindo, Paulo Autran, José Lewgoy, Danuza Leão, Edson Machado, Jardel Filho, Clóvis Bornay, Lygia Clark, Caetano Veloso, Ferreira Gullar, Nildo da Mangueira, Luiz Carlos Saldanha, Carlos Imperial, Seu Mário, Malvina Reis, Georges Michael, Íris Bruzzi, Modesto de Souza, Cláudia Ohana, Rogério Duarte, João Ubaldo Ribeiro, Paulo Villaça, Sandro Solviati, Paco Rabal, Raza Rassaminov, Pierre Clementi e Jean Pierre Leaud — Direção: Ivan Cardoso — Assistente: Eduardo Goldenstein — Argumento: Ivan Cardoso — Roteiro: Haroldo de Campos — Narração: Jorge Ramos — Fotografia: Material de arquivo — Apresentação e letreiros: Ivan Cardoso — Montagem: Francisco S. Moreira — Música Tema: Renato & seus Blue Caps — Trilha sonora: Júlio Medaglia — Still: Ivan Cardoso — Produção executiva: Luiz Arantes Pedroso — Produção: Topázio Filmes Ltda e Cláudio Klabin — Co-produção: Secretaria para o Desenvolvimento do Áudio Visual do Ministério da Cultura, CTAV Funarte, Riofilme, Secretaria Municipal da Cultura e Prefeitura do Rio de Janeiro — Produtores associados: Cândido José Mendes de Almeida, Cláudia Kalmonovith, Paulo César Ferreira, Pedro Carlos Rovai, Tempo Glauber e Vera Andrade — Patrocínio: BR Petrobrás — 35mm Color — Duração: 16’. O olho vorticista do ivampirante Ivan escolheu os seus totens, elegeu os seus emblemas, regeu em diadema os seus temas. Este filminvenção glauberélico, helioglauberiano, é uma partitura de iluminuras em mosaico, belas e brutas como pedras recém-saídas de seus geodos. Eis o livro de imagens-voltagens, ivang(h)élio glaubericônico do Ivan, que desenha um gráfico luminescente, um rastro cúmplice de “afinidades eletivas”. Parangol’olho e glauberóptica justapostos e confraternizados – flagrados e deflagrados – epifanizados no instante, efemérides do efêmero: o cinema. Olho em trânsito e em transe. Lentes e luz diagramando imagens para o júbilo da retina. Cinema como festa. Cinefesta.




1999 – HI-FI – Com: Haroldo de Campos, Clarice Piovesan, Haroldo de Campos, Cristiny Nazareth, Carlos Imperial, Décio Pignatari, Rogéria, José Lino Grunewald, Helena Lustosa, Felipe Falcão, Satã, Nina de Pádua, Wilson Grey, Sandro Solviati, René Clair, Orson Welles, Sydney Greenstreet, Man Ray e Marcel Duchamp — Direção: Ivan Cardoso — Roteiro: Augusto de Campos e Ivan Cardoso — Fotografia: Eduardo Viveiros, Ivan Cardoso e material de arquivo — Apresentação, letreiros e animações: Ivan Cardoso — Montagem: Francisco S. Moreira — Trilha Sonora: Augusto de Campos e Cid Campos — Still: Ivan Cardoso — Produção executiva: Luiza Arantes Pedroso — Produção: Topázio Filmes — Produtores associados: Alexandre Dumans, Augusto de Campos, Cid Campos e Cláudio Klabin — Apoio: CTAV Funarte — Som: Dolby Stereo — 35mm Color e PB — Duração: 8’. É uma colagem de contratipos riscados, sampleando takes raros para forjar clips de “ALTA (IN)FIDELIDADE”, que revelam um longo rastro cúmplice, entre “a tradição poética mais viva” e o cinema experimental...

Um mergulho profundo, através de fragmentos magistrais da obra do poeta Augusto de Campos, na literatura de vanguarda, revendo o “subversivo” movimento concreto paulista ...

