quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Déo Garcez


Ator. No teatro, dentre outras, fez peças de Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Shakespeare, Maquiavel, Jean Genet e Harold Pinter. Na televisão, esteve em novelas de grande sucesso, como "Xica da Silva" e "Mandacaru" (Manchete), "O Cravo e a Rosa" (Globo), "Canavial de Paixões" (SBT), "A Escrava Isaura", "Prova de Amor", "Caminhos do Coração" e "Os Mutantes" (Record). Em 2007, recebe o Troféu Raça Negra de Melhor Ator pelo Bené, de "Caminhos do Coração". Em 2010, ganhou o Arlequim de Melhor Ator do Festival de Teatro do Rio com "Morte Sobre a Lama", de Ricardo Torres.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Porque curto muito fazer cinema, uma arte que fica para o futuro, seja curta ou longa-metragem. Se o projeto for desafiador, e eu tiver disponibilidade de tempo, vou querer fazer.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Tem sido uma experiência bem interessante e enriquecedora. Eu me envolvo da mesma forma que me envolveria fazendo um longa-metragem, teatro, ou televisão. Foco muito na criação do meu personagem, acompanhando, quando possível, os outros itens da criação. E isto faz com que eu esteja sempre aprendendo um pouco mais.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não sei. Talvez porque o curta, infelizmente, seja considerado como um produto a ser exibido praticamente só em festivais de cinema. E daí deem a ele menos atenção do que mereceria.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Para que ele atingisse um público maior, talvez fosse o caso de voltar à existência a lei que obrigava sua exibição nos cinemas, antes do longa. Uma boa divulgação também é fundamental.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
No curta, há muito mais facilidades com relação à participação de pessoas interessantes, tanto no elenco quanto na ficha técnica, por diversos motivos: tempo de execução, descomprometimento com o mercado formal, possibilidade de grandes personagens, nem sempre disponíveis em outras mídias, etc. Há também a questão financeira, que envolve infinitamente menos custos do que na realização de um longa. O próprio resultado do trabalho pode influenciar na frequência da exibição, já que o diretor e/ou produtor, caso não fiquem tão satisfeitos com o produto final, podem optar por não exibi-lo muitas vezes. Quando você não precisa atender a interesses outros que não sejam exatamente os da criação artística, naturalmente você fica mais livre para dar mergulhos ou saltos. Que são sempre mais desafiadores do que a mera caminhada.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Como diria Caetano Veloso, “ou não”. Com certeza, muitos estudantes recém-formados em cinema começam pelos curtas. É uma forma de aprender a fazer, experimentar e exercitar para depois se arriscar a fazer um longa. Mas... há pessoas que acham a linguagem do curta mais interessante, mais livre, mais aberta à experimentação, e preferem ficar apenas com eles. Há espaço pra todo mundo, sempre.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Receitas não existem. Mas uma mistura de talento, disposição, sorte, ótima rede social, muita determinação, boas escolhas, etc., etc., etc., pode ser que ajude.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não. Meu grande barato é mesmo atuar.

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