terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Tuna Dwek



Tuna cursou Ciências Sociais na PUC-SP e Université Paris I Panthéon –Sorbonne. Atriz formada pela EAD- Escola de Arte Dramática/USP é também escritora e tradutora.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
A de que na impossibilidade financeira ou política de se produzir um longa, o artista não deixe de se manifestar e realizar sua obra. Antecipando a resposta à quinta pergunta, não vejo o curta como trampolim para fazer um longa, e sim resultado de uma urgência de se comunicar, de contar uma história, de exercer sua atividade. Muitas vezes o cineasta não tem os meios para fazer um longa, outras vezes, o que ele escreveu se destina a um curta. O curta não é um longa menor e sim a expressão de um desejo, de uma idéia e de um projeto em formato mais reduzido, mas o vejo como uma obra inteira, com início meio e fim e não como ensaio para um longa. Um cineasta que só realiza curtas pode ser uma opção. É possível que ele se realize dessa maneira independentemente se fará um longa no futuro.

O que te faz aceitar participar de trabalhos em curta-metragem?
O talento, o frescor, o espírito de síntese e a contundência de um curta. Seja drama seja comédia, o curta exige uma concentração que me atrai Ir direto ao ponto, dosar emoção e razão, transformar pensamento em ação sem esquecer um aspecto lúdico, poético que me tem atraído nos curtas. Por exemplo tenho prazer em participar de curtas realizados tanto por profissionais quanto por estudantes de faculdade de Cinema e embarcar em projetos que vem imbuídos de vontade de fazer, de perseverança e prazer.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Se você observar de perto, não são somente os curtas que tem perdido espaço na mídia em geral. As manifestações culturais vêm sofrendo uma seleção muitas vezes aleatória.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Tenho visto um interesse crescente nos últimos anos em relação aos curtas . Veja o festival internacional de curtas da Kinoforum que lota as sessões. Exibir obrigatoriamente curtas antes do filme pode mais irritar do que atrair. É importante ter qualidade para ser apresentado , isso é mais eficaz do que a propaganda frenética ou campanhas como se o curta fosse um produto menor. O curta tem tanta dignidade quanto qualquer obra em outro formato. O que difere uma obra de outra é a qualidade, o acabamento, como qualquer produto cultural ou não. Nem tudo é uma obra de Arte.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acredito que sim. tenho o maior respeito pelos curta metragistas e se o cineasta achar que conta suas histórias em formatos mais curtos, isso não tira sua contundência. Não concordo que o curta seja trampolim. Pode ser ensaio e aprimoramento para obras futuras.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não saberia responder por não ser cineasta. Como atriz não vejo esse preconceito, repito se tiver qualidade, o respeito vem.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não tenho essa pretensão. Respeito quem estudou cinema! é preciso conhecer profundamente, técnica, elaboração de um roteiro e direção. Gosto de fazer direção de atores, mas dirigir um curta me pareceria pretensão por não ter preparo. Eu poderia contar uma história, um argumento a um cineasta e ele dirige, mas eu mesma não me sinto capaz. Há histórias que gostaria de ver dirigidas, livros que dariam lindos curtas, mas sou atriz e gosto muito de ser dirigida.

Qual é o seu próximo projeto?
Faço parte de três projetos para 2011. Em Teatro e Cinema em fase de captação de recursos e em TV farei uma participação em novela, mas até assinar o contrato não me atrevo a afirmar. E acabo de participar de um curta realizado pelos alunos formados este ano pela Faculdade de Cinema da FAAP, como TCC.

Nenhum comentário: