quarta-feira, 1 de março de 2017

Os Trapalhões: Aloysio Compasso


ALOYSIO COMPASSO
Técnico de som

Você trabalha como técnico de som desde a década de 1980, tendo trabalhado em quase quarenta filmes, entre curtas e longas-metragens e documentários para a tevê. Você trabalhou com Nelson Pereira dos Santos, Fábio Barreto, Ruy Guerra, Lauro Escorel, Sérgio Rezende, José Padilha, entre outros. É possível fazer um comparativo entre o método de trabalho desses profissionais citados e o de Os Trapalhões?
Comecei a minha carreira, como assistente de som/microfonista, no filme Uma Vez Flamengo, de Ricardo Solberg, no ano de 1977. Fiquei nesta função por dez anos; e, durante a década de 1980, mesmo trabalhando nessa função, já era chamado para assinar como técnico de som de alguns longas-metragens dos diretores acima citados, com diferentes estilos de trabalho, do longa-metragem ao Documentário. No caso da linha dos Trapalhões, a diferença era por serem comédias infanto-juvenis.

Como surgiu o convite para trabalhar com Os Trapalhões?
Ainda como assistente/microfonista, fui convidado pelo técnico de som Cristiano Maciel (Crico), para o projeto de dois longas-metragens dirigidos por José Alvarenga Júnior, diretor que conhecia desde Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos.

Antes de iniciar essa parceria profissional com Os Trapalhões, você já acompanhava os seus filmes?
Na época, eu tinha vinte e poucos anos; eu os assistia, desde a infância.

Quais as suas principais recordações dos bastidores de filmagens com Os Trapalhões?
Alegria e improvisação do trio. Nesse momento, o Zacarias, já havia falecido.

Que era lhe passado em termos de necessidades específicas em relação ao som dos filmes do quarteto? Como era o seu processo de trabalho nesses filmes?
Perfil chegando perto do documental. Interferência mínima, para não prejudicar o improviso, típico do estilo Comédia.

Renato Aragão, Dedé, Mussum e Zacarias tinham como característica a irreverência. Até nos bastidores das filmagens, eles brincavam muito. Isso procede? As filmagens eram descontraídas?
Descontração, durante e após as filmagens... Mussum chegou a “aprontar” uma piada comigo, em um jornal da cidade de Manaus. Uma piada impublicável!!!

Como era o seu contato com o quarteto (Didi, Dedé, Mussum e Zacarias)?
Didi, Dedé e Mussum: admiração, respeito e cortesia...

Que representava, naquele período, trabalhar num filme dos Trapalhões, que eram certeza de sucesso de bilheteria?
Pela trajetória deles, a responsabilidade de um trabalho com qualidade.

Os Trapalhões e a Árvore da Juventude e O Mistério de Robin Hood foram os filmes que você trabalhou com o quarteto. Quais as suas principais recordações desses dois filmes?
Os Trapalhões e a Árvore da Juventude: as locações na cidade de Manaus. O Mistério de Robin Hood: a presença de Xuxa Meneghel.

Quem era o maior comediante do grupo?
Não consigo apontar um, todos se completavam.

Renato Aragão tem fama de ser perfeccionista. Isso procede? Ele acompanha tudo?
Procede; e, como também era o produtor, quando não podia, em razão do programa de televisão, estava ciente do que acontecia durante as filmagens.

Por que, na sua visão, os críticos e a Academia rejeitam os filmes produzidos e estrelados pelos Trapalhões?
Preconceito à comedia infanto-juvenil.

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
A verdadeira diversão cinematográfica.

Os Trapalhões sempre “brincaram” em parodiar filmes e clássicos estrangeiros de sucesso para o cinema. Que pensa a respeito dessa linha que eles seguiram?
E por que não? Filmes estrangeiros também utilizam dessa “linguagem”. Melhor que assistir a Os Mercenários e Velozes e Furiosos 5 Operação Rio num Brazil ficcional.

Gostaria que contasse alguma curiosidade ou fato desconhecido do público que tenha presenciado como testemunha ocular.
O artigo do jornal local de Manaus... Mas, infelizmente, não poderei contar!!! Éramos, em média, cinquenta técnicos, para as filmagens e impressionava-me a equipe que acompanhava a Xuxa, com mais de trinta pessoas exclusivamente do staff dela...

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