sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Eucir de Souza

Ator. No cinema atuou em ‘Meu Mundo em Perigo’; ‘Salve Geral’ e ‘O Menino da Porteira’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O roteiro também me influencia na decisão como sempre, mas no caso do curta, a origem do convite é mais importante, quem é o diretor ou quem me indicou para ele. Por se tratar de um formato mais experimental, fico mais à vontade se conheço e confio na direção, porque um ator pode se dar muito mal, se for mal fotógrafo ou se o filme não for bem montado por exemplo. rs. Isso tudo de uns tempos pra cá, por questões como tempo de trabalho e de vida também. Mais no início aceitava todos os que apareciam, gostando ou não, porque não temos tradição em escolas para cinema, a gente tem que aprender na prática. E o curta é um treino maravilhoso com menos pressão que um longa-metragem. Porque para a atuação existe uma base que é o desenvolvimento pessoal, o que você tem dentro. Mas tem que aprender as linguagens para se comunicar.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Boa pergunta. Também gostaria de saber. Penso que talvez seja um formato menos rentável para os patrocinadores, e hoje temos cada vez menos espaço real para divulgação. É difícil um profissional que realmente pode usar o meio de comunicação para expressar o seu gosto pessoal, ou o que seria melhor, o resultado de sua pesquisa e conhecimento. Quase todo espaço é vendido diretamente ou atende aos desejos dos investidores.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Existem muitos programas interessantes, havia um dia no Espaço Unibanco onde uma sala era dedicada a exibição de curtas, não sei se persiste, espero que sim! Todos os festivais nacionais recebem e alguns premiam os curtas. Vejo muitos pelo Canal Brasil também. Mas penso que os produtores e diretores poderiam criar novas formas de exibição. Acho um erro ficar tentando competir com os grandes, disputar o espaço, é batalha perdida. Mas o que parece uma maldição pode se tornar uma vantagem. Se os investidores não gastaram tanto como se gasta num longa, também esperam menos retorno, e as opções de exibição gratuita, por exemplo, são infinitas hoje em dia, as mídias e os projetores são cada vez mais fáceis de transportar e manusear. A internet é um veículo maravilhoso, praticamente sem censura e sem nenhum direcionador que não seja o gosto do público. Então acho que é tentar fazer um filme de verdade, algo que fique bom mesmo e criar coragem para mostrar muito!
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca pensei em dirigir no cinema. Tenho alguns projetos para o teatro, mas até hoje dirigi muito pouco. Gosto mesmo de atuar e a direção fica sempre em segundo plano. Mas gostaria sim, muito. Tem muitos assuntos que me chamam, que penso que seria bom se fossem expostos e  o curta deve ser bem divertido justamente por essa liberdade de criar linguagens. Tem uma coisa que me atrai muito no cinema também que é a convivência obrigatória. Você não tem opção, tem que se relacionar com todas aquelas diferentes pessoas, isso é um grande presente para a evolução pessoal e no curta isso se dá de forma bem mais suave. É ótimo!

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