segunda-feira, 7 de julho de 2014

Bruno Perillo

 
Ator. Seu primeiro trabalho profissional foi no Grupo TAPA. É formado em rádio e televisão pela FAAP. No cinema atuou em ‘Salve Geral’; ‘Sonhos Tropicais’; ‘Onde Andará Dulce Veiga?’, entre outros.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Já fiz alguns curtas em que gostei muito do roteiro, e outros porque estava interessado no trabalho puramente de ator. Atualmente não tenho feito, mais devido a outros trabalhos do que propriamente ao formato em si. Infelizmente tive que recusar alguns convites recentes, por motivos diversos, mas quero voltar a fazer.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Bem, eu já acho pouco o espaço para o cinema e o teatro, de maneira geral, na mídia. Então, dentro dessa lógica de focos de importância, que é estabelecida dentro de um pensamento mercadológico, o curta acaba perdendo espaço, o que a meu ver é um equívoco. Para a mídia há outros interesses em jogo, e nitidamente o curta é tratado como "um produto" de menor relevância, o que também é um erro. 
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Creio que a exibição de curtas se resume a festivais, mostras e eventualmente alguma outra situação. Mas a exibição nacional, nas salas grandes, no circuito, antes do longa, se perdeu. Isso era fundamental que de alguma forma retornasse ao costume do público - porque público interessado em curta eu tenho certeza que há.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Exatamente. E é dentro dessa ideia do trampolim que o próprio meio acaba transformando o formato em algo transitório - o curta parece não ser um fim nele mesmo, serve como preparação, para todos os envolvidos, para o longa-metragem. Não acho que isso seja necessariamente ruim, porque acredito que o longa é o que todo cineasta gostaria de fazer, mas não há razão para que o curta perca importância por isso. 
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Foi aproximadamente o que eu disse acima - e como mudar isso? É preciso que o curta seja tratado com importância pela equipe toda. Já fiz pelo menos 3 curtas que acabaram nem sendo finalizados. E isso deve ser bem comum, se eu não estiver enganado. É claro que a ausência de recursos, a grana, enfim, todos os motivos que conhecemos bem muitas vezes impedem o término do filme, e aí esbarramos em algo mais profundo que é a política cultural do país - que envolve governo, verba pública, editais, e os fazedores de cinema.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Olha, lhe confesso que quando moleque, meu sonho era ser cineasta, antes de mais nada! Já dirigi alguns filmes caseiros e também na época da faculdade. Atualmente tenho até um roteiro pronto, baseado num conto do Dostoiévski. Quero muito fazer. 

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