sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Thiago Andreuccetti


Ator formado pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Atuou em “Todo Bicho Tudo Pode Sendo o Bicho Que Se É”, com direção de Hugo Possolo. Em 2006, recebeu dois prêmios no 19º Fetesp por sua atuação em “O Palácio dos Urubus”, com direção de Celso Correia Lopes.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Experiência profissional em vídeo. Aprende-se fazendo, então penso que quanto mais fazer, melhor. Também procuro participar de projetos que me atraiam artisticamente e isso é um ponto bem subjetivo e pessoal, certo?

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Tenho pouca experiência. Os projetos dos quais participei são sempre de amigos. Comecei na escola de teatro(Fundação das Artes SCS) em busca de horas de estágio e atualmente estou sempre topando as "loucuras" dos amigos. Sempre que vejo propostas no Facebook, do tipo conclusão de curso, eu encaro. Mas nunca sou chamado. E olha que quase sempre não tem cachê hein! Fico me perguntando o que exatamente procuram os diretores e produtores de curta metragem que estão indo para o mercado agora... ainda não entendi. Alguém me explica?

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque ainda não caíram no gosto do povo. Penso existir muitas maneiras de se pensar isso mas apontaria uma falta de educação para a coisa, o brasileiro não está acostumado a assistir isso. Ao mesmo tempo sinto falta de ações mais criativas dos próprios artistas. A arte é feita para entreter. É só assim que o público é conquistado.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Internet. Sem pensar, internet. Abertura de programação na TV aberta. Festivais. Espaço em grandes cinemas, aqueles do shopping mesmo sabe? O que custa disponibilizar uma sala, um dia da semana...

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Sim. Só que não.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Atualmente, estar na Rede Globo. Ou na TV aberta, de um modo geral.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Até agora não, mas acabo de começar a achar uma boa ideia. 

Mauro Pucca


Ator e produtor. Produziu os espetáculos teatrais “a Bela e a Fera” e “A Bela Adormecida”.  

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiramente é a direção. Acredito que na profissão de ator estamos em constante aprendizado, portanto a direção do curta-metragem é muito importante. Segundo é o elenco. Curtas-metragens são divertidos de fazer e os papéis sempre muito dinâmicos que fazem nos aprimorar cada vez mais.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Trabalhei em poucos como ator e em um como assistente de câmera. Como artista e produtor, participar de produções é sempre pelo aprendizado. Gostei muito e tenho projeto para outros.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Para ser sincero eu não sei. Assisto sempre muitos curtas no Youtube e como espectador os que mais gosto são de animações. A originalidade deles é algo que me atrai.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Me chama a atenção a criatividade que a Pixar teve ao colocar curtas antes ou depois dos filmes nas salas de cinema. Pequenas comédias que já vão criando um “clima” para o filme que virá a seguir ou uma história secundária àquela que acabamos de assistir, portanto, acredito que para crescer as produções de curtas-metragens, as produções devem se basear no longa-metragem que está naquela sala.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Claro, assim como em qualquer forma de arte. Experimentais é o que geralmente mostram o futuro do sucesso.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Absolutamente sim. Como disse, na minha visão, os curtas são onde nós aprendemos. Por isso o interesse de sempre trabalhar com pessoas novas.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
A cultura em geral está sempre se comercializando. Hoje, no Brasil, estamos no auge da criação de comédias. Mas acho que falta filmes infantis e animações!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Mas acho que até isso acontecer, vai demorar um pouco. Projeto é o que não falta...

Mario de la Rosa


Ator. Atuou nos espetáculos teatrais “Billiri e o Pote Vazio”; “Toc Toc”; “Teatrokê”; “O Ilha do Tesouro”, entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Inicialmente, cabe esclarecer que meu trabalho é muito mais dedicado ao teatro e minhas participações em vídeo, apesar do meu esforço em buscar intensificá-las, restringem-se a comerciais, vídeos institucionais e algumas participações em séries da TV, que, se no rigor da palavra podem ser considerados curtas-metragens, não creio que sejam o objeto desta conversa.

