quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os Trapalhões: Carlos Azambuja


CARLOS AZAMBUJA
Assistente de fotografia


Como e em que circunstância surgiu a oportunidade de trabalhar com Os Trapalhões?
Como profissional de cinema, à época eu estava no mercado e fui contatado pelos produtores da CineFilmes, que iriam alugar o equipamento (a segunda câmera) para o filme e me chamaram para acompanhar o equipamento, assistindo e supervisionando o seu uso.

Antes de iniciar essa parceria profissional com Os Trapalhões, você já acompanhava os seus filmes?
Pouco, pois eram voltados para o público infantil.

Seu único filme com o quarteto é O Cangaceiro Trapalhão. Nessa produção, você trabalhou como assistente de fotografia. É verdade que você foi convidado para trabalhar nessa produção só porque sabia operar a câmera Arri BL III?
Não exatamente. Participei porque já era um assistente de fotografia bem conceituado no mercado e tinha a confiança dos proprietários do equipamento em questão. E também porque não havia qualquer objeção ao meu nome por parte do resto da equipe de câmera, com quem até já havia trabalhado harmoniosamente em ocasiões anteriores.

Quais as suas maiores recordações desse filme?
Várias... Das locações fantásticas às mais diversas experiências de vida e de trabalho.

O Cangaceiro Trapalhão se aproveitou do fato de, no ano anterior, a minissérie da TV Globo Lampião e Maria Bonita ter feito sucesso. O filme repete os mesmos protagonistas e parte da equipe técnica. Que achou dessa fórmula? Não aparenta uma certa preguiça para ousar e fazer uma releitura?
Não creio que seja “preguiça”, mas talvez um resquício da velha e boa paródia que o cinema brasileiro sempre fez em cima de diversos sucessos.

Esse filme é dirigido por Daniel Filho. Como foi trabalhar com ele?
É um diretor competente que sabia o que queria e tinha boa técnica.

E, com Os Trapalhões, como foi a convivência?
Tranquila e cordial. No trato pessoal, eram até um pouco tímidos, na deles.

Por que você só trabalhou nesse filme com eles?
Calhou de ser assim. Profissionais de cinema são autônomos que a todo momento estão trabalhando com equipes diversas e em diferentes produções.

Renato Aragão tem fama de ser perfeccionista. Isso procede? Ele acompanha tudo?
Não sei dizer o quão perfeccionista ele foi ali. No entanto, acompanhava tudo com interesse e dedicação.

Em seu currículo no cinema, consta inúmeros longas-metragens. Gostaria que falasse o que representou na sua trajetória esse trabalho com Os Trapalhões.
Foi talvez a mais cara produção de que participei (fora os filmes publicitários), o longa-metragem que dispôs de mais recursos.

Quem era o maior comediante dos Trapalhões?
O Didi, sem dúvida!

Por que, na sua visão, os críticos e a Academia rejeitam os filmes produzidos e estrelados pelos Trapalhões?
Não sei se “rejeitam”; mas talvez não tenham mesmo muito interesse, já que são produções comerciais voltadas para o público infantil.

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
Um cinema comercial de boa qualidade, voltado para um público específico: as crianças.

Hoje você é professor adjunto da Escola de Belas-Artes da UFRJ, coordenador do Núcleo da Imagem em Movimento, NIM/EBA/UFRJ, Membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (CAPES 6) - PPGAV/EBA/UFRJ. Em sala de aula, há curiosidade dos alunos a respeito dos Trapalhões?
Não, quase nenhuma. Não me lembro de terem sido citados em qualquer ocasião. Até porque o curso não é de Cinema, mas de Arte, o que orienta o foco das discussões em outras direções.

Que Os Trapalhões têm a ensinar para os estudantes?
De um modo geral, creio que eles confirmam que é possível fazer cinema nacional rentável quando é voltado para o público infantil. O mesmo acontecia com a Xuxa, naquela época.

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