domingo, 8 de julho de 2012

Lavínia Pannunzio

Lavínia é atriz. Uma das maiores expoentes do teatro brasileiro, já trabalhou também no cinema e na televisão. Ganhou diversos prêmios, entre eles APCA e Coca-Cola/Femsa (como diretora) e Mambembe (atriz).

O que te faz aceitar participar de trabalhos em curta-metragem?
Em 1º lugar porque adoro trabalhar como atriz e os diversos formatos me interessam.
Em 2º lugar, adoro cinema. Assisto a quase 10 filmes por semana, religiosamente.
Em 3º lugar, o curta me parece ser um espaço de experimentação de linguagem onde tudo é permitido. Participar desse processo criativo é sempre muito bom.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
A desatenção dos jornais e mídia em geral, não é privilégio dos curtas. A questão desagradável que nos colocam jornais e mídia em geral hoje em dia, é que eles reservam cada vez menos espaço para divulgação ou discussão do que se produz em cinema - curtas ou longas - no teatro, literatura, dança, enfim. Toda uma conversa furada sobre mercado que não interessa nada. Só os fenômenos de bilheteria têm seus lugares ao sol. Os cadernos de cultura promovem um emburrecimento coletivo e avassalador. Já a internet tem papel relevante hoje, democratizando e difundindo trabalhos realizados em todo o mundo.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A exibição de curtas antes dos filmes nos cinemas é uma bela maneira de colocar o espectador em contato com esse trabalho. As redes de cinema gastam, em média, 20 minutos do nosso tempo com traillers e uma publicidade horrorosa enquanto se come imensos sacos de pipoca. Como apreciadora de cinema, eu adoraria assistir curtas antes dos longas. Mesmo as distribuidoras poderiam incluir curtas  como bônus em DVDs para compra ou locação para se assistir em casa... O público assimilaria a linguagem com prazer. As TVs abertas poderiam incluir em suas programações a exibição de curtas. A democratização desse acesso deveria ser levada em conta. Alguns canais têm programas especialmente dirigidos a exibição de curtas e isso é bastante importante.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Levando-se em conta que há gêneros na literatura além dos romances, como poesia, contos ou crônica, é possível que haja cineastas que se exprimam brilhantemente em curtas, e que isso seja uma finalidade em si. Mas eu não saberia precisar isso.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que não. A lista de cineastas que fazem ou fizeram curtas é enorme. Ultimamente há projetos que envolvem grandes cineastas em torno de pequenos filmes, como em PARIS, EU TE AMO / NOVA YORK, EU TE AMO ou CADA UM COM SEU CINEMA.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Hummmm... não... Penso em dirigir muito teatro, que definitivamente é minha praia. Mas penso e desejo muito atuar em curtas e longas. Amo o cinema!

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