Entretanto, penso que a visão de um artista que não esteja profundamente envolvido nas produções de curtas, também possa servir de parâmetro para aqueles mais embrenhados nesta arte, colaborando, no mínimo, para a melhor compreensão de como ela está chegando ao público.

Acho que os critérios para aceitar a participação na produção de um curta-metragem devam ser os mesmos usados para qualquer outra participação, seja ela numa peça de teatro, num longa, numa novela, numa série ou num vídeo de comercial. Esses critérios podem se dividir basicamente em dois grandes blocos: qualidade artística e compensação. Claro que são blocos muito extensos e cabe muita coisa em cada um deles. Mas, dentro de qualidade artística, fundamentalmente eu levo em conta o quanto o trabalho desafia, emociona, comunica, propõe, inverte, diverte, inova, renova, critica, estimula, enfim, o quanto de todas as emoções que sinto fervendo dentro de mim como artista, o trabalho em questão vai ser capaz de comunicar. E dentro da compensação, está todo o ganho que você pode ter com o trabalho, incluindo o lado mais pragmático, a capacidade que o trabalho vai ter de manter financeiramente o seu dia-a-dia, possibilitando que você sustente inclusive os seus sonhos na realidade da sociedade. Um trabalho pode ter qualidade artística fantástica, mas se não tiver público, mesmo que financeiramente você esteja protegido por algum patrocínio, a compensação emocional poderá não existir, e você poderá desistir do trabalho.

Acredito que o que difere na avaliação, entre os diversos tipos de proposta de trabalho que você pode receber, é o peso que você dá (ou pode dar, dependendo da circunstância que está vivendo) para cada um dos critérios que mencionei. Por exemplo, quando você aceita fazer um comercial na televisão, o peso da qualidade artística às vezes pode tender a zero, mas nunca será totalmente desprezado, porque sempre haverá um pedacinho do seu artista ali na cena. Olhando para a produção de um curta-metragem, imagino que o fator experimental e desafiador do trabalho seja o mais decisivo, entretanto os fatores da compensação sempre estarão presentes, mesmo que em menor peso, seja pelo retorno financeiro ou pela possibilidade de divulgação de seu trabalho artístico.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Bem, como eu disse, não tenho muito que relatar em produções deste tipo. Aliás, se alguém tiver um projeto interessante e quiser me convidar, estou pronto para ouvir!

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Quanto a isso, acho que a produção de curtas sofre o mesmo problema da produção teatral, elas não chegam ao grande público, ninguém entende, não dá audiência, não há interesse. Então, como não há interesse, a mídia publica muito pouco, então continua não chegando ao grande público, continua ninguém entendendo, não dando audiência, não gerando interesse. É um círculo vicioso.

E quando querem que chegue ao grande público, fazem uma pasteurização, uma homogeneização de forma, conteúdo e conceito, aproximando o novo do conhecido. Com isso, o interesse maior pelo teatro hoje é a comédia rasgada, o “stand-up” e o grande musical, preferencialmente com uma grande estrela televisiva, e o que estiver fora disso vive no sufoco. Enxergo algo similar com a produção de curta-metragem, acredito que somente as animações e alguns documentários chegam mais próximos do grande público, os demais correm pelas bordas. Às vezes, produzimos para nós mesmos aplaudirmos.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que existem boas iniciativas por meio de festivais, mas acredito que ainda é muito pouco. Deveriam existir sessões de cinema exclusivas para curtas-metragens. O curta-metragem não deveria ser apenas um “petisco” antes da apresentação do “prato principal” longa-metragem. Mas, para isso acontecer, seria necessária uma produção muito maior do que a existente atualmente, para que as salas de cinema tivessem conteúdo suficiente para exibição. Ou seja, não se exibe porque não se produz, mas não se produz porque não se exibe. Novo círculo vicioso!

