terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dago Schelin

É professor na Universidade Tuiuti do Paraná, formado em Música Popular pela FAP-PR e em Letras Português/Inglês pela PUC-PR. Recentemente, na Alemanha, fez um mestrado em Produção de Mídias. É dele o curta-metragem “O Centro do Universo”, que pode ser visto em: www.vimeo.com/dago/centrouniverso
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Para mim não é tanto aceitar participar... é sim um privilégio. É o tipo de arte que se faz por paixão, não por grana. Por dinheiro tem muita outra coisa que dá mais certo. O que me faz participar é a vontade de contar uma história (curta). O curta-metragem tem um índice de inutilidade muito alto. Vai fazer o quê com ele? É justamente essa inutilidade, no sentido mais romântico da palavra, ou seja, sua posição aquém do utilitarismo mercadológico, que faz com que seu valor seja simplesmente mais nobre. Pelo menos é assim que vejo.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Um filme de ficção com duração de 5 a 15 minutos é tido como uma produção-treinamento e invariavelmente tem o estigma do baixo orçamento, o que não foge muito da realidade. Sendo assim, o curta acaba vivendo num submundo do cinema, longe do mainstream jornalístico. Subgênero, submundo, enfim, submerso até que alguém ativamente o busque. Mas aí também está o seu valor. É pra quem busca. Não é pra qualquer um.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
É claro que quem faz um curta curte mesmo exibi-lo (e não deixá-lo escondido no Youtube! pelo resto da eternidade). A prática comum tem sido mandar as produções para festivais. É  que eu tenho feito. Isso é limitadíssimo. O que está começando a acontecer aos poucos é que canais de TV a cabo têm separado espaços para tais tipos de vídeos. Mas também não sou conhecedor de mercado de curtas, além de não ser defensor das causas dos curtas. Se os últimos cento e poucos anos batizaram como padrão o filme de 100 a 120 minutos, não vou fazer greve de fome pra mudar isso.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Tudo é possível. Estou fazendo um documentário cujo primeiro personagem é um cara formado em economia que resolve viver um ano sem dinheiro. É possível? Acho que é. Basta querer e pagar o preço. Eu, pessoalmente, não quero viver só de curta-metragem, mas também não quero, como muita gente acaba por aí, abandonar essa prática para fazer filme/vídeo somente pelo dinheiro e acabar somente trabalhando com publicidade, fazendo propaganda de papel higiênico, sabão em pó e Casas Bahia. Enfim, voltando ao assunto, acho que sim o curta pode ser um trampolim para um longa, sem problemas. Mas também não é somente pra isso. Há histórias que funcionam perfeitamente se tiverem 5 minutos, ponto final.  
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que o corpo de produções de curtas-metragens não é conhecido pelos cineastas em geral. Todos assistem curtas, mas, eu diria, meio aleatoriamente... assiste o curta que o amigo produziu, ou porque estava num festival. Visto dessa maneira, o curta é sim marginalizado até entre os próprios cineastas. Mas reforço que não por isso o curta perde o seu valor. Ele é marginal por ser submundano, não por ser uma arte malfeita.  
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não só penso... semana que vem tem mais uma etapa da produção de um curta que estou dirigindo em parceria com a Universidade Tuiuti do Paraná e a faculdade alemã onde fiz mestrado, Hochschule Ostwestfalen-Lippe (nome fácil de pronunciar). Dentre as várias etapas da pré-produção, meus alunos de Rádio e TV do curso de comunicação bolaram o roteiro, enquanto os alunos da Alemanha, do curso de Bacharelado em Produção de Mídia farão a produção em si. Aguardem! O nome do filme é Lovesick. 

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