segunda-feira, 25 de agosto de 2014

5 Estrelas da Boca: Noelle Pine


Você posou nua em algumas revistas. Como era esse trabalho?
O nu para mim no cinema veio sempre quando estava escudada por uma personagem, sempre foi muito fácil, mas o chamado ensaio sensual das revistas onde o intuito é somente mostrar o corpo, nunca me satisfez por inteiro, embora naquela época o nu era bem mais recatado, digamos...

Mas como fotografei com grandes profissionais da época como Cinira Arruda, Dimas Schitinni,  considerados profissionais de grande prestigio, achei a experiência bem interessante e, como achava meu corpo bonito para mostrar, tenho que confessar que algo do meu ego narcisista de artista se sobressaía...rs

Por que você era uma das atrizes mais requisitadas na Boca?
Acho que qualquer trabalho desenvolvido com responsabilidade, camaradagem, respeito e, sobretudo, amor pelo que se faz, torna um profissional digno de respeito e por tanto, recebe em troca aquilo que oferece.

O que fazia, dentro dezenas de mulheres, você se destacar tanto?
Pois quase respondo o mesmo da pergunta acima, mas vale lembrar que, embora se requeria para aqueles papéis atrizes com um belo corpo, também se valorizava todas estas qualidades, tendo em vista que os produtores faziam filmes com recursos próprios.

Quais eram os principais ingredientes para uma atriz se tornar uma Musa da Boca do Lixo?
Não se pode negar que em principio buscassem atrizes com corpos esculturais, atributos que exigia o público que lotava as salas de cinema do centro de São Paulo para ver suas musas nas chamadas pornochanchadas. Coisa que continua acontecendo hoje em novelas até em horário impróprio, porque parece que o ser humano tem essa predisposição de cultuar o erotismo em todo tipo de arte. Algumas daquelas atrizes se tornaram Musas porque foram vistas por algum caça-talentos da época e foi por puro acaso. No meu caso, primeiro estudei, fiz teatro e depois fui para onde estava a Meca...rs 

Mas foi melhor assim...

Fale a respeito do filme Império do Pecado
Este filme tinha um enredo muito bom, foi dirigido pelo Marcelo Motta (o mesmo que dirigiu Chapeuzinho Vermelho), e foi produzido por Rafaelli Rossi (que fez o, Coisas Eróticas, e ficou milionário produzindo filmes de sexo explicito na posterior etapa do cinema da Boca. Hoje se intitula, 'O império do sexo explícito', contendo até cenas de zoofilia, o qual me nego a assistir. É muito triste ver um trabalho deturpado desta forma...

Fale a respeito do ator Oásis Minitti.
Quando conheci Oásis Minitti, ele era advogado, mas também trabalhava como ator, era casado e me pareceu uma pessoa encantadora, embora, na minha humilde opinião deixasse muito a desejar como ator. Protagonizamos dois filmes juntos e ele foi o único ator com quem contracenei que tive dificuldades no set por questões óbvias. Se um ator não ‘incorpora’ bem o personagem dificulta para o colega. Ele se tornou depois o maior ator de filmes pornográficos daquela segunda etapa da Boca e quando voltei da Europa soube que ele havia morrido de Aids. Foi uma desagradável surpresa pra mim que o conheci nos seus começos.

Como viu a chegada do sexo explicito no cinema?
Como o anúncio da decadência do nosso cinema em todos os sentidos. Na arte é inadimissível que se faça um trabalho pior que outro. Os profissionais que se corromperam, talvez vizando só o lado comercial daqueles filmes, cavaram não só a sua própria cova como também enterraram outros que não aceitaram participar daquele seguimento.

Sempre digo que qualquer um tem o direito de vender sua alma ao diabo desde que venda só a sua. Ademais, fizeram um cinema pobre, esteticamente patético, sem conteúdo e, de certa maneira subestimando um público que pagava pra ver aquilo. Nunca entendi essa decisão de alguns profissionais que poderiam ter se oposto àquele mercado e fortalecido nossa fábrica de sonhos. Começaram assim a implantar a Cracolândia onde deveríamos ter hoje nossa Calçada da Fama.

Um comentário:

Matheus Trunk disse...

Oássis morreu de um infarto e não de AIDS. Quem morreu de AIDS foi o Gabarron.