quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Flávia Bertinelli


Atriz e diretora. Dirigiu o premiado espetáculo "Jogo de Cenas" e "O Rapto", ambos roteiros inspirados na commedia dell’arte. Atualmente trabalha com a Cia. Le Plat Du Jour; ministra workshops e oficinas sobre o uso da máscara como impulso criativo e pesquisa a linguagem teatral em suas mais diversificadas manifestações.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Projetos que dilatem um olhar conciso, porém curioso, sobre obviedades.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Senti-me deliciosamente como peça de um jogo composto por camadas, que vão se justapondo por um único objetivo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Talvez não seja a pessoa indicada para diagnosticar o desinteresse crítico e financeiro sobre a divulgação de curtas e me perca tentando explicar o que tem sido muito difícil em compreender. A cultura tem sido um local de muita luta por parte de muitos artistas, que se tornam contorcionistas e criam projetos em conformidade de editais, para sobreviverem. Não há um olhar mais atento para a cultura, para a criação, nas mais diversificadas áreas culturais, e aqui, incluo os curtas. Falta de incentivo público, de políticas públicas, de investimento privado que vise qualidade de retorno; formação de público. Sinto a cultura isolada, ante um cenário político que cruza os braços e ri antes mesmo de ouvir a piada, como se ela fosse a própria, não há escuta, não há interesse (...) ainda.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Deixar de ser um ideário. Ir ao curta, tem que se tornar um ritual, como ir ao teatro, ao museu, ao show. "Vou ao cinema ver um curta!" E não, " Vou ao cinema que passa primeiro um curta, mas logo em seguida, passará o longa". É costume, é ousadia e iniciativa por parte de quem cria, de quem faz, junto às instituições.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Experimentação, pra mim, é inerente à obra de arte, que deve ter por excelência, o inacabamento, e neste meu ponto de vista, incluo, sem dúvida, o curta-metragem.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
São universos que falam a mesma língua, mas com peculiaridades bem específicas. conservando a individualidade de cada uma delas, não vejo problema alguma, uma servir de trampolim, escada, para outra.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Falta-me experiência para decifrar a receita, e o óbvio já disse em perguntas anteriores. Qualquer novidade, aviso e divulgo em redes sociais!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Seria muito imaturo dizer que sim neste momento, mas não descarto possibilidades. Adoro dilatar cantos e olhares sobre ideias.

Nenhum comentário: