quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Os Trapalhões: Alex Gill


ALEX GILL
Ator, músico do grupo Polegar

Você atuou no filme Uma Escola Atrapalhada. Como e em que circunstância recebeu o convite para atuar nesse filme? Como foi a experiência?
Sim, atuei junto com o grupo Polegar, que foi convidado pelo próprio Renato Aragão para participar do filme. Assim como todos da minha banda, eu fiquei super feliz, pois, desde criança, sempre fui muito fã do trabalho dos Trapalhões. Mesmo não sendo ator, foi uma experiência única e muito gratificante estar ali aprendendo e participando com todo o elenco, a produção e ainda participando do último filme que reuniu os quatro Trapalhões juntos.

Que representava, naquele período, protagonizar um filme com Os Trapalhões?
Os Trapalhões eram sucesso absoluto nos filmes e no programa de tevê nessa época, e todo artista que participava dos filmes deles automaticamente era super bem-aceito pelo público. Creio que isso também tenha ajudado a nos dar mais prestígio.

Você pertencia ao grupo Polegar, um dos maiores fenômenos musicais de todos os tempos no Brasil. Esse filme, de certa maneira, era uma forma de beneficiar a imagem do grupo, dos Trapalhões ou dos dois?
Eu creio que era bom para todos. Bom para eles (Os Trapalhões), por ter artistas em evidência participando do filme; e bom para nós, porque acabava agregando mais uma modalidade na nossa carreira. Aprendemos muito com a equipe, a direção e a produção.

O número de discos vendidos e de shows aumentaram após esse filme?
Bem, não sei dizer números específicos, mas acredito que tenha contribuído também para a conquista dos nosso discos de platina e platina duplo (marca superior a quinhentos mil discos vendidos). A rotina de shows sempre foi muito intensa, fazíamos shows quase todos os dias. E, nesse período da gravação do filme, conseguimos dispor um pouco mais do nosso tempo livre para as filmagens. Mesmo assim, nos finais de semana não tínhamos folga, estávamos sempre viajando por todo o Brasil.

Quais as suas maiores lembranças do filme Uma Escola Atrapalhada?
Era tudo muito legal, meio mágico até. Nós fizemos reuniões no início, tipo um laboratório, em que a produção nos estimulava a criar nossos próprios personagens (garotos vindos do interior para a capital) e até os atores profissionais nos ajudavam, dando dicas de interpretação, dando alguns toques. Portanto, foi muito gostoso ter participado dessa experiência.

Como foi a sua participação no filme Uma Escola Atrapalhada, como compôs o seu personagem?
Bem, a participação foi da banda toda. Eu, como o caçula da turma, não tive um papel muito expressivo. Mas dediquei-me de coração para fazer o melhor que eu pude e contribuir nas cenas em que eu estava escalado para atuar com meus companheiros de banda.

Quais as lembranças de bastidores do filme? Como foi o seu contato com Os Trapalhões?
Ah, era muito legal, quando encontrávamos os atores nos sets de filmagem, O Selton Mello, o Leonardo Bricio, o Supla, a Angélica, o Nill (Dominó) e todos os outros atores. Eu sempre pegava dicas de interpretação com os veteranos. E, quando não estávamos filmando, conversávamos bastante também, brincávamos de imitar personagens de desenhos infantis pelos corredores, cantávamos músicas. Enfim, era uma farra, quando estávamos de folga das cenas. Afinal, todos nós éramos muito novos na época.

O filme foi o último com a participação de Zacarias, que faleceu naquele ano. A aparição dele no filme é melancólica, muito magro, abatido. Como foi o seu contato com ele? Ele já estava doente?
Como era tudo muito corrido, não tivemos um contato mais próximo com Os Trapalhões, durante as filmagens. Mas, sempre que nos encontrávamos com eles, sempre foram muito simpáticos e carinhosos com a gente. Sim, o Zacarias estava um pouco abatido. A gente percebia um cansaço nele; entretanto, não imaginávamos que ele estivesse tão doente. De qualquer forma, sempre levarei uma lembrança fantástica desse quarteto sensacional que me alegrou e alegrou o nosso povo inúmeras vezes com sua criatividade, suas brincadeiras, suas piadas... Eu defino Os Trapalhões como quatro adultos que tinham um coração de criança, porque eles dedicaram a maior parte do seu trabalho ao público infantil.

Os personagens de Zacarias, Dedé Santana e Mussum fizeram apenas uma breve aparição. A sensação é que pareciam figurantes no filme. Isso procede?
Eles compunham junto com o Didi os seus personagens; no entanto, a trama toda se voltava mais para o Didi, que liderava a turma toda.

Havia o interesse dos Trapalhões e de vocês, do grupo Polegar, em realizar mais filmes juntos?
Sim, havia interesse, sim. Mas, depois que o Zacarias faleceu, acredito que eles se desmotivaram um pouco; e acabou não acontecendo.

Quem era o maior comediante do grupo?
Cada pessoa tem o seu gosto; e acho que, em cada situação que eles criavam, cada um deles brilhava de forma diferente. Mas acredito que, se não estivessem os quatro juntos ali, a coisa não teria dado certo. Era um trabalho de equipe, ao meu ver; e, assim como numa banda, todos são importantes para a coisa acontecer. Nos bastidores, o Mussum era muito divertido, contava piadas; o Zacarias estava visivelmente cansado; o Dedé e o Didi eram um pouco mais reservados; mas todos sempre muito simpáticos com a gente.

Renato Aragão tem fama de ser perfeccionista. É verdade? Ele acompanha tudo?
Algumas vezes ele acompanhava; outras, não. Mas, quando tinha cenas com ele participando, a gente procurava dar o melhor, para não ter que repetir muitas vezes. No geral, sempre repetíamos as cenas, para dar opção de tomadas diferentes das câmeras. Isso era normal.

Por que, na sua visão, os críticos e a Academia rejeitam os filmes produzidos e
estrelados pelos Trapalhões?
Isso eu não sei dizer, até porque não faço parte do mundo do cinema, minha área é musical. Mas acho uma pena essas pessoas não reconhecerem o trabalho desses quatro astros, que eu considero como “gênios do humor” da época.

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
Bom, eu classifico um cinema leve, criativo, divertido, com intuito de entreter as pessoas. Ao mesmo tempo, as histórias sempre passavam mensagens para fazer as pessoas refletirem mais sobre as situações e temas abordados. No caso do filme Uma Escola Atrapalhada, por exemplo, foram abordadas diversas questões referentes a comportamento, convivência social, imprudência, descuidos com gravidez precoce, discriminação por classe social etc... Acho que esse tipo de coisa ajuda a alertar as pessoas na vida real.

Gostaria que falasse o que representou para você trabalhar com Os Trapalhões, que carregaram, por muito tempo, o cinema nacional nas costas.
Para mim, foi uma experiência única, como já disse anteriormente, até por já ser fã do trabalho deles desde criança. Depois, conhecê-los pessoalmente e ainda atuar juntos em um filme. Foi um presente maravilhoso toda essa experiência de filmagem, responsabilidade, comprometimento com a equipe toda, o elenco, saber como funciona todo o mecanismo de filmagem, pois sempre são feitas várias cenas para escolher a melhor e tornar a história mais emocionante para o público.

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