quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Os Trapalhões: Alcione Mazzeo


ALCIONE MAZZEO
Atriz

Você trabalhou com Os Trapalhões no filme O Incrível Monstro Trapalhão. Como e por quem recebeu o convite para trabalhar com eles?
Foi o Renato Aragão quem me convidou para fazer a mocinha do filme. Nessa época, eu também gravava o programa dos Trapalhões na TV Globo.

Que representava, naquele período, trabalhar em um filme com Os Trapalhões?
Era da maior importância para qualquer atriz; e, para mim, muito especial, pois, além de trabalhar com o grupo de maior sucesso no mundo infantil, tinha grande afeto por eles. Senti-me homenageada, ao ser escolhida para fazer a mocinha do filme, ao lado do Didi.

Onde essa produção foi filmada?
No autódromo de Interlagos e no Playcenter, o saudoso parque de diversões, em São Paulo.

Durante as filmagens havia muita improvisação?
Sempre!! Eles eram muito criativos e novas ideias não paravam de surgir.

Quais as recordações que possui do filme?
As melhores possíveis. Tudo realizado sempre na maior alegria e vitalidade!! Muito divertido trabalhar num mundo mágico, que é um parque de diversões, apoiados numa excelente equipe técnica, com colegas amorosos e talentosos como Eduardo Conde e Felipe Levy. As cenas no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, atraíam muitos expectadores, a maioria jovens. Nessa época, eu tinha uma imagem sexy, por ter sido modelo, capa da Ele Ela, Playboy, entre outras revistas do gênero. Só que sou muito simples e aparecia de sandalinha baixa, jeans, sem maquiagem, cumprimentando todo mundo. O público estranhava...

Como foi o seu contato com o quarteto?
Eles sempre foram muito carinhosos e cuidadosos comigo!! Guardo até hoje uma ametista que o Zacarias me deu. Mussum e Zacarias brincavam sempre. Nunca os vi reclamar, fofocar ou se queixarem. Didi e Dedé já eram mais sérios; mas o astral do grupo sempre foi alto, sempre positivo!

Quais as lembranças da direção do cineasta Adriano Stuart, nessa produção? Como ele conduzia todo o processo fílmico?
Já havia trabalhado noutros filmes com o Adriano; mas nesse ele estava mais brincalhão, super à vontade com as cenas de corrida, tombos e brigas, já que tinha vasta experiência no humor pastelão e estava muito acostumado a dirigir Os Trapalhões.

Por que, na sua visão, os críticos e a Academia, rejeitam os filmes produzidos e estrelados pelos Trapalhões?
Puro preconceito!! A situação está bem melhor agora. O humor está em alta; mas, até pouco tempo atrás, as pessoas viam o gênero como algo menor. Os atores da linha de shows também não eram valorizados, nem pelos próprios colegas, gerando a necessidade de se migrar para o Drama, a fim de ganhar respeitabilidade. No entanto, é muito difícil fazer rir, é preciso excelente timing!! E, em geral, os atores de Comédia brilham em papéis sérios, como o Chico Anysio, no filme Tieta do Agreste.

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
Ingênuos, românticos.

Gostaria que contasse alguma curiosidade ou fato que tenha presenciado como testemunha ocular.
Tanto tempo... difícil lembrar!! Mas algo que lembro até hoje é que todos ficamos hospedados no mesmo hotel, num lugar afastado, em São Paulo. Jantávamos todos juntos, menos o Renato Aragão, que, noutra mesa, negociava com empresários, arquitetava novos projetos. Impressionava-me sua mente voltada constantemente para os negócios. Deve ser por isso que é tão bem-sucedido, realmente não para!! Sou muito grata aos Trapalhões originais: Didi, Mussum, Zacarias e Dedé Santana, pela oportunidade que tive em trabalhar tantas vezes com eles, por tudo que aprendi e pelo carinho com que sempre me trataram. Gostaria muito que a imagem deles ficasse preservada na imaginação do público brasileiro! Viva Os Trapalhões!!



Alcione Mazzeo nos bastidores com Os Trapalhões.

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