quinta-feira, 17 de julho de 2014

Daniela Baranzini

 
 Iniciou a carreira como produtora do Revistinha/ TV Cultura,  premiado pela APCA em 1988 e 1989 como melhor programa infanto-juvenil. Foi responsável pela direção e o roteiro do programa Zoom, na TV Cultura.
 
Você trabalhou muito tempo como diretora do programa ‘Zoom’ da TV Cultura. Qual foi a importância e o legado que ele deixou para o cinema no país?
O Zoom ficou no ar 15 anos  por pelo menos 10 anos ele foi a única janela de exibição de curtas-metragens na TV brasileira de sinal aberto.  Dar visibilidade a essa produção, financiada por verba pública já tem uma importância enorme. 
 
Mas essa não era a única proposta do Zoom e sim ser um canal de reflexão sobre a linguagem cinematográfica, desmistificar o fazer cinematográfico e dar visibilidade aos profissionais (montadores, diretores de fotografia, diretores de arte, preparador de elenco, etc.) que raramente são contemplados pelos outros veículos de comunicação.
 
O Zoom teve também o seu papel de incentivador de toda uma geração que percebeu que era possível se fazer cinema sim!
 
Qual a evolução e o retrocesso que encontrou desde que iniciou seu trabalho no programa, até o desfecho do Zoom, em relação a produção dos curtas?
Retrocesso nenhum! Quando o Zoom entrou no ar a produção de curtas estava engatinhando, existia uma forte e impactante produção em vídeo/ vídeoarte com Walter Silveira, Tadeu Jungle, Eder Santos, por exemplo. No início dos anos 90 a produção de curta era praticamente a única expressão cinematográfica que tivemos, lembra da era Collor? Então ao longo desses 15 anos essa produção se profissionalizou, conquistou um mercado e uma qualidade técnica indiscutível.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Provavelmente por uma questão mercadológica.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Dar visibilidade na TV, nenhum outro veículo tem um alcance tão impactante. A própria resistência do Zoom no ar prova isso, era um programa que tinha um público fiel, cativo. Respeitar a lei do curta é outra saída, se ela fosse colocada em prática seriam exibidos um curta sempre  antes do longa.  Assim você gera um mercado e geram  interesse, com certeza os jornais dariam uma visibilidade melhor ao produto. 
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acho que o curta é um formato. Dá para ser só um escritor de contos? Claro que dá! O problema é que se você não ganha dinheiro com um longa, como sobreviver só realizando curtas?
 
Quem sabe o cinema não é como um vírus, ele vai dominando e querendo sempre mais tempo !!!!
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Marginalizado não, tem cineastas como a Lina Chamie, por exemplo, que tem realizados curtas entre os seus longas. Mas o curta é naturalmente a porta de entrada, é mais barato e mais rápido de produzir.  Mas é sem dúvida uma opção narrativa.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso dirigir um documentário, que está em fase de pesquisa. Adoro o documentário porque você tem o ponto de partida, mas a chegada é o processo que determina. Acho  instigante.

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