quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os Trapalhões: Carlos Koppa


CARLOS KOPPA
Ator


Como surgiu o convite para trabalhar com Os Trapalhões?
Foi o diretor, ele que me chamou. Fiz um bandido mascarado, metade era uma máscara e metade era a minha cara. A Angélica tinha quatorze anos. Ele, o diretor, me conhecia da televisão.

Antes de iniciar essa parceria profissional com Os Trapalhões, você já acompanhava os seus filmes?
Não assistia aos filmes deles, sou muito diferente da turma. Não sou ator, sou um profissional, profissional digno. Sou obediente, não dou palpites. Faço o que o diretor pede. Mas não acompanho nada, esse filme eu não vi até hoje.

Quais as suas principais recordações dos bastidores desse filme?
Eu estava fazendo uma peça, a peça em si terminava todo mundo nu. Oh! Calcutá! era o nome da peça. Foi no tempo do Hair, no tempo em que todos ficavam nus. Fiz mais cenas noturnas desse filme, Os Heróis Trapalhões, porque saía do teatro e ia filmar. Nos bastidores, eu fiquei muito revoltado: o Didi não deixava ninguém entrar no trailer dele, nem Dedé, Mussum e Zacarias. Didi tem um rancor muito grande, tinha que ser chamado por alguém para sair do trailer. Ninguém tinha acesso direto a ele. Os três falavam mal dele, “o cara quer tudo pra ele”. Nos shows, 60% eram dele; o restante era dos três. Eu tive, se não me engano, uma única cena com ele, no final; e, assim mesmo, nós nem nos cumprimentamos.

Onde esse filme foi realizado?
Foi realizado no Parque do Povo, no Rio de Janeiro. Teve um acidente. Fazia parte das filmagens o grupo Dominó, um deles caiu e quebrou o braço. Caiu de boca, foi muito feio.

Renato Aragão, Dedé, Mussum e Zacarias tinham como característica a irreverência. Até nos bastidores das filmagens, eles brincavam muito. Isso procede? As filmagens eram descontraídas?
Era uma brincadeira, não tenha dúvida. Eles faziam muita piada, o humor de Renato era o de comandante das coisas. No setor de trabalho, ele era muito simpático; e ali os quatro se relacionavam bem.

Como era o seu contato com o quarteto (Didi, Dedé, Mussum e Zacarias)?
Com o Renato, eu não tive nenhuma possibilidade de relacionamento. Eu achei que ele fosse mais gentil, mais humilde.

Que representava, naquele período, trabalhar num filme dos Trapalhões, que eram certeza de sucesso de bilheteria?
Foi mais uma coisa que fiz, que está gravado no meu currículo. Os filmes deles são vistos até hoje. Todo mundo falava do filme, quando eu saia às ruas. O filme dava prestígio para o Renato, só pra ele.

Quem era o maior comediante do grupo?
O importante é o seguinte: cada um fazia uma coisa, tinha uma coisa para fazer; e faziam bem. Eles se transformaram em um grupo muito fértil de ideias.

Renato Aragão tem fama de ser perfeccionista. Isso procede? Ele acompanha tudo?
Ele é realmente o chefe, quem comanda. Se não deu confiança para os outros três Trapalhões, quanto mais para nós...

Gostaria que contasse alguma curiosidade ou fato desconhecido do público que tenha presenciado como testemunha ocular.
Eu estava no camarim. Estava um calor danado, no nosso camarim, que era meu e dos três (Zacarias, Mussum e Dedé); mas, no momento só estava eu, estudando. Liguei o ar condicionado bem forte. Ficou gostoso lá dentro. Nessa hora, chegou a mãe da Angélica, que era uma lavadeira, faxineira da Volkswagen. Ela não respeitava ninguém. Entrou no camarim e desligou o ar condicionado, sem mais nem menos. Falei: “Porra que é isso?” Ela replicou: “É que minha filha vai entrar aqui...” Tomei uma atitude que não tomo. Ela falou grosso, e eu disse: “Vai pra porra!!!” Tinha muito carinho pela Angélica, mas a mãe dela ficou famosa pelas loucuras e grossuras que fazia nos bastidores do filme.

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