domingo, 2 de julho de 2017

Os Trapalhões: Cristiano Maciel


Cristiano Maciel
Técnico de som


Como e por quem recebeu o convite para trabalhar com Os Trapalhões? Como foi a experiência?
Minha primeira experiência com um filme dos Trapalhões foi através de um convite do documentarista Silvio Tendler, com quem eu já havia feito Os Anos JK. O filme era O Mundo Mágico dos Trapalhões. Pelo título, já é possível imaginar como foi a experiência. Eu me sentia fazendo um documentário com Os Irmãos Marx, Os Beatles ou os Rolling Stones. Mágico!!!

Que representava, naquele período, trabalhar em um filme com Os Trapalhões, que eram certeza de sucesso de bilheteria?
Representava exatamente isso: fazer um som de um filme brasileiro, amado e que seria ouvido por milhões de brasileiros. Tudo que artistas e técnicos de cinema almejam. Fazer um povo rir por noventa minutos não tem preço!!!

Que o cinema dos Trapalhões apresentou, à época, em inovação de linguagem?
Não sou expert no assunto. Mas posso lhe garantir que sabiam contar uma história. Se expressão artística é a exposição da alma de um autor na obra, as digitais dos Trapalhões estavam sempre expostas em seus filmes. O público, além de gostar de seus filmes, gostava deles também. Levavam para casa não só o filme, mas também Renato Aragão, Dedé, Mussum e Zacarias.

O senhor trabalhou como técnico de som nos filmes dos Trapalhões. Quais eram as dores e as delícias desse trabalho com o quarteto?
Atenção constante, para não me dispersar com as brincadeiras reinantes antes de rodar. Era um belo desafio. Porque eles brincavam; mas já sabiam tudo que tinham que fazer, ou seja, improvisar também no meio do plano. E eu tinha que estar preparado. Meus microfonistas sofriam. E a equipe tinha que estar pronto para as ordens de “som, camera, ação”,vindas do diretor, e “eternizar aqueles momentos mágicos”.

Como era o seu trabalho nessas produções?
Para não entrar em detalhes técnicos, eu diria que minha equipe precisava captar tudo bem, pois certas piadas, jeitos e trejeitos eram únicos. Jamais se repetiriam. E, caso eu não lograsse, era uma frustração só. O mesmo servia para a equipe de imagem. Mas o resultado sempre foi favorável para nós. Graças a Deus!!!

Por que, na sua visão, os críticos e a Academia rejeitam os filmes produzidos e estrelados pelos Trapalhões?
Creio que, após o filme de Silvio Tendler, os depoimentos de Millôr Fernandes e Caetano Veloso, que assistiam e eram fãs do grupo, o preconceito arrefeceu.

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
Cinema-desculpa. Os pais faziam questão de levar seus filhos, pois eram eles que muitas vezes se divertiam mais que os miúdos!!!

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