Porém, estamos vivendo uma grande transformação nas formas de comunicação, que ainda não conseguimos compreender direito, mas que estão aí, esperando. Existem novos meios disponíveis para a experimentação e já existem experiências muito bem sucedidas. Acho que temos que explorar muito mais essas novas possibilidades.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que todos os meios deveriam ter a liberdade para a experimentação. O grande público deveria também participar da experimentação. Caso contrário, continuaremos no mesmo pé, o curta não chegando ao grande público porque é muito experimental, o grande público querendo só a experiência fácil, e os outros meios não podendo experimentar. Tudo bem, se não quisermos ser tão utópicos, não usemos o termo “grande público”, usemos então “médio público”, mas é preciso ampliar, atingir mais gente, ser menos hermético.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não acho que deveria ser visto desta maneira, pois sendo assim, o curta-metragem estaria sendo classificado como uma arte menor.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acho que existam receitas, mas acho que deve passar pela iniciativa própria, que se produza, mesmo que precariamente, sem esperar por legislações e incentivos milagrosos. Como disse antes, temos de aprender a usar melhor as facilidades tecnológicas e de comunicação... e fazer.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Também já andei pesquisando minhas precariedades, arregacei as mangas e comecei a produzir o que seria (ou será) uma pequena série chamada “Videocrônicas”, disponível no Youtube.

Entretanto, ainda não consegui ultrapassar a barreira da precariedade minimamente aceitável, e a ocupação com outros trabalhos me impediram de evoluir. Mas, sim, pretendo investir melhor neste ou em outro projeto de curta-metragem futuramente. Pra finalizar, quero agradecer a oportunidade desta entrevista. Gostei muito de refletir sobre este assunto.

Espero que não tenha sido uma leitura muito chata! Um grande abraço a todos!

Yunes Chami


Desde 1969 na área artística, participou em mais de 50 montagens de espetáculos teatrais – como ator e diretor – e mais de 50 filmes publicitários, institucionais, documentários e vídeos. Na sua formação artística, destacam-se as experiências no CPT/SESC, com Antunes Filho e no Teatro do Centro da Terra, com Ricardo Karman. Fez curtas e longas-metragens, novelas e séries especiais.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Aquilo que está por trás das lentes: o olhar de um diretor atento às mudanças que ocorrem no dia a dia da humanidade; a inquietação e ousadia em inovar; enfim, o processo criativo pelo qual toda a obra passa, ensejando boas propostas, que são apresentadas ao ator, a fim de que ele estude a melhor maneira de absorvê-las e bem montar as características de personalidade da personagem que lhe está sendo confiada.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Fiz poucos curtas-metragens:

1986 – “Os Pássaros” (José Roberto Giusti) - II Conc. Brasileiro Cinema Super 8.

1987 / 1988 – “O Candidato” (José Roberto Giusti) - III Concurso Brasileiro de Cinema Super 8 e Festival de Cinema de Gramado, do meu grande amigo Giusti.

2007 – “Oras Bolas” (direção e roteiro: Rafael Alves).

2008 – “Crise Interna” (roteiro: Bruno Machine).

2009 – “A Chave na Porta” (direção: Letícia Castilho).

2011 – “Eu Só Vim Telefonar” (roteiro e direção: Marcelo Spolidoro).

Esses todos com uma galera motivada pelo curso que estavam fazendo, cujas experiências devem ter valido muito no início de suas carreiras.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Os meios de Comunicação estão sempre às voltas com o estabelecimento das pautas diversas. Poderiam, aí, incluir artigos/colunas, etc., onde abordassem as novidades desse mercado - surgimento de novas ideias, novos diretores, onde ocorrem as exibições, os festivais. Aí, pergunto: será que os responsáveis têm interesse nessa divulgação? Material suficiente e interessante, certamente, a mídia terá.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Deveriam ser incluídos para exibição nos cinemas, antes dos longas-metragens, como meio de despertar a curiosidade do público. Os festivais poderiam ter maior repercussão, com a exibição dos concorrentes e dos vencedores na mídia. Aí, talvez, uma legislação adequada, normalizando esse e outros aspectos, seja o caminho.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Grandes produções de curtas-metragens reforçam isso. Você pode ousar mais, sem envolver grandes “números”. O processo criativo tem necessidade dessa liberdade que você cita na pergunta. Os eventuais, e parcos, patrocinadores agradecem.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Pode ser que sim. Também, há profissionais de curtas que escolhem essa estrada e não trocam por nada.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não sei lhe dizer. Os profissionais, diretamente envolvidos na feitura de um curta-metragem, poderiam responder com mais propriedade do que eu, pois não tenho muita experiência na área.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não estou com essa bola toda. Se for para dirigir os atores, servindo de “intérprete” entre autor e diretor, tô nessa!!! 

Eric Nowinski


Ator, iluminador e diretor. Atuou no espetáculo teatral “A Comédia dos Erros”, de William Shakespeare, direção de Carlo Milani e Jairo Mattos.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Cada veículo exige o ator de uma maneira diferente. É muito bom exercitar o ofício de atuar sob diferentes condições: o palco, o estúdio, o set e a relação direta com os espectadores ou mediada pela câmera te exigem de maneiras diferentes. Mesmo dentro de cada linguagem (no caso o cinema), o formato também determina essa interação. Então o registro de interpretação específico para o cinema somada à concisão do formato sempre resulta num desafio interessante. E é claro que um bom roteiro também é um fator decisivo para aceitar um convite.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já participei de várias, nem sei registrar todas. Desde o tempo em que era eu um ator iniciante (fim dos anos 70 , início dos 80) até os dias atuais(vou citar “A Revolta dos Carnudos”, da Eliana Fonseca e “De Castigo”, da Helena Ungaretti). Acredito que posso dar um testemunho interessante, tanto no que diz respeito à evolução tecnológica quanto ao que observo na própria postura dos profissionais e estudantes envolvidos com o formato. Talvez seja uma visão um pouco romântica, mas quando filmávamos em película, com baixo orçamento, a “margem de erro” era muito crítica. Isso levava a uma relação mais artesanal, demandava mais ensaio e concentração por parte da equipe e do elenco. Em contrapartida, os recursos que o acesso á tecnologia de ponta trouxe para as produções de hoje melhoraram bastante a qualidade técnica das produções.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que o espaço, que já era pouco, diminuiu mais ainda em função das condições que mencionei anteriormente. O aumento exponencial da quantidade de curtas possibilitado pelo acesso facilitado à “tecnologia do fazer”, e a escassez de circuitos e festivais dedicados ao formato são fatores que concorrem para esta realidade.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Lembro de um tempo em que sempre antes de um longa metragem havia a projeção de um curta...Demandaria um esforço de programação, na medida em que seria interessante a relação entre a “preliminar” e o “principal”. Mas aí qualquer resolução por decreto também não é boa... Gosto também de programações especiais, no MIS ou na Cinemateca dedicadas ao formato e até eventuais e raras incursões deste tipo da TV a cabo (saudades do “Zoom”, da TV Cultura). Impossível deixar de mencionar o canal Curta!, que entrou recentemente no ar.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Eventualmente, sim. Se o compromisso é com a tua ideia e o público que quer atingir, e não o mercado , então essa premissa é verdadeira. Muitas ideias consideradas “experimentais” no campo criativo e/ou tecnológico foram testadas em curtas metragens antes de serem absorvidas pelo cinema “convencional”.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Aqui explico as “aspas” da resposta anterior. É verdade que você pode testar uma ideia, conceito ou roteiro num curta como teste para viabilizar um longa. Mas gosto muito mais de pensar que cada formato tem os seus códigos e inflexões próprios. Admiro os cineastas que produzem especialmente para o formato, e nem por isso deixam de construir uma obra consistente.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Olha, a minha praia mesmo é o teatro. Partilhamos de alguns conceitos fundamentais nos processos de criação e produção, mas também nestes aspectos há diferenças brutais de concepção, de acordo com cada linguagem. Quero mesmo um dia fazer isto (dirigir Cinema), mas por enquanto ainda me sinto desautorizado. Preciso acompanhar a produção de alguns curtas do lado de lá da câmera para entender melhor como isso acontece, uma vez que a minha experiência no formato se resume à atuação. Gostaria de começar pela tentativa de desenvolver um roteiro, ou fazer a preparação dos atores... (alguém aí me convida?)

J. Peron


Ator. No espetáculo musical “Raul Seixas e o Fã” interpreta Raul Seixas.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Acredito que toda experiência é valida para um artista, e um curta é sem dúvida uma boa escola para quem quer iniciar seus trabalhos, pois além de contato com as câmeras, também nos dá uma boa noção sobre planejamento e finanças envolvidas numa produção cinematográfica.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Venho da escola da TV, trabalhei em duas emissoras pequenas produzindo documentários e programas de variedades. Participei também de algumas produções de videoclipes para artistas. Em 1998 trabalhei numa produção independente de um cineasta de Campinas chamado Carlos Dias. Fiz toda a edição de áudio e vídeo do título “Um Trapinha na Mina Encantada” e recentemente participei do filme “Colegas” de Marcelo Galvão.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Existe sem duvidas um grande jogo de interesse nisso tudo. Acredito que tudo venha de costume. Temos uma ideia errônea de cinema, talvez pelas grandes produções de Hollywood, esperamos muitos efeitos e grandes produções, mas quando somos apresentados a curtas com bons argumentos e roteiros inteligentes, percebemos que o publico fica satisfeito com os resultados. O povo brasileiro esta dando um exemplo nas ruas de que querem mudanças, talvez os jornais e a mídia, percebendo isso, abram mais espaços para novidades.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Com a tecnologia as pessoas estão tendo mais contato com vídeos, principalmente por causa dos aparelhos de celular, isso sem dúvida vai despertar o interesse. Já tive experiências com a música, por exemplo, depois que uma pessoa começa estudar música ela passa a ser mais critica e procura ouvir outro tipo de som e não o que é imposto pela mídia em geral. Talvez um caminho fosse implantar nas escolas de base aulas de cultura, pode ser um tanto utópico, mas quem sabe num futuro próximo?

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvidas um curta-metragem é um laboratório, novas ideias e novos conceitos surgem principalmente das dificuldades encontradas para se fazer um audiovisual no nosso país. Temos grandes exemplos de profissionais que começaram assim e hoje assinam grandes obras.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Grandes maestros começaram compondo Sonetos para, depois sim, comporem Sinfonias. Vejo possibilidades grandes no nosso país, pois temos pessoas inteligentíssimas e com certeza num futuro muito breve teremos grandes produções com baixo custo, já que são poucos os incentivos a produções independentes.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Como não temos muito apoio, a grande receita é usarmos o que temos de melhor no Brasil, ou seja, a criatividade. Temos vários exemplos de filmes feitos com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Nosso povo é criativo e tem talento, por outro lado temos ainda certo preconceito com os trabalhos realizados aqui. Com o tempo isso há de passar.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Fiz alguns trabalhos para alunos de faculdades com bons resultados, tudo muito amador, mas foi uma boa escola e, penso sim em breve produzir algumas coisas. Tenho dedicado grande parte do meu tempo para a música, mas tenho alguns rascunhos guardados que num futuro próximo colocarei em andamento.