Um lance de dados marcados pós-tudo! Ao som dos “versos malditos” de William Blake, James Joyce, E. E. Cummings & outros mini anti sonetos de “Kid & Kampos”!

Um game para cinecubistas, que descobre outras funções para seqüências clássicas & fitas udigrudis, que experimentam uma inusitada sobre vida, oralizando, ou melhor, “OUVENDO”, 13 pérolas preciosas do CD “Poesia é risco” (de Augusto & Cid Campos), que nos instigam a encontrar novas dimensões criativas, num verdadeiro “COLIDOUESCAPO” de imagens inventadas, chegando ao infinito mágico da linguagem cinematográfica – onde o “Cinema, também é risco”!
Um “CINEPOEMABOMBAPOPCRETO” que leva o espectador à um surpreendente, filosófico & revolucionário, vertiginoso redemoinho POÉTICO/VISUAL/SONORO, onde só o “INCOMUNICÁVEL: COMUNICA”!

2004 – HELIORAMA – Com: Helio Oiticica, Lygia Clark, Caetano Veloso, Waly Salomão, Lygia Pape, Dom Pepe, Antonio Manoel, Carlinhos do Pandeiro e Haroldo de Campos – Direção: Ivan Cardoso – Assistente: Fernando Cardoso - Roteiro: Haroldo de Campos – Fotografia: Andréas Valentim, Edson Santos, Eduardo Viveiros, Ivan Cardoso, João Carlos Horta, Luiz Carlos Saldanha e Walter Carvalho – Direção de arte: Hélio Oiticica – Apresentação: Fernando Hargreaves - Montagem: Francisco S. Moreira – Música-tema e narração: Fausto Fawcett -Trilha Sonora: Guilherme Vaz – Still: Eduardo Viveiros e Ivan Cardoso – Produção executiva: Luiza Arantes Pedroso - Produção: Topázio Filmes Ltda. – Produtores associados: Alexandre Dumans, Cláudio Klabin, Pedro Henrique de Paiva, Projeto HO, Labocine e Wilson Borges – Patrocínio: Petrobrás BR – Som: Dolby Digital – 35mm Color e PB – duração: 14’

HELIORAMA é uma espantosa colcha de retalhos, formada por planos deslumbrantes nunca antes mostrados.

O filme é dividido em quadros. Seu formato é uma homenagem as primeiras exibições CINEMATOGRAPHICAS: uma curiosa montagem que reúne cinejornais, trailers, clipes e outros fragmentos inéditos e visionários (de som e imagem) do saudoso artista plástico HÉLIO OITICICA.
Estilo CINEAC - cinema de atualidades e atrações - "novidades excêntricas". O estilo está ligado à origem da Sétima Arte: dar vistas ao não visto...

HELIORAMA não é documentário tradicional, nem filme de sobras ("trash") e sim um instigante desafio: encontrar novas relações para antigos materiais.

Onde podemos aprender como HÉLIO dava uma misteriosa vida as suas fantásticas CAPAS, vestindo seus maleáveis PARANGOLÉS, em performances assombrosas: ora, transformando-se, num estranho alienígena, ora num iluminado feto sideral ... Para, em seguida, voltar a ser o exímio PASSISTA da MANGUEIRA, gingando rumo, ao além do além !!! - possibilitando, desta inusitada forma que, o público jovem conheça melhor o fabuloso universo do criador da "TROPICÁLIA"!!!

Um comentário:

gilson cotta disse...

Eu Gilson M. J. Cotta, tive o privilégio de trabalhar com o Ivan Cardoso, não diretamente com cinema, mas, dentro do seu seio familiar, conheci uma família muito peculiar, realmente fantástica, seu irmão Fernandão, do qual nunca, mais nunca me esquecere.
Ivan é uma cara um pouco complexo, muito pragmático e sobretudo emotivo. Características essas nas qual me enxergo, pois nasci no mesmo dia do seu aniverssário, 01 de Outubro rsrs é isso é mau de libriano fazer o que .
Ivan desejo a voçê felicidades e sucesso e familiares. Que Deus sempre ilumine seus passos, abraços...