sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Eric Nowinski


Ator, iluminador e diretor. Atuou no espetáculo teatral “A Comédia dos Erros”, de William Shakespeare, direção de Carlo Milani e Jairo Mattos.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Cada veículo exige o ator de uma maneira diferente. É muito bom exercitar o ofício de atuar sob diferentes condições: o palco, o estúdio, o set e a relação direta com os espectadores ou mediada pela câmera te exigem de maneiras diferentes. Mesmo dentro de cada linguagem (no caso o cinema), o formato também determina essa interação. Então o registro de interpretação específico para o cinema somada à concisão do formato sempre resulta num desafio interessante. E é claro que um bom roteiro também é um fator decisivo para aceitar um convite.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já participei de várias, nem sei registrar todas. Desde o tempo em que era eu um ator iniciante (fim dos anos 70 , início dos 80) até os dias atuais(vou citar “A Revolta dos Carnudos”, da Eliana Fonseca e “De Castigo”, da Helena Ungaretti). Acredito que posso dar um testemunho interessante, tanto no que diz respeito à evolução tecnológica quanto ao que observo na própria postura dos profissionais e estudantes envolvidos com o formato. Talvez seja uma visão um pouco romântica, mas quando filmávamos em película, com baixo orçamento, a “margem de erro” era muito crítica. Isso levava a uma relação mais artesanal, demandava mais ensaio e concentração por parte da equipe e do elenco. Em contrapartida, os recursos que o acesso á tecnologia de ponta trouxe para as produções de hoje melhoraram bastante a qualidade técnica das produções.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que o espaço, que já era pouco, diminuiu mais ainda em função das condições que mencionei anteriormente. O aumento exponencial da quantidade de curtas possibilitado pelo acesso facilitado à “tecnologia do fazer”, e a escassez de circuitos e festivais dedicados ao formato são fatores que concorrem para esta realidade.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Lembro de um tempo em que sempre antes de um longa metragem havia a projeção de um curta...Demandaria um esforço de programação, na medida em que seria interessante a relação entre a “preliminar” e o “principal”. Mas aí qualquer resolução por decreto também não é boa... Gosto também de programações especiais, no MIS ou na Cinemateca dedicadas ao formato e até eventuais e raras incursões deste tipo da TV a cabo (saudades do “Zoom”, da TV Cultura). Impossível deixar de mencionar o canal Curta!, que entrou recentemente no ar.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Eventualmente, sim. Se o compromisso é com a tua ideia e o público que quer atingir, e não o mercado , então essa premissa é verdadeira. Muitas ideias consideradas “experimentais” no campo criativo e/ou tecnológico foram testadas em curtas metragens antes de serem absorvidas pelo cinema “convencional”.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Aqui explico as “aspas” da resposta anterior. É verdade que você pode testar uma ideia, conceito ou roteiro num curta como teste para viabilizar um longa. Mas gosto muito mais de pensar que cada formato tem os seus códigos e inflexões próprios. Admiro os cineastas que produzem especialmente para o formato, e nem por isso deixam de construir uma obra consistente.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Olha, a minha praia mesmo é o teatro. Partilhamos de alguns conceitos fundamentais nos processos de criação e produção, mas também nestes aspectos há diferenças brutais de concepção, de acordo com cada linguagem. Quero mesmo um dia fazer isto (dirigir Cinema), mas por enquanto ainda me sinto desautorizado. Preciso acompanhar a produção de alguns curtas do lado de lá da câmera para entender melhor como isso acontece, uma vez que a minha experiência no formato se resume à atuação. Gostaria de começar pela tentativa de desenvolver um roteiro, ou fazer a preparação dos atores... (alguém aí me convida?)

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