Maurício Squarisi


Cineasta. Integrante do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas. É dele o longa-metragem em animação “Café, um dedo de prosa”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Comecei a fazer curtas-metragens de animação em 1979, desde então dirigi 13 filmes. Como são filmes autorais, sou sempre motivado por questões pessoais. Embora a maioria dos filmes que fiz tratam de temas históricos, mesmo assim o estímulo é uma questão pessoal. Por exemplo: em 1996 fiz o filme "Nhô Tonico" (biografia do compositor Carlos Gomes nascido em 1836 e falecido em 1896) o que me motivou foi eu ser campineiro, viver em Campinas e sentir a obra de Carlos Gomes em vários locais da cidade.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Nos filmes autorais tento responder a uma necessidade interior de me expressar sobre determinado assunto, minha forma de me expressar é desenhando, portanto vou desenhando sobre esse assunto, depois de algum tempo começo a animar esses desenhos. Quando já tenho algumas animações faço um roteiro e trabalho um tempo sobre esse roteiro fazendo várias versões. Geralmente, paralelamente ao roteiro vou fazendo um story-board (porque preciso desenhar). Com um story-board organizado vou em busca de recursos para poder fazer essas ideias realmente se tornarem um filme. Um exemplo: em 1994 fiz "Molecagem". Fiquei dois anos desenhando brincadeiras de minha infância (pião, pipa, carrinhos de rolimã, etc.), depois fiz o roteiro dando início e fim à essas brincadeiras, paralelamente fiz o story-board. Já tinha várias cenas animadas, então fui em busca de recursos para financiar essa fantasia. Inscrevi o projeto em editais, contatei empresas, até que uma Multinacional automotiva viu uma ligação entre esse tema e sua campanha de natal e financiou o filme. Esse processo que acabo de descrever não é uma regra, cada produção encontra seus próprios caminhos para se realizar. Além de filmes autorais, realizo oficinas de animação que também geram curtas-metragens, nesses o processo é diferente, fazemos uma criação coletiva. O grupo de alunos (crianças, educadores) coletivamente cria o roteiro, grafismo e animação. Muitas vezes essas oficinas geram filmes com uma bela carreira, um exemplo é o filme "A VELHA A FIAR", realizado com um grupo de educadores em 2003. Esse filme foi adquirido por canais de televisão e participou de vários festivais importantes.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Me parece que a grande mídia (televisão) determina os formatos que devem participar das chamadas grades de programação e dão preferência às séries. As salas de exibição se conformaram em um esquema no qual somente o longa-metragem é viável. Portanto os curtas-metragens não tem muitas oportunidades de serem vistos pelo grande público. Daí não despertam interesse dos jornais e mídia impressa em geral. O grande destino dos curtas tem sido os festivais. O que não é pouco. Só no Brasil há cerca de 300 festivais em todas as regiões do país. No exterior mais um número enorme. O autor de curta-metragem precisa entender que seu trabalho não termina com a realização do filme. Na verdade, depois de o filme pronto se inicia um outro enorme trabalho, que é se esforçar para o seu filme ser visto. Uma coisa importante é enviar o filme para o maior número de festivais possível, se o filme for selecionado em vários festivais ele trará vários tipos de retorno ao realizador. Uma estimativa do Fórum dos Festivais (de alguns anos atrás) avaliava que os festivais no Brasil atingem um público de dois milhões de expectadores, é um número respeitável.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A exibição de curtas-metragens nas salas de cinema antes dos longas-metragens foi uma experiência muito boa, seria interessante retomá-la com as devidas correções. Daria para se fazer um bom programa nas TVs abertas.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que o realizador tem liberdade para experimentação no curta-metragem à medida que o custo não é tão grande, você pode errar, experimentar, aprender, se frustrar sem tanto prejuízo como em um longa-metragem.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Para alguns cineastas a soma de experiência na realização de alguns curtas-metragens podem levá-lo ao longa-metragem. Outros pode satisfazer sua necessidade de expressão apenas com os curtas e acho que isso não os diminui. Também acho legal não ficar preso ao rótulo de "curta-metragista" ou longa-metragista", quando você tiver uma necessidade de expressão que cabe em um curta, você faz um curta, se sua necessidade pede um média ou um longa, ou uma série, você se esforça para realizá-la nesse formato.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acredito que exista uma receita. Acho que a primeira coisa importante é realizarmos o filme que queremos, depois nos esforçarmos para fazer esse filme chegar ao público de todas as formas possíveis.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Há vários projetos de curtas que ainda pretendo realizar.