sexta-feira, 4 de setembro de 2015

J. Peron


Ator. No espetáculo musical “Raul Seixas e o Fã” interpreta Raul Seixas.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Acredito que toda experiência é valida para um artista, e um curta é sem dúvida uma boa escola para quem quer iniciar seus trabalhos, pois além de contato com as câmeras, também nos dá uma boa noção sobre planejamento e finanças envolvidas numa produção cinematográfica.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Venho da escola da TV, trabalhei em duas emissoras pequenas produzindo documentários e programas de variedades. Participei também de algumas produções de videoclipes para artistas. Em 1998 trabalhei numa produção independente de um cineasta de Campinas chamado Carlos Dias. Fiz toda a edição de áudio e vídeo do título “Um Trapinha na Mina Encantada” e recentemente participei do filme “Colegas” de Marcelo Galvão.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Existe sem duvidas um grande jogo de interesse nisso tudo. Acredito que tudo venha de costume. Temos uma ideia errônea de cinema, talvez pelas grandes produções de Hollywood, esperamos muitos efeitos e grandes produções, mas quando somos apresentados a curtas com bons argumentos e roteiros inteligentes, percebemos que o publico fica satisfeito com os resultados. O povo brasileiro esta dando um exemplo nas ruas de que querem mudanças, talvez os jornais e a mídia, percebendo isso, abram mais espaços para novidades.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Com a tecnologia as pessoas estão tendo mais contato com vídeos, principalmente por causa dos aparelhos de celular, isso sem dúvida vai despertar o interesse. Já tive experiências com a música, por exemplo, depois que uma pessoa começa estudar música ela passa a ser mais critica e procura ouvir outro tipo de som e não o que é imposto pela mídia em geral. Talvez um caminho fosse implantar nas escolas de base aulas de cultura, pode ser um tanto utópico, mas quem sabe num futuro próximo?

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvidas um curta-metragem é um laboratório, novas ideias e novos conceitos surgem principalmente das dificuldades encontradas para se fazer um audiovisual no nosso país. Temos grandes exemplos de profissionais que começaram assim e hoje assinam grandes obras.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Grandes maestros começaram compondo Sonetos para, depois sim, comporem Sinfonias. Vejo possibilidades grandes no nosso país, pois temos pessoas inteligentíssimas e com certeza num futuro muito breve teremos grandes produções com baixo custo, já que são poucos os incentivos a produções independentes.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Como não temos muito apoio, a grande receita é usarmos o que temos de melhor no Brasil, ou seja, a criatividade. Temos vários exemplos de filmes feitos com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Nosso povo é criativo e tem talento, por outro lado temos ainda certo preconceito com os trabalhos realizados aqui. Com o tempo isso há de passar.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Fiz alguns trabalhos para alunos de faculdades com bons resultados, tudo muito amador, mas foi uma boa escola e, penso sim em breve produzir algumas coisas. Tenho dedicado grande parte do meu tempo para a música, mas tenho alguns rascunhos guardados que num futuro próximo colocarei em andamento